Resumo
O Crambe é uma planta perene da família das couves. As duas espécies mais conhecidas são a couve-marinha – ou marítima –, Crambe maritima, cujos rebentos jovens são comestíveis, e o crambe-do-cáucaso, Crambe cordifolia, que, tal como indica o seu nome latino, possui folhas em forma de coração.
As diferentes espécies de Crambe apresentam excelentes qualidades ornamentais graças à sua floração branca e muito delicada. As pequenas flores exalam um perfume delicioso de maio a julho. Formam uma espécie de nuvem aérea sobre a folhagem de um belo verde ou cinzenta, com reflexos azulados, persistente na couve-marinha e caduca no crambe-do-cáucaso.
O Crambe desenvolve-se bem em solos frescos e bem drenados e aprecia exposições soalheiras. Precisa de espaço e não tolera a concorrência radicular. Além disso, uma vez instalado, não é recomendável transplantá-lo. Embora possa contentar-se com solos pobres, o crambe desenvolve-se melhor num solo fértil, mas sempre muito drenante.
Numa horta de legumes perenes
A couve-marinha, cujos rebentos jovens são comestíveis, poderá fazer parte de uma horta de legumes perenes.
Poderá associar-lhe, para um efeito ornamental, alcachofras e cardos com a sua folhagem cinzenta e recortada. Alguns topinambos anões darão a sua floração amarela ao conjunto, mas reserve-lhes um lugar de lado, para não ter de desenterrar as plantas circundantes a cada colheita. E porque não colocar, como pano de fundo, numa treliça, para dar um toque de cor durante a estação mais bonita, uma capuchinha-tuberosa de floração alaranjada ou um jacatupé de floração malva, que terá a vantagem de fixar o azoto e, assim, enriquecer o solo.
Assim, poderá constituir uma pequena horta que, além de fornecer alimentos, será muito decorativa.

Crambe cordifolia, Apios americana, Helianthus tuberosus, alcachofra e Tropaeolum tuberosum
Num jardim junto ao mar
Quem fala de couve-marinha, fala naturalmente de um jardim à beira-mar! A couve-marinha é, de facto, perfeitamente adaptada às condições tão específicas do litoral, nomeadamente ao vento, à maresia e aos solos geralmente rochosos e pobres.
Muito indicadas para este tipo de jardim, a silene-marítima e a arméria são pequenas plantas com flores delicadas. A Glaucium flavum é uma papoila-das-areias de folhagem glauca, que combinará com a da couve-marinha.
iúca, alecrim e alfazema (a cultivar ‘Hidcote’, por exemplo) acrescentarão estrutura graças aos seus grafismos distintos, enquanto as estipas ou cabelos-de-anjo se encarregarão de dar movimento à composição.
O crambe-do-cáucaso, que é muito maior do que a couve-marinha e pode atingir 1,80 m de altura, deve, por sua vez, ser protegido do vento para que os seus grandes caules não se partam.

Crambe maritima, Lavandula angustifolia ‘Hidcote’, Glaucium flavum f. fulvum (foto de Rictor Norton), Stipa tenuifolia e Silene maritima ‘Weisskehlchen’
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Num jardim romântico
As plantas do género Crambe, com a sua floração muito leve e aérea, ficarão magníficas num jardim de inspiração romântica, ao estilo dos jardins de casa de campo ingleses, onde a suavidade e o perfume estão em destaque.
A roseira é emblemática deste tipo de ambiente. A nuvem de flores brancas da Crambe virá suavizar o aspeto sofisticado da roseira. As folhas cinzentas e aveludadas das orelhas-de-cordeiro, Stachys byzantina, combinam bem com a folhagem azulada da Crambe. Os alhos-ornamentais de floração azul, como o Allium ‘Globemaster’ ou ainda o Allium ‘Pinball Wizard’, completarão a harmonia.
As Sisyrinchium bellum formam pequenos tufos persistentes de cor verde-azulada e cobrem-se de pequenas flores azuis em forma de estrela durante o verão. Ideal em primeiro plano da couve-marinha! Para o crambe-do-cáucaso, será preferível optar por uma planta mais alta, como a nêveda dos Himalaias, Nepeta clarkei, que camuflará a folhagem quando esta definhar após a floração.

Roseira ‘Albertine’ (foto Spedona), Crambe maritima, Allium globemaster, Sisyrinchium bellum e Stachys byzantina (foto Jean-Paul Grandmont)
Num jardim natural
Muito melífero, o crambe tem um lugar de destaque num jardim natural, onde atrairá numerosos polinizadores.
Com a sua silhueta gráfica e espinhosa, os cardos-esféricos, estes cardos com inflorescências em forma de bolas azuis, contrastarão com o aspeto vaporoso do crambe. A floração em espiga azul da sálvia-dos-bosques Salvia nemorosa ‘Blue Marvel’ ou ‘Ostfriesland’ também atrai numerosas borboletas durante o verão. Além disso, a sua folhagem semi-persistente esconderá a base do Crambe cordifolia – ou crambe-do-cáucaso – quando as folhas murcharem. As ervas-dos-gatos também poderão desempenhar esse papel.
Os verbascos, além de conferirem um ar campestre, darão belos elementos verticais, tal como os tremoços-de-jardim como o tremoço-de-jardim ‘West Country Masterpiece’. Já as papoilas, com uma folhagem frequentemente verde-glauca, como a Papaver somniferum ‘nigrum’, por exemplo, darão pequenos apontamentos de cor.

Crambe cordifolia, Echinops ritro ‘Veitch’s Blue’ (foto FD Richards), Papaver somniferum ‘Nigrum’ (foto Wikipédia), Verbascum ‘Jackie’ e Salvia nemorosa ‘Blue Marvel’
Num canteiro misto
As crambes são muito interessantes nos canteiros mistos graças à leveza da sua floração. As couves-marinhas, mais baixas e com uma bela folhagem persistente, poderão colocar-se à frente ou no meio, enquanto as crambes-do-cáucaso deverão colocar-se preferencialmente atrás dos canteiros ou, pelo menos, no centro, para ocultar a folhagem depois da floração.
Em primeiro plano, os gerânios vivazes formarão bonitas almofadas que se cobrirão de flores. Com o gerânio ‘Rozanne’, obterá uma harmonia de cores ao longo de vários meses.
À leveza da floração branca da couve-marinha, poderão associar-se topiárias de buxo, que conferem muita estrutura. Os delfínios acrescentarão cor e verticalidade com as suas grandes hastes florais, que têm também a vantagem de atrair borboletas. Poderão ser substituídos ou associados a dedaleiras.
A peónia é também uma grande clássica dos canteiros mistos. Poderá associar-lhe aquileias, sálvias e ervas-dos-gatos.

Crambe maritima, Paeonia lactiflora ‘Dr Alexander Fleming’, Digitalis purpurea (fotografia JörgHempel), Buxo em topiária e Geranium ‘Rozanne’
Num jardim de rochas fresco
Os seixos brancos constituem uma cobertura morta ideal para este tipo de jardim de rochas, valorizando assim a folhagem cinzenta azulada da couve-marinha.
A floração vaporosa da couve-marinha contrastará com a dos sédums, como o Sedum ‘Bertram Anderson’ ou ainda o Sedum ‘Matrona’. A valeriana-vermelha terá, também, uma floração em tons de rosa, e alguns exemplares de Erigeron karvinskianus acrescentarão um pequeno toque campestre. Por fim, para criar movimento, podem acrescentar-se gramíneas como a festuca-azul ou ainda a balança.

Crambe maritima, Erigeron karvinskianus, Briza maxima ‘Amourette’ (fotografia de Lemanieh), Centranthus ruber (fotografia de snapp3r) e Sedum ‘Matrona’
Num jardim branco
Num jardim branco, o crambe confere um toque de leveza a outras florações mais sofisticadas, como a da hosta abiqua ‘Drinking Gourd’, cuja folhagem glauca combinará bem com a da couve-marinha.
Roseiras como a arbustiva Maria Mathilda, que exala uma fragrância suave, ou a trepadeira Adelaïde d’Orléans, cujas flores são semidobradas, poderão ser colocadas em segundo plano, juntamente com um arbusto de folhagem persistente, como o rododendro ‘Madame Masson’.
Em primeiro plano, os Iris sibirica ‘Not Quite White’ formarão pequenas estruturas verticais.

Crambe cordifolia, Hosta ‘Abiqua Drinking Gourd” (fotografia Wikimedia), Rhododendron ‘Madame Masson’ e Roseira ‘Maria Mathilda’
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