Resumo
Na horta, muitos tendem a pensar que a chegada do inverno marca o fim do trabalho e o início de um descanso do jardineiro bem merecido. Nada disso! O período entre o fim do outono e o início do inverno é a melhor altura para preparar o solo para as futuras sementeiras e plantações da primavera. E, neste aspeto, há duas correntes opostas: os jardineiros que cavam sem parar para revolver a terra e os adeptos da permacultura e da agricultura biológica, que preferem trabalhar a terra suavemente, sem a revolver. Seja qual for o método escolhido, este trabalho da terra é fundamental para estruturar e arejar o solo. Mas o trabalho de inverno não fica por aqui, pois será certamente necessário cobrir o solo para evitar o crescimento das ervas-daninhas e a lixiviação. Escusado será dizer que ainda não chegou a altura de o jardineiro ficar a preguiçar junto de uma boa lareira…
Porque é necessário trabalhar o solo?
Após uma época de cultivo na horta, o solo sofreu, ficou esgotado, empobrecido e compactado, tendo sido pisado pelas passagens repetidas de um ou mais jardineiros. Os legumes exigentes retiraram-lhe todos os nutrientes e oligoelementos de que precisavam. Em suma, depois de um verão produtivo, a terra está cansada e menos nutritiva. Deu muito de si e precisa de alguma atenção!

Depois de um verão produtivo, o solo está esgotado e privado dos seus elementos nutritivos
E é aqui que o jardineiro deve intervir para trabalhar esta terra, prepará-la para receber as sementeiras e plantações da primavera e enriquecê-la para obter uma produção abundante. Com efeito, semear legumes num solo pobre, compactado e lixiviado não é necessariamente sinónimo de sucesso!
Concretamente, o trabalho do solo responde a várias necessidades e objetivos:
- O trabalho do solo permite descompactá-lo e torná-lo mais solto, de modo a facilitar a infiltração e a retenção da água. Com efeito, num solo compactado, a água da chuva escorre e não penetra em profundidade
- Para se desenvolver, uma planta hortícola desenvolve o seu sistema radicular para ir buscar a água e os sais minerais contidos no solo. Mas as raízes também precisam de ar, ou seja, de oxigénio para que as plantas cresçam e produzam frutos! Assim, o trabalho do solo permite dar ar às raízes, que podem deste modo explorar um maior volume de terra. O trabalho do solo permite, antes de mais, criar uma estrutura arejada, propícia ao bom desenvolvimento do sistema radicular e, consequentemente, das plantas. Um solo arejado e solto é muito mais fértil do que um solo compactado que “sufoca”
- Este fornecimento de oxigénio também é necessário à sobrevivência dos seres vivos que povoam este solo, como as minhocas, as bactérias ou os fungos. Estes organismos são muito úteis para decompor e assimilar a matéria orgânica que lhes fornecemos
- O trabalho do solo também tem como objetivo eliminar as ervas-daninhas que, apesar de todos os esforços de cobertura morta, binagem ou sachas, acabaram por proliferar na horta. Em particular, as plantas resistentes com rizomas, como a grama ou a corriola…
Quando se deve trabalhar a terra?
O período entre o final do outono e o início do inverno é ideal para trabalhar a terra em profundidade, ou seja, entre meados de outubro e o início de dezembro. Naturalmente, estas datas não são de todo fixas e dependem muito do clima da região. Ainda assim, nesta altura, o trabalho será mais profundo e, por isso, mais eficaz. Na primavera, pelo contrário, o solo será trabalhado à superfície, de forma mais superficial, antes de criar as condições ideais para as sementeiras.
Do mesmo modo, para trabalhar esta terra arável em profundidade, é necessário intervir antes da chegada do frio intenso e das geadas. Além disso, nesta altura, aterra ainda está quente e as chuvas de outono humedeceram-na sem a encharcarem.
Ainda assim, é essencial trabalhar o solo num dia sem chuva, sem geada e sem neve, ou seja, nem demasiado húmido, nem demasiado seco.
Como preparar a terra no inverno?
Se todos os jardineiros concordam que trabalhar a terra no inverno é essencial, o método utilizado divide opiniões. Alguns são adeptos do método tradicional (e quase ancestral) de cavar com reviramento do solo, enquanto outros não abdicam do método suave, preferido na permacultura e na agricultura biológica, de cavar sem revirar o solo.
Ainda assim, exceto talvez nas hortas de grande dimensão, é reconhecido que a passagem do motocultivador ou de qualquer outra máquina motorizada perturba o solo. Com efeito, as fresas do motocultivador tendem a triturar a terra demasiado finamente, provocando o efeito contrário. Depois de molhada, a terra aglomera-se e a aeração fica reduzida. Além disso, o motocultivador perturba verdadeiramente a vida da fauna e, em particular, as minhocas, que são trituradas juntamente com a terra. Altera a camada arável e pode trazer as argilas para a superfície. Se, por uma razão ou outra, não for possível prescindir do motocultivador, utilize-o com moderação, recorrendo à velocidade mínima da máquina.
Sem querer alimentar tensões nem iniciar debates, talvez seja possível abordar as duas técnicas de cavar.
Cavar revirando o solo
Este trabalho do solo com a pá de cova é o mais exigente para as costas, os braços e os ombros! Com efeito, a terra é levantada para ser revirada e, assim, arejada, até uma profundidade equivalente à altura da lâmina, ou seja, cerca de 20 a 25 cm. Deste modo, a terra é descompactada, sobretudo nas zonas onde o solo foi compactado pela passagem de pessoas.
Cavar manualmente também é muito interessante para os solos argilosos e pesados, pois permite partir os torrões. Durante o inverno, a geada acabará por concluir o trabalho, desfazendo e fragmentando esses torrões. No caso dos terrenos muito pesados, compactos e pedregosos, é preferível utilizar uma forquilha de cavar, pois penetra mais facilmente no solo. A pá estreita, uma pá de lâmina plana, fina e cortante, adapta-se melhor aos solos muito argilosos e pegajosos.
Cavar com a pá também é muito útil para enterrar e incorporar os corretivos do solo, como o composto, o estrume ou os adubos verdes semeados e cortados.
Do mesmo modo, é mais eficaz para eliminar as ervas daninhas que resistem. No entanto, para algumas ervas-daninhas, como a grama, é preferível utilizar uma forquilha de cavar, pois parte menos as raízes.
As desvantagens
Se este método é criticado, é porque apresenta algumas desvantagens:
- Perturba a vida do solo, em particular a dos micro-organismos (bactérias e fungos), que se encontram na camada superficial do solo (10 a 15 cm) e acabam enterrados em profundidade
- Mata, ao cortá-las, as minhocas endogeicas, que escavam galerias horizontais a pouca profundidade (10 a 20 cm, em média), mas também as minhocas anécicas, que vivem mais profundamente
- Fustiga as costas e revela-se cansativo para os ombros. Dores musculares e dores nas costas garantidas!
Cavar sem revirar o solo
Cavar com uma forquilha de duplo cabo ou com uma forquilha de arejamento permite trabalhar o solo em profundidade sem o revirar, não perturbando, assim, o que quer que seja. Graças aos dentes destas ferramentas, a terra é simplesmente levantada e remexida, as diferentes camadas não se misturam e o solo é arejado. Deste modo, os micro-organismos e as minhocas continuam a viver e contribuem para a fertilização do solo.
Além disso, cansa-se menos, pois as forquilhas de duplo cabo, as forquilhas de arejamento e outras forquilhas para agricultura biológica utilizam-se num movimento de vaivém, recuando, sem necessidade de as levantar. Não é necessário nenhum esforço intenso.
As desvantagens
Por muito interessante que seja, este método de cavar sem revirar o solo apresenta ainda algumas desvantagens. Com efeito, este método não permite enterrar os corretivos do solo. Depois de utilizar a forquilha de duplo cabo, é indispensável recorrer ao ancinho para enterrar o estrume ou o composto.
Do mesmo modo, será certamente necessário passar novamente com o ancinho para descompactar finamente o solo, por exemplo, antes de uma sementeira. Sobretudo num solo pesado e argiloso.
Para saber mais:
Como enriquecer o solo no inverno?
A chegada do inverno é a altura ideal para enriquecer o solo e manter a sua fertilidade. E, para isso, existem várias formas de proceder, aplicando corretivos naturais do solo :
- O composto fornece nutrientes, ao mesmo tempo que torna a terra mais leve e arejada e ajuda a reter a água
- O estrume, mais rico em nutrientes do que o composto, aduba e melhora a estrutura do solo
- A terra de folhas mortas
- As cinzas de madeira são ricas em elementos minerais
Se tiver sido previdente, terá semeado adubos verdes no outono, que terão a vantagem de enriquecer e arejar o solo, limitando simultaneamente a proliferação das ervas daninhas. Mas, nesta altura, é um pouco tarde demais para as sementes germinarem.

O estrume de cavalo é excelente para o solo no inverno
Depois de incorporar o corretivo do solo, é aconselhável cobri-lo durante o inverno, a fim de limitar a proliferação das ervas daninhas. É certo que crescem mais devagar, mas continuam a crescer. E, sobretudo, esperam pacientemente pelo regresso da primavera. Para cobrir o solo, podem colocar-se:
- Cartões (sem tinta) sobre o solo
- Folhas mortas
- Restos de poda de sebes e arbustos triturados
- Palha…
O melhor será ainda misturar tudo para formar uma cobertura rica, que se decomporá durante o inverno graças às intempéries. Esta cobertura tem também a vantagem de impedir a lixiviação do solo devido ao encrostamento provocado pelas chuvas e pela neve.
Sob esta espessa cobertura, os micro-organismos continuarão o seu trabalho de decomposição. Quando a primavera regressar, bastará incorporar o que restar, para que a terra aqueça.
É necessário binar no inverno?
Porque não? Esta binagem tem a vantagem de fazer subir à superfície algumas larvas, escondidas no solo, deixando-as à mercê do apetite das aves do céu, esfomeadas nesta época.
Se tiver galinhas, não hesite em soltá-las na sua horta previamente binada. Também farão um festim com estas larvas, em particular com as larvas-arame e as dos escaravelhos-maio.
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