Borboletas no jardim: como atraí-las e acolhê-las de forma natural
Criar um jardim natural favorável às borboletas
Resumo
Nada como o balé colorido das borboletas para dar vida e poesia a um jardim! Mas, para além da sua beleza frágil, as borboletas desempenham um papel essencial no equilíbrio dos nossos ecossistemas. Estes insetos importantes não são apenas visitantes bonitos: as borboletas são polinizadoras, contribuindo para a reprodução das plantas. A sua presença reflete muitas vezes a boa saúde de um ecossistema. Então, por que não lhes oferecer um pequeno paraíso, criando um abrigo para borboletas, plantando flores para borboletas ou plantas nectaríferas? Eis os nossos conselhos para atrair borboletas tanto ao jardim como à varanda e oferecer-lhes um habitat favorável, rico em néctar e em biodiversidade.
O ciclo de vida das borboletas e o seu papel no jardim
As borboletas passam por várias etapas de desenvolvimento: ovo, lagarta, crisálida e, por fim, adulto. Este ciclo de vida da borboleta varia consoante as espécies e as condições climáticas, mas dura, em média, entre um mês e vários meses. Cada fase tem necessidades específicas, o que torna a organização do jardim crucial. Enquanto polinizadoras, as borboletas ajudam na fertilização das flores, favorecendo assim uma floração abundante e diversificada. Participam também na cadeia alimentar, servindo de alimento a muitas aves e insetos. As suas idas e vindas no jardim testemunham a presença de um ecossistema equilibrado e acolhedor.

A borboleta-limão (Gonepteryx rhamni) numa alfazema
Porquê atrair borboletas ao jardim?
Atualmente, as borboletas estão ameaçadas pela perda do seu habitat, pela poluição luminosa e, sobretudo, pela utilização de produtos químicos. Favorecer a sua presença é optar por um jardim natural sem pesticidas, mais vivo, equilibrado e respeitador do ambiente. As borboletas polinizam as flores do jardim: ao alimentarem-se do néctar, também transportam o pólen de umas flores para outras, permitindo-lhes assim reproduzir-se através da produção de frutos e sementes. Além disso, a sua presença é um bom indicador da saúde do espaço verde.
As plantas nectaríferas, aliadas indispensáveis para atrair borboletas ao jardim
Para atrair borboletas para o jardim, é necessário oferecer-lhes uma fonte regular de alimento. As plantas nectaríferas são plantas com flores que produzem néctar, uma substância açucarada muito energética de que se alimentam as borboletas adultas. O néctar é recolhido pela probóscide da borboleta diretamente no centro da flor. É este recurso que lhes fornece a energia necessária para a sua atividade diária: voo, reprodução e procura de parceiros. Eis algumas flores para borboletas indispensáveis:
- Budleia ou árvore-das-borboletas
- Equinácea, verbena de Buenos Aires, alfazema (Lavandula sp.), cardo-azul
- milefólio, escabiosa, ásteres de floração outonal, sédum
Mesmo numa varanda, é perfeitamente possível atrair borboletas. Basta escolher plantas nectaríferas adequadas ao cultivo em vaso: a alfazema, o orégão, as hortelãs, o tomilho ou ainda a verbena são perfeitos para floreiras. Também é possível instalar em canteiros algumas plantas hospedeiras para as lagartas, como a chagas ou o funcho. A exposição solarenga, o abrigo do vento e a diversidade das florações fazem toda a diferença, mesmo num ambiente urbano.
Conselho: Escalone as florações de março a outubro para garantir uma fonte contínua de néctar.

Alguns exemplos de plantas nectaríferas que atraem borboletas: budleia, equinácea, alfazema, escabiosa e áster
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As flores preferidas das borboletasAs plantas hospedeiras das lagartas: a chave para um ciclo completo
Para atrair realmente as borboletas ao jardim, não basta disponibilizar-lhes plantas produtoras de néctar. Para que se instalem de forma duradoura, é também necessário permitir-lhes reproduzir-se. Para isso, é preciso integrar plantas hospedeiras para as lagartas, indispensáveis ao seu ciclo de vida.
Antes de se tornarem borboletas polinizadoras, estes insetos passam pela fase de lagarta, durante a qual se alimentam de folhagem muito específica. Cada espécie de borboleta está associada a uma ou várias plantas hospedeiras: são as únicas onde as fêmeas aceitam pôr os ovos e as únicas que as lagartas jovens podem consumir.
Sem plantas hospedeiras, não há lagartas. E sem lagartas, não há borboletas. Eis alguns exemplos de plantas hospedeiras a privilegiar para favorecer diferentes espécies:
- Urtiga (Urtica dioica): acolhe várias espécies emblemáticas, como a borboleta-pavão, a pequena-tartaruga ou ainda a borboleta-mapa. É uma das melhores plantas para conservar num canto discreto do jardim!
- Funcho, cenoura-brava, endro: estas umbelíferas são muito apreciadas pela lagarta da cauda-de-andorinha, uma magnífica borboleta grande, amarela e preta.
- Ásteres: acolhem as lagartas da cucúlia-do-áster e da meia-lua nórdica, duas espécies que dependem diretamente desta planta para o seu desenvolvimento.
- Erva-dos-gatos (Nepeta cataria): pode abrigar as lagartas da esfinge Lintneria eremitus, de Xanthotype urticaria e da traça-da-hortelã, que se alimentam das folhas desta planta da família das Lamiáceas.
- Gramíneas silvestres: indispensáveis para muitas espécies de lagartas, como as das hespéridas ou dos sátiros, oferecem alimento e, por vezes, um local para a transformação em crisálida.
- Violeta-brava (Viola odorata) : é a planta de que se alimentam muitas fritilárias, borboletas florestais elegantes.
- Chagas: frequentemente plantada pelo seu valor ornamental, também atrai as lagartas de algumas espécies de piérides.
Conselho: O ideal é agrupar estas plantas numa zona do jardim deixada mais natural, menos sujeita a manutenção regular. Deste modo, respeita-se o ciclo de vida das borboletas e evita-se eliminar involuntariamente ovos ou lagartas durante os trabalhos de jardinagem.

Lagartas da borboleta pequena-tartaruga (Aglais urticae), numa folha de urtiga
Um jardim natural sem pesticidas, favorável às borboletas
Hoje, a maioria dos jardineiros amadores já adotou uma abordagem mais respeitadora do ambiente, abandonando os produtos fitossanitários químicos. Esta tendência para um jardim natural sem pesticidas é uma excelente notícia para as borboletas, muito sensíveis a estas substâncias, sobretudo na fase de lagarta ou de crisálida. Um jardim sem tratamentos químicos favorece a presença de insetos úteis, incluindo as borboletas polinizadoras, mas também de toda a pequena fauna que deles depende.
Mesmo os tratamentos ditos “biológicos” podem ter efeitos nocivos se forem aplicados em plantas em flor ou durante períodos de intensa atividade dos insetos. Para um jardim favorável às borboletas, prefira:
- Uma abordagem preventiva com combinações de plantas benéficas
- A manutenção de um solo vivo e fértil
- Atração de auxiliares como as joaninhas, os sirfídeos ou as aves insetívoras
- Métodos de luta suaves e biológicos
Criar um refúgio para borboletas
Atrair borboletas para o jardim é um primeiro passo. Mas, para que se instalem de forma duradoura, é necessário oferecer-lhes mais do que uma simples fonte de alimento. As borboletas precisam de locais onde possam pousar ao abrigo do vento, reproduzir-se, pôr os ovos e passar o inverno.
Um refúgio para borboletas deverá responder a todas as necessidades do seu ciclo de vida, desde o ovo até à fase adulta. Trata-se muitas vezes de um recanto do jardim mais natural, menos aparado, mas rico em micro-habitats e em plantas úteis. Um refúgio para borboletas não precisa de ser grande para ser eficaz. Pode ser um simples recanto do jardim, um canteiro selvagem ou até uma varanda plantada com cuidado (Ler também: Como atrair borboletas para a varanda).
Eis algumas ideias simples para criar um refúgio adequado:
- Deixar uma zona de terrenos incultos: uma faixa não aparada, um talude com ervas ou um prado florido (semeie uma mistura de pousio florido) oferecem simultaneamente plantas produtoras de néctar, plantas hospedeiras para as lagartas e um abrigo discreto para as borboletas adultas.
- Favorecer as estruturas naturais: muros baixos antigos, montes de pedras, madeira morta, sebes campestres, arbustos densos… Estes elementos servem de esconderijos ou de abrigos contra as intempéries e podem mesmo constituir locais para passar o inverno para algumas espécies.
- Limitar as intervenções: no outono, evite varrer sistematicamente as folhas mortas ou cortar todos os caules secos. Algumas borboletas passam o inverno no estado de crisálida, presa a um caule ou escondida sob a liteira vegetal.
- Plantar de forma diversificada: ao combinar plantas produtoras de néctar, plantas hospedeiras para as lagartas, plantas de cobertura, gramíneas e plantas perenes locais, aumentam-se as probabilidades de responder às necessidades de várias espécies de borboletas.

Crie no jardim algumas zonas de prado florido, onde as borboletas possam alimentar-se de néctar
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