As doenças e pragas da pereira

As doenças e pragas da pereira

Prevenir e combater

Resumo

Modificado em 8 de dezembro de 2025  por Olivier 9 min.

A pereira (Pyrus communis) é uma árvore fruteira indispensável nos nossos pomares. De grande porte, de hábito livre, pode atingir uma altura entre 10 e 15 m… ou permanecer bastante mais pequena graças a uma poda adequada ou à seleção de variedades. Existem centenas de variedades, entre as quais as variedades ‘Bon Chrétien William’s’: muito produtiva, de polpa fundente;  ‘Conférence’: de boa conservação e de polpa firme, e a variedade ‘Doyenné du Comice’: uma excelente polinizadora, de polpa doce e muito fundente.

Mas, mesmo sendo muito rústica e resistente, a pereira pode ser afetada por diversas doenças e pragas. Para evitar isso, mais vale prevenir do que remediar! Convém proporcionar à pereira tudo aquilo de que necessita para se manter saudável: um solo fértil e fresco, sol e espaço para crescer. A poda é importante, mas deve ser criteriosa e realizada com ferramentas desinfetadas. Além disso, a fauna do jardim (aves, insetos, predadores, aranhas…) ajudará o jardineiro no combate às doenças e às pragas.

→ Se, infelizmente, a sua pereira for afetada por doenças ou atacada por insetos, descubra rapidamente do que se trata na nossa ficha de conselhos.

doenças e parasitas da pereira

Manchas suspeitas nas folhas, frutos danificados, folhas empoladas… tantos sinais de que a sua pereira está a sofrer

Dificuldade

As doenças da pereira

A Sarna

A sarna é uma das doenças de criptogamia mais frequentes na pereira e na macieira. Caracteriza-se por manchas castanhas nas folhas e nos frutos. A sarna está presente sobretudo com tempo húmido, entre maio e setembro.

Para evitar a sarna: mantenha uma boa ventilação das árvores (à sua volta, mas também no interior da copa), aplique composto junto ao pé uma vez por ano e trate com chorume de cavalinha na primavera para estimular as defesas naturais da pereira, e com chorume de urtiga para fornecer azoto adicional.

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A Fumagina

A fumagina é uma doença causada por bolores negros que se desenvolvem devido à melada segregada pelos pulgões. A doença caracteriza-se por uma espécie de fuligem enegrecida na folhagem. Em casos raros, a fumagina pode bloquear parte da fotossíntese e, por conseguinte, abrandar o crescimento da planta.

Para limitar a propagação da fumagina: mantenha as árvores bem ventiladas, sem estarem demasiado juntas, e desbaste a copa. Privilegie a biodiversidade no pomar. Se os predadores dos pulgões (larvas de joaninhas, larvas de sirfídeos…) forem numerosos, os danos causados por estes serão limitados.

A Moniliose

A moniliose é um fungo que se desenvolve a partir de zonas danificadas dos frutos (picadas de insetos ou golpes). Desenvolvem-se no fruto pústulas brancas em forma de círculo, seguidas por grandes zonas castanhas à superfície e no interior do fruto. Provoca a secagem das flores e o apodrecimento dos frutos na árvore. Por vezes, a colheita fica completamente comprometida.

Para combater a moniliose, deve retirar e eliminar os frutos afetados. Um tratamento com chorume de cavalinha é frequentemente eficaz.

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O Oídio

O oídio, ou doença do branco, é uma doença fúngica que se caracteriza por um revestimento esbranquiçado nas folhas. Apesar de ser espetacular, o oídio raramente é problemático para a pereira. Para evitar esta doença ou limitar a sua propagação: espace as plantações de modo a garantir uma boa ventilação das plantas, evite o excesso de azoto e limite os efeitos da seca estival.

A Ferrugem do zimbro

A ferrugem do zimbro é um fungo que se instala nas folhas no início do verão. Observam-se então manchas de cor laranja nas folhas e manchas avermelhadas na parte inferior das folhas, de maio a setembro. O fungo vive em certos zimbros, enquanto plantas hospedeiras: Juniperus sabina e Juniperus oxycedrus. Evite, portanto, plantá-los perto das pereiras.

Para combater a ferrugem do zimbro: elimine os ramos e as folhas doentes no outono. Aplique um tratamento com decocção de cavalinha na primavera.

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A Podridão radicular

A podridão radicular, ou carie das raízes, é uma doença causada por um fungo, a armilária (Armillaria sp.), que ataca as raízes da pereira, provocando um enfraquecimento progressivo. O principal sintoma é a cor púrpura da folhagem no outono.

Não existe tratamento, mas a armilária ataca sobretudo as árvores mais fracas. Este fungo está presente principalmente em solos húmidos e demasiado ricos em azoto.

O Cancro europeu da Pereira (causado por uma bactéria Pseudomonas)

O cancro é uma doença causada por uma bactéria. Esta doença caracteriza-se por uma mancha castanha na casca que se alastra rapidamente e é depois acompanhada por inchaços, fendas e necroses da casca. Também pode observar-se um escoamento de goma dourada: a gomose. Uma pereira afetada pelo cancro enfraquece progressivamente até morrer. As peras amarelecem e caem prematuramente.

Para combater preventivamente o cancro: limpe bem as ferramentas de poda antes e depois da poda. Pode com tempo seco. Evite os excessos de azoto.

Doença do coral

A doença do coral é uma doença de criptogamia causada por um fungo chamado Nectria cinnabarina. Esta doença é fácil de identificar: desenvolvem-se pequenas pústulas cor de coral em alguns ramos. Estes ramos secam e morrem.

Para prevenir esta doença: pode com ferramentas limpas, da forma correta e na época adequada. Elimine a madeira morta e aplique composto todos os anos. O coral desenvolve-se em árvores enfraquecidas.

O Fogo bacteriano

Os frutos ficam cobertos de pequenos pontos negros e permanecem pequenos. A bactéria que provoca esta doença (bacteriose) hiberna nos botões florais. As inflorescências secam e enegrecem e, por vezes, é todo o ramo que seca. Os ramos ficam com um aspeto de queimados. Não existe tratamento contra esta doença para os jardineiros amadores.

O fogo bacteriano causou graves estragos em França no passado. Por conseguinte, as variedades mais sensíveis estão proibidas para plantação, o que não impede que se mantenha vigilante caso observe secagens bruscas de alguns ramos, sobretudo após a floração.

Nota bene: fala-se muito aqui de chorume ou decocção de cavalinha e de chorume de urtiga, mas não da calda bordalesa. A calda bordalesa, embora seja eficaz enquanto antifúngico à base de cobre, é tóxica para o ser humano, a fauna do solo e a fauna aquática, sobretudo quando é aplicada repetidamente e sem respeitar as doses recomendadas. Por outras palavras, deixe a calda bordalesa para os profissionais e escolha soluções mais suaves.

As pragas da pereira

A enumeração do número de “pragas” das pereiras pode parecer preocupante e até fazer alguns jardineiros entrar em pânico. Convém manter a calma: as pragas raramente são tão problemáticas no jardim como os livros de fruticultura fazem crer. Além disso, os insetos e os ácaros são frequentemente regulados por toda uma fauna de predadores.

A Psila da Pereira (Cacopsylla pyri)

As psilas alimentam-se da seiva e segregam melada, o que pode provocar fumagina. As larvas de psila, muito vorazes, são muito pequenas e de cor castanha, verde ou amarela. Para as detetar, observam-se na pereira jovens rebentos pegajosos e deformados. A presença de fumagina e de filamentos cerosos nos ramos também constitui um sintoma. A árvore pode ficar enfraquecida e apresentar um crescimento mais lento. Para combater a psila, convém favorecer os predadores naturais: crisopídeos e sirfídeos.

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As Cecidómias das folhas da pereira

Uma cecidómia é uma mosca minúscula. É a sua larva que causa mais problemas às pereiras. Encontra-se bem escondida no interior de folhas enroladas, que ficam vermelhas e depois negras. As peras tornam-se mais arredondadas ou deformadas, depois enegrecem e caem.

O Antonomo de inverno da Pereira (Anthonomus pyri)

Este inseto, um gorgulho, desenvolve-se nos gomos, de que se alimenta. A futura colheita é então fortemente afetada. A caiação do tronco com cal apresenta bons resultados para afastar o inseto da pereira.

A Carpocapsa ou traça-da-maçã (Cydia pomonella)

A traça-da-maçã escava galerias nos frutos para se alimentar. Observam-se manchas castanhas nas peras, que caem da árvore antes da maturação. A carpocapsa ou traça-da-maçã pode ser combatida através da instalação de caixas-ninho para aves e morcegos, da colocação de faixas de cartão canelado ao longo do tronco e do ensacamento dos frutos em papel kraft castanho.

doenças e pragas da pereira

Os Pulgões

As folhas enrolam-se e perdem a cor verde. Os ataques são muito localizados e raramente é necessário efetuar um tratamento. Sobretudo quando o pomar acolhe predadores de pulgões, como larvas de joaninhas e larvas de sirfídeos… Em caso de ataque forte de pulgões, pode pulverizar-se uma mistura de água e sabão preto.

doenças e pragas da pereira

A Cigarrinha-branca (Metcalfa pruinosa)

Este inseto encontra-se sobretudo no Sul. Alimenta-se da seiva e, por vezes, danifica a casca da pereira. As larvas escondem-se sob as folhas e nos ramos jovens: são brancas e estão cobertas por uma cera semelhante a algodão. Em caso de ataques fortes, os ramos secam e tornam-se quebradiços. Além disso, a presença de melada favorece o aparecimento de fumagina.

Para combater esta “cigarrinha” (apesar do nome comum, não se trata de uma verdadeira cigarrinha), uma lavagem com água da chuva pode dificultar a sua proliferação na árvore. Existe também uma vespa parasitoide, Neodrynus typhlocibae, utilizada no controlo biológico, que ataca estas cigarrinhas-brancas.

O Fitopte da Pereira (Eriophyes pyri)

O fitopte da pereira é um ácaro que vive sob as escamas dos gomos e ataca as folhas jovens antes mesmo de estas se desenvolverem. As folhas ficam então empoladas e passam do verde ao castanho-escuro. É difícil combatê-lo, mas pode eliminar-se os ramos afetados.

A Cochonilha-vermelha da pereira (Epidiaspis leperii)

A picada da cochonilha-vermelha da pereira, tanto do adulto como da larva, que se assemelha a uma espécie de pequena placa branca e vermelha, provoca deformações em certas partes da pereira e um atraso generalizado do crescimento. Quando estão presentes em grande número, alguns ramos podem secar ou apresentar gomose. Convém evitar o excesso de azoto para prevenir um ataque de cochonilhas. Caso contrário, os insetos predadores do jardim deverão reduzir significativamente o número de cochonilhas.

A Zeuzera da pereira (Zeuzera pyrina)

A lagarta da zeuzera, uma borboleta magnífica, escava galerias na madeira que podem criar “portas abertas” para as doenças. Para reduzir as populações de zeuzeras, pode deixar-se a natureza atuar — as aves insetívoras apreciam particularmente as lagartas — ou tratar com Bacillus de Thuringia (Bacillus thuringiensis), a injetar diretamente nas galerias.

O Cefo da pereira (Janus compressus)

Os ataques de cefo podem impressionar pelo número de rebentos da pereira cuja extremidade enegrece subitamente e se curva em báculo em maio-junho.  A postura desta pequena vespa tem pouco impacto na vida da árvore, mas altera o desenvolvimento harmonioso dos novos rebentos. Corte estes rebentos 10 cm abaixo da parte seca ou deixe atuar os estorninhos e os estorninhos-malhados, que se deliciam com as larvas.

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Manter uma pereira saudável: os gestos certos e as boas práticas de cultivo

Para evitar todas as doenças e limitar os ataques de pragas, é importante manter as pereiras em perfeita saúde. Eis como fazer:

As necessidades da pereira

Por precisar de calor, deve ser plantada ao abrigo dos ventos dominantes, sobretudo a norte do Loire. A pereira desenvolve-se bem em solos frescos e ricos, mas não aprecia solos demasiado secos ou muito calcários. A pereira não gosta de ficar abafada; deixe-lhe espaço.

Os cuidados a ter

Todos os anos, no outono, aplique composto bem decomposto à superfície. Depois, no inverno, aplique uma pequena pá de cinza de madeira, rica em potassa, para melhorar a frutificação. Sachar, se necessário, junto ao pé da árvore. Regue regularmente, de acordo com o clima, durante os dois ou três primeiros anos.

A poda

As ferramentas, sempre bem afiadas, devem ser previamente desinfetadas.

A poda da pereira realiza-se a cada 2 a 3 anos (exceto nas formas em espaldeira, em que a poda deve ser anual e privilegiar os gomos florais). Efetua-se de novembro a março, fora do período de geada.

Para podar a pereira:

  • Retire, se necessário, os rebentos que tenham crescido junto ao pé da árvore e os ladrões que se desenvolvam no tronco da árvore.
  • Elimine os ramos mortos ou partidos, bem como os que se cruzem.
  • Corte os raminhos e alguns ramos interiores, para deixar o ar e a luz circularem no centro da árvore.
  • Pode as extremidades dos ramos acima de um gomo virado para o exterior. Cubra as feridas de poda com um cicatrizante à base de argila.

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Pereira doente: tratamentos naturais