Resumo

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O ulmeiro, em poucas palavras

  • Os ulmeiros disponíveis em viveiro são árvores muito ornamentais, bastante compactas, destinadas a jardins de pequenas dimensões, e de cultivo fácil.
  • Árvores ou arbustos, reconhecem-se pelas suas folhas de tamanho médio, assimétricas e duplamente dentadas, que exibem quentes cores outonais, e pelos ramos finos e sinuosos.
  • O ulmeiro fornecia uma madeira de construção comparável à do carvalho. Outrora muito difundido, desapareceu quase por completo dos campos e das cidades, dizimado pela doença da grafíose.
Dificuldade

A palavra da nossa especialista

O ulmeiro, designado em latim Ulmus, esteve quase a desaparecer da nossa paisagem devido aos estragos causados pela grafiose. Vai-se recuperando pouco a pouco, graças ao favorecimento da implantação de variedades híbridas resistentes ou à instalação de exemplares de pequenas dimensões, menos sensíveis aos vetores da doença. Ulmus hollandica ‘Jacqueline Hillier’ é um exemplo de pequeno ulmeiro muito ornamental pelo seu hábito tormentoso e pelas suas cores de outono, sendo também fácil de cultivar.

Os ulmeiros são árvores ou arbustos caducifólios com uma silhueta e ramos de traçado interessante. Os ramos achatados apresentam duas fiadas de folhas de tamanho bastante reduzido, finamente dentadas, retorcidas e douradas no caso do Ulmus x hollandica Wredei, de um verde escuro que passa a amarelo-alaranjado no caso do Ulmus x hollandica ‘Jacqueline Hillier’. O Ulmus minor var. suberosa é ainda uma forma rara e singular do ulmeiro, tesouro da nossa flora indígena, do qual se distingue pelo crescimento muito lento e um desenvolvimento reduzido, atingindo até 7 m de altura por 3 m de largura. A casca destes ramos eriça-se com o tempo de curiosas cristas de cortiça de cor cinzento-acastanhado, particularmente visíveis após a queda das folhas, que exibem esplêndidas cores outonais antes de caírem.

Perfeitamente adaptados aos nossos climas, os ulmeiros acomodam-se a uma vasta gama de solos neutros a básicos, incluindo solos pesados, calcários e secos, e são adequados para jardins de qualquer dimensão, sendo até o encanto dos amadores de bonsai.

Descrição e botânica

Ficha de identidade

  • Nome latino Ulmus
  • Família Ulmaceae
  • Nome comum Ulmeiro
  • Floração março
  • Altura entre 2,50 e 30 m
  • Exposição sol
  • Tipo de solo todo o solo drenado a húmido, mesmo calcário
  • Rusticidade Excelente (-25 °C)

O género Ulmus reúne entre 20 e 40 espécies consoante as classificações, compostas por árvores ou arbustos caducifólios, muito rústicos, todos originários do hemisfério norte temperado: Europa, China, Japão e América do Norte. Os ulmeiros pertencem à família das Ulmáceas, tal como o Zelkova e, anteriormente, o lódão-bastardo (Celtis). Em França, o ulmeiro era uma árvore muito utilizada ao longo de estradas e avenidas, à semelhança do plátano atualmente, desde o século XVI, mas sofreu por diversas vezes os estragos de uma terrível doença, a grafiose do ulmeiro, também chamada Doença Holandesa.

O ulmeiro forma uma bela árvore isolada com uma ampla copa em forma de domo, sustentada por ramos grossos, mas também uma imponente árvore florestal capaz de atingir 30 a 40 m de altura. Era, de facto, apreciado pela sua madeira para construção antes de a grafiose o dizimar, e foi muito utilizado no fabrico de peças de artilharia durante a Guerra dos Cem Anos. Um ulmeiro pode ultrapassar os 500 anos. Na Europa, coexistiam três espécies de ulmeiro: Ulmus glabra (ulmeiro-da-montanha), Ulmus procera (ulmeiro-inglês) e Ulmus minor (ulmeiro), sabendo que as denominações científicas e vernaculares foram muitas vezes confundidas.

A casca castanha-acinzentada dos ulmeiros torna-se estriada e fende-se verticalmente ou de forma oblíqua com a idade. Algumas espécies como Ulmus procera apresentam por vezes cristas de cortiça nos ramos, que constituem uma característica particularmente notável em Ulmus minor var. suberosa. Os ulmeiros têm a particularidade de a gema terminal abortar, cedendo o lugar a uma gema lateral para assegurar o prolongamento do ramo, daí a sinuosidade dos seus ramos.

ulmeiro

Ulmus glabra – ilustração botânica

Os ramos laterais delgados apresentam uma ramificação em espinha de peixe que confere um aspeto muito gráfico. As gemas escamosas são ovoides e assimétricas.

Os ulmeiros são geralmente caducifólios, mas as espécies asiáticas são semi-persistentes. As folhas simples, de forma oval com extremidade pontiaguda, são alternas e dispostas em 2 filas ao longo do raminho. O limbo espesso, duplamente dentado e marcado por nervuras paralelas (por vezes ramificadas) apresenta uma dissimetria na base que permite distinguir o ulmeiro da cárpea ou da faia sem qualquer dúvida. As folhas são ásperas ou pubescentes, com um curto pecíolo dotado de estípulas (folhinhas) que caem rapidamente. O limbo tem 3 pontas e o pecíolo é quase ausente em Ulmus glabra; os seus rebentos têm pelos rígidos e a árvore não cria rebentos, ao contrário de Ulmus minor e Ulmus procera. Este último distingue-se pelos seus ramos pubescentes, por vezes ornados de cristas de cortiça.

A floração irregular surge antes da brotação das folhas, sob a forma de cachos de flores apétalas verde-púrpura, nos ramos de 1 ou 2 anos. As flores são polinizadas essencialmente pelo vento, mas algumas espécies como Ulmus procera são totalmente inférteis.

Às flores sucedem-se frutos alados bicolores, as sâmaras, de cor vermelha clara ao centro e verde-amarelo tília na bordura, que escurecem para castanho na maturidade. São formados por uma semente rodeada de uma asa membranosa de 1 a 2 cm de diâmetro, apresentando no topo uma reentrância variável consoante a espécie. São dispersos pelo vento ou pela água na primavera, antes do aparecimento das folhas.

A madeira do ulmeiro é pesada, resistente, dura e flexível, com uma bela tonalidade de branco a castanho pálido (ulmeiro branco) ou vermelho (ulmeiro vermelho), de grão fino. A madeira vermelha imputrescível e resistente ao gelo do ulmeiro-inglês (U. procera) servia tanto na construção como no fabrico de canalizações estanques, arcos ou como lenha. O ulmeiro era também reconhecido pelas suas propriedades medicinais, como a decoção de casca utilizada para tratar queimaduras e outros males.

ulmus

Folhas e frutos alados do ulmeiro

As principais variedades de Ulmeiros

Variedades anãs

Ulmus hollandica Jacqueline Hillier

Ulmus hollandica Jacqueline Hillier

Pequeno arbusto de hábito tortuoso e com cálidas cores outonais, que valoriza pequenos espaços e jardins de inspiração japonesa.
  • Período de floração Maio
  • Altura à maturidade 2,50 m

Variedades de crescimento lento

Ulmus × hollandica Wredei

Ulmus × hollandica Wredei

Variedade de ulmeiro de crescimento lento que se tornará, com o tempo, uma peça central do jardim com a sua silhueta colunar de 10 m de altura. Apresenta uma pequena folhagem ondulada e dourada, muito luminosa durante toda a estação. Coloque-o em meia-sombra para iluminar a zona.
  • Período de floração Abril, Maio
  • Altura à maturidade 9 m
Ulmus minor suberosa

Ulmus minor suberosa

Forma rara do ulmeiro de crescimento muito lento, que se transforma num grande arbusto ou numa pequena árvore dotada de ramos cobertos de curiosas cristas encortiçadas, muito decorativas no inverno. A folhagem de 10 cm de comprimento, de verde intenso, adquire cores magníficas no outono. Suporta bem o frio e adapta-se a solos secos e calcários.
  • Período de floração Abril, Maio
  • Altura à maturidade 7 m

 

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Plantação do ulmeiro

Onde plantar?

O ulmeiro cresce em todos os solos drenados, mesmo secos e calcários, no caso da espécie minor (Pequeno ulmeiro, ulmeiro-menor), ainda que prefira um solo fresco, humífero, rico e profundo. Escolha um local muito ensolarado, exceto para as variedades de folhagem dourada.

Quando plantar?

Plante o ulmeiro de preferência no outono, especialmente se estiver com raízes nuas. Uma planta em vaso suporta uma plantação em qualquer altura do ano, exceto em período de geada, desde que se garanta uma boa rega no verão.

Como plantar?

Esta planta é de cultivo muito fácil. Prefira um exemplar pequeno, que assim se poderá enraizar profundamente.

  • Mergulhe o vaso num balde de água para o humedecer bem, ou pralinize as raízes com lama se o exemplar estiver com raízes nuas.
  • Cave um buraco largo, pelo menos 3 vezes mais largo do que o torrão.
  • Adicione alguns punhados de areia e cascalho para assegurar uma boa drenagem em redor das raízes.
  • Acrescente uma dose de chifre moído se o solo for arenoso.
  • Coloque a planta no buraco de plantação.
  • Fixe um tutor sem danificar o torrão.
  • Reponha a terra e compacte ligeiramente.
  • Prenda o tronco ao tutor.
  • Regue e cubra com cobertura morta.

Manutenção e poda do ulmeiro

  • Mantenha o solo fresco com cobertura morta e regue bem em profundidade durante o verão.
  • Aplique composto na projeção do limite da copa no outono.
  • Efetue uma poda de formação clássica, levantando progressivamente os ramos baixos. Elimine os rebentos eventuais.

Excetuando a terrível doença da grafiose que afeta exemplares de tamanho já considerável, o ulmeiro tem poucos inimigos. Vigie os pulgões, que por vezes originam galhas avermelhadas e abauladas bastante espetaculares, e os ácaros do género Eriophyes ou Tetraneura, que criam pústulas nas folhas sem gravidade.

A grafiose do ulmeiro ou doença holandesa é responsável pelos estragos causados nas populações de ulmeiros na Holanda por volta de 1917. A epidemia alastrou pela América do Norte nos anos 40 e depois pela Europa ocidental nos anos 70, vinda dos Estados Unidos. É um fungo que obstrui os vasos condutores de seiva bruta, o Ophiostoma ulmi, responsável pelo amarelecimento seguido de um ressecamento brusco do topo da árvore. Este fungo é veiculado por pequenos insetos coleópteros, os escolítidos, que abrem galerias sob a casca para efetuar as suas posturas. Tudo indica que o futuro dos ulmeiros está novamente assegurado, graças também à manutenção de uma certa diversidade genética no seio das populações locais e aos vários cruzamentos com espécies resistentes como o Ulmus parvifolia.

Multiplicação do ulmeiro

A multiplicação do ulmeiro é muito delicada, pois, por um lado, a germinação das sementes é fraca e, por outro, a enxertia de cultivares fica reservada a especialistas. A separação de rebentos da cepa ou de rebentos de raiz pode ponderar-se se a espécie criar rebentos como a Ulmus minor, ou ainda a estaquia a meio do verão.

Sementeira

  • Não demore a semear após a colheita das sementes, pois germinam rapidamente. Proteja-as com uma rede metálica fina se as semear no exterior.
  • Coloque o vaso em meia-sombra enquanto germinam, depois ao sol durante o ano seguinte.

Estaquia

  • Colha extremidades de ramos semilenhificados com 15 cm de comprimento.
  • Retire as folhas situadas perto da base da estaca.
  • Enterre-as até 2/3 do seu comprimento, evitando que se toquem.
  • Calcue delicadamente à volta para eliminar as bolsas de ar e assegurar um bom contacto entre o substrato e a estaca.
  • Coloque-as em ambiente fechado e húmido, à sombra, colocando, por exemplo, uma garrafa de plástico transparente cortada por cima.
  • No outono, separe as estacas enraizadas e plante-as em vaso, mantendo-as sob chassi até à primavera.
  • Cultive depois as suas plantas no exterior até à sua plantação definitiva.

Utilizações e associações

Estes pequenos ulmeiros de silhuetas notáveis ou de folhagem de exceção, como o Wredei’, merecem um lugar de destaque no jardim. Tenha no entanto em conta a exposição, que deve ser protegida do pleno sol nos cultivares dourados e do vento. Podem ser colocados isolados num jardim de dimensões modestas, ou no centro de um canteiro de arbustos baixos ou rasteiros, como cotonastros-horizontais, evónimos, zimbros-rasteiros. O ulmeiro também pode ser cultivado num jardim rochoso ou ainda em vaso para criar belos bonsais sinuosos, como o ulmeiro da China (Ulmus parvifolia), rodeado de andrómedas, gramíneas ou ainda buxo.

Os exemplares de maior porte, como o hollandica Wredei, também podem ser colocados em segundo plano, numa zona de sol suave do jardim.

Reforce o carácter notável de uma pequena árvore formando um bosquete de três exemplares para marcar uma alameda ou uma entrada de um jardim maior.

Crie um ambiente contemporâneo combinando a forma dourada do ulmeiro Jacqueline Hillier’ com o púrpura de uma aveleira roxa, de uma carpa ‘Purpurea’ ou de uma árvore-da-peruca.

Aposte nas cores flamejantes do outono num ambiente mais informal e campestre, associando pequenos bordos, viurnos caducifólios, a carpa Orange Retz e a parrótia.

 

Para ir mais longe

  • Descubra a nossa gama de Ulmeiros.
  • Descubra o Zelkova – Olmo-do-Japão: plantar e cuidar

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