Resumo
Os Salgueiros, em poucas palavras
- A família dos salgueiros oferece uma grande diversidade, que vai desde o imponente e romântico salgueiro-chorão ao pequeno exemplar rastejante, passando pelo elegante salgueiro-camarão conduzido em haste com folhagem rosa suave.
- Muito rústicos, os salgueiros crescem com grande facilidade e rapidamente, formando exemplares notáveis em poucos anos, que se podem multiplicar com facilidade.
- Os salgueiros apreciam solos frescos, mesmo encharcados na sua maioria, e uma exposição ensolarada.
- Toleram podas anuais, mas também podem crescer livremente para exprimir a sua silhueta pendente ou tortuosa.
A palavra da nossa especialista
Os salgueiros, Salix em latim, são plantas muito fáceis de cultivar e capazes de suportar temperaturas siberianas, à semelhança da bétula que se encontra até ao círculo ártico. Encontram-se grandes árvores com hábito denso até 20 m de altura, por vezes chorão, e até ao subarbusto prostrado rastejante. Distinguem-se assim grandes árvores de aspeto natural e selvagem como a borrazeira-negra, os salgueiros-chorões tão românticos quando os seus ramos pendentes verde-frescos varrem a superfície da água, e as variedades ornamentais adaptadas a jardins mais pequenos, muitas vezes desconhecidas, como o Salix gracilistyla, o Salix Mount Aso e o Golden Sunshine, notáveis pelos seus amentilhos sedosos e coloridos, pelo seu hábito ou pela sua folhagem colorida.
Não esqueçamos as variedades «úteis» como o vimeiro, perfeito para constituir uma sebe selvagem de onde se podem obter longos ramos flexíveis e coloridos para criar sebes vivas entrançadas e outros objetos de cestaria. A casca do salgueiro é igualmente conhecida por ter dado origem ao medicamento Aspirina, um excelente febrífugo e analgésico que fluidifica o sangue, utilizado mesmo que a molécula salicilina seja hoje sintetizada e substituída pelo ácido acetilsalicílico.

Amentilhos de salgueiros
São árvores caducas entre as primeiras a despontar na primavera e as últimas a perder as folhas. Com trezentas espécies que vão desde a grande árvore de parque como o salgueiro-chorão ao subarbusto prostrado, com hábito esguio, tortuoso no Salix matsudana ‘Tortuosa’ ou arbustivo, com folhagem prateada ou matizada de rosa como o salgueiro do Japão, este género oferece uma diversidade muitas vezes insuspeitada que lhe permite entrar também em jardins pequenos. Os que nos são familiares, como o salgueiro-branco Salix alba ou a borrazeira-negra, são cultivados desde sempre pelas suas qualidades ornamentais, pela sua madeira flexível utilizada em cestaria ou pela sua capacidade de criar rebentos, tão eficaz para fixar as margens dos cursos de água. Todos os salgueiros têm flores em amentilhos masculinos ou femininos em indivíduos distintos, folhas estreitas, e partilham uma preferência por solos frescos a encharcados e exposições soalheiras. São apreciados pelo seu crescimento rápido, pelas suas qualidades ornamentais que os tornam frequentemente interessantes ao longo de todo o ano, bem como pela sua facilidade de cultivo. Pouco se sabe, mas algumas espécies e variedades estão adaptadas ao clima de montanha ou mesmo ao clima mediterrânico do sul.
Descrição e botânica
Ficha de identidade
- Nome latino Salix sp.
O salgueiro pertence à família das Salicáceas, tal como o choupo, e ocupa essencialmente as zonas temperadas a frias e bastante húmidas do hemisfério norte. Os salgueiros arbustivos são espécies pioneiras capazes de formar um bosque monoespecífico numa zona perturbada por um corte ou um incêndio, enquanto os salgueiros arbóreos, como a borrazeira-negra, se associam frequentemente a outras essências florestais.
A família, inicialmente constituída por 2 ou 3 géneros, enriqueceu-se com grande parte das plantas da família das Flacourtiaceas, contando assim um total de 55 géneros, na sequência da classificação filogenética APG II (2003). Cerca de 400 espécies estão hoje recenseadas no género Salix, sendo que as hibridações espontâneas entre essas espécies são algo frequente — incluindo poliploides, até 6 conjuntos de cromossomas — e fáceis de obter artificialmente. A maior diversidade de Salix encontra-se na China, seguida do continente norte-americano (100 espécies) e europeu (70 espécies). O meio de os identificar passa muitas vezes pela floração e frutificação.
O salgueiro-chorão é o representante mais emblemático do género, fazendo parte da paisagem europeia há mais de dois séculos. É geralmente plantado à beira de espelhos de água e no relvado de grandes parques, ainda que a sua longevidade seja bastante reduzida. Várias espécies constituem a família dos salgueiros-chorões, sendo que a espécie chinesa original Salix babylonica deu lugar a híbridos mais robustos como Salix x sepulcralis ‘Chrysocoma’, o mais difundido, criado em Berlim em 1888 e que recebeu o Award of Garden Merit da Royal Horticultural Society em 1984. Resulta de uma hibridação artificial entre Salix alba ‘Vitellina’, rústico e de ramos amarelos, com Salix babylonica ‘Babylon’, responsável pelo seu hábito chorão e que lhe transmitiu também a resistência ao calor intenso, pelo que não é de estranhar encontrar Salix x sepulcralis ‘Chrysocoma’ até nos trópicos!

Salix caprea – ilustração botânica
As folhas do salgueiro são caducas, alternas e simples, terminadas em ponta. O limbo, 2 a 10 vezes mais comprido do que largo e suportado por um curto pecíolo, possui margens inteiras ou finamente dentadas. A cor da folhagem varia do verde acinzentado da borrazeira-negra ao verde vibrante dos salgueiros-chorões, passando pelos tons dourados do cultivar Salix sachalinensis ‘Golden Sunshine’. O salgueiro-branco (Salix alba) reconhece-se pelo reverso branco e sedoso do limbo. A base do pecíolo é muito frequentemente acompanhada por duas estípulas mais ou menos persistentes, que deixam uma cicatriz foliar em V após a queda da folha. As dimensões das folhas, dos dentes e das estípulas são por vezes maiores nos rebentos vigorosos da planta. Os gomos são bastante característicos nos salgueiros, pois o gomo terminal está ausente devido ao abortamento da extremidade dos ramos, e os gomos laterais, cobertos por uma única escama, estão encostados ao ramo.
Os ramos delgados do ano apresentam diferentes colorações: verde (Salix viminalis), castanho (Salix triandra), negro (Salix daphnoides ‘Aglaia’), amarelo (Salix alba subsp. vitellina), alaranjado (Salix alba ‘Britzensis’), púrpura (Salix purpurea) ou vermelho (Salix fragilis), muito apreciados pelos cesteiros. Os produtores de vime cortam todos os anos, entre as primeiras geadas de outubro e o mês de março, os rebentos do ano, de forma a provocar novas rebentações superiores a 1,50 m (varas de vime), o que dá origem às estranhas silhuetas hirsutas dos salgueiros podados, típicos das zonas de arvoredo húmido.
A floração masculina e feminina ocorre na maior parte das vezes em indivíduos diferentes, sob a forma de amentilhos masculinos pendentes ou eretos e de amentilhos femininos eretos. Alguns híbridos, como o nosso famoso salgueiro-chorão, são hermafroditas. Os amentilhos masculinos apresentam um belo interesse ornamental em certas espécies, bem conhecido no cultivar Salix caprea Kilmarnock, de aspeto sedoso e acinzentado. Novas espécies e cultivares têm o que seduzir os amadores de originalidade, como Salix chaenomeloides Mount Aso, com amentilhos rosa-vermelhos de 2,5 cm, ou Salix hastata Wehrhahnii, com numerosos amentilhos ovoides, inicialmente prateados e sedosos, que se alongam até atingir 7 cm de comprimento, libertando numerosos estames amarelo-creme. Esta floração é muito apreciada pelas abelhas, que vêm em busca de pólen e néctar por vezes já em fevereiro, como acontece com a borrazeira-negra (Salix caprea). Nos salgueiros-chorões, a floração surge depois da folheação, pelo que o seu interesse ornamental permanece bastante limitado. As flores esverdeadas ou amareladas reunidas em espigas não possuem sépalas nem pétalas, mas são precedidas de uma bráctea inteira pubescente e acompanhadas de glândulas nectaríferas. A polinização realiza-se tanto pelo vento como pelos insetos, graças às características do seu pólen espesso e ceroso e ao seu néctar. O salgueiro constitui uma importante fonte de alimento para os insetos polinizadores, ao contrário do choupo, adaptado exclusivamente à disseminação do seu pólen nu pelo vento.

Salix caprea : diferença entre amentilhos femininos (à esquerda) e masculinos (à direita)
Os frutos, produzidos pelas árvores femininas, são cápsulas com 2 valvas que libertam sementes verdes portadoras de um penacho de seda branca, disseminadas pela água ou pelo vento.
A madeira do salgueiro, embora pouco durável, é resistente aos choques, leve e homogénea, com fio direito, pelo que serve para fazer cabos de ferramentas, caixas ou pasta de papel, tal como o choupo. A sua capacidade de criar rebentos permite ao salgueiro consolidar as margens dos cursos de água.
O nome latino Salix designava o salgueiro entre os Romanos.
O salgueiro está carregado de simbolismo, em particular no Tibete, onde evoca a vida, e na China, onde encarna a imortalidade.

Os salgueiros apresentam uma diversidade de folhagens: Salix alba, Salix integra ‘Hakuro Nishiki’ (Saule crevette), Salix sachalinensis ‘Golden Sunshine’, Salix lanata
Leia também
A cestaria: a arte de entrançar as plantasAs principais variedades de salgueiro
Salgueiro-branco Tristis - Salix alba
- Período de floração Maio, Junho
- Altura à maturidade 20 m
Salix erythroflexuosa - Salgueiro tortuoso
- Período de floração Abril, Maio
- Altura à maturidade 4 m
Salix matsudana Tortuosa - Salgueiro-tortuoso
- Período de floração Maio, Junho
- Altura à maturidade 10 m
Borrazeira-negra Kilmarnock - Salix caprea
- Período de floração Março, Abril
- Altura à maturidade 3 m
Salix chaenomeloides Mount Aso - Salgueiro
- Período de floração Março à Maio
- Altura à maturidade 3 m
Salix gracilistyla - Salgueiro
- Período de floração Abril
- Altura à maturidade 2 m
Salix subopposita - Salgueiro
- Período de floração Abril, Maio
- Altura à maturidade 1 m
Salgueiro do Japão Hakuro Nishiki - Salix integra
- Período de floração Abril, Maio
- Altura à maturidade 1,50 m
Salix sachalinensis Golden Sunshine - Salgueiro
- Período de floração Abril, Maio
- Altura à maturidade 4 m
Salix magnifica - Salgueiro
- Período de floração Abril, Maio
- Altura à maturidade 7 m
Descubra outros Salgueiros - Salix
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Plantação
Onde plantar o Salgueiro?
De um modo geral, os salgueiros preferem um solo fresco a húmido, mas também se contentam com um solo comum e adaptam-se tanto a um solo leve, pedregoso e arenoso como a um solo pesado e argiloso, muito húmido. A maioria tolera a presença de calcário, bem como solos arenosos ou ligeiramente ácidos, e aceita inundações temporárias, enquanto outros se adaptam a situações secas no verão com regas esporádicas abundantes, como o salgueiro. A sua tolerância ao frio siberiano permite instalá-los tanto em planície como em altitude, mas receiam os verões de calor intenso.
Plante os salgueiros-chorões, que são árvores de grande dimensão, a distância das habitações (mínimo 15 m) para evitar que as raízes, em busca de água, danifiquem as canalizações. Escolha um local sem betão, um prado ou as margens de um curso de água ou de um lago.
Uma exposição ensolarada ou ligeiramente ensombrada é adequada a todos os salgueiros.
Os salgueiros-chorões toleram invernos rigorosos (-40 °C) tanto quanto os climas tropicais.

Quando plantar?
Plante os Salgueiros de preferência no outono para assegurar um enraizamento profundo antes de enfrentar a seca estival.
Como plantar?
-
- Mergulhe o torrão num balde de água para o humedecer bem.
- Abra uma cova de plantação de 60 cm em todos os sentidos para os salgueiros de grande dimensão, de 40 cm para os arbustivos, ou uma vala de 50 cm de largura no caso de uma sebe. Os salgueiros arbustivos podem ser espaçados de 1 a 2 m consoante o seu vigor e o desenvolvimento que se pretende dar a cada arbusto. Será sempre possível fincar uma estaca no solo para densificar a sebe!
- Misture bem composto ou substrato à sua terra de jardim se o solo for pobre.
- Coloque a planta na cova de plantação depois de desenrolar as raízes que possam ter enrolado no vaso.
- Reponha a terra e compacte ligeiramente formando uma bacia.
- Regue.
- Espalhe uma camada de cobertura morta na base para manter a frescura em torno das raízes. Isso também limitará o crescimento das ervas daninhas.
A retoma é muito fácil e rápida e apenas requer o controlo da rega durante os 2 primeiros anos após a plantação.
Poda e manutenção do salgueiro
Regue regularmente nos dois primeiros anos, em especial durante os períodos quentes e secos. Este arbusto não necessita de outros cuidados, exceto a poda se for necessária, que deverá ser ligeira e realizada após a floração.
Poda do salgueiro
Os salgueiros decorativos pelos seus amentilhos (Salix caprea, alba…)
Beneficiam de uma poda todos os anos ou de 2 em 2 a 3 anos, de forma a obter ramos longos portadores de botões e a manter o exemplar com dimensões reduzidas. Aproveite esta oportunidade para colher ramos em botão destinados à decoração floral. Os botões florais formam-se na madeira de 1 ano, pelo que a poda não deve ser feita no inverno, mas logo após a floração (exceto os ramos destinados a ramos de flores), de modo a orientar a seiva para um número limitado de gomos vegetativos. O local do corte pode ser sempre o mesmo, o que leva a obter salgueiros «árvores-podadas» ou «em cabeça de salgueiro», com grandes espessamentos, ou pode ser feito após o 1.º gomo do último rebento. Evite ferir ou suprimir os espessamentos, que contêm uma grande parte das reservas da árvore.
A Ingrid explica no nosso tutorial: Quando e como podar o salgueiro-camarão?
Como evitar o ressecamento das folhas do salgueiro-camarão no verão?
Os salgueiros destinados à cestaria (Salix viminalis, triandra, purpurea, alba…)
- Corte sempre no mesmo local todos os anos os ramos de vimeiro após a queda das folhas e antes da retoma da vegetação. O local do corte pode ser rente ao solo para facilitar o corte mecânico, ou a 50 cm ou mais do solo, de forma a criar o tronco de uma árvore-podada.
- Forme molhos homogéneos e conserve os ramos vivos mergulhando a sua base em 10 cm de água. Se os ramos não forem mantidos vivos, acabam por ver a sua casca escurecer e murchar ao fim de 3 a 4 anos. É por isso que os ramos são por vezes tratados em autoclave para prolongar a sua conservação ao exterior.
- Mergulhe os ramos integralmente em água durante 8 a 10 dias antes de os entrançar, de forma a torná-los mais flexíveis. O entrançamento dos ramos vivos deve ser feito entre dezembro e abril.

Salgueiros dos cesteiros
O vimeiro-branco é seco e necessita apenas de algumas horas de molha para amolecer: os ramos mantidos vivos até à retoma da vegetação em maio foram descascados, o que lhes confere esse tom claro.
Para saber mais sobre a cestaria
Os salgueiros-chorões e tortuosos (Salix chrysocoma, sepulcralis, babylonica)
A poda é importante no início, de forma a obrigar o tronco a ganhar altura suficiente antes de deixar cair os seus ramos. Um exemplar deixado a si próprio formará uma árvore duas vezes mais larga do que alta.
Saiba que os salgueiros suportam mal os cortes de grande diâmetro (superior a 5 cm), pois cicatrizam mal, provocando a podridão do interior. A madeira leve torna-se então pouco resistente ao peso e parte com facilidade, razão pela qual a formação da árvore deve começar desde jovem. Aplique a poda seguinte, que consiste em elevar progressivamente a copa:
- Quando o tronco ultrapassar cerca de 2,20 m, selecione os 5 ou 6 ramos que servirão de ponto de partida para a copa.
- No final do inverno, pode-os logo acima de um gomo situado no topo da curvatura (a 30-40 cm da sua base).
- Elimine os restantes rente ao tronco.
- Realize a mesma operação nos novos rebentos dos anos seguintes, de forma a elevar a copa sob a forma de arcos de círculo sobrepostos.
- Em paralelo, pense em eliminar todos os ramos fracos, que se cruzam ou que apresentam cancros (desinfete bem o podão entre cada corte).
Doenças e pragas eventuais
Os salgueiros são geralmente bastante robustos, desde que não sofram de stress provocado pela falta de água ou por podas severas.
A folhagem está por vezes sujeita à antracnose, que provoca manchas negras aureoladas de amarelo nas folhas e nos ramos, na primavera e no verão. As folhas caem e formam-se cancros que impedem a circulação da seiva. A sarna origina manchas negras no verso das folhas e, posteriormente, nas folhas jovens; os ramos curvam-se e secam, cobrindo-se de lesões negras. O cancro negro provoca igualmente manchas foliares e cancros.
Nos 3 casos, recolha e queime as folhas caídas no solo e pode rapidamente os ramos doentes. Pulverize um fungicida uma vez por mês a partir de março, caso o ataque se repita.
As lagartas e os pulgões seguidos de depósitos de fumagina podem ter consequências em plantas jovens e obrigar a um tratamento inseticida (piretrina…). Na maioria das vezes, não é necessário intervir.
→ Saiba mais sobre as doenças e parasitas dos salgueiros
Multiplicação: a estaquia
Estaquia
É o método mais simples e eficaz para multiplicar os salgueiros. Corte ramos de qualquer calibre, plante-os em terra solta e regue. O enraizamento é muito rápido, pelo que formar uma sebe de pequenos salgueiros é muito simples de realizar!
→ Saiba mais sobre a estaquia do salgueiro no nosso tutorial!
Utilizações e associações
Existe uma tal diversidade de formas, de tamanho e de exigências de cultivo nos salgueiros que é impossível não encontrar entre eles um exemplar que se adapte ao seu jardim. Um salgueiro traz sempre uma nota bucólica e natural, por vezes muito original, romântica ou elegante, consoante as variedades.
Os salgueiros-chorões ou tortuosos beneficiam de ser plantados isolados no meio de um relvado ou nas margens de um lago colonizado por nenúfares ou lotos, ou ainda à beira de um rio. A silhueta destas árvores inspirou numerosos poetas e escritores românticos como Alfred de Musset, ou pintores como Monet, que veem nesta forma uma espécie de evocação melancólica. As suas dimensões podem ser extremamente variáveis (7 a 20 m) consoante a cultivar e a disponibilidade de água. Convém pesquisar bem esta informação junto do viveirista antes de plantar um salgueiro, do qual é difícil livrar-se se se tornar incómodo. A longevidade de um salgueiro-chorão pode atingir uma centena de anos. Pode formar um belo conjunto nas margens de um lago ou de uma lagoa, em companhia de ciprestes-dos-pântanos, liquidâmbares, tulipeiros-da-Virgínia, Nyssa sylvatica e ruibarbo-gigante, que reclamam as mesmas condições húmidas.

Majestoso salgueiro-chorão à beira de um lago
O salgueiro-branco (Salix alba), capaz de atingir 25 m de altura, é um excelente corta-vento, fazendo brilhar a folhagem de reverso prateado. Deu origem a várias cultivares de madeira colorida utilizadas em cestaria, como Britzensis e Vitellina, que se podem conduzir em árvore-podada de baixa altura.
Os salgueiros pequenos e médios de 1 a 7 m de altura, decorativos pela sua casca colorida, pela sua folhagem ou pelos seus amentilhos na primavera, podem constituir sebes campestres que se cortam pela base à vontade. São também encantadores em canteiro, ao lado de uma faia, de uma aveleira, de um hamamélis e de um fisocarpo com folhagem colorida de púrpura ou dourado. Para dar um pouco de leveza à composição e realçá-la com tons quentes no verão e no outono, plante tufos de miscanto ou painço em primeiro plano. Nas margens de um grande plano de água, plante-os em companhia de corniso de casca colorida (Cornus sanguinea, Cornus sericea), miscanto, tojo ou tábua. Crie um quadro florido num estilo boémio chic em bicromia branco e dourado, com ao fundo uma macieira-de-flor Malus ‘Golden Hornet’, depois o Salix sachalinensis ‘Golden Sunshine’, um chá-da-virgínia ‘Henry’s Garnett’ ou ‘Little Henry’s’, e em primeiro plano algumas plantas de ligulária.

Uma ideia de associação branco e dourado: Malus ‘Golden Hornet’ (©Horticolor Lyon), Itea virginica ‘Little Henry’s’, Salix sachalinensis ‘Golden Sunshine’ e Ligularia dentata ‘Britt-Marie Crawford’
Para criar uma sebe arco-íris, basta introduzir diferentes salgueiros de folhagem colorida, como o salgueiro-camarão para o rosa e creme, Salix rosmarinifolia para o cinzento prateado, Salix sachalinensis ‘Golden Sunshine’ para o dourado, sem esquecer o salgueiro (Salix magnifica) pelos seus tons de jade…
Numa rockery de solo argiloso profundo, instale o salgueiro-anão do Japão, Salix subopposita, com aspeto de bonsai. Este arbusto compacto, de crescimento lento, que atinge 1 m de altura por 1,20 m de largura, cobre-se de amentilhos prateados e depois dourados em março-abril, antes do aparecimento da folhagem aveludada de um cinzento-azulado muito suave. Forma igualmente bordaduras tapizantes encantadoras, reveste um talude e adapta-se facilmente a um grande vaso no terraço, onde se poderá desfrutar de perto da sua floração notável e da sua bela folhagem. Para animar uma sebe ou um canteiro sem manutenção, associe-o à forsítia-anã, ao bérbere púrpura anão, à amendoeira-anã (Prunus tenella) ou ainda à macieira-de-flor anã Malus ‘Pom Zai’.
Os pequenos exemplares notáveis como o salgueiro ‘Mount Aso’ podem ser colocados em ponto focal no meio de um canteiro de bolbos precoces, composto por campainhas-brancas, açafrões, fritilários e jacintos. Forma também um bonito canteiro arbustivo em tons rosados com Prunus triloba, cerejeiras e amendoeiras-de-flor.

Um exemplo de associação primaveril: Salix chaenomeloides ‘Mount Aso’, Fritillaria meleagris, Crocus, Galanthus nivalis e Helleborus orientalis
→ Descubra outras ideias de associação com o salgueiro na nossa ficha de conselhos!
Para saber mais
Descubra:
- a nossa vasta gama de salgueiros
- o nosso artigo: A cestaria: a arte de entrançar as plantas
- os nossos vídeos: O Salix ‘Mount Aso’ e ‘Blue Streak’
- ficha de conselhos: Como fazer água de salgueiro?
- tutorial: Como fazer uma cabana em salgueiro vivo?
- ficha de conselhos: Como plantar e manter uma sebe viva em salgueiro?
- tutorial: Como fabricar uma tontina em salgueiro?
- Descubra a nossa ficha de conselhos sobre as árvores com hábito chorão
- vídeo: A importância dos salgueiros velhos no jardim
- Descubra os salgueiros preferidos do mês de fevereiro pelo Olivier, e o Salgueiro ‘Mount Aso’
- A nossa ficha de conselhos: Salgueiro-Salix, as mais belas variedades
- A nossa ficha de conselhos: Escolher um salgueiro
- Encontre o salgueiro em Como tratar-se com as árvores?
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