Resumo

Modificado 0,01  por Virginie T. 12 min.

A Coronilha em poucas palavras

  • A coronilha é um pequeno arbusto com uma floração perfumada interminável, geralmente amarela, da primavera ao outono
  • Está entre os arbustos mais fáceis de cultivar, aceitando crescer em jardins pedregosos ou arenosos, onde poucas plantas conseguem prosperar
  • Prospera em solos drenantes, mesmo secos no verão e pobres
  • Robusta, rústica, perfeitamente adaptada à seca, pouco exigente, encontra o seu lugar na maioria dos jardins
  • É uma aposta segura em jardins de pedras, canteiros arbustivos, taludes ou sebes floridas
Dificuldade

A palavra da nossa especialista

A coronilha (em latim Coronilla) é um pequeno arbusto de porte denso, apreciado pela sua floração solar e perfumada que dura várias semanas, do início da primavera ao outono, consoante as espécies. A coronilha arbustiva ou coronilha-dos-jardins (Coronilla emerus, sin. Hippocrepis emerus) pode atingir 2 m de altura, ao passo que a Coronilla valentina subsp. glauca, também designada pascoinhas, não ultrapassa 1 m de altura e causa sensação num grande vaso na esplanada. Algumas coronilhas, como a Coronilla valentina glauca ‘Variegata’ ou coronilha variegada, distinguem-se por uma folhagem variegada de branco-creme, enquanto a coronilha-vária é facilmente reconhecível pelas suas flores variegadas de rosa, branco e violeta.

Se a coronilha pertence à família das Fabaceae, comummente designadas leguminosas, na qual encontramos o feijão ou a ervilha, esta não é comestível.

Planta do sul, a coronilha é ávida de sol e frugal, não temendo nem os solos pobres, nem o frio. Muito rústica e muito resistente à seca, aprecia solos permeáveis, mesmo pedregosos, bem drenados.

Com a sua bela silhueta arbustiva, a coronilha é perfeita para criar rapidamente uma pontuação luminosa em todos os jardins secos e sem rega.

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Descrição e botânica

Ficha de identidade

  • Nome latino Coronilla, Hippocrepis
  • Família Fabáceas
  • Nome comum Coronilha, falsa árvore-das-bexigas, cássia bastarda
  • Floração Abril a outubro
  • Altura 0,15 a 2 m
  • Exposição Sol, meia-sombra
  • Tipo de solo Pedregoso (pobre e drenante), solo seco
  • Rusticidade -10 °C -15 °C

A Coronilha, também conhecida como “falsa árvore-das-bexigas” ou “cássia bastarda”, é um pequeno arbusto da família das Fabáceas, tal como as acácias, originário do mato mediterrânico, das orlas de bosque e das encostas calcárias da bacia mediterrânica, por vezes até aos 1 300 m de altitude. O género Coronilla (ou Hippocrepis) conta com uma vintena de espécies caducifólias ou persistentes, entre as quais a coronilha-dos-jardins ou Coronilla emerus (sin. Hippocrepis emerus), a Coronilla glauca e os seus híbridos, como Coronilla valentina subsp. glauca (‘Citrina’, ‘Variegata’), e a coronilha-vária, que são as mais cultivadas nos nossos jardins. A Coronilla emerus cresce espontaneamente em certas regiões do sul de França, sendo inclusivamente uma espécie protegida na Dordonha e na Gironda.

A partir de uma cepa lenhosa, a coronilha forma um arbusto muito ramificado, com hábito tufoso, denso e muito compacto, de cerca de 1 m a 2 m de altura, com tendência a expandir-se com o tempo. A Coronilla minima, uma coronilha anã, não ultrapassa uma dezena de centímetros de altura. De crescimento rápido, a duração de vida deste pequeno arbusto é, no entanto, relativamente breve: entre 5 a 10 anos, no máximo.

Os ramos de verde médio, delgados e ramificados, apresentam uma folhagem caducifólia na Coronilla emerus, semi-persistente a persistente na Coronilla glauca. É composta por folhas alternas, penadas, de 3 a 6 cm de comprimento, recortadas em 7 a 9 pequenos folíolos ovais ou oblongos.

coronilha

Coronilla valentina – ilustração botânica

De cor verde-vivo ou verde-espinafre com acabamento mate na Coronilla emerus, tornam-se verde-azuladas nas coronilhas glaucas e variegam-se de branco-creme na coronilha-variegada (Coronilla valentina glauca ‘Variegata’).

Elegantemente recortada, esta folhagem leve serve de moldura a uma floração solar, abundante mas elegante. As flores aparecem logo em janeiro em climas amenos, nas coronilhas mais precoces, e desabrocham em vagas sucessivas na primavera e no verão, enquanto o calor e a seca não se instalam, por vezes até às primeiras geadas. Consoante as espécies, reúnem-se em umbelas de 5 a 8 flores na extremidade dos ramos, ou de forma axilar, agrupadas em 2 a 4 na axila das folhas.

Estas pequenas flores de 5 pétalas, típicas das papilionáceas, lembram as das giestas ou dos laburnos (Laburnum). Em forma de borboleta, têm entre 1 a 2 cm de comprimento e são compostas por 4 pétalas, sendo a superior — também a maior — a que se abre em estandarte acima de dois pétalas laterais, ou asas, que se fecham para formar uma carena. Envoltas num cálice tingido de vermelho, na maioria das vezes de um amarelo-sol muito vivo, quase berrante, estas flores de ervilha assumem diversas tonalidades, do púrpura ao rosa, passando pelo branco na coronilha-vária, sendo por vezes marcadas a vermelho e castanho na coronilha-dos-jardins. Exalam um perfume suave, doce e floral, semelhante ao da giesta, perfumando toda uma área do jardim. Muito melíferas, atraem um grande número de insetos polinizadores.

Esta generosa floração dá lugar a finas vagens pendentes terminadas num longo bico, denominadas síliquas, curvas e enegrecidas, medindo até 10 cm de comprimento. Tornam-se castanhas e abrem-se ao dividir-se quando atingem a maturidade, expulsando então pequenas sementes cilíndricas capazes de se autossemearem espontaneamente no jardim.

De cultivo fácil, a coronilha é rústica até -10 °C no mínimo, na maioria das vezes até -15 °C -20 °C, e cresce em qualquer exposição, mesmo preferindo situações quentes e muito soalheiras. Perfeitamente adaptada aos solos pobres, é uma excelente planta para jardim seco e adapta-se na perfeição a um jardim selvagem, a um jardim de flores ou a um jardim sem rega, aos quais acrescenta uma nota muito luminosa e perfumada. Planta-se em canteiro arbustivo ou florido, numa grande rocha ornamental, na orla de bosque ou nas zonas sombrias ou ingrátas de um jardim seco e quente.

coronilha

Floração de uma Coronilha

Principais espécies e variedades

Existem cerca de 6 espécies de coronilhas, sendo as mais comuns nos nossos jardins a coronilha-dos-jardins (Coronilla emerus), caducifólia no inverno mas resistente ao frio, e a Coronilla glauca ou pascoinhas, com folhagem persistente verde-azulada, de desenvolvimento mais moderado, bem como os seus híbridos; a Coronilla glauca ‘Citrina’ com flores amarelo-pálidas ou a Coronilla glauca ‘Variegata’ com folhas variegadas. Algumas oferecem uma floração precoce que começa já em janeiro em clima ameno e se prolonga até abril; outras florescem em abril-maio, com remontadas esporádicas até ao outono, ou mesmo quase durante todo o ano.

As mais populares
As nossas preferidas
Hippocrepis emerus

Hippocrepis emerus

É a coronilha mais cultivada. Caducifólia e perfeitamente rústica, forma um belo arbusto com uma floração interminável amarela lavada de púrpura, abundante em maio-junho e depois mais esparsa de julho a outubro. Esta coronilha é indispensável num canteiro arbustivo, para ornamentar sub-bosques ou zonas sombreadas de um jardim selvagem em clima quente e seco.
  • Período de floração Maio à Agosto
  • Altura à maturidade 1,75 m
Coronilla valentina subsp. glauca

Coronilla valentina subsp. glauca

Esta coronilha distingue-se pela sua bonita folhagem persistente verde-azulada. Forma uma linda bola bem densa, de aspeto natural mas muito cuidado, e será magnífica num vaso grande no terraço, a recolher em regiões muito frias.
  • Período de floração Maio, Junho
  • Altura à maturidade 1 m
Coronilla valentina subsp. glauca Citrina

Coronilla valentina subsp. glauca Citrina

Espetacular e agradavelmente perfumada durante os dias cinzentos do inverno, a sua floração precoce começa já em janeiro em clima ameno. Com as suas flores amarelo-pálidas, é talvez mais agradável à vista do que a espécie-tipo, cujas flores têm um amarelo um pouco berrante. Para cultivar em plena terra ou em vaso.
  • Período de floração Maio à Novembro
  • Altura à maturidade 1,10 m
Coronilla valentina subsp. glauca Selection

Coronilla valentina subsp. glauca Selection

Uma encantadora forma das pascoinhas! A sua bonita folhagem cinzenta e a sua floração interminável muito perfumada, de um amarelo solar, são irresistíveis. Esta planta causará sensação num canteiro arbustivo, numa rocaille ou num vaso grande no terraço.
  • Período de floração Maio à Dezembro
  • Altura à maturidade 1 m

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Plantação

Onde plantar a coronilha?

Rústica, a Coronilla suporta temperaturas inferiores a -15 °C, por vezes até -20 °C em solo perfeitamente bem drenado, pois os excessos de água no inverno podem comprometer a rusticidade deste arbusto pequeno. Resistente a doenças, ao frio, à maresia e à seca estival, é fácil de cultivar em praticamente todas as regiões. Nas regiões mais frias, proteja-a do frio ao máximo, instalando-a num local quente do jardim, em pleno sol ou junto a uma parede voltada a sul.

Aprecia situações quentes e planta-se preferencialmente ao sol, mesmo abrasador, onde florescerá melhor, ainda que tolere a sombra ligeira, ou até uma sombra mais densa nas regiões quentes: não receia solos cheios de raízes e apreciará até um lugar sob uma árvore grande.

Quanto ao solo, a coronilha é um arbusto de folha caduca apreciado pela sua sobriedade. Desenvolve-se bem em todos os solos bem drenados, leves, mesmo pobres, secos e pedregosos. Adapta-se sem dificuldade a solos pobres ou degradados, que coloniza facilmente.

Quanto à localização, a Coronilla não receia a concorrência das raízes das grandes árvores, como os pinheiros ou os carvalhos, e sentir-se-á bem onde poucas plantas aceitam crescer. Tende a expandir-se com o tempo: reserve-lhe cerca de 1,50 m de espaço em todas as direções, para que se possa desenvolver à vontade. Nas regiões mais frias, o cultivo em vasos grandes recolhidos no interior durante o inverno é possível.

É uma excelente planta para jardim seco e de pedras, jardim sem rega, a instalar em canteiro arbustivo ou florido, em sebe, num talude pedregoso ou num sub-bosque aberto.

Quando plantar a coronilha?

Plante a Coronilla preferencialmente no início da primavera, em março-abril nas regiões mais frias, após as últimas geadas, e em setembro-outubro nas regiões mais quentes.

Como plantar a coronilha?

Em plena terra

A coronilha precisa de uma terra bem drenada no inverno, pois receia a humidade estagnada. Em terra pesada, aligeirar com turfa, pozolana, um pouco de areia ou cascalho no fundo do buraco de plantação. Em sebe e em canteiro, consoante as variedades, espaçar as plantas de 1 a 1,5 m em média.

  • Preparar bem o solo
  • Abrir um buraco 2 a 3 vezes mais largo do que o vaso
  • Estender uma camada de drenagem (pozolana, cascalho, bolas de argila) no fundo do buraco
  • Plantar o arbusto no centro do buraco e tapar
  • Calcar bem a terra
  • Regar abundantemente na plantação e depois regularmente, mas com moderação, no primeiro verão, para favorecer o enraizamento

Em vaso

Algumas variedades de desenvolvimento moderado e hábito mais compacto (Coronilla glauca ‘Citrina’) causarão um grande efeito num vaso grande no terraço.

  • No fundo de um vaso grande com pelo menos 70 cm de diâmetro, cuidar bem da drenagem (cascalho ou bolas de argila)
  • Plantar num substrato leve
  • No verão, regar bem durante a floração, uma a duas vezes por semana, sem encharcar a planta e deixando o substrato secar entre duas regas
coronilha

A coronilha forma um arbusto pequeno ramificado com um belo hábito denso e volumoso!

Manutenção, poda da coronilha e cuidados

A Coronilha exige pouco cuidado uma vez bem enraizada.

Oferece uma boa resistência à seca, pelo que não necessita de regas abundantes, exceto no primeiro verão, em que se deve regar uma a duas vezes por semana para facilitar a sua instalação. Posteriormente, regue apenas em caso de seca prolongada ou de calor intenso. Pouco exigente, dispensa fertilizantes e cresce muito bem em solos pobres. Nas regiões mais frias, cubra o solo com mulch no inverno para proteger a planta do frio e manter as suas raízes aquecidas.

A coronilha é muito resistente e não é afetada por doenças nem parasitas. Apenas teme o excesso de humidade: para evitar a podridão das raízes, certifique-se de que o solo é suficientemente drenante.

Quando e como podar a coronilha

A poda da coronilha não é indispensável, mas pode ser útil para limitar o crescimento, evitar que a planta se denude e manter uma forma estética. É uma planta de vida relativamente curta: durará mais tempo e florescerá melhor se realizar uma poda anual, mas evite podas demasiado severas. Se pretender guardar as sementes, pode logo após a frutificação.

  1. Com tesoura de poda, corte as pontas dos ramos após a floração, de finais de junho a setembro, para estimular a ramificação da planta, densificar a folhagem e manter uma silhueta equilibrada
  2. As coronilhas mais velhas podem ser podadas drasticamente a 20 cm do solo, de fevereiro a abril, antes da retoma da vegetação

Multiplicação

Se a Coronilha se multiplica por sementeira em março ou no outono com as sementes colhidas, aconselhamos também a estaquia, método mais simples e mais rápido que permite renovar as plantas que envelhecem bastante depressa. Cria rebentos com muita facilidade e é também autossemeadora de forma espontânea, mas vive frequentemente apenas alguns anos, pelo que beneficiará de ser multiplicada para garantir a sua continuidade.

Semear a coronilha

Colha as sementes de coronilha quando maduras no outono e semeie-as em estufa fria ou conserve-as no frigorífico (a 4 °C) para quebrar a sua dormência e favorecer a germinação, pois necessitam de uma estratificação. Semeie-as no início da primavera em vasinhos numa mistura de substrato e areia. Plante no outono seguinte.

Estaquia

  1. Em junho, corte ramos bem verdes sem flores de 10 a 15 cm de comprimento
  2. Raspe a casca em alguns centímetros e retire as folhas da base
  3. Conserve dois pares de folhas superiores
  4. Plante estas estacas herbáceas em vasinhos numa mistura leve e drenante de areia grossa e substrato e coloque em ambiente abafado sob um saco de plástico transparente
  5. Mantenha o substrato ligeiramente húmido até ao enraizamento
  6. Transplante as estacas individualmente no outono para vasos maiores cheios de substrato
  7. Conserve ao abrigo do gelo durante o inverno
  8. Plante em plena terra na primavera e regue bem durante o primeiro ano

Associar

A coronilha é um arbusto sedutor de terrenos pobres que pode ser utilizado em canteiro, jardins de pedra, sebes floridas, num canteiro de arbustos ou de flores, e que encontrará o seu lugar em todos os jardins naturais e selvagens, onde será uma bela fonte de luminosidade. No jardim, a sua floração solar virá substituir a das forsítias e dos marmeleiros-do-Japão. Conforme a variedade, participará em cenários primaverais desde o final do inverno ou em cenários estivais. No jardim, as suas flores amarelas valorizarão todas as florações de tonalidades azuis.

associar a coronilha

Um exemplo de associação em sebe florida: Photinia serrulata, coronilha (Coronilla emerus por exemplo), Choisya ternata e Abelia grandiflora

Com a sua floração precoce, a Coronilla glauca ‘Citrina’ pode ser associada às flores tardias dos bolbos de primavera como as tulipas botânicas e as fritiláricas. A sua floração destacar-se-á com grande expressão em composições ouro/azul com as flores azuis da brunera, da Scilla sibirica ou das uvas-de-jacinto na primavera, e depois da sálvia-russa, do Geranium macrorrhizum, do Convolvulus cneorum, das buglossas de Itália ou dos Ceratostigma. Faz maravilhas em bordadura com a Campanula portenschlagiana e as cestas-de-ouro.

Num canteiro arbustivo, associe-a a arbustos de sol e de terreno seco e pobre, como as estevas, os Caryopteris e, num jardim sem rega numa grande talude, com outras coberturas vegetais como a giesta, os alecrins, os ceanoto rasteiros ou uma roseira rastejante. No centro de um canteiro de plantas baixas ou tapizantes, ficará magnífica rodeada de perenes e plantas de jardim de pedra, estevas de pequeno porte (Cistus x pulverulentus, Cistus x skanbergii), coníferas anãs ou rastejantes, ao lado das quais a coronilha formará um contraste notável.

associar a coronilha

Um exemplo de associação em canteiro: Coronilla valentina Glauca, que florescerá na primavera, acompanhada de belas alfazemas ‘Munstead’, de Anthemis ‘Sauce Hollandaise’ que tomarão o testemunho, algumas santolinas e um tapete de Stachys byzantina

Para compor um canteiro em tonalidades amarelas, aproxime-a de eufórbias de terreno seco, de potentilhas ou de roseiras brancas ou amarelas, de heliântemos, do hipericão.

Crie um canteiro persistente e perfumado para acompanhar as suas coronilhas glaucas, misturando as folhagens e os perfumes das alfazemas, artemísias-brancas, alecrins azuis e tomilhos. Num grande jardim de pedra bem drenado, pode associá-la em zonas naturais ao Echium candicans ou massaroco.

Pode servir de ponto focal no centro de um pequeno jardim ou em vaso numa esplanada, misturada com alfazemas, betónicas ou artemísias.

Recursos úteis

  • O que plantar numa terra pobre e pedregosa? Descubra as nossas plantas resistentes à falta de água!
  • A Coronilha é perfeita num jardim sem manutenção
  • Que plantas associar às suas coronilhas? Descubra como criar um jardim seco
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