Resumo
As ervas aromáticas são indispensáveis na cozinha. Se estamos habituados a que o manjericão, a hortelã, o tomilho ou o cebolinho perfumem os nossos pratos, existem muitas aromáticas exóticas que fazem maravilhas na cozinha e permitem variar os sabores e surpreender os seus amigos e familiares.
Descubra os sabores intensos, picantes e inéditos da nossa seleção de plantas aromáticas, para adotar no jardim ou em vaso.
O gengibre (Zingiber officinale) para realçar todos os seus pratos
O gengibre é certamente o condimento exótico mais conhecido. Esta planta de raiz proveniente da Ásia é utilizada pelo seu sabor único e pelas suas virtudes medicinais.
Dos seus rizomas subterrâneos partem grandes caules com folhas lanceoladas (em forma de lança) que atingem cerca de 1 m de altura. A floração é infelizmente difícil de obter nos nossos climas, mas isso em nada diminui os numerosos atrativos do gengibre.
À degustação, o seu sabor é picante, cítrico e até com notas de cânfora.
O seu ponto forte: para evitar os males do inverno e estimular o organismo, o gengibre pode ser adicionado a uma infusão de limão com mel e canela (e ainda por cima é delicioso!).

Como cultivar o gengibre?
O cultivo do gengibre é simples, mesmo para os principiantes. Esta planta tropical precisa de calor (25 °C) e de humidade, razão pela qual é geralmente cultivada em vaso. Preveja um recipiente suficientemente grande e fundo, do tipo floreira, para que os rizomas possam desenvolver-se bem.
Nas regiões com verões quentes do Sul de França, o gengibre pode ser cultivado em plena terra a partir do mês de maio, num solo leve e bem drenado (arejado, que não deixe a água estagnada). Desenvolve-se bem em exposição ensolarada ou a meia-sombra.
A sua principal exigência é manter o substrato sempre húmido durante o período de vegetação, mas evitando o excesso de rega logo no início da plantação, que poderia apodrecer a raiz antes de esta se desenvolver.
Como colher e conservar o gengibre?
A colheita dos rizomas de gengibre realiza-se no outono, assim que os caules e as folhas se ressequem e amarelecem, ou seja, 6 a 9 meses após a plantação.
As raízes podem conservar-se vários meses em local seco, mas o seu sabor tornar-se-á mais intenso e picante.
Utilização na cozinha e benefícios do gengibre
O gengibre é melhor consumido fresco, simplesmente descascando a pele.
É um ingrediente indispensável dos pratos asiáticos e indianos. Ralado, perfumará sumos de fruta e saladas; em fatias finas, será incorporado em estufados, caldos e molhos; em versão adocicada, acrescenta um toque surpreendente nos bolos.
Se o gengibre é conhecido pela sua reputação de afrodisíaco, teria também benefícios para a digestão, bem como virtudes tonificantes e estimulantes.
→ Saiba mais com os conselhos de Angélique no tutorial: Como fazer crescer gengibre em casa? e de Pascale em: Cultivar o gengibre pelos seus benefícios para a saúde
Leia também
7 legumes asiáticos para cultivar na hortaO capim-cidreira (Cymbopogon citratus): o indispensável dos pratos asiáticos
O Capim-cidreira de Madagascar é uma gramínea perene originária de climas tropicais. Esta erva aromática exótica é também conhecida pelos nomes capim-cidreira-do-Gabão, verbena das Índias, capim-cidreira-de-Java ou Lemongrass.
A planta forma uma pequena touceira de folhas lineares, podendo atingir 1 m de altura nos climas tropicais (apenas 70 a 80 cm em vaso).
Como o nome indica, tem um sabor a limão, fresco e ligeiramente ácido.
O seu ponto forte: pode ser utilizado como repelente de insetos.

Como cultivar o capim-cidreira de Madagascar?
O capim-cidreira cultiva-se em vaso nas nossas regiões temperadas. Esta planta exótica necessita de muito calor e água durante o seu crescimento (primavera-verão). Pode perfeitamente passar este período a pleno sol, sendo abundantemente regado.
No inverno, as suas necessidades de água ficam, pelo contrário, muito reduzidas. Pouco rústico, não tolera temperaturas inferiores a 10 °C e deverá ser recolhido para o interior, num local luminoso.
Descubra tudo o que precisa de saber sobre o cultivo do capim-cidreira em vaso.
Como colher e conservar o capim-cidreira de Madagascar?
A colheita das folhas faz-se da primavera ao outono conforme as necessidades, cortando logo acima das raízes, ao nível da base que forma um bolbo branco. Devem evitar-se as colheitas no inverno, que poderiam enfraquecer a planta durante o seu período de dormência.
As folhas e os bolbos consomem-se sobretudo frescos e podem conservar-se no frigorífico durante alguns dias num papel absorvente ou num pano húmido. A secagem permite uma conservação mais prolongada das folhas, mas o sabor fica bastante alterado.
Utilização do capim-cidreira de Madagascar na cozinha
O capim-cidreira de Madagascar é muito utilizado na cozinha tailandesa e nas receitas asiáticas em geral.
As suas propriedades refrescantes e estimulantes são aproveitadas em infusões ou em receitas de rum aromatizado. Na cozinha, as folhas finamente picadas e os bolbos são os ingredientes indispensáveis do frango com capim-cidreira, dos caldos, camarões salteados ou caril. Combinam-se na perfeição com leite de coco, gengibre, alho e malagueta para pratos condimentados e saborosos.
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O açafrão-da-índia (Curcuma longa): cor e sabor na cozinha
O Curcuma longa (ou açafrão-da-terra, açafrão-das-Índias) é um condimento exótico originário da Ásia. À semelhança do gengibre, as suas raízes formam rizomas dos quais se extrai o famoso pó cor de laranja do açafrão-da-índia.
A planta assemelha-se a uma pequena bananeira, podendo atingir 1 m de altura. Floresce no verão mesmo sob os nossos climas temperados, exibindo uma bela haste floral em espiga de cor creme, com nuances malva e amarelas.
O seu sabor aromático é bastante indescritível: uma mistura apimentada, amadeirada, até mesmo almiscarada.
O seu pequeno +: associada à piperina da pimenta, a curcumina (um dos principais componentes ativos do açafrão-da-índia) multiplicará por dez a sua ação e os seus benefícios.

Como cultivar açafrão-da-índia?
O açafrão-da-índia é uma planta de monção, habituada a viver sob um duplo clima: uma estação seca durante a qual a planta está em repouso e uma estação das chuvas durante o seu crescimento.
O rizoma é plantado na primavera em exposição ensolarada, num solo fértil e bem drenado, mantido húmido até ao final do verão.
Se for plantado em plena terra nas regiões amenas do Sul, os seus rizomas deverão ser protegidos de solos encharcados e das geadas no inverno. Serão então desenterrados e conservados ao abrigo em areia seca.
Nas outras regiões, aconselha-se o cultivo em vaso, privilegiando um recipiente suficientemente grande para favorecer o desenvolvimento dos seus rizomas. O açafrão-da-índia apreciará uma pulverização regular da sua folhagem.
Como colher e conservar o açafrão-da-índia?
Os rizomas colhem-se no final do verão ou no início do outono, quando a folhagem começa a amarelecer e a desaparecer. Conservam-se vários meses em local seco, ao abrigo do ar e da luz.
Utilização na cozinha e benefícios do açafrão-da-índia
O pequeno inconveniente do açafrão-da-índia fresco? A sua cor amarela ou cor de laranja vivo mancha tudo o que toca (os seus pigmentos são aliás utilizados em tinturaria). O avental será o melhor aliado para proteger a roupa ao cozinhar!
Ralado ou cortado em pedaços, o açafrão-da-índia junta-se a inúmeras receitas que perfuma e colore: caril, pratos de arroz, molhos, legumes. É um ingrediente indispensável dos pratos indianos e das misturas de especiarias exóticas, como o tandoori, o colombo ou o ras-el-hanout.
As folhas jovens e as flores são igualmente comestíveis.
Para fabricar a sua própria especiaria de açafrão-da-índia, basta escaldar os rizomas para os descascar, depois deixá-los secar ao sol antes de os reduzir a pó.
As propriedades medicinais atribuídas ao açafrão-da-índia são numerosas: antioxidante, anti-inflamatório e antisséptico.
→ Saiba mais sobre o açafrão-da-índia com a nossa ficha completa; com Gwenaëlle em Como colher e utilizar o açafrão-da-índia na cozinha? e saiba tudo sobre as suas origens no nosso blogue De onde vêm? o açafrão-da-índia
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7 superalimentos para cultivar no seu jardimO alho-social (Tulbaghia violacea) : uma alternativa exótica ao cebolinho
O Tulbaghia violacea ou alho-social é originário de África do Sul. O seu cheiro evoca o alho, daí o seu outro nome de alho-social.
Esta pequena planta bolbosa de folhagem caduca (semi-persistente em clima ameno) forma uma touceira de folhas de 45 cm de altura e 30 cm de envergadura.
O seu sabor é próximo do alho ou do cebolinho.
O seu pequeno +: esta planta exótica floresce durante todo o verão e até outubro, exibindo bonitas flores cor-de-malva reunidas em umbelas, que atraem numerosos polinizadores.

Como plantar o Tulbaghia violacea?
O alho-social é o mais rústico dos aromáticos exóticos referidos. Pode ser plantado na primavera em plena terra nas regiões onde os invernos não são demasiado húmidos e onde a temperatura não desce abaixo de -10 °C.
Noutras regiões, o cultivo em vaso funcionará muito bem.
O Tulbaghia violacea aprecia um solo húmido, leve e drenado, bem como uma exposição ao sol ou a meia-sombra. Embora suporte períodos de seca, a planta será mais bonita se o substrato se mantiver húmido no verão. Adapta-se particularmente bem nas regiões atlânticas e nos jardins junto ao mar sujeitos às borrifadas marinhas.
Como colher e conservar o Tulbaghia violacea?
Colhe-se à medida das necessidades, cortando os caules, e conserva-se alguns dias num papel absorvente húmido no frigorífico.
Como utilizar o Tulbaghia violacea na cozinha?
Esta planta aromática exótica utiliza-se na cozinha como o cebolinho. O seu aroma a alho, picante e fresco, realçará numerosos pratos: saladas, omeletas, tartes, sopas…
Para aproveitar ao máximo o seu sabor, acrescente-a crua no último momento antes de servir o prato.
As suas flores são igualmente comestíveis e trarão um toque refinado aos pratos.
⇒ O nosso dossier completo sobre o Tulbaghia.
A erva-doce-do-paraguai dos Astecas (Lippia dulcis): o toque adocicado natural na cozinha
A verbena adoçante Lippia dulcis ou erva-doce-dos-astecas é uma pequena planta perene da América do Sul / Central.
Esta pequena planta de hábito espalhado, ou mesmo rasteiro, mede apenas 15 a 20 cm. É muito bonita em vaso suspenso ou como cobertura vegetal e adorna-se de pequenas flores brancas no verão.
O seu sabor é doce, com uma nota cânforada e mentolada.
O seu pequeno +: as folhas desta planta aromática e medicinal têm um poder adoçante natural, como a Stevia.

Como cultivar a erva-doce-dos-astecas
Lippia dulcis é uma planta fácil de cultivar, mas não rústica (cerca de -3 °C). Em plena terra, será cultivada a partir da primavera como uma anual num solo fértil, húmido, mas bem drenado.
O seu cultivo como perene far-se-á num vaso grande de pelo menos 5 L, colocado ao sol (ou a meia-sombra nas regiões do Sul).
A erva-doce-dos-astecas requer poucos cuidados: rega regular durante o período de crescimento e invernagem em vaso ao abrigo, num espaço luminoso.
Como colher a erva-doce-dos-astecas?
As folhas colhem-se à medida que se vai avançando, cortando os caules, durante o período de crescimento, de junho a outubro.
Utilização da erva-doce-dos-astecas na cozinha
O sabor intenso das suas folhas é ideal para infusões ou chás de hortelã, mas também são utilizadas frescas ou secas para enriquecer saladas, pastelaria e bebidas.
É conhecida no México e na América Central como planta medicinal, expetorante para a tosse.
A planta-camaleão (Houttuynia cordata): notas de pimenta e citrinos
A planta-camaleão é uma planta perene originária da China e do Japão.
É uma planta rasteira com entre 20 e 50 cm. No verão, apresenta espigas de flores de um amarelo esverdeado e grandes brácteas brancas.
O seu perfume é próximo do coentro, com um sabor a raspa de laranja apimentada, daí o seu outro nome de pimenta-da-China.
O seu ponto forte: na primavera, revela uma bonita folhagem ornamental em forma de coração, de cor verde-escuro com reflexos bronze.

Como cultivar a planta-camaleão?
Fácil de cultivar, a planta-camaleão aprecia solos pantanosos, nos quais pode inclusivamente tornar-se invasora. Um período de seca é necessário para lhe permitir enraizar.
A planta-camaleão gosta de solos ricos em matéria orgânica e desenvolve-se mesmo em solos pesados e argilosos, em exposição a meia-sombra.
Adapta-se também ao cultivo em vaso num substrato rico e bem drenado, mantido húmido, exceto no inverno.
Como colher a planta-camaleão?
As suas folhas jovens devem ser colhidas progressivamente e utilizadas frescas.
Utilizar a planta-camaleão na cozinha
Muito popular na cozinha asiática, a planta-camaleão integra a composição de muitas receitas. No Vietname, é incorporada em saladas, pratos de peixe, bolinhos fritos ou em substituição da alface nos rolinhos de primavera.
Na China, as suas raízes estaladiças e suculentas são consumidas como legumes, enquanto no Japão, o seu aroma cítrico é preferido em infusão.
O jambu ou Brède Mafane: a erva aromática exótica mais surpreendente
O jambu (Bredy mafana) é uma planta perene da América do Sul, particularmente cultivada nas ilhas do Oceano Índico.
Esta pequena planta tapizante atinge 15 cm de altura e 30 cm de envergadura. As suas flores comestíveis em forma de pequenos pompons amarelos são visíveis de agosto a outubro.
O sabor apimentado e ardente deste aromático contrasta com uma sensação de frio quase anestesiante.
O seu pequeno +: é uma das aromáticas exóticas com o sabor mais surpreendente. Em malgaxe, «Bredy mafana» traduz-se, aliás, por «erva» e «quente». As suas flores têm um sabor ainda mais pronunciado, que certamente surpreenderá os paladares não iniciados.

Como cultivar e colher o jambu?
O jambu é uma planta tropical cultivada como planta anual, a plantar em abril-maio numa terra leve e mantida húmida ao longo do seu crescimento.
Não rústico, não suporta o gelo e deverá ser abrigado no inverno num espaço luminoso e aquecido.
O jambu adapta-se igualmente à cultura em vaso, mas deverá ser exposto ao sol e ao calor para se desenvolver bem.
Como colher e conservar o jambu?
A colheita efetua-se a partir de junho e até setembro, cortando os caules e os botões florais. O corte regular favorecerá, aliás, o crescimento de novos rebentos.
As folhas frescas conservam-se alguns dias no frigorífico, sempre embrulhadas numa folha de papel absorvente húmido.
Utilização do jambu na cozinha
O jambu tem um sabor apimentado, intenso e exótico. As suas folhas consomem-se frescas ou secas em Madagáscar no tradicional Romazava, próximo de um cozido, ou na Reunião em saladas e pratos de peixe.
As folhas também realçam as quiches e as sopas, ou podem ser cozinhadas como espinafres, em pratos de carne ou legumes estufados.
O jambu é igualmente utilizado pelas suas virtudes medicinais: teria propriedades digestivas, diuréticas e antissépticas bucais, além de ser rico em vitamina C.
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