Resumo

Modificado 0,01  por Olivier 7 min.

A tuia é um conífero robusto e abundantemente plantado em sebe pela sua robustez e crescimento rápido. Contudo, pode sofrer de diversas doenças que lhe tornam a vida difícil, como o declínio da tuia, a chaga cortical, ou ainda ataques de insetos pragas como o bupreste. Todos estes problemas são muitas vezes a consequência de más condições de cultivo das tuias: terra pesada e húmida, stress hídrico em períodos de seca ou plantação em sebe monoespecífica… Nesta ficha de conselhos, fazemos um ponto sobre as diferentes pragas e doenças da tuia.

Dificuldade

Declínio da tuia por Phytophthora cinnamomi

Sintomas

Observam-se primeiro manchas de podridão no colo e nas raízes. Posteriormente, a folhagem vai acastanhar em alguns pontos, depois em todo um ramo e, por fim, em toda a árvore. Já não há nada a fazer: a tuia morre.

Causa

O responsável é o Phytophthora cinnamomi. Trata-se de um organismo vivo unicelular pertencente aos oomicetos, organismos aquáticos não fotossintéticos (antigamente classificados entre os fungos, daí o sufixo “micete“). Este oomiceto, que vive nos tecidos vegetais e no solo, não ataca apenas as tuias. Com efeito, pode também afetar os carvalhos, os castanheiros, as ericáceas (azáleas e rododendros) e outros coníferos como os ciprestes, os pinheiros ou os cedros.

→ para saber mais sobre as fitóftoras, leia: Fitóftora: identificar, prevenir, combater.

Frequentemente em dormência durante algum tempo, os clamidósporos (esporos que não se separam do micélio) de Phytophthora cinnamomi “despertam” quando o ambiente lhes volta a ser favorável: na presença de água. Estes esporos germinam e produzem micélio e esporângios. Os esporângios amadurecem e produzem zoósporos (esporos flagelados capazes de se deslocar na água). Estes últimos podem então penetrar nas raízes e produzir micélio por sua vez. Este micélio vai consumir os glúcidos e os nutrientes e bloquear a passagem da seiva: a árvore infetada vai definhar e a sua raiz começa a apodrecer.

O declínio ocorre preferencialmente quando as tuias se encontram em situação de stress, por exemplo durante uma seca intensa, ou se forem cultivadas em solos pesados e argilosos.

Tratamento

Preventivo: evite utilizar água de rega contaminada por Phytophthora cinnamomi, bem como ferramentas não desinfetadas. Além disso, convém evitar os solos pesados e argilosos, o excesso de azoto e a plantação demasiado densa.

Curativo: o único tratamento válido é a remoção dos exemplares afetados. Pode também ponderar-se a substituição da terra no local onde a árvore se encontrava.

Os fungos patogénicos responsáveis pelo escurecimento, pelas manchas foliares e pelo cancro dos ramos

Sintomas

Manchas descoloradas aparecem na folhagem jovem. Pouco a pouco, essas manchas tornam-se castanhas e depois cinzentas. Inicialmente localizadas em alguns rebentos, as manchas acabam por se tornar cada vez maiores. As escamas afetadas por este acastanhamento acabam por cair no final do verão. Em exemplares jovens, este acastanhamento pode causar a morte da planta.

Causas

Várias estirpes de fungos patogénicos podem provocar o acastanhamento das tuias e outras doenças mais ou menos graves. As estirpes mais frequentemente encontradas no contexto de um acastanhamento são o Pestalotiopsis funerea, o Kabatina thujae e o Coniothyrium fuckelii. O fungo patogénico Didymascella thujina é responsável pelas manchas foliares da tuia, que se assemelham ao acastanhamento dos ramos. O Phomopsis thujae provoca, por sua vez, o cancro dos ramos (mas o mesmo acontece com Coniothyrium fuckelii).

Tratamento

Também neste caso, uma terra pesada e húmida favorece o acastanhamento das tuias, bem como o seu enfraquecimento. Ofereça portanto uma terra bem drenada às suas tuias!

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A chaga cortical

Sintomas

Os ramos afetados pela chaga passam da cor amarela para a ferrugem e acabam por secar. Observando com atenção, na base desses ramos, nota-se uma chaga avermelhada de onde escapa uma substância resinosa. Uma chaga, em botânica, é uma lesão necrosada dos tecidos lenhosos (a madeira!) resultante de um ataque bacteriano ou, no nosso caso, de um fungo patogénico.

Causas

Um ferimento mal cicatrizado após a poda, a entrada de um inseto ou simplesmente causado pelo vento… e pronto! Eis uma porta aberta para Seiridium cardinale (anteriormente Corydium cardinale), o fungo patogénico responsável pela chaga cortical na tuia.

Tratamento

Preventivo: antes de mais, pode ou corte as suas tuias com ferramentas limpas e desinfetadas. É possível aplicar calda bordalesa de forma preventiva, mas o sulfato de cobre contido nesta “mistura” é nocivo para a vida do solo. Prudência, portanto!

Curativo: se a árvore estiver totalmente afetada pela chaga, o melhor é eliminá-la. Os fungicidas não resolverão nada.

Os buprestes e... outros insetos daninhos das tuias

Sintomas

Pode observar-se um acastanhamento tão brusco quanto súbito de alguns ramos. Para ter a certeza de que se trata de larvas de buprestes a atacar a sua tuia, é necessário examinar a superfície e o interior da casca. Orifícios de forma oval na casca revelam a saída dos imagos (insetos adultos), enquanto as galerias sob a casca mostram claramente o percurso das larvas.

Causa

O Bupreste da Tuia, com o nome científico Lamprodila festiva, é um coleóptero (família Buprestidae) cujas larvas são xilófagas: alimentam-se de madeira. As fêmeas dos buprestes põem os ovos nas fendas da casca do tronco ou dos ramos das tuias, mas também dos zimbros ou dos ciprestes.

O bupreste

Tratamento

Uma vez que as larvas estão no interior da madeira, já não existe solução possível. O único tratamento é a eliminação dos exemplares afetados.

Nem sempre é o bupreste…

Os buprestes não são os únicos insetos a atacar as tuias: outras pragas mais ocasionais podem tornar-se problemáticas. Como as mineiras da tuia, borboletas (5 espécies diferentes podem atacar as tuias) cuja larva se alimenta no interior das folhas antes de emergir já em fase adulta; os escolítidos da tuia também causam estragos à semelhança dos buprestes; ou ainda o Capricórnio da tuia, que é aliás um inseto de grande beleza.

Os aranhiços vermelhos

Sintomas

Manchas esbranquiçadas ou amareladas aparecem na folhagem. Esta acaba por amarelecer e tornar-se cinzenta. A folhagem seca e cai. Podem ser visíveis espécies de teias finas nos ramos em caso de ataques intensos.

Causa

Os aranhiços vermelhos não são, na realidade, aranhas, mas ácaros da família Tetranychidae. Existem inúmeras espécies diferentes, nem todas de cor vermelha, e podem atacar não menos de 200 espécies vegetais diferentes, incluindo as tuias. Estes ácaros alimentam-se da seiva e dos tecidos das plantas. Os aranhiços vermelhos ou tetraniquídeos atacam as tuias em períodos quentes e secos.

Tratamento

Em preventivo: em pleno verão, regue ao pé e na folhagem as suas tuias, pois os aranhiços vermelhos detestam a humidade.

Em curativo: um tratamento por pulverização de um macerado de azeite com alho é eficaz. Deixe macerar durante 24 horas 100 g de alho fresco em 5 cl de óleo vegetal. Filtre tudo e adicione a um litro de água com uma colher de chá de sabão negro. Pulverize esta mistura uma vez por semana nas suas tuias atacadas.

Os aranhiços vermelhos possuem também numerosos predadores naturais, como outro ácaro chamado Phytoseiulus persimilis, vendido em jardins-de-venda no âmbito do controlo biológico. Os aranhiços vermelhos são também consumidos pelas larvas de joaninhas e de crisópas.

parasita, inseto, Tuia

Aranhiço vermelho

As cochinilhas de carapaça

Sintomas

Os rebentos murcham. Em alguns casos, pode observar-se o desenvolvimento de fumagina, uma doença criptogâmica provocada por bolores negros. As cochinilhas são difíceis de observar porque são pequenas e praticamente imóveis (no estado adulto) mas pode-se ter a “pulga atrás da orelha” quando se observa um intenso vai-e-vem de formigas na árvore e, sobretudo, gotículas de melada pegajosa nos ramos.

Causas

As cochinilhas de carapaça sugam a seiva e secretam uma espécie de melada (que pode provocar fumagina). São insetos pertencentes à subordem dos Sternorrhyncha e à superfamília dos Coccoidea. As cochinilhas de carapaça apresentam-se sob a forma de “escudos” circulares brancos com centro amarelo ou de pequenas carapaças castanhas, ambas as formas fixadas solidamente nas agulhas e nos ramos das tuias.

Tratamento

Pode optar por uma mistura de uma colher de chá de sabão negro, uma colher de chá de óleo vegetal e uma colher de chá de álcool a 70°. Deite tudo num litro de água e pulverize nas tuias atacadas.

Outros problemas das tuias

Além das pragas e doenças, as tuias são também vítimas de condições de cultivo inadequadas ou de perturbações de origem climática:

  • Clorose em solo pobre e muito calcário;
  • Queimaduras solares dos ramos superiores durante os episódios de calor intenso;
  • Stress hídrico associado à seca ou a uma evapotranspiração demasiado elevada;
  • Geada dos ramos em temperaturas inferiores a -18 °C, nomeadamente no caso da tuia-ocidental;
  • Poluição urbana no caso de certas variedades menos resistentes;
  • Asfixia das raízes em solos demasiado húmidos e demasiado compactos.

Evitemos as doenças e os ataques de pragas nas nossas tuias.

As melhores condições de cultivo

Antes de mais, é necessário assegurar que as suas árvores são cultivadas nas melhores condições. Uma planta em stress ou com carências nutritivas será mais vulnerável a ataques ou a doenças. Além disso, produzirá fitohormónios de stress que atrairão os insetos pragas. As tuias são resistentes, mas receiam as terras pesadas e sempre húmidas. Pense, por isso, em proporcionar-lhes um solo bem drenado e humífero. Se, pelo contrário, o solo for demasiado permeável, será necessário regar ao pé das suas árvores em período de seca.

→ Para saber mais sobre o cultivo das tuias, leia Tuia: plantar, podar e cuidar

Evite também podá-las com material não desinfetado e em períodos inadequados. Os períodos indicados para podar as tuias são abril-maio e agosto, evitando, se possível, os dias de chuva.

Evitemos as sebes monoespecíficas de tuias

As monoculturas, sejam quais forem, nunca são uma boa ideia. Se o primeiro exemplar for afetado, toda a sebe acabará por ser atingida. O melhor é privilegiar sebes diversificadas com alguns arbustos de folha caduca, especialmente espécies indígenas úteis para a fauna.

→ Visite o nosso site e descubra a nossa seleção das mais belas tuias para adotar no jardim.

Além disso, não esqueçamos que a tuia é uma árvore! E por vezes uma árvore bastante imponente: pode atingir até 30 m de altura. Ficará muito mais à vontade isolada ou num canteiro, no caso das espécies e variedades mais compactas. Em resumo, esqueça-a para as sebes e encontre-lhe um lugar mais bonito no jardim!

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