Como tratar-se com árvores?

Como tratar-se com árvores?

Ao colher cascas, gomos, seiva e amentilhos

Resumo

Modificado em 18 de janeiro de 2026  por Gwenaëlle 7 min.

Há séculos que a natureza constitui uma fonte inestimável de cuidados e cura, com as árvores no centro desta tradição. A terapia através das árvores, ou dendroterapia, tem origem em diversas culturas, sobretudo na Ásia, onde é um dos pilares da medicina tradicional chinesa e ayurvédica. Atualmente, esta prática conhece uma popularidade crescente em todo o mundo, graças a uma maior consciência dos benefícios da natureza para a nossa saúde física e mental.

Curas de seiva de bétula e decocções de casca… Quais são as árvores com propriedades curativas, que aliviam os nossos males graças aos seus troncos sólidos, gomos, seiva e outros amentilhos? Uma análise pormenorizada, neste passeio pela floresta e pelos nossos jardins!

Inverno Dificuldade

Com os botões florais

Os gomos, ou gemas, seriam verdadeiros reservatórios de energia e vitalidade. As suas virtudes fazem mesmo parte de um ramo da fitoterapia, a gemoterapia. Não são utilizados apenas os gomos frescos, mas também os rebentos jovens e as radículas de árvores e arbustos, depois de triturados. Entre os mais interessantes e fáceis de encontrar no jardim ou na natureza, encontram-se:

  • Os gomos de bétula: utilizados antigamente contra os cálculos renais, têm a reputação de serem diuréticos, atuando como drenante hepático, mas também de revitalizarem e de terem propriedades anti-inflamatórias. Utilizam-se sob a forma de macerado a partir de bétula-pubescente ou de bétula-verrucosa, diluído em água.
  • Os gomos de groselha-preta (Ribes nigrum): conhecidos pelas suas propriedades anti-inflamatórias e por estimularem o sistema imunitário, bem como por melhorarem o conforto articular. São colhidos na primavera e utilizados na proporção de 10 a 15 gotas de macerado por dia.
  • Os gomos de figueira (Ficus carica): excelentes para a saúde digestiva e para ajudar a aliviar o stresse. Os gomos grandes são fáceis de colher na primavera; utilizam-se na proporção de 10 gotas de macerado por dia.
  • Os gomos de pinheiro-silvestre (Pinus sylvestris): recomendados para melhorar o sistema respiratório e apoiar a saúde dos pulmões. A colheita realiza-se na primavera e são frequentemente utilizados durante um tratamento de 3 meses (5 a 15 gotas de macerado por dia).
  • Os gomos de carvalho são utilizados, nomeadamente, para combater a fadiga.
  • Os gomos de castanheiro-da-índia, indicados para os problemas de circulação…

N.B.: todos estes gomos são preparados sob a forma de macerados glicerinados, extratos em que maceram uma base de gomos frescos, água, álcool a 90° e glicerina, permitindo extrair uma solução concentrada em princípios ativos.

→ Saiba mais no nosso artigo A gemoterapia: a energia vital dos gomos.

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Gomos de pinheiro, de carvalho e de groselha-preta

Com cascas

As cascas, por sua vez, são reconhecidas pela riqueza em princípios ativos benéficos para a saúde. Utiliza-se o líber, uma espécie de casca interna da árvore, condutor da seiva elaborada. Eis uma lista das cascas mais utilizadas:

A casca de bétula (a nossa árvore polivalente, mais uma vez!): diurética, estimula também a digestão. É igualmente considerada febrífuga (contra a febre).

A casca de salgueiro-branco (Salix alba): utilizada há milénios pelas suas propriedades analgésicas, está na origem da aspirina. É geralmente colhida no outono e utilizada na proporção de 2 a 5 g para uma infusão.

A casca de carvalho (Quercus spp.): árvore venerável, sagrada em muitas culturas, a sua casca é utilizada desde tempos remotos. É reconhecida pelas suas numerosas propriedades, incluindo as propriedades adstringentes, antidiarreicas e antissépticas, mas também por aliviar algumas doenças de pele, como o eczema, a comichão e as lesões cutâneas. A colheita faz-se na primavera, em árvores relativamente jovens, no outono. Deve dar-se preferência ao carvalho-roble (Quercus robur) ou ao carvalho-branco (Quercus pubescens). Prepara-se uma decocção da casca, fervendo as cascas em água durante alguns minutos, para aplicação sob a forma de compressa. Utilize entre 5 g e 10 g para uma decocção.

A casca de ulmeiro (Ulmus spp.): utilizada em decocção para aliviar problemas digestivos ou como antitússico. Reduzida a pó e depois transformada numa pasta, serve para preparar cataplasmas destinados a feridas superficiais ou abcessos.

A casca de tília (Tilia spp.): é útil para acalmar os nervos e favorecer o sono, mas possui também propriedades antiespasmódicas e drenantes para o fígado e os rins. A colheita faz-se na primavera, geralmente em Tilia platyphyllos, Tilia argentea e Tilia cordata. Preveja a utilização de 2 a 5 g para uma infusão.

Estas cascas são geralmente preparadas sob a forma de decocções ou infusões. Para isso, separam-se da árvore sem a ferir, deixam-se secar e reduzem-se a um pó grosseiro, sendo depois utilizadas em infusão.

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Casca de carvalho

Com a seiva

Conhecem-se sobretudo os benefícios da seiva de bétula (decididamente…), reputada por ser rica em oligoelementos (cobre, magnésio e ferro) e em antioxidantes, sendo frequentemente utilizada numa cura sazonal como desintoxicante do organismo.
A colheita da seiva bruta ocorre no final do inverno, de meados de fevereiro até meados de março, quando a seiva começa a subir após as geadas e os gomos ainda não apareceram. A seiva de bétula é recolhida durante cerca de 3 semanas, fazendo incisões em exemplares adultos de Betula pubescens ou de bétula-branca (Betula pendula também chamada bétula-pendente ou bétula-branca, ou ainda bétula verrucosa). O líquido que escorre será mais abundante nas árvores expostas a sul, sujeitas a uma forte amplitude térmica ao longo do dia. É ligeiramente adocicado e opalescente.

Não se deve confundir com o sumo de bétula, obtido a partir de uma decocção das folhas da árvore, nem com o açúcar de bétula, que se obtém fervendo a seiva até esta reduzir a um xarope.

Quanto ao xarope de bordo, bem conhecido dos quebequenses, é obtido a partir da seiva de Acer saccharum (bordos-açucareiros), que se aquece para obter uma guloseima, também rica em antioxidantes (e em sacarose!).

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Com os amentilhos

As árvores amentíferas produzem inflorescências masculinas flexíveis e pendentes, chamadas «amentilhos», que surgem antes das folhas. O mais conhecido é o amentilho da aveleira, mas também se encontram amentilhos na bétula e nos salgueiros. Algumas destas árvores possuem propriedades curativas:

A bétula (Betula spp.): os seus amentilhos são diuréticos e depurativos, ajudando a eliminar as toxinas do organismo. São colhidos na primavera e utilizados na dose de 2 a 4 g para preparar uma infusão.

A aveleira (Corylus avellana): os amentilhos possuem propriedades adstringentes, úteis em caso de diarreia ou ferimentos. São colhidos no final do inverno e utilizados na dose de 2 a 3 g para preparar uma infusão.

O salgueiro (Salix spp.): os seus amentilhos são utilizados pelas suas propriedades anti-inflamatórias. São colhidos na primavera e utilizados na dose de 3 a 5 g para preparar uma infusão.

Nota: Os amentilhos são geralmente utilizados sob a forma de infusões ou macerados.

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amentilho de aveleira

A silvoterapia e a medicina ayurvédica

Quando se fala de árvores «curativas», não se pode ignorar a silvoterapia, de que tanto se ouviu falar nos meios de comunicação social nos últimos anos, através de vídeos ou reportagens que promovem os benefícios de sessões de «terapia dos abraços» na floresta.

A silvoterapia, ou terapia florestal, implica mais do que a utilização de gomos, cascas e outros amentilhos. Abrange a árvore e o seu ambiente, os sons e os odores que contribuem para a imersão na natureza. Capta-se a energia das árvores através do abraço, da escuta do vento nas folhas e das sensações que isso provoca na mente. Esta prática, em que a respiração também desempenha um papel importante, é igualmente conhecida como banho de floresta ou «shinrin yoku», pois teve origem no Japão. Conta com muitos adeptos, uma vez que proporciona tranquilidade mental. Estudos científicos demonstraram-no recentemente: estes passeios na floresta, com um contacto próximo com as árvores, reduzem o stress, reforçam o sistema imunitário e melhoram a qualidade do sono.

Na medicina ayurvédica, a utilização das árvores é igualmente importante. A farmacopeia indiana presta, há milénios, um verdadeiro culto a determinadas espécies autóctones. A árvore de neem ou verdadeiro lilás-da-pérsia (Azadirachta indica), por exemplo, é utilizada pelas suas propriedades antibacterianas e anti-inflamatórias. A muringueira (Moringa oleifera) é conhecida pelas suas folhas ricas em nutrientes e por aliviar problemas dentários. O pinheiro (Pinus spp.) é apreciado pelas suas resinas com propriedades antissépticas e expetorantes.

Ingrid dá-lhe mais informações em Silvoterapia: reconectar-se com as árvores para respirar, pensar e encontrar tranquilidade.

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O shinrin yoku ou a silvoterapia

Atenção à colheita de plantas silvestres!

Não se esqueça de que o respeito pela natureza é fundamental aquando da colheita de plantas e de que a sustentabilidade é essencial para manter o equilíbrio dos nossos preciosos ecossistemas. Atenção para não colher em qualquer lugar: a lei proíbe a extração de seiva nas florestas, nos bosques e nos locais públicos, sob pena de multa, e as colheitas estão limitadas a determinadas quantidades. É claro que se pode pedir autorização ao proprietário de um terreno, sendo preferível colher casca, gomos, seiva e amentilhos no próprio jardim.

 

Aviso

Os usos medicinais acima mencionados não são todos confirmados por estudos científicos rigorosos. Os benefícios das árvores são utilizados essencialmente de forma preventiva.

A automedicação e a medicina natural, mesmo à base de produtos naturais, não estão isentas de riscos. Embora as árvores e as plantas ofereçam muitos benefícios para a saúde, é importante salientar que as informações fornecidas neste artigo não substituem, de forma alguma, o aconselhamento de um profissional de saúde. Cada pessoa é única e pode reagir de forma diferente a determinadas plantas. Existem, nomeadamente, contraindicações para mulheres grávidas, crianças ou pessoas com determinadas patologias. Além disso, algumas plantas podem interagir com medicamentos e provocar efeitos indesejáveis. Por fim, as dosagens indicadas neste artigo são apresentadas apenas a título informativo. Devem ser validadas por um profissional de saúde qualificado nesta área (fitoterapeuta, ervanário, farmacêutico…).

É, por isso, essencial consultar um médico, um farmacêutico ou um ervanário antes de iniciar qualquer nova rotina de cuidados à base de plantas. Poderão ajudar a determinar quais são as plantas mais adequadas à situação, como utilizá-las em segurança e em que dose.

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Saber mais...

Para saber tudo sobre as preparações e as árvores das nossas regiões que se podem utilizar, recomenda-se o livro indispensável As árvores alimentares e medicinais, 260 receitas culinárias e medicinais com as árvores da nossa flora. Karine Greiner. Edições Ulmer. 2019.
… e, mais antigo, contudo, uma bela obra de referência: o livro das árvores e da saúde: a observação, o conhecimento e a experimentação dos poderes e das virtudes terapêuticas das árvores, de René A. Strassmann. Edições Libr. de Médicis. 1996.

A temática da silvoterapia está também muito presente nas livrarias, na secção de «desenvolvimento pessoal», com, entre outros, A arte e a ciência do banho de floresta, como a floresta nos cura? De Qing Li. 2018. Edições First.

Leia também: Os benefícios da bétula, o que revelam os estudos científicos

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