Resumo
Plantar uma árvore de fruto no jardim é um desejo legítimo, pois saborear frutos banhados pelo sol é um prazer incomparável. Embora, em teoria, a maioria das árvores de fruto apresente uma boa resistência ao frio e possa desenvolver-se potencialmente em todos os climas, nem todas podem ser plantadas em qualquer região de França. Com efeito, algumas regiões, geralmente situadas a norte do Loire, estão sujeitas a geadas tardias que podem ocorrer até aos famosos Santos do Gelo. Ora, muitas árvores de fruto florescem precocemente, logo em fevereiro, como acontece, por exemplo, com a amendoeira. E a mais ligeira geada pode destruir numa só noite uma frutificação esperada. Por isso, se pretende plantar uma árvore de fruto, é essencial escolher variedades adaptadas ao clima da região. Descubra a seleção de seis árvores de fruto sensíveis ao frio e que podem sofrer com a geada tardia. Por isso, só devem ser plantadas nas regiões onde os riscos de geadas na primavera são raros, como no sul de França.
Porque é que algumas fruteiras não podem ser plantadas em todo o lado?
Desde logo, impõe-se uma ressalva: estas poucas linhas poderão fazê-lo sofrer, sobretudo se não tiver a sorte de viver numa região onde os invernos são amenos, as geadas quase inexistentes e a primavera clemente. Em suma, se vive a norte do Loire, não vale a pena ler este artigo, que lhe poderá fazer mais mal do que bem. Iremos abordar as árvores de fruto cujas florações precoces podem sofrer com o frio, aquelas que só frutificam na região mediterrânica e, eventualmente, nas zonas de clima oceânico, desde que beneficiem de um local soalheiro e protegido dos ventos frios.
Talvez seja necessário recordar por que razão, no norte de França, é preferível plantar apenas árvores pouco sensíveis ao frio, como a macieira, a pereira, a ameixeira, o marmeleiro, a nespereira-europeia (não a do Japão!), a cerejeira… Simplesmente porque uma simples geada noturna primaveril pode arruinar todas as esperanças de boas colheitas. Com efeito, até meados de maio, não é raro ver as temperaturas descerem abaixo dos 0°C em algumas regiões de clima continental ou montanhoso. Ora, nessa altura, a primavera já está bastante avançada. As árvores já saíram do seu período de repouso vegetativo, o abrolhamento e a folheação estão bem avançados, tal como a floração e, por vezes, o vingamento (período que corresponde à primeira fase de desenvolvimento do fruto). Em suma, a seiva já subiu em grande quantidade, os tecidos, muito vulneráveis, estão bastante hidratados e uma geada tardia seria catastrófica. Teria consequências desastrosas para a folhagem, os gomos, mas sobretudo para a floração. Com efeito, a geada destrói o ovário, o que equivale a apagar pura e simplesmente a frutificação do ano.
Assim, quem vive num clima continental ou montanhoso pode preparar os lenços. Não vale a pena esperar comer alperces ou pêssegos diretamente da árvore, mas é possível criar um pomar de ameixeiras e de outras macieiras; a escolha é vasta! No sul, poderá dar-se ao prazer de plantar um ou outro exemplar da nossa seleção.
Antes de entrar em pormenor, descubra também as nossas 13 árvores de fruto tipicamente mediterrânicas que cheiram ao sul
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A amendoeira: plantar, podar, colherA amendoeira, a mais precoce de todas as árvores de fruto
No Sul, a amendoeira (Prunus dulcis) anuncia a primavera, pois é a primeira árvore a florir. A partir de fevereiro, por vezes mesmo no final de janeiro, a amendoeira oferece ao olhar a sua floração branca rosada, delicada e leve, perfumada e nectarífera. Os insetos polinizadores não se deixam enganar e visitam as amendoeiras assim que saem da dormência invernal. São, aliás, muito úteis, pois a maioria das amendoeiras é auto-estéril, ou seja, precisa da presença de outras amendoeiras de espécies diferentes.

As flores da amendoeira são muito frágeis por serem precoces
Árvore da família das Rosáceas, a amendoeira é originária da Ásia e foi naturalizada muito cedo na bacia do Mediterrâneo, onde aprecia a exposição solar. Embora seja rústica (até – 25 °C, ainda assim), a sua floração está sujeita às geadas por ser muito precoce. Plantá-la fora da região mediterrânica é uma questão de sorte…
A plantação é feita no outono, num solo comum, bem drenado, leve e profundo. Quanto à localização, deve ser bem ensolarada e abrigada dos ventos frios. Respeitando estas condições, é possível obter uma boa colheita a partir de junho-julho, para consumir as amêndoas frescas, e no final de agosto ou início de setembro, para obter amêndoas secas.
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O damasqueiro, com floração a partir de março
Eis mais uma fruteira que floresce cedo na primavera. A partir de março, as flores do damasqueiro (Prunus armeniaca) surgem geralmente antes das folhas ou, em algumas variedades, ao mesmo tempo que estas. As pequenas flores brancas ou cor-de-rosa duram pouco tempo, atraindo, graças ao néctar, todo um cortejo de insetos polinizadores. Geralmente auto-estéril, o damasqueiro basta-se a si próprio, mas só começa a produzir 3 a 4 anos após a plantação, atingindo a idade adulta, ou seja, a plena maturidade, aos 7 anos.

Ao atingir as flores, a geada pode comprometer a colheita de damascos
Fora das regiões de clima meridional, é sempre possível tentar plantar um damasqueiro, rústico até -20 °C, ao abrigo de um muro, num local muito ensolarado e absolutamente protegido das correntes de ar frio. Assim, variedades como o ‘Tardif de Tain’, o ‘Tardif de Bornareil’, o ‘Rouge Tardif Delbard’, o ‘Luizet’, o ‘Bergeron’… Mas atenção às geadas tardias, que destroem as flores logo a partir de -2 °C! A menos que o seu pomar beneficie de um microclima, esta opção fica, portanto, excluída. No Sul, o damasqueiro não apresenta qualquer problema, pois aprecia solos leves e bem drenados. Planta-se no outono. Uma vez que o clima é ameno, privilegiam-se as variedades de floração mais precoce, como o ‘Canino’, muito produtivo, o ‘Rouge de Roussillon’ ou o ‘Muscat de Nancy’
A colheita dos damascos decorre entre o final de maio e o início de setembro, consoante as variedades.
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Abricoteiro: plantação, poda e manutençãoO pessegueiro, uma fruteira que aprecia um clima ameno
O pessegueiro (Prunus persica) , outro membro da família das Rosáceas, floresce em tons de rosa ou branco entre os meses de março e abril. Mais uma vez, a frutificação depende em grande medida das temperaturas registadas durante estes dois meses. No litoral do Sul de França, nesta época, as geadas são inexistentes, salvo raríssimas exceções. É possível variar as variedades, cultivando pessegueiros que produzam pêssegos ou nectarinas mais ou menos precoces. Além disso, não há qualquer dificuldade, uma vez que os pessegueiros são autoférteis.

As flores do pessegueiro são muito sensíveis às geadas fortes
Por outro lado, fora do Sul de França, ainda é de recear a ocorrência de geadas durante a floração. Se, ainda assim, se pretender colher pêssegos brancos ou amarelos, nectarinas ou pêssegos de vinha, será obrigatório plantar o pessegueiro num local soalheiro e, sobretudo, bem protegido das correntes de ar e dos ventos frios. Por exemplo, junto a uma parede voltada a sul. Entre a nossa vasta gama de pessegueiros, escolha a nectarineira ‘Morton’, de frutos doces, o pessegueiro ‘Amsden’, uma variedade antiga muito vigorosa, ou o pessegueiro ‘Téton de Venus’, de frutos grandes, pontiagudos e ovais.
Escolher variedades mais tardias também permite aumentar as probabilidades de sucesso. Os pessegueiros que produzem pêssegos de vinha, como o pessegueiro ‘Sanguine de Savoie’, o pessegueiro de vinha amarelo ou o pessegueiro ‘Sanguine vineuse’, são geralmente mais tardios, mas continuam sensíveis às geadas noturnas.
Seja como for, tal como a maioria das árvores de fruto, o pessegueiro prefere solos leves, profundos e bem drenados. A plantação deve ser feita preferentemente no outono.
A nespereira, a árvore das nêsperas
A nespereira (Eriobotrya japonica), fruteira da família das Rosáceas (mais uma!), não tem qualquer relação com a nespereira-europeia (Mespilus germanica). A primeira é originária das regiões montanhosas quentes da China, enquanto a segunda é originária do Norte da Europa. Escusado será dizer que não têm a mesma resistência ao frio. E a nespereira é particularmente sensível ao frio. Trata-se, de facto, de uma fruteira cujos ramos de flores, agrupados em cachos de cor branca a creme, surgem em outubro ou novembro. Não são as geadas primaveris que podem comprometer a frutificação, mas antes o frio e a geada, já bem presentes em algumas regiões. As flores não resistem a temperaturas de -3 a -5°C.

As flores da nespereira surgem em setembro ou outubro, o que as torna sensíveis ao frio
Para obter uma boa produção de nêsperas (ou nêsperas-do-Japão), planta-se a nespereira nas regiões meridionais ou oceânicas, onde os invernos permanecem muito suaves. A frutificação ocorre em maio-junho, por vezes a partir de abril. Aprecia uma excelente exposição solar e um local abrigado dos ventos. O solo deve ser bem drenado, profundo e solto.
O medronheiro, o arbusto do mato mediterrânico
O medronheiro (Arbutus) cresce espontaneamente em zonas rochosas e áridas, no mato mediterrânico e no matagal mediterrânico, ou ainda nas margens arenosas do litoral atlântico. É, portanto, uma árvore mediterrânica até à ponta das folhas: o medronheiro aprecia o calor e teme, acima de tudo, as geadas fortes. Ainda assim, é rústico até – 15 °C, pelo que pode ser plantado (quase) em qualquer lugar de França.
Em contrapartida, a colheita de medronhos pode ser muito mais difícil. Com efeito, o medronheiro apresenta uma particularidade: os seus frutos formam-se muito lentamente. É necessário, de facto, quase um ano inteiro para obter medronhos maduros e bem coloridos. Os frutos amadurecem em setembro-outubro, ao mesmo tempo que surgem as novas flores. Por esse motivo, as flores ou os frutos podem ser destruídos no inverno se o frio for demasiado intenso ou se as geadas forem demasiado fortes e prolongadas.

Os frutos do medronheiro amadurecem em setembro-outubro, ao mesmo tempo que surgem as novas flores
Nos climas mediterrânico ou oceânico, é, portanto, possível contar com frutos semelhantes a pequenos morangos. Tanto mais que se trata de um arbusto fácil de cultivar, que aprecia solos pouco férteis, de preferência ácidos, leves e bem drenados. É também ideal para plantar em sebe livre ou junto a um muro que o proteja dos ventos. Arbutus unedo é o mais comum e o mais fácil de cultivar.
O romãzeiro, a fruteira de longa longevidade
Na romãzeira (Punica granatum), árvore emblemática das civilizações mediterrânicas, é a floração que chama a atenção. De um vermelho ou laranja vivo, prolonga-se durante todo o verão. Assim, não existe qualquer risco de as flores serem destruídas pela geada. Quanto à frutificação, ocorre do final de setembro até ao final de outubro. Também aqui, o risco de geadas é reduzido. Além disso, a romãzeira de fruto revela-se resistente a temperaturas que descem até cerca de – 10 °C a – 15 °C, consoante as variedades. Assim, parecem estar reunidas todas as condições para a cultivar em todo o lado. Pois bem, não é assim, porque para frutificar, a romãzeira de fruto precisa de longos períodos de calor, que só encontrará no litoral do sul de França. Noutros locais, pode desenvolver-se, mas raramente dará romãs.

Para frutificar, a romãzeira de fruto precisa de um longo período de calor
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