Resumo

Modificado em 15 de junho de 2025  por Pascale 6 min.

Dar uma dentada numa cereja bem madura, acabada de colher da sua cerejeira, é uma verdadeira felicidade para qualquer jardineiro. No entanto, esta pequena felicidade não está ao alcance de todos. Com efeito, as cerejeiras tradicionais necessitam de polinização cruzada para frutificar, o que implica a presença de pelo menos uma segunda árvore compatível para obter uma colheita generosa. Uma limitação que pode ser contornada graças às cerejeiras autoférteis. Capazes de se polinizarem a si próprias, estas variedades de cerejeiras permitem saborear cerejas num jardim pequeno, num pátio, numa varanda ou num terraço.

Descubra as cerejeiras autoférteis, as suas características e o seu cultivo, sem esquecer a nossa seleção das melhores variedades. 

Dificuldade

A polinização das cerejeiras: como funciona?

A polinização das fruteiras depende muitas vezes de uma polinização cruzada. Isto significa, de um modo geral, que, para produzir frutos, uma fruteira precisa de ter nas proximidades (no seu jardim ou no de um vizinho próximo) outra fruteira de uma espécie diferente. Existem variedades boas polinizadoras, cujo pólen é capaz de polinizar várias outras variedades, e variedades más polinizadoras. E não basta plantar duas variedades lado a lado para obter frutos… A variedade polinizadora tem de ser compatível com a variedade a polinizar!

As cerejeiras são fruteiras particularmente dependentes desta polinização cruzada. A título de exemplo, saiba-se que a variedade ‘Burlat’ pode ser polinizada por ‘Early Rivers’, ‘Van’ ou ‘Napoléon’, mas é incompatível com ‘Moreau’. Já ‘Napoléon’ pode ser polinizada por ‘Hedelfingen’, mas é incompatível com ‘Marmotte’. Escusado será dizer que é essencial conhecer este assunto quando se pretende plantar uma cerejeira no jardim.

cerejeiras autoférteis num espaço pequeno

A maioria das cerejeiras frutifica graças à polinização cruzada

A esta complexidade junta-se o facto de existirem diferentes espécies de cerejeiras:

  • A cerejeira-brava (Prunus avium), que produz cerejas doces, bigarreaux e guignes. As variedades desta espécie são, em geral, auto-estéreis, ou seja, necessitam de polinização cruzada
  • A ginjeira-das-ginjas-galegas (Prunus cerasus), que produz ginjas ácidas, amarelas e ginjas. Esta espécie é autofértil, o que significa que assegura sozinha a polinização das flores
  • Os híbridos entre as duas espécies anteriores, que produzem cerejas propriamente ditas. São auto-estéreis, pelo que a polinização cruzada é indispensável.

Porque é que as variedades autoférteis são ideais para espaços pequenos?

A esta pergunta parece haver uma resposta óbvia! Plantar uma variedade autofértil evita dores de cabeça. Há que reconhecer que a polinização cruzada é bastante complexa nas cerejeiras. E é necessário conhecer bem as diferentes espécies para esperar obter cerejas em quantidade.

Mas cultivar uma cerejeira autofértil responde a outras necessidades, sobretudo para quem não dispõe de um pomar extenso ou de um terreno grande. Graças à sua capacidade de se autopolinizar, uma cerejeira autofértil não necessita da presença de outra cerejeira nas proximidades. Uma só árvore pode ser suficiente para obter uma produção correta, o que constitui uma grande vantagem quando o espaço disponível é reduzido. É especialmente útil num jardim pequeno, onde cada metro quadrado conta. Ao escolher uma cerejeira autofértil, é possível ganhar espaço para cultivar outras espécies de árvores de fruto, uma horta ou plantas ornamentais. cerejeiras autoférteis para cultivo em vaso

As cerejeiras autoférteis também se adaptam muito bem ao cultivo em vaso, por exemplo num pátio ou num terraço, numa varanda espaçosa ou num terraço amplo, desde que beneficiem de uma boa exposição. Assim, é possível colher as próprias cerejas, mesmo num ambiente urbano! Alguns cultivares, enxertados em porta-enxertos anões ou semi-anões, mantêm dimensões modestas, oferecendo simultaneamente uma bela floração e uma frutificação abundante. Para um jardineiro experiente, isso abre caminho a práticas de cultivo sofisticadas, como a condução em espaldeira ou a poda em forma de taça, otimizando simultaneamente a estrutura da árvore e a produção.

Por fim, com as cerejeiras autoférteis, é possível contornar as dificuldades associadas a uma primavera chuvosa ou a uma má sincronização da floração.

A nossa seleção das melhores variedades de cerejeiras autoférteis

É possível cultivar uma cerejeira autofértil num jardim pequeno, numa varanda ou num terraço, desde que escolha as variedades certas. Descubra a nossa seleção, pensada para responder às necessidades de cada pessoa.

As cerejas bigarreau autoférteis

As cerejas bigarreau são apreciadas pela polpa firme e pelo elevado teor de açúcar. Embora a maioria das variedades mais conhecidas necessite de polinização cruzada, algumas são autoférteis, o que permite obter belas cerejas sem ser necessária uma segunda árvore:

  • ‘Summit’: variedade com frutos grandes, de um vermelho vivo bastante escuro, doces, firmes e crocantes. A sua floração precoce ocorre no final de março, para uma colheita a partir de junho. Rústica até – 20 °C, pode ser plantada em qualquer lugar. É produtiva e resistente às doenças. Na maturidade, forma uma árvore com 6 m de altura e 4 m de largura.

    cerejeiras autoférteis

    A cerejeira bigarreau ‘Summit’

  • ‘Sunburst’: variedade com frutos grandes, de um vermelho relativamente claro, ligeiramente raiados, medianamente doces, tenros e sumarentos. Trata-se de uma variedade semitardia, que floresce entre o final de março e o final de abril e frutifica em junho-julho. Dimensões: 4 m em todos os sentidos na maturidade
  • ‘Bigarreau de la Saint-Jean®’: variedade criada por Delbard, que produz cerejas grandes, de um vermelho-escuro, muito doces. Floração tardia em abril, frutificação abundante em junho
  • Staccato’: variedade de maturação tardia, que produz cerejas firmes, de um vermelho intenso. A floração ocorre em abril, a colheita começa em meados de junho e prolonga-se até meados de julho

As ginjeiras-das-ginjas-galegas ou cerejeiras de ginjas, antigas ou híbridas

  • Kelleriis 16’: variedade de cerejeira de desenvolvimento médio (5 m x 5 m) e de frutificação tardia. Produz ginjas grandes, doces e aciduladas. É uma cerejeira produtiva e pouco sensível às doenças
  • Belle Magnifique’: variedade tardia, resultante do cruzamento entre uma cerejeira bigarreau e uma ginjeira-das-ginjas-galegas. Produz cerejas médias, de um vermelho brilhante e intenso. A colheita ocorre a partir de meados de julho

    cerejeiras autoférteis

    A cerejeira ‘Belle Magnifique’

  • Allegria’: variedade criada por Delbard, de floração tardia, que produz frutos vermelhos de polpa púrpura, doces e acidulados. Esta variedade é muito resistente às doenças, mas pode atingir 6 a 7 m em todos os sentidos

As cerejeiras anãs

Estas cerejeiras anãs cultivam-se em vaso, pois raramente ultrapassam 2 m em todos os sentidos, proporcionando ainda assim uma colheita generosa de cerejas.

  • Fruit Me® Cherry Me Lapins’: variedade que produz, logo no primeiro ano, cerejas grandes em forma de coração, de um vermelho vivo e brilhantes, com polpa sumarenta e crocante, doce e subtilmente acidulada. Cerejeira fácil de cultivar, que não necessita de poda. Em vaso, não ultrapassa 1,50 m de altura e 1 m de largura
  • Carmine Jewel’: variedade que produz pequenas ginjas de polpa macia e doce, perfeitas para a pastelaria
  • ‘Piémont’: variedade com cerejas de um vermelho luminoso, doces e com um toque de acidez. Colheita em junho-julho
  • Cherry Baby’: variedade recente que produz cerejas crocantes e sumarentas, simultaneamente doces e aciduladas, com pele de um vermelho vivo

As cerejeiras colunares

As cerejeiras colunares são perfeitas para espaços pequenos. Não ultrapassam 2 m de altura e apresentam uma largura reduzida.

  • Sylvia’: variedade com frutos ligeiramente alongados, de um vermelho vivo e com polpa doce e crocante. Floração em abril, colheita em julho-agosto
  • Shangai’: variedade com cerejas de um vermelho muito escuro, crocantes e doces. A sua floração rosa-clara ocorre em abril. Pode atingir 4 m de altura em plena terra, mas não ultrapassa 60 cm de largura
  • Hong Kong’: trata-se de uma variedade de flores brancas, que produz belas cerejas de um vermelho vivo, crocantes e doces. Apresenta as mesmas características que ‘Shangaï’.

Como plantar e cuidar de cerejeiras num jardim pequeno?

Num pequeno jardim, as cerejeiras devem beneficiar de uma plantação e de uma manutenção adequadas, de modo a garantir a sua boa saúde e produtividade:

  • A escolha do local é fundamental, pois a cerejeira precisa de sol para frutificar. Do mesmo modo, deve ser plantada ao abrigo dos ventos frios. O solo deve ser profundo, rico e humífero, perfeitamente drenado
  • Para uma plantação em vaso, é necessário um recipiente com pelo menos 50 a 60 litros, perfurado no fundo, com uma camada de bolas de argila ou de cascalhos. O substrato será composto por terra de jardim, composto maduro e areia para assegurar a drenagem
  • A manutenção centra-se na rega regular durante os períodos secos, mais abundante se a cerejeira for cultivada em vaso, e na poda. A poda ligeira, no fim do inverno ou logo após a colheita, tem por objetivo arejar a copa e favorecer a frutificação nos ramos curtos. A maioria das cerejeiras anãs não é podada ou é pouco podada.plantação de cerejeira autofértil
  • Aplica-se um pouco de composto na primavera junto ao pé da cerejeira
  • A cobertura morta permite conservar um solo fresco
  • É indispensável vigiar o aparecimento de doenças e pragas, para intervir o mais rapidamente possível e evitar a sua propagação.

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