Doenças e pragas do damasqueiro
Identificação, prevenção e tratamentos naturais
Resumo
O damasqueiro é uma árvore de fruto fácil de cultivar no pomar. Tal como muitas fruteiras, pode ser afetado por numerosas doenças criptogâmicas e ficar sujeito a ataques de pragas suscetíveis de comprometer as colheitas.
Eis como identificar, prevenir e tratar naturalmente as doenças mais comuns do damasqueiro.
→ Não hesite em consultar a nossa ficha completa:“Damasqueiro: plantação, poda, manutenção”
A moniliose
A moniliose ou podridão dos frutos é uma doença fúngica muito frequente nas fruteiras de caroço e de pevide da família das Rosáceas. Desenvolve-se geralmente na primavera, durante a floração, quando se verificam condições climáticas chuvosas e quentes. É uma doença grave que compromete a colheita. Os esporos deste fungo (Monilia laxa e Monilia fructigena) são transportados pelos insetos ou pelo vento e contaminam, em primeiro lugar, os frutos feridos pelo granizo, pelas vespas ou pelo bico das aves. A moniliose penetra no fruto através de uma ferida.
Identificação
Os botões florais são os primeiros a ser atacados. Apresentam sinais de podridão, tornam-se castanhos e acabam por secar completamente; em seguida, os ramos são contaminados e cobrem-se de cancros. Depois, a doença atinge os damascos jovens. A sua presença manifesta-se através de manchas castanhas e pústulas brancas que surgem nos frutos. Esta podridão mole e castanha contamina todo o fruto, que se torna acinzentado e acaba por mumificar. O fruto apodrece literalmente na árvore e pode permanecer preso aos ramos durante todo o inverno.

Início da moniliose num damasqueiro
Prevenção
O combate à moniliose é essencialmente preventivo, devendo começar logo no outono!
- No outono, recolha todas as folhas e os frutos mumificados caídos no solo e queime-os
- Pode bem o seu damasqueiro, de modo a desimpedir a copa e permitir uma boa circulação do ar
- Retire os frutos que estejam em excesso
Tratamento natural
- No outono e no inverno, quando tiverem caído as últimas folhas, pulverize preventivamente calda bordalesa, repetindo a operação 2 a 3 vezes com intervalos de 15 dias
- Em março, pulverize novamente calda bordalesa quando começarem a abrir os gomos foliares
- Logo no início da floração, pulverize uma decocção de cavalinha diluída a 10%, para evitar qualquer risco de desenvolvimento da moniliose
- Depois de surgirem os primeiros frutos, poderá aplicar novamente o tratamento
- Para impedir a propagação da doença, arranque imediatamente os frutos mumificados que tenham ficado nas árvores e as flores murchas e queime-os
- Corte todos os ramos doentes e com cancros
- Desinfete bem as ferramentas que tenham estado em contacto
Leia também
Pulgão: identificação e tratamentoA lepra
Muito frequente nos pessegueiros, a crespeira do pessegueiro afeta também o damasqueiro. Os esporos deste fungo passam o inverno sob as escamas dos gomos e manifestam-se sobretudo depois de um inverno húmido e ameno, seguido de uma primavera fresca e chuvosa.
Identificação
Atacam principalmente as folhas, que adquirem um aspeto encarquilhado, deformando os rebentos jovens, os ramos jovens e, por vezes, até os frutos. As folhas enrolam-se e adquirem uma coloração vermelho-arroxeada antes de caírem. A árvore fica enfraquecida, comprometendo a colheita.
Prevenção
- No outono, aplique regularmente composto ou estrume junto ao pé da árvore, reforçando a resistência do damasqueiro
- Elimine e queime os ramos danificados que apresentem cancros
Tratamento natural
- No outono e depois na primavera, pulverize com calda bordalesa toda a copa
- Repita as pulverizações antes da abertura dos gomos, pelo menos três vezes, com 10 dias de intervalo
- Pode também alternar, pulverizando com uma decocção de cavalinha na primavera e depois a cada 15 dias até ao verão, se necessário
- Pode também realizar dois tratamentos com cobre (hidróxido de cobre) por ano, na primavera e no outono
Descubra outros Abricoteiro
Ver tudo →Existe em 1 tamanhos
Existe em 2 tamanhos
Existe em 4 tamanhos
Existe em 1 tamanhos
Existe em 5 tamanhos
Existe em 4 tamanhos
Existe em 2 tamanhos
A sarna
A sarna é uma doença criptogâmica que afeta frequentemente as árvores fruteiras. O responsável é o Fusicladium dendriticum, um fungo que se desenvolve sob o efeito combinado do calor e da humidade, favorecido por um inverno ameno e pela primavera. Os esporos do fungo passam o inverno nos frutos e nos exsudados contaminados, despertando na primavera seguinte e contaminando novamente a árvore.
Identificação
A doença começa por invadir as folhas. As folhas apresentam manchas redondas castanhas e negras, ficam empoladas e deformam-se. Acabam por secar e cair prematuramente. Os frutos também ficam cobertos de manchas castanhas e de uma ligeira camada felpuda castanha. Apresentam fendas profundas e acabam por cair, comprometendo as colheitas.
Prevenção
- No outono, apanhe e destrua pelo fogo as folhas e os frutos contaminados
- Limpe cuidadosamente a base da árvore
- Pode e elimine os ramos doentes. Utilize uma tesoura de poda desinfetada e queime depois os resíduos de poda.
Tratamentos naturais
- Como medida preventiva, faça pulverizações com calda bordalesa na primavera, durante o abrolhamento, ou pulverize chorume de cavalinha, igualmente eficaz. Repita o tratamento quando os frutos atingirem o tamanho de uma avelã
- Pode utilizar-se um tratamento preventivo com bicarbonato de sódio alimentar para combater este fungo patogénico responsável pela sarna
Leia também
O oídio ou a doença do brancoO oídio
A doença do branco ou oídio é uma doença de criptogamia frequente nas fruteiras. É causada por um fungo que passa o inverno nos ramos e se desenvolve com tempo quente e húmido. Pouco visível no início, o oídio torna-se difícil de controlar depois de se instalar.
Identificação
Ataca os jovens damasqueiros, que apresentam manchas esbranquiçadas, tornando os frutos impróprios para consumo. Em seguida, este revestimento de aspeto farinhento, cinzento-esbranquiçado, invade as folhas, que acabam por se enrolar, secar e cair.
Prevenção
- Pode para obter uma copa bem arejada
→Siga os meus conselhos para podar corretamente o damasqueiro
Tratamento natural
- Pulverize uma decocção de cavalinha ou chorume de urtiga a cada 10 dias
- As pulverizações de bicarbonato de sódio também são eficazes na primavera e no outono para combater o oídio
A crivagem
Mais uma doença causada por um fungo: o Coryneum beyerinckii. O Coryneum ou «doença cribada» afeta as fruteiras de caroço na primavera e no outono. Sobrevive de um ano para o outro nos tecidos da árvore.
Identificação
A doença ataca simultaneamente as folhas, os ramos e os frutos. Em primeiro lugar, surgem nas folhas manchas circulares castanho-avermelhadas, que escurecem e depois se transformam em perfurações. Em seguida, as manchas alastram aos ramos, provocando cancros e exsudação de goma. Os frutos apresentam manchas castanhas de aspeto corticoso e caem prematuramente.
Prevenção
- No início do outono, suprima os frutos mumificados
- Antes e depois do inverno, com a ajuda de uma tesoura de poda desinfetada, suprima a madeira morta e os ramos afetados por cancros
Tratamento natural
- No início da vegetação e da floração, trate com decocção de cavalinha ou com calda bordalesa
- Renove o tratamento depois da queda das flores e no outono
→ Consulte o nosso artigo sobre o Coryneum ou doença cribada das fruteiras de caroço.
A apoplexia ou a murchidão súbita
Eis outra doença fúngica que pode provocar o declínio do damasqueiro. Diferentes fungos patogénicos podem estar na origem desta infeção. O fungo invade os tecidos da árvore, impedindo a circulação da seiva. A apoplexia ou murchidão surge após um período de calor intenso combinado com um excesso de humidade repentino.
Identificação
Toda a árvore seca subitamente. As folhas secam e os ramos não rebentam na primavera; o tronco e os ramos adquirem uma tonalidade de mogno, fendem-se e apresentam exsudações de gomose.
Prevenção
A doença provoca frequentemente a morte do damasqueiro. Não existe forma de combater este fungo depois de se instalar. Não existe qualquer tratamento curativo. Para prevenir ataques graves, seguem-se algumas medidas preventivas:
- Garanta a boa saúde do damasqueiro, proporcionando-lhe água e adubo em quantidade suficiente
- Evite os adubos demasiado ricos em azoto
- Evite podas drásticas
- Evite ferir as raízes
- Elimine todos os ramos doentes ou infetados
O cancro bacteriano
Trata-se de uma doença bastante frequente nas fruteiras. O cancro resulta da contaminação dos tecidos da árvore por uma bactéria (Pseudomonas syringae e Pseudomonas viridiflava) através de uma ferida. Uma vez nos tecidos, a bactéria circula por todo o damasqueiro. O tempo chuvoso, associado a temperaturas amenas, tende a favorecer a germinação dos esporos. Entre o final do verão e o inverno, pode provocar danos importantes no damasqueiro, levando-o a definhar progressivamente.
Identificação
Surgem bolores brancos, pequenos inchaços e fissuras na casca e nos ramos da árvore, provocando o seu fendilhamento. Observam-se frequentemente exsudações de goma avermelhadas no tronco ou nos ramos. Na primavera, a circulação da seiva é dificultada pelos cancros e alguns ramos não abrolham. Os gomos, as folhas, as flores, os ramos e até o tronco acabam por secar, conduzindo à morte da árvore.
Prevenção
Tenha cuidado durante os trabalhos de poda, uma vez que o fungo penetra principalmente através das feridas: aplique uma pasta cicatrizante nas feridas de poda
Tratamento natural
- Com uma tesoura de poda bem desinfetada com álcool a 70°C, elimine todos os ramos afetados pelo cancro e queime os resíduos de poda
- No outono, quando caem as folhas, e depois no abrolhamento, pulverize o damasqueiro com a calda bordalesa
- Quando caem as folhas, pode também tratar com cobre ou com uma decocção de cavalinha a cada 15 dias; repita 2 a 3 vezes
→ TUDO SOBRE O CANCRO DAS ÁRVORES DE FRUTO
As principais pragas do damasqueiro
Os aranhiços vermelhos
Os aranhiços vermelhos (Panonychus ulmi), muitas vezes chamados erradamente de aranhas vermelhas, proliferam quando o ar está quente e seco. Podem provocar danos importantes, por isso é necessário eliminá-los antes de uma infestação generalizada.
Identificação
Quase invisíveis a olho nu, assemelham-se a minúsculas aranhas, têm 8 patas e apresentam uma cor vermelha. Na primavera, as larvas eclodem nas folhas e começam a sugar a seiva para absorver as células foliares. As folhas ficam salpicadas de pontos amarelos (pontuações), amarelecem por completo e adquirem depois uma tonalidade prateada característica. Os rebentos jovens ou os gomos necrosam e a fotossíntese deixa de se realizar. A folhagem cai prematuramente e os frutos não se desenvolvem.
Prevenção
- Molhe a folhagem com água durante o tempo quente e seco; os aranhiços vermelhos apreciam particularmente os ambientes secos
- Antes da abertura dos gomos, pulverize óleo branco de colza
- Pratique o controlo biológico, introduzindo os inimigos naturais destes aranhiços, como as joaninhas e o aranhiço Phytoseiulus, um predador específico e temível dos aranhiços vermelhos
- As larvas de crisopas também se alimentam dos ovos do aranhiço vermelho
Tratamento natural
- Como prevenção, pode pulverizar uma decocção de cavalinha ou chorume de urtiga para fortalecer a planta
→ Consulte o nosso artigo sobre a aranha vermelha: identificação e tratamento
As cochinilhas
O damasqueiro pode estar sujeito a ataques de cochinilhas, em particular da cochinilha do corniso (Parthenolecanium corni). As larvas aparecem na primavera e a fecundidade das fêmeas é elevada. Quando adultas, atacam as folhas, os ramos e os frutos; estes insetos picadores-sugadores provocam um enfraquecimento geral do damasqueiro.
Identificação
A folhagem fica coberta de fumagina, uma substância negra semelhante à fuligem. O crescimento e a floração diminuem.
Prevenção
Favoreça a presença de insetos auxiliares no jardim e de predadores naturais das cochinilhas, como as joaninhas, as crisopas e os sirfídeos.
Tratamento natural
- Escove o tronco e passe um jato de água para desalojar as cochinilhas
- No inverno, corte e queime os ramos infestados de cochinilhas
- Faça pulverizações de sabão preto no início da primavera, sobre as larvas, e repita este tratamento durante várias semanas consecutivas; reduzirá gradualmente a população de cochinilhas
As carpocapsas
As carpocapsas são borboletas noturnas com asas anteriores cinzentas e com asas posteriores castanhas. A sua lagarta, durante a fase larvar, causa danos em numerosos frutos de pevide ou de caroço. Embora ataque geralmente as macieiras e as pereiras, também pode ser encontrada nos damasqueiros. Passa o inverno sob a casca das árvores. A presença das suas larvas compromete a formação dos frutos jovens e a colheita.
Identificação
No verão, as pequenas larvas penetram nos frutos e escavam galerias até às pevides. São detetadas pelas cicatrizes em espiral e pelos pequenos orificios necrosados de onde saem excrementos castanhos que deixam na epiderme dos frutos. Os damascos infestados caem, apodrecem e ficam impróprios para consumo.
Como prevenção
- No outono, coloque bandas de cola nos troncos para capturar as larvas
- No início da primavera, coloque na árvore armadilhas específicas com feromonas para capturar as borboletas adultas e impedir a reprodução
- Escove os troncos com uma escova de arame para retirar os casulos que passam o inverno
- Favoreça a biodiversidade e a instalação de predadores naturais das carpocapsas (chapins, morcegos, tesourinhas…): instale um hotel para insetos e caixas-ninho no jardim.
- Apanhe e elimine os frutos afetados
Tratamento natural
- Ensacar os frutos doentes para evitar a propagação
- Em caso de forte infestação, pulverize um inseticida biológico que contenha o vírus que ataca especificamente as carpocapsas ou à base de Bacillus thuringiensis para neutralizar as lagartas
- Também pode aplicar macerações de absinto
Os pulgões
Por vezes, os pulgões verdes instalam-se nas fendas da casca dos damasqueiros, onde põem os ovos. As colónias aumentam muito rapidamente, agrupam-se sob as folhas e nas extremidades dos ramos jovens e sucedem-se. Este inseto picador-sugador alimenta-se da seiva. As infestações ocorrem geralmente no início do verão.
Identificação
Os seus ataques caracterizam-se pelo enrolamento e amarelecimento das folhas. As picadas na seiva enfraquecem os rebentos jovens, que se deformam e acabam por secar. A melada que segregam pode provocar fumagina, uma fuligem negra e pegajosa que impede a fotossíntese.
Prevenção
- No inverno, trate a casca com óleo de parafina
- Como prevenção, pulverize decocções de tanaceto, chorume de fetos ou chorume de urtiga, repelentes naturais dos pulgões
Tratamento natural
- Introduza insetos auxiliares (joaninhas, crisopas e sirfídeos), que são predadores naturais dos pulgões
- Em caso de infestação generalizada, utilize piretro vegetal, de preferência à noite, ou então um produto contra os pulgões à base de óleo de parafina que atua por contacto, asfixiando os insetos indesejáveis
- Subscreva
- Resumo
Este formulário está protegido pelo reCAPTCHA - aplicam-se a Termos de Serviço e Política de Privacidade do Google.
Comentários