Macieiras: por que razão escolher variedades antigas e locais?
Pela sua resistência natural, pela biodiversidade e pela preservação do património
Resumo
Entre as 6 000 mil variedades de maçãs existentes, apenas um pequeno grupo chega aos nossos supermercados. As variedades antigas, que não deixam de ter muitas qualidades, são frequentemente preteridas em favor de variedades modernas, consideradas mais produtivas e mais resistentes às doenças.
No entanto, a preservação das maçãs de variedades antigas é uma verdadeira questão cultural e ambiental. Assim, uma vez que as macieiras são fruteiras muito apreciadas nos jardins e continuam a ser as mais cultivadas na Europa, por que não dar preferência a estas variedades? Redescubra os seus numerosos atributos e as principais variedades em causa.
Como complemento, para ficar a saber tudo sobre o cultivo das macieiras, consulte o nosso guia completo: Macieira: plantar, podar e cuidar.
A origem das macieiras
As macieiras (Malus domestica) são fruteiras da família das Rosáceas (pereiras, ameixeiras, cerejeiras, mas também roseiras, espireiras…). São originárias das zonas temperadas do hemisfério norte.
São plantas cultivadas há séculos. Existem na natureza cerca de 60 espécies de Malus, quer ornamentais quer fruteiras.
Em França, a partir dos anos 30, as macieiras antigas sofreram as consequências do progresso técnico, mas também das campanhas de arranque das macieiras para sidra, oficialmente destinadas a combater o alcoolismo nas zonas rurais. O êxodo rural também contribuiu para o abandono de alguns pomares. As variedades locais começaram então a desaparecer.
Ao longo do tempo, foram realizadas numerosas seleções e hibridações, com o objetivo de obter cultivares com frutos mais homogéneos e calibrados, sem «imperfeições». Paralelamente, oferecem produções mais elevadas e regulares, além de uma longa conservação, o que permite responder ao ritmo de produção e consumo modernos. Algumas variedades recentes foram também criadas para resistir melhor às doenças, nomeadamente ao pedrado, o que as torna mais fáceis de cultivar. É por isso que encontramos nas lojas convencionais apenas algumas variedades de maçãs, apesar da grande diversidade existente, como a ‘Golden delicious’, a ‘Gala’, a ’Pink Lady’ ou a ‘Granny Smith’. O seu sabor também corresponde melhor às expectativas atuais: os seus frutos são menos ácidos, mais doces e agradam à maioria dos paladares.
Atualmente, embora a maçã esteja frequentemente associada à região da Normandia na imaginação dos consumidores, é sobretudo produzida na Occitânia, nos Países do Loire, na região PACA e na Nova Aquitânia (fonte: Câmaras de Agricultura de França, 2022).
Maçãs antigas e locais: variedades adaptadas aos nossos climas
Este é o primeiro argumento a favor das macieiras antigas e locais. Tal como acontece com todas as plantas indígenas, isto é, originárias do território onde crescem, são naturalmente variedades adaptadas a todas as condições do meio. Isto inclui:
- o tipo de solo;
- as condições meteorológicas;
- as pragas e os parasitas.
Por conseguinte, apresentam uma maior resistência a estes diferentes elementos, e apenas as variedades capazes de suportar essas condições conseguiram sobreviver por seleção natural. Por exemplo, numa região onde podem ocorrer geadas tardias, a floração da macieira pode ser naturalmente retardada, para não ser afetada. Numa região muito húmida, a fruteira pode revelar-se mais resistente às doenças criptogâmicas.
Assim, estas macieiras necessitam naturalmente de menos cuidados do que algumas das suas congéneres modernas: proteção contra o frio, tratamentos fitossanitários (antifúngicos, antiparasitários…), rega, poda, etc. O seu cultivo permite, portanto, poupar tempo e dinheiro, limitando simultaneamente o recurso a substâncias que podem revelar-se nocivas para o ambiente.

Macieira ‘Api Étoilé’
Macieiras adaptadas à biodiversidade local
Quando são originárias de uma determinada zona, as fruteiras integram-se perfeitamente na paisagem a todos os níveis. Embora tenhamos acabado de ver que suportam as condições de vida, também vão contribuir para o equilíbrio do meio. Assim, estarão totalmente adaptadas à biodiversidade local: outras plantas, insetos, aves, pequenos mamíferos, etc.
As variedades antigas são frequentemente excelentes polinizadoras, contribuindo para estimular a floração de outras macieiras, mas também de plantas que crescem nas proximidades.
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Quais são as melhores variedades de maçãs?A importância de preservar o património alimentar
As macieiras antigas recordam-nos até que ponto a natureza nos presenteia com uma vasta paleta de sabores. Optar por não deixar desaparecer as variedades antigas não é apenas uma questão de nostalgia. É uma forma de preservar o património genético destas plantas, que fazem parte da nossa cultura e da nossa história. Isso permite evitar a uniformização dos sabores, das formas e das texturas, bem como valorizar um terroir.
Mas conservar um património genético rico também permite limitar os riscos de epidemias. A presença destas macieiras antigas e locais é igualmente importante para o futuro: podem ser estudadas para responder aos atuais desafios climáticos em termos de adaptação a um determinado ambiente. São também essenciais para continuar a criar novos cultivares.

Macieira ‘Chailleux’
Quais são as variedades de macieiras antigas e locais?
Poderá encontrar macieiras antigas:
- na internet, nomeadamente no nosso site :);
- em viveiros;
- diretamente junto de produtores locais;
- em alguns mercados.
Existem também pomares de conservação ou associações locais de salvaguarda, que trabalham para a sua preservação.
Existem dezenas de variedades de maçãs antigas.
- A macieira ‘Châtaignier’. É uma variedade particularmente cultivada na Normandia para fazer sidra ou sumo de maçã. Produz frutos amarelo-esverdeados, maculados de vermelho, que se conservam durante muitas semanas após a colheita. Oferecem um sabor bastante doce, com polpa tenra e pele fina. É uma macieira resistente à sarna.
- A macieira ‘Calville Rouge d’Hiver’. Produz maçãs vermelho-sangue, com polpa rosada, o que lhes vale o nome de «sanguinole». O seu sabor é ácido e doce, com polpa fundente e sumarenta. É uma maçã ideal para consumir crua e conserva-se bem. Deve ser cultivada preferentemente em regiões onde os verões não sejam demasiado quentes.
- A macieira ‘Astrakan rouge’. Uma variedade precoce, cujos frutos podem ser consumidos a partir de meados de julho. A sua polpa é sumarenta e aromática. É um fruto que se presta tanto ao consumo cru como cozinhado. A sua floração, que ocorre apenas em maio, é ideal para regiões sujeitas a geadas tardias. É uma variedade perfeitamente adaptada a zonas de altitude, graças à sua resistência ao frio.
- A macieira ‘Api étoilé’, cujos frutos têm uma forma original de estrela. A sua pele é verde, com tons rosados no lado exposto ao sol. É uma maçã aromática, mas pouco sumarenta. A colheita ocorre no final do ano, permitindo uma longa conservação até maio. Pode ser consumida crua ou cozinhada.
- A macieira ‘Chailleux’. Uma variedade muito cultivada na Bretanha e bastante produtiva. As suas maçãs coloridas têm uma polpa crocante, sumarenta e doce. São apreciadas para a produção de sidra, mas também se conservam muito bem. É uma fruteira resistente às doenças.
- A macieira ‘Reinette Clochard’, que produz excelentes maçãs de mesa. De cor amarela manchada de castanho, oferecem uma polpa aromática, doce e ligeiramente ácida. É também uma variedade que se conserva até à primavera.
- A macieira ‘Belle Fille de Salins’, uma variedade rara originária do Jura. Os seus frutos podem ser consumidos tal como estão, diretamente colhidos da árvore. São bem coloridos, crocantes e doces. Esta macieira mostra-se muito resistente ao frio e às doenças.
- A macieira ‘Bon Père’. Muito antiga, esta variedade generosa produz maçãs grandes, amarelo-esverdeadas. Os frutos são crocantes, doces e ligeiramente ácidos. Podem ser consumidos tal como estão ou transformados em receitas salgadas ou doces.
- A macieira ‘Calville Alexandre’. Oferece frutos de grande calibre, com polpa firme, crocante e frutada. Alguns paladares encontram neles notas de banana. É uma maçã que se conserva bem durante o inverno.
- A macieira ‘Douce Coët Ligné’. Trata-se de uma antiga variedade de maçã para sidra. Vigorosa e rústica, oferece um bom rendimento. Os seus frutos apresentam uma coloração ocre e um sabor doce e ligeiramente ácido. É também uma boa maçã para vinagre ou sumo.
- A macieira ‘Jacques Lebel’, uma variedade de grande desenvolvimento. Produz maçãs amarelas, estriadas de rosa. Prestam-se muito bem à preparação de receitas doces (tartes, compotas, sonhos, etc.).
- A macieira ‘Pigeonnet de Jerusalem’. As suas maçãs apresentam uma coloração amarela estriada de carmim. Têm um sabor doce e ácido, muito equilibrado na boca. São maçãs de mesa perfeitas, mas também boas candidatas para receitas ou para transformar em sumo.
- A macieira ‘Bénédictin’ ou ‘Reinette Normande’. Como o nome deixa perceber, é uma variedade muito difundida na Normandia. Produz frutos grandes, amarelo-alaranjados e muito aromáticos. Pode ser consumida tal como está ou utilizada em pastelaria, compotas e sumos.

Macieira ‘Châtaignier’ e ‘Bénédictin’
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