Quais são as doenças e pragas do espinafre?
Os nossos conselhos para um tratamento natural e a prevenção
Resumo
Sem dúvida, o espinafre (Spinacia oleracea) é um dos pilares da horta. Mesmo que as suas bonitas rosetas de folhas verde-vivo, que podem ser consumidas cruas ou cozinhadas, nem sempre sejam consensuais… No entanto, é uma planta hortícola muito interessante pela sua riqueza em vitaminas e ferro. Na horta, é relativamente fácil de cultivar, desde que sejam satisfeitas as suas necessidades: um solo fresco e uma exposição adequada à variedade de primavera, de verão ou de outono. Ainda assim, o seu crescimento rápido e as suas folhas tenras fazem dele um alvo de eleição para uma grande variedade de fungos e pragas.
Descubra como identificar, tratar de forma natural e prevenir as doenças e pragas do espinafre.
Quais são as doenças fúngicas do espinafre?
Várias doenças criptogâmicas podem afetar o espinafre, com maior ou menor gravidade.
O míldio
O míldio (Peronospora farinosa) é a doença mais temível do espinafre. Este pseudofungo desenvolve-se com tempo fresco e húmido, propagando-se através dos esporos transportados pelo vento ou pela água.
Quais são os sintomas?
Aparecem manchas amarelas irregulares na página superior das folhas. Na página inferior, observa-se uma camada felpuda cinzento-arroxeada. As folhas acabam por ficar empoladas, amarelecer e morrer.
Como tratar?
Basta pulverizar uma decocção de cavalinha para reforçar os tecidos, ou aplicar uma mistura de água e bicarbonato de sódio (10 g/L) com um pouco de sabão preto.
Como prevenir?
- Respeite uma rotação de culturas de 3 anos
- Evite molhar a folhagem durante a rega.
A ferrugem

Sintoma de ferrugem
Fácil de reconhecer, a ferrugem (Puccinia aristidae) enfraquece a planta de espinafre ao perturbar a sua fotossíntese.
Quais são os sintomas?
Aparecem pequenas pústulas alaranjadas ou castanhas, sobretudo na página inferior das folhas. A folhagem pode acabar por secar prematuramente.
Como tratar?
- Elimine as folhas afetadas aos primeiros sinais e leve-as para o ecocentro
- Pulverize chorume de urtiga ou maceração de alho, que possui fortes propriedades antifúngicas.
A cladosporiose
A cladosporiose (Cladosporium variabile) é causada por um fungo que aprecia climas temperados e uma humidade relativa elevada. No início, é frequentemente confundida com o míldio.
Quais são os sintomas?
Aparecem pequenas manchas circulares, inicialmente claras, que depois ficam castanhas, com um centro verde-azeitona escuro. As manchas são mais pequenas e regulares do que as do míldio.
Como tratar?
- Areje ao máximo as filas, desbastando a sementeira
- Utilize enxofre molhável em caso de ataque grave. É autorizado na agricultura biológica, mas deve ser utilizado com moderação.
A antracnose
A antracnose (Colletotrichum dematium) afeta os tecidos da folha, criando zonas de necrose.
Quais são os sintomas?
Tudo começa com o aparecimento de pequenas manchas encharcadas, que rapidamente ficam castanhas e secas. O centro das manchas pode cair, deixando pequenos orifícios no limbo.
Como tratar?
- Utilize sementes certificadas e sãs
- O chorume de cavalinha é excelente como medida preventiva para proteger a planta.
O stemphylium
O stemphylium (Stemphylium botryosum) é um fungo oportunista que frequentemente tira partido de uma situação de stress da planta ou de uma deficiência.
Quais são os sintomas?
Observam-se manchas circulares cinzentas ou brancas, de aspeto seco, semelhante a papel, por vezes rodeadas por um halo vermelho-acastanhado.
Como tratar?
- Mantenha uma fertilização equilibrada, sem excesso de azoto
- Aplique pulverizações de chorume de consolda para reforçar o vigor geral do espinafre.
Leia também
O espinafre: semear, cultivar e colher na hortaQuais são as principais pragas dos espinafres?
Vários insetos e gastrópodes apreciam particularmente as folhas de espinafre.
Os pulgões
Será útil apresentar os pulgões, esses pequenos insetos picadores-sugadores que se aglomeram frequentemente nos rebentos jovens?
Quais são os sintomas?
Folhas que se enrolam, ficam pegajosas (melada) e presença de formigas que criam pulgões.
Como tratar?
- Pulverização de uma solução de água e sabão preto (diluído a 5 %).
- Libertação de larvas de joaninhas ou de sirfídeos.
As lesmas
Estes gastrópodes noturnos apreciam particularmente os tecidos tenros e estão frequentemente ativos depois da chuva.
Quais são os sintomas?
Observam-se grandes orifícios irregulares nas folhas e vestígios de muco brilhante. As sementeiras jovens podem ser devoradas numa só noite.
Como tratar?
- As barreiras de cinza, borras de café ou cascas de ovo esmagadas podem ser eficazes, mas é necessário renová-las à menor chuva
- A apanha manual de manhã ou ao fim do dia, facilitada pela colocação de tábuas de madeira ou telhas sob as quais as lesmas se refugiam durante o dia
- A instalação de abrigos para ouriços-cacheiros e a manutenção de zonas selvagens para os carabídeos
- A dispersão de grânulos de fosfato de ferro, um inseticida autorizado na agricultura biológica.
As lagartas desfolhadoras
São lagartas de borboletas noturnas que se escondem no solo ou sob as folhas durante o dia para devorar a folhagem durante a noite.
Quais são os sintomas?
As folhas são roídas, formando uma espécie de renda, ficando apenas as nervuras. Também se observa a presença de excrementos negros nas folhas.
Como tratar?
- A apanha manual ao anoitecer.
- A pulverização de Bacillus thuringiensis (Bt), uma bactéria natural que mata as lagartas após a ingestão.

Os rebentos jovens de espinafre podem atrair numerosas pragas
As moscas mineiras
São pequenas moscas cujas larvas escavam galerias no interior da própria espessura da folha.
Quais são os sintomas?
O principal sinal de ataque é o aparecimento de «minas» ou galerias sinuosas, esbranquiçadas e transparentes, no próprio tecido das folhas. A folha acaba por necrosar no local da galeria.
Como tratar?
-
A colocação de um filamento anti-insetos de malha fina desde a sementeira
-
O esmagamento manual das larvas através da folha ou a remoção das folhas infestadas.
Os elaterídeos
São larvas de coleópteros, frequentemente chamadas «vermes-arame», que vivem no solo durante vários anos.
Quais são os sintomas?
Os espinafres murcham subitamente. Ao desenterrar a planta, observa-se que a raiz principal está cortada ou perfurada por orifícios.
Como tratar?
- A captura dos elaterídeos enterrando pedaços de batata-inglesa cortados ao meio para atrair as larvas, que devem ser recolhidos de dois em dois dias.
- A mobilização frequente do solo para expor as larvas às aves.
As típulas
São as larvas da «típula», este grande inseto parecido com um mosquito gigante, que se alimentam das raízes e do colo ao nível do solo.
Quais são os sintomas?
Observa-se um amarelecimento das folhas exteriores e um atraso no crescimento, pois o sistema radicular é atacado.
Como tratar?
- Utilização de nemátodos auxiliares (Steinernema feltiae) para regar o solo húmido.
- Evite os solos demasiado compactos e encharcados, que as típulas adoram para pôr os ovos.
A importância da prevenção
Mais vale prevenir do que remediar. No caso do espinafre, a prevenção assenta em quatro pilares:
- A rotação de culturas: nunca cultive espinafres (ou plantas da mesma família, como a beterraba ou a acelga) no mesmo local antes de decorridos 3 ou 4 anos. Assim, interrompe-se o ciclo de vida dos esporos dos fungos e das larvas subterrâneas.
- A gestão da água: o espinafre aprecia a humidade, mas não tolera água estagnada na folhagem. Regue sempre junto à base da planta, de preferência de manhã, para que o excesso de humidade se evapore durante o dia.

O espinafre aprecia os solos frescos, mas não encharcados
- O espaçamento: uma plantação demasiado densa cria um microclima húmido propício ao desenvolvimento de fungos. Desbaste as linhas para permitir a circulação do ar.
- A saúde do solo: um solo rico em matéria orgânica, como a resultante da incorporação de composto bem decomposto, reforça o sistema imunitário da planta. Evite os excessos de azoto, que tornam os tecidos tenros e mais vulneráveis aos pulgões e ao míldio.
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