Resumo
Árvore majestosa, apreciada tanto pelos seus deliciosos frutos como pela sua bela floração primaveril, a cerejeira cultiva-se em vaso ou em plena terra em todas as regiões de França. Na Europa, distinguem-se duas espécies originárias da Ásia Menor: o cerejeiro-silvestre de frutos doces (bigarreau, guigne) e a ginjeira-das-ginjas-galegas de acidez mais pronunciada. A partir delas, estão disponíveis centenas de variedades, sendo que algumas frutificam sozinhas, enquanto outras precisam de uma segunda cerejeira nas proximidades para proporcionar uma boa colheita de frutos.
Apresentamos este pequeno guia para escolher a sua cerejeira em função de 5 critérios essenciais: o tipo de cultura (em vaso ou em plena terra), o caráter autofértil ou polinizador, o período de frutificação, a variedade de cerejas e a utilização dos frutos… tudo o que precisa para orientar a sua escolha entre as inúmeras variedades disponíveis!
Cultivo em vaso ou em plena terra?
Plantar uma cerejeira não é exclusivo dos grandes jardins: esta bela árvore de fruto pode instalar-se numa varanda ou num terraço, desde que se escolha a variedade adaptada a estas condições de cultivo.
As variedades de cerejas que se desenvolvem bem em vaso são as «mini-cerejeiras» ou «cerejeiras anãs» que não ultrapassam 2,5 metros de altura na maturidade. À imagem da Garden Bing com frutos vermelho-vivo e doces ou da muito perfumada Griotella com frutos vermelho-brilhante e acidulados.
A plantação de uma cerejeira em plena terra é em tudo idêntica, mas abre-se a um leque de variedades mais alargado. O Bigarreau é a família de cereja mais conhecida e mais difundida nos jardins, e as variedades Burlat, Napoléon ou Coeur de Pigeon são as mais saborosas, as mais doces e as mais consumidas. Preveja, no entanto, espaço suficiente, tendo em conta o desenvolvimento da árvore em idade adulta, e escolha uma variedade adaptada ao tamanho do seu jardim: são, em geral, árvores vigorosas que atingem 5 a 10 m de altura em idade adulta. No jardim, a cerejeira planta-se geralmente isolada num relvado, no fundo de um canteiro ou num pomar.
Leia também os conselhos de Marion em As cerejeiras anãs, perfeitas para varandas, terraços e pequenos espaços.
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A obtenção de uma boa colheita de cerejas depende diretamente das características da cerejeira escolhida: consegue desenvolver-se sozinha ou deve ser plantada perto de outra variedade de cerejeira, para aumentar a sua frutificação? Se as ginjeiras são auto-férteis, a maioria das cerejeiras-bravas precisa de ser polinizada – o que implica escolher uma variedade de cerejeira com um período de floração idêntico e pólenes compatíveis.
Entre as cerejeiras auto-férteis, pode escolher a ginja ácida de Montmorency, a Bigarreau ‘Sweetheart Sumtare’ ou a Bigarreau ‘Summit’. Para as restantes e de forma a garantir uma boa polinização, pode optar por estes duos:
- Cerejeira Bigarreau ‘Burlat’ e Cerejeira Bigarreau ‘Napoléon’ para uma colheita abundante em maio e em junho.
- Cerejeira Bigarreau ‘Hedelfingen’ e Cerejeira Bigarreau ‘Cœur de pigeon’, um duo perfeito para grandes espaços.
- Cerejeira Bigarreau ‘Napoléon’ e Cerejeira Bigarreau ‘Cœur de pigeon’ para frutos bicolores, amarelos e vermelhos.
- Cerejeira Bigarreau ‘Summit’ e Cerejeira Bigarreau ‘Hedelfingen’ para cultivo em vaso numa região fria.
→ Consulte também o nosso artigo sobre: “As cerejeiras auto-férteis, perfeitas para jardins pequenos“.

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O período de frutificação
Consoante a variedade de cereja escolhida, o período de frutificação variará entre o mês de maio e o mês de julho. Naturalmente, se decidir plantar várias, pode ser interessante escalonar as colheitas – tendo sempre em atenção, se for o caso, a sua polinização.
A cerejeira ‘Burlat’ apresenta um rendimento muito bom, produzindo cerejas grandes, vermelhas e brilhantes a partir do final de maio, tal como as cerejas pretas ‘Moreau’ (ainda que com menor rendimento). Para as ‘Cœurs de pigeon’, reconhecíveis pela sua cor amarela e vermelha em forma de coração, é preciso aguardar até ao final do mês de junho. E só em julho surgem as muito produtivas ginjas ‘Chatenay’, de polpa vermelha ora ácida, ora doce.
O sabor dos frutos
Para além das condições de cultivo, uma cerejeira escolhe-se também em função do sabor dos seus frutos! Das duas espécies originais, a cerejeira-brava (Prunus avium) e a ginjeira-das-ginjas-galegas (Prunus cerasus) nasceram inúmeras variedades de cerejas.
Muito apreciadas em França, as Bigarreaux têm polpa firme e crocante, de cor branca ou vermelha. À imagem da cerejeira ‘Canada Giant’, produtiva e vigorosa (mas não autofértil!), ou da cerejeira ‘Marmotte’, mais tardia, mas ideal para combinar com uma Burlat.
As guignes oferecem, por sua vez, frutos açucarados de polpa mole, como a cerejeira ‘Early Rivers’. Mas se preferir cerejas mais ácidas, deve privilegiar as amarelas de sumo claro ou as ginjas de sumo colorido.
Leia também: Que cerejeira plantar para colher cerejas grandes e açucaradas?

A utilização dos frutos
Último critério a considerar antes de escolher a sua cerejeira: qual será a utilização dos seus frutos? Consumo direto, compotas, conservas, acompanhamentos, aguardente, kirsch ou pastelaria, cada variedade de cerejas tem os seus destinos privilegiados.
Por exemplo, as variedades de cerejas ‘Cœurs de pigeon’, ‘Reverchon’ ou ‘Napoléon’, são frequentemente utilizadas para consumo direto, diretamente da árvore! Tal como as ‘Burlat’, mesmo que sejam também recomendadas para pastelaria e coulis. As ‘Marmotte’ são perfeitas para compota, pela sua frutificação satisfatória e ligeira acidez. Tradicionalmente, as ginjas enriquecem os pratos (pato, porco…) e servem de base à aguardente, juntamente com as cerejas ‘Montmorency’. Para a confeção do kirsch, é preferível optar pelas guignes: a ginjeira ‘Belle Magnifique’ oferece frutos de polpa tenra e suculenta, com sabor acidulado e adocicado. Para degustação no inverno, opte por cerejas inglesas (Prunus cerasus ‘Anglaise Hâtive’).

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