Resumo
Viver à beira-mar é uma sorte inegável e cada dia traz a alegria da vista de que se desfruta, do clima ameno e da proximidade da praia. No entanto, esta localização no litoral atlântico apresenta algumas condicionantes, como a omnipresença do vento, por vezes violento durante episódios de tempestade, e os salpicos de água do mar carregados de sal. Quanto ao solo, é na maioria das vezes arenoso, pobre, extremamente drenante, ou mesmo instável. São fatores que é absolutamente necessário ter em conta se pretende criar uma horta à beira do oceano. Siga todos os nossos conselhos em matéria de gestão do solo, do vento e dos salpicos salinos, bem como de escolha das plantas hortícolas a cultivar.
As vantagens da beira-mar para cultivar o seu jardim
Na costa atlântica, uma horta fica sujeita a condições particulares. Há o vento inevitável, que pode ser muito violento durante as tempestades, ou simplesmente quando sopra em rajadas. É também necessário lidar com os salpicos carregados de sal. Estas pequenas gotículas salgadas depositam-se nas plantas, que nem sempre as apreciam.
No entanto, esta proximidade do oceano apresenta também vantagens consideráveis para o jardineiro, a começar pela suavidade do clima. Com efeito, no litoral atlântico, os verões são moderadamente quentes, as ondas de calor são atenuadas pelos ventos vindos do largo, e os invernos são bastante amenos. As geadas são extremamente raras e nunca intensas. Por isso, as amplitudes térmicas entre o verão e o inverno são muito reduzidas. Além disso, as precipitações distribuem-se ao longo de todo o ano e o índice de insolação é superior ao de outras regiões. Condições climáticas que são, portanto, ideais para semear mais cedo ou mais tarde na estação e assim desfrutar de boas hortaliças durante mais tempo.
Protege-se dos ventos omnipresentes
Esta é certamente a principal dificuldade a contornar. No entanto, há vontade de aproveitar a vista. Por isso, a ideia não é fechar totalmente o espaço, mas antes criar uma barreira vegetal protetora para a sua horta. Um corta-vento vegetal é, portanto, recomendado: permite cortar a violência dos ventos sem descaraterizar a paisagem. Algumas plantas são particularmente resistentes e, por isso, adaptadas para uma plantação à beira-mar. Crie então uma barreira vegetal com tamargueiras, eleagnos de folhagem ligeiramente prateada, evónimos do Japão, ceanoto, Cupressus macrocarpa, folhados, fotínias, cotoneásteres…

As tamargueiras formam excelentes corta-ventos em todos os litorais
Para reforçar esta sebe corta-vento, pode também proteger a sua horta com canas ou tiras de urze trançada. Desde que sejam fixadas de forma muito sólida.
Descubra os nossos conselhos para criar uma sebe corta-vento.
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Melhora-se o solo
A outra grande dificuldade da horta à beira-mar reside na natureza dos solos. Sem generalizar em demasia, os solos costeiros são frequentemente arenosos, portanto muito filtrantes, muito drenantes, pobres e por vezes ácidos. A água da chuva infiltra-se facilmente, mas escapa-se com igual rapidez. Por esse motivo, os minerais são arrastados. Ainda assim, estes solos representam uma vantagem, pois nunca ficam encharcados e aquecem por isso mais facilmente. E certos legumes, em particular os legumes de raiz, apreciam muito este tipo de terra.
Para aumentar as hipóteses de sucesso, será necessário enriquecer este solo pobre com aportes generosos de composto ou de estrume bem decomposto. O aporte de matéria orgânica permitirá assim reter os nutrientes de que as plantas necessitam para crescer. No outono, não hesite em cavar fundo para incorporar bem o composto, que corre o risco de ser lixiviado se for simplesmente colocado à superfície.
Da mesma forma, pode tirar partido da proximidade do litoral para recolher as suas riquezas, em particular as algas marinhas como o goémon, que constituem um excelente adubo para a horta. Atenção, porém, a não as utilizar frescas, pois contêm demasiado sal. Basta recolhê-las na primavera e colocá-las em montes. As chuvas lixiviam o sal do goémon, que poderá ser incorporado no solo a partir do outono.

O goémon que se deposita nas praias durante a maré baixa constitui um excelente corretivo do solo
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No litoral atlântico, as chuvas são certamente mais abundantes, mas sobretudo melhor distribuídas ao longo do ano do que noutras regiões. No entanto, como caem sobre solos maioritariamente arenosos, não penetram suficientemente e escoam-se. A cobertura do solo terá assim a vantagem de limitar a lixiviação, mas também a evaporação da água. No final, os nutrientes e minerais necessários ao desenvolvimento das plantas hortícolas permanecem no solo.
Em matéria de coberturas do solo, há várias opções. Prefira uma cobertura do tipo MRF (Madeira Ramial Fragmentada), propícia ao desenvolvimento da atividade biológica e, por isso, ideal para solos pobres. Em contrapartida, evite as cascas de pinheiro, que se encontram em abundância no litoral atlântico. São demasiado ácidas e devem ser reservadas para os canteiros de terra de urze no jardim ornamental.
Semeia-se mais cedo
No litoral atlântico, os verões são quentes sem ser sufocantes e os invernos são amenos. Por isso, os períodos de cultivo são muito mais longos do que noutros locais. E pode semear-se mais cedo. Assim, as sementeiras de cenouras, rabanetes e cebolas podem começar logo na última semana de fevereiro. As batatas-inglesas plantam-se no final de março e serão deliciosas consumidas como primícias. O feijão planta-se no final de abril. Quanto aos legumes-fruto como os tomates ou as curgetes, podem ser colocados em plena terra logo no início do mês de maio.
Que legumes cultivar numa horta instalada no litoral?
Alguns legumes podem crescer muito bem numa horta à beira-mar. Em particular as Brassicáceas, como as couves. Couves-flores (o ex-líbris da Bretanha), couves frisadas, couves de Bruxelas, couves asiáticas pé-tsai e pak-choi prosperam à beira-mar.

As couves asiáticas pé-tsai e pak-choi adaptam-se bem aos litorais
Os legumes de raiz como a cenoura, a beterraba, o rabanete, o nabo, as batatas também se dão muito bem nos solos arenosos do litoral atlântico. Experimente também cultivar leguminosas como as ervilhas, o feijão seco, as favas ou as lentilhas.
Os alhos-franceses adaptam-se muito bem às condições climáticas do litoral, tal como as cebolas, o alho ou a echalota, que não devem ser mulchados pois são sensíveis à humidade.
Por fim, em situação bem ensolarada e abrigada do vento, os legumes-fruto como os tomates, as beringelas, as abóboras ou os melões podem desenvolver-se na perfeição.
Quanto aos pequenos frutos, o morango dá-se bem numa horta à beira-mar, tal como as framboesas ou as groselheiras.
Legumes a (re)descobrir
Algumas plantas hortícolas crescem (ou melhor, cresciam, pois tendem a desaparecer progressivamente no estado selvagem) nas costas atlânticas:
- A couve-marinha (Crambe maritima), cujos jovens rebentos se comem. Para além dos rebentos comestíveis, que se branqueiam como os espargos, também se podem comer as folhas e os botões florais antes de abrirem, como a couve ou o couve-brócolo. Na horta, a couve-marinha aprecia solos leves e drenantes e exposições ensolaradas.

A couve-marinha
- O funcho-do-mar (Crithmum maritimum) é também chamado funcho-marinho ou quebra-pedras, cresce nas falésia e nos rochedos. Não teme de forma alguma a maresia. Comem-se as suas folhas, que têm um sabor iodado e um gosto que lembra a cenoura. As folhas consomem-se cruas em saladas. Na horta, o funcho-do-mar aprecia o pleno sol. Semeia-se em março-abril.

O funcho-do-mar
- A salgadeira (Atriplex halimus) é também conhecida como beldroega-do-mar. Como as outras armoléias que regressam em força à horta, a salgadeira pertence à mesma família que o espinafre. É fácil de cultivar nas zonas costeiras, pois não teme nem o vento, nem a areia, nem o sal. As folhas consomem-se cruas em saladas ou cozinhadas.
- A ostra-vegetal (Mertensia maritima) é uma planta originária do litoral atlântico com um surpreendente sabor a ostra. É por isso que é frequentemente chamada ostra-vegetal ou ostra-da-horta. Esta planta perene é reconhecível pela sua folhagem azulada. Cultiva-se facilmente na horta ou mesmo em vaso. As folhas consomem-se cruas numa salada ou acompanhando um prato de peixe.
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