15 plantas pioneiras para um jardim mais resistente às adversidades climáticas
Espécies vegetais que colonizam ecossistemas degradados
Resumo
Um jardim resiliente é um jardim capaz de superar os traumatismos a que a natureza está atualmente sujeita. Fala-se cada vez mais deste conceito, uma vez que os nossos espaços exteriores estão, de facto, regularmente sujeitos a fenómenos recorrentes que os fragilizam: as alterações climáticas, com episódios repetidos de canícula ou de chuvas devastadoras, a proliferação de espécies invasoras, a ocorrência de incêndios devastadores ou a poluição dos solos.
Para enfrentar estes desafios e recuperar os ecossistemas danificados, as plantas pioneiras revelam-se mais do que úteis.
Quais são e como utilizá-las? Impõe-se uma visita ao jardim!
A importância das plantas pioneiras
Fala-se de planta pioneira para designar plantas selvagens, indígenas de um determinado ambiente, que são as primeiras a colonizar, antes de todas as outras, um espaço que se tornou hostil ou estéril após uma catástrofe natural (um incêndio, uma inundação, etc.). Apresentam, portanto, características de robustez e conseguem crescer num solo frequentemente descoberto, pobre e aparentemente destruído. Mas, sobretudo, preparam o terreno, por assim dizer, para a instalação de uma flora mais específica, pois vão modificando gradualmente a liteira através da sua matéria orgânica e, com o tempo, possibilitam o desenvolvimento de camadas vegetais cada vez mais importantes, como as árvores.
De forma mais abrangente, no jargão da jardinagem, fala-se frequentemente de plantas pioneiras para designar plantas muito resistentes e robustas, capazes de enfrentar, nomeadamente, o aquecimento climático. A giesta e a bétula são, por exemplo, espécies frequentemente — e com toda a razão — qualificadas como espécies pioneiras.
→ Saiba mais no nosso artigo Em foco: as plantas pioneiras, valiosas para a biodiversidade.
Que plantas pioneiras escolher para um jardim resiliente?
Tal como o ser humano consegue superar dramas, algumas plantas sabem resistir melhor do que outras às adversidades climáticas, reduzindo assim o impacto sobre os solos e contribuindo para a sua regeneração ou restauração. Entre recordes de temperatura ou de precipitação, eis aquelas que preferimos para os nossos jardins, resilientes em muitos aspetos:
As plantas perenes
- as gramíneas: muitas gramíneas desenvolvem-se bem em terras pobres ou, pelo contrário, não receiam substratos encharcados (Carex, Iris pseudoacorus...)
- A silene (Silene vulgaris): uma flor silvestre com o típico cálice dilatado, que produz uma espécie de pequeno odre branco e malva e floresce entre o fim da primavera e o verão, sendo bem conhecida como planta pioneira. Adapta-se a solos pobres e degradados. Perfeita num jardim naturalista ou campestre, pois ressemeia-se muito bem. De referir também o seu caráter nectarífero.
- O Helichrysum: tal como a artemísia e a esteva, algumas perpétuas estão entre as primeiras plantas perenes a desenvolver-se nos solos após uma erupção vulcânica na Europa, antes mesmo das giestas. Apresentam uma folhagem muito fina e acinzentada, que lhes permite suportar períodos recorrentes de calor. Necessitam de um solo drenado, idealmente pedregoso. Consideradas subarbustos, têm uma floração amarela, nectarífera e polinífera.

Iris pseudoacorus, Silene vulgaris e Helichrysum
As plantas anuais
- O Helianthus debilis, da grande família das Asteráceas, é uma planta anual de grande porte, que pode atingir 2 m de altura. Este girassol anual, totalmente amarelo e com o centro escuro, não receia os solos pobres, a seca, nem os substratos arenosos e salinos. Mas existem outros girassóis silvestres entre as cerca de 80 espécies de Helianthus. Atenção a alguns, que podem tornar-se invasores…
- O cardo-dos-tecelões (Dipsacus fullonum e Dipsacus sylvestris): o Dipsacus é uma planta bienal com sistema radicular pivotante. Floresce em junho-julho, com uma tonalidade malva, depois seca e permanece durante muito tempo no local, oferecendo a sua bela estatura (1 a 2 m) e as suas cabeças espinhosas gráficas, que adquirem uma coloração castanha. As suas folhas retêm água para as aves, tornando-a uma planta útil para a biodiversidade, e desenvolve-se rapidamente. Utilize-a numa pradaria silvestre ou na orla de um bosque, e perto da horta ou de árvores de fruto, para aproveitar as suas qualidades melíferas. Necessita de sol. Associe-a, por exemplo, ao verbasco (Verbascum thapsus).
Os arbustos
- As urzes: várias são consideradas plantas pioneiras, entre as quais Erica australis, ou urze-vermelha, e os queirós, como Calluna vulgaris, que melhora os solos. Apreciam o sol, florescem durante muitos meses e são muito rústicas. Podem instalar-se em solos pobres e degradados, suportam ventos fortes, solos salinos e a seca.
- O pilriteiro: frequentemente utilizado em sebe, o pilriteiro (Crataegus monogyna) floresce no fim da primavera, revelando uma miríade de flores brancas e cor-de-rosa. Também é perfeito em jardins de estilo natural, onde as aves irão consumir as bagas totalmente vermelhas. Tem ainda outra vantagem: vive durante muito tempo e sobreviverá ao jardineiro e aos seus descendentes!
- O espinheiro-marítimo (Hippophae rhamnoides): a sua folhagem fina e prateada e as suas bagas alaranjadas são dois bons motivos para o instalar sem hesitação no jardim. Além disso, revela uma resistência particular à seca, adapta-se a solos de qualidade medíocre e tolera solos salinos. Associa-se bem ao abrunheiro-bravo e ao pilriteiro numa sebe defensiva, por exemplo. Graças aos seus rebentos e à presença de nodulosidades fixadoras de azoto nas raízes, este arbusto é precioso para recolonizar e estabilizar terrenos arenosos ou pedregosos.
- A roseira-brava (Rosa canina): uma roseira botânica silvestre pioneira, apreciada pela sua floração simples, com 5 pétalas cor-de-rosa-pálido e um centro de estames dourados contrastantes. Crescendo bastante (cerca de 3-4 m) e com hábito arbustivo, instala-se de bom grado numa sebe natural ou num canteiro com gramíneas delicadas. Os seus frutos, os famosos cinorródios, são apreciados pelas aves (e servem para fazer compotas). Rústica, vigorosa, desenvolvendo-se em solos pobres e sob diversos climas, é a espécie pioneira mais encantadora desta categoria de arbustos!
- As estevas: planta do mato mediterrânico, a esteva floresce durante um bom mês, entre abril e junho. É uma das plantas pioneiras mais encantadoras para o nosso jardim resiliente, pois resiste perfeitamente a períodos sucessivos de seca. As suas flores, com um aspeto amarrotado, variam entre o branco e o violeta. As suas folhas persistentes, frequentemente aveludadas e acinzentadas, são uma adaptação que lhe permite resistir ao sol. Planta heliófila por excelência, revela-se também pirófila, tal como o Cistus monspeliensis. São também plantas poliníferas e melíferas.
- Os cornisos (Cornus sanguinea): estes arbustos são tão bonitos em flor e com folhagem no verão e depois no outono, quando se incendeiam de cor, como despidos no inverno, exibindo os seus ramos avermelhados espetaculares! São o exemplo perfeito de arbusto completamente indiferente ao solo e capaz de se desenvolver em qualquer lugar.

Espinheiro-marítimo, esteva de Montpellier, sanguinho e urzes-vermelhas
As árvores
As árvores com folhas pequenas, ou mesmo muito pequenas, adaptar-se-ão melhor ao aquecimento climático, como as azinheiras. As que apresentam um enraizamento profundo poderão captar melhor a água. No entanto, as árvores fazem parte da camada mais alta da vegetação, exigindo a maior quantidade de solo restaurado. Entre as mais resilientes:
- As bétulas (Betula sp.): associam-se aos salgueiros e aos choupos, outras árvores higrófilas.
- Os salgueiros: os salgueiros, tal como as bétulas, colonizam rapidamente novos espaços. A borrazeira-negra (Salix caprea), mais propriamente um arbusto de grande porte, também nos interessa pelo seu vigor e rapidez de crescimento, pela sua floração invernal amarela, sob a forma de encantadores amentilhos (flores masculinas), e pela sua capacidade de se instalar em solos abandonados e menos húmidos do que a maioria dos salgueiros.
- Os amieiros (Alnus sp.): os amieiros têm a capacidade de se desenvolver e viver em superfícies ainda não vegetadas. São, por isso, muito interessantes para ajudar os ecossistemas destruídos a reconstruírem-se rapidamente. Também são úteis para estabilizar as margens e os cursos de água. Completamente rústicos, adotam diferentes silhuetas consoante as espécies.
- Os pinheiros (Pinus sp.): tão adaptáveis no litoral como na montanha, os pinheiros revelam uma grande robustez e são considerados pioneiros pela sua capacidade de recolonizar espaços destruídos. Privilegiam-se as espécies autóctones, como o pinheiro-de-Alepo, o pinheiro-silvestre, o pinheiro-bravo, etc.
Existem, naturalmente, muitas outras, como numerosas plantas da família das Fabáceas, fixadoras de azoto no solo, como a árvore-das-bexigas (Colutea arborescens), útil para restaurar os solos, o espinheiro-da-Virgínia (Gleditsia triacanthos), a Lespedeza, etc.
→ Os paisagistas da última edição do Festival Internacional de Jardins de Chaumont-sur-Loire debruçaram-se sobre o tema do jardim resiliente, de extrema importância para o futuro dos nossos jardins. Consulte a visita realizada em julho passado no blogue e descubra, em imagens e pormenor, todos os jardins que participaram na edição de 2023 do Festival Internacional de Jardins de Chaumont-sur-Loire.

Salgueiro-chorão, amieiro, pinheiro-silvestre e bétula
Que mais fazer?
Para além de pensar nestas plantas pioneiras e resilientes, podem ser implementadas várias ações:
- Observar a natureza à sua volta e verificar que plantas locais crescem espontaneamente na região
- Utilizar a enorme diversidade do mundo vegetal para brincar com a diversidade das espécies
- Adotar um sistema de zonas no jardim: zonas a regar mais próximas da casa e plantas capazes de tolerar condições de seca na parte mais afastada do jardim
- Plantar árvores no jardim para criar sombra suficiente no verão e um efeito de climatização natural
- Abandonar (maus) hábitos de rega ou de fertilização intensivas
- Experimentar criar um jardim de chuva para gerir melhor as águas pluviais e as águas de escoamento superficial
- Favorecer a instalação de plantas halófilas para fazer face aos nossos verões cada vez mais sujeitos à canícula.
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