Resumo

Modificado em 11 de janeiro de 2026  por Leïla 6 min.

O loureiro-da-montanha é um arbusto de terra ácida que merece ser mais conhecido. Originário das florestas, dos pântanos e das pradarias da América do Norte, desenvolve-se num solo fresco, com pH ácido, humífero e bem drenado, numa exposição de meia-sombra, afastado do sol intenso. Prefere, aliás, climas frescos e húmidos e teme absolutamente os ventos frios.

De dimensões relativamente reduzidas, entre 60 cm e 2 m de altura, consoante os cultivares, o loureiro-da-montanha apresenta uma folhagem persistente que faz lembrar a do rododendro e, vagamente, a do loureiro. Desenvolve uma floração espetacular em maio e junho. Espetacular não pelo tamanho — as suas flores medem, em média, 2,5 cm —, mas pela sua abundância, pela sua beleza de porcelana, parecendo feitas de açúcar, minuciosa e delicada, e pelo valor ornamental dos botões florais, com uma forma geométrica plissada, como pequenas merengues. Os inúmeros botões e flores convivem simultaneamente no arbusto, oferecendo um espetáculo encantador.

Eis algumas ideias de plantas para associar ao loureiro-da-montanha, num canteiro de meia-sombra, num sub-bosque ou num jardim de rochas fresco, ou até num vaso no terraço ou na varanda, desde que seja possível proporcionar-lhe boas condições de cultivo.

Dificuldade

Num canteiro de terra ácida

Os loureiros-da-montanha são arbustos ditos de terra ácida, tal como os rododendros, as azáleas, as andrómedas e muitas outras plantas. Estas plantas têm raízes que se estendem superficialmente em largura. São mais dependentes da humidade, pois desidratam-se mais rapidamente do que uma planta cujas raízes procuram água em profundidade. Assim, apreciam exposições não demasiado quentes, onde a terra é geralmente mais fresca, os sub-bosques ricos em húmus e um solo com pH ácido, sem calcário. Um canteiro de terra ácida deve, portanto, reunir estas condições, quer naturalmente, quer, por vezes, com a aplicação de diversos corretivos do solo na terra de plantação.

Os loureiros-da-montanha encontram-se, por isso, em boa companhia com plantas que respondem às mesmas necessidades. Pode compor-se um canteiro de terra ácida em meia-sombra com um plano de fundo onde se encontra um Hydrangea aspera villosa ‘Anthony Bullivant’, que floresce depois do loureiro-da-montanha, em tons de rosa e malva, e um Rhododendron edgeworthii em tons de rosa (este só é rústico até -10° C). À frente, encontra-se o nosso loureiro-da-montanha, de menor porte, por exemplo, a variedade ‘Tofka’, acompanhado, por que não, por uma Azalea canescens, que floresce antes da folheação, em rosa-pálido. Mais abaixo, em primeiro plano, um Daphne transatlantica ‘Pink Fragrance’ floresce abundantemente durante seis meses! Além disso, tanto este como a azálea e o rododendro são perfumados. Alguns bolbos de jacinto-dos-campos acompanham e despertam o conjunto.

Loureiro-da-montanha

No sentido dos ponteiros do relógio: Hydrangea aspera villosa ‘Anthony Bullivant’, Rhododendron edgeworthii, Kalmia latifolia ‘Tofka’, Azalea canescens, Daphne transatlantica ‘Pink Fragrance’

Numa varanda ou num terraço

Numa varanda ou num terraço, num ambiente mineral, é interessante rodear o loureiro-da-montanha de plantas e de uma folhagem abundante para aumentar a humidade ambiente. É possível plantá-lo num vaso, numa exposição a nascente ou a noroeste, para garantir que não recebe sol durante as horas mais quentes. Se o local estiver mais exposto ao sol, é indispensável que este seja filtrado por um telhado, um muro ou por plantas de maior porte que criem sombra.

Com plantas em vasos, é possível preparar substratos diferentes para cada planta, não sendo necessário agrupar plantas acidófilas. Deve no entanto ter-se imperativamente em conta a exposição solar que cada uma recebe consoante a sua posição e verificar se é adequada. Deve também ter-se em conta a rusticidade, uma vez que uma planta em vaso é mais sensível à geada do que uma planta em plena terra. Por fim, devem privilegiar-se plantas com necessidades reduzidas de água, pois, em vaso, também dependem mais da rega. O loureiro-da-montanha necessita de água e, se possível, de água da chuva. É preferível que isso não aconteça com todas as plantas da varanda ou do terraço.

Rodeie um loureiro-da-montanha de pequeno porte, como o Kalmia latifolia ‘Bull’s Eye’, com um Nandina domestica ‘Twilight’, sinos-de-coral como ‘Berry Smoothie’, uma gramínea Phaenosperma globosa, um feto Polystichum makinoi, uma Begonia ‘Garden Angel Blush’ e uma Glechoma hederacea ‘Dappled Light’ de folhagem pendente. Considere também as brunneras e o gerânio vivaz ‘Rozanne’, entre outras plantas.

Loureiro-da-montanha

Nandina domestica ‘Twilight’, Phaenosperma globosa, Kalmia latifolia ‘Bull’s Eye’, Polystichum makinoi, Begonia ‘Garden Angel Blush’, Glechoma hederacea ‘Dappled Light’, Heuchera ‘Berry Smoothie’

Uma cena primaveril em tons de rosa

Se pretende criar um canteiro de impacto máximo, pode não escalonar as florações, mas concentrá-las ao mesmo tempo que a floração do loureiro-da-montanha no final da primavera, ou escaloná-las ligeiramente, mas num período limitado à primavera, por exemplo. Isto é perfeitamente possível se pensar nos rododendros, nas camélias, nas azáleas, arbustos de terra de urze por excelência, dos quais muitas espécies e variedades florescem entre abril e junho.

Aqui, exprime-se uma cena muito primaveril, numa delicada gradação de tons cor-de-rosa, uma cor luminosa em meia-sombra. Um Enkianthus campanulatus, um arbusto muito bonito e pouco conhecido, com pequenas campainhas semelhantes às do lírio-do-vale, ganha tons rosados ao lado de uma Azalea japonica ‘Kirin’ de flores pequenas, de um camélia-do-campo ‘Sweet Jane’ e de outra espécie de Kalmia além de Kalmia latifolia, da qual provêm todas as variedades: Kalmia polifolia, com pequenas flores alegres cor-de-rosa vivo. São acompanhados por uma urze muito bonita, de folhagem dourada e flores cor-de-rosa escuro, a Erica darleyensis ‘Eva Gold‘.

loureiro-da-montanha

Enkianthus campanulatus, Azalea japonica ‘Kirin’, camélia-do-campo ‘Sweet Jane’, Erica darleyensis ‘Eva Gold’ e Kalmia polifolia

Num jardim branco

As variedades de loureiro-da-montanha com flores brancas têm um aspeto ainda mais delicado do que as outras variedades. Esta cor reforça esse aspeto da sua personalidade. Além disso, os loureiros-da-montanha brancos têm muitas vezes uma flor apenas ligeiramente pontilhada ou desenhada de cor-de-rosa ou de vermelho. Um loureiro-da-montanha de flores brancas tem perfeitamente lugar num jardim branco ou num cenário branco, à meia-sombra, onde as flores brancas sobressaem melhor, em companhia de flores brancas mais exuberantes ou de grafismo diferente.

Plante um loureiro-da-montanha branco com uma Skimmia japonica ‘Kew White’, uma grande Pieris japonica ‘Mountain Fire’, uma urze Erica darleyensis ‘White Perfection’, uma azálea-do-japão Azalea japonica ‘Palestrina’, um Cornus canadensis em tapete e o nosso loureiro-da-montanha, neste caso o Kalmia latifolia ‘Peppermint’, que, por sua vez, apresenta um desenho marcado.

loureiro-da-montanha

Skimmia japonica ‘Kew White’, Pieris japonica ‘Mountain Fire’, Erica darleyensis ‘White Perfection’, Azálea ‘Palestrina’, Cornus canadensis, Kalmia latifolia ‘Peppermint’ (© Stervinou)

Num canteiro púrpura

Por vezes, as flores dos loureiros-da-montanha são muito escuras: púrpuras na variedade ‘Latchmin’, cor de chocolate em ‘Tad’, vermelho-escuro em ‘Heart’s Desire’. Podem criar-se muitas combinações a partir destas cores ricas e profundas, com plantas que tenham as mesmas exigências, plantas de solo fresco e sombreado, que preferem frequentemente um solo ácido ou neutro, sem calcário.

Aqui, um Kalmia latifolia ‘Latchmin’ convive com um bordo-do-japão ‘Trompenburg’ de folhas recortadas, rendilhadas e finas, que oscilam entre o vermelho e o púrpura, e com uma Hydrangea aspera villosa ‘Velvet & Lace’ com corimbos violetas, lilases e malva a partir de julho. São acompanhados por um belo Daphne mezereum var. rubra que floresce no fim do inverno. Bolbos de lírio do Kamtchatka ou Fritillaria camschatcensis crescem aos pés dos arbustos e florescem ao mesmo tempo que o loureiro-da-montanha. Considere também os heléboros, que não ficam atrás no que diz respeito a cultivares de cores ricas e vibrantes.

loureiro-da-montanha

Acer japonica ‘Trompenburg’, Daphne mezereum var.rubra, Hydrangea aspera villosa ‘Velvet & Lace’, Kalmia latifolia ‘Latchmin’, Fritillaria camschatcensis

Em jardim de rochas fresco, com belas folhagens exuberantes

O loureiro-da-montanha aprecia solos absolutamente bem drenados, pelo que um jardim de rochas fresco e à sombra é o tipo de situação que lhe convém perfeitamente. Como é um pequeno arbusto, pode ser facilmente acompanhado apenas por plantas perenes que pouco o ultrapassam, consoante se escolha um pequeno cultivar com 60 cm de altura ou um dos maiores, com 2 m de altura na maturidade. Também pode ser plantado em grupos de 3 exemplares da mesma variedade, para criar um bonito efeito de massa.

Instale, por exemplo, um loureiro-da-montanha com fetos e hostas. Se houver vontade de ter mais flores, pode plantar-se ao lado um arbusto mais alto, como o Cornus kousa, que confere um aspeto de pequena árvore e uma floração encantadora, com um aspeto muito diferente do do loureiro-da-montanha. Aqui, um Kalmia latifolia ‘Tad’ com fetos da Alemanha ou Matteuccia struthiopteris, hostas variegadas de branco, como ‘Emily Dickinson’, e de amarelo, como o Hosta sieboldiana ‘Frances Willliams’. Um Cornus kousa var. chinensis domina o conjunto.

loureiro-da-montanha

Cornus kousa var. chinensis, Kalmia latifolia ‘Tad’, Hosta sieboldiana ‘Frances Willliams’, Matteuccia struthiopteris, Hosta ‘Emily Dickinson’

Em isolado, sob árvores grandes ou na orla de bosque

Mesmo formando um arbusto de dimensões relativamente pequenas, o loureiro-da-montanha é um belo exemplar para plantar isolado, de modo a concentrar todas as atenções no momento da sua esplêndida floração. É certo que a sua folhagem persistente mantém a mesma cor durante todo o ano, mas é bastante ornamental, evocando a dos rododendros.

Instale-o sob árvores de grande porte, sozinho ou na margem exterior de um bosque, deixando espaço à sua volta.

loureiro-da-montanha

Um belo exemplar na margem de um bosque

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