Resumo

Modificado 0,01  por Servane 7 min.

Sob esta designação de jardim das simples, que pode parecer um pouco obscura à primeira vista, esconde-se na verdade um jardim medicinal. Com um mínimo de conhecimentos, é perfeitamente acessível. De facto, muitas plantas medicinais são muito fáceis de cultivar. Simples, mas afinal o que são? Provavelmente já conhece muitas delas sem o saber. Trata-se das plantas medicinais, mas não só. De facto, as aromáticas e as plantas condimentares também fazem parte delas. Estas têm muitas vezes virtudes terapêuticas, nomeadamente para aliviar a digestão. Descubra como criar facilmente um jardim das simples em casa!

Dificuldade

Um bocadinho de história

A utilização das plantas medicinais remonta pelo menos à Antiguidade. Estas plantas devem o seu nome à sua utilização simples, por oposição às poções complexas da época. O jardim dos simples, por sua vez, remete mais diretamente para o herbularius, ou jardim de plantas medicinais dos mosteiros da Idade Média.

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Jardim dos simples ao abrigo de um muro de fortificação (Foto bDom).

A estrutura tradicional do jardim dos simples

Na Idade Média

Nos mosteiros, os jardins eram geralmente fechados por muros ou sebes. Eram organizados em quadrados delimitados por plessis (ramos de aveleira entrançados) ou pequenas bordaduras de buxo que representavam a imortalidade. As aleias reproduziam a forma da cruz e tudo fazia referência ao divino, com uma fonte no centro do jardim e as flores mais sagradas, como a roseira e o lírio. O Capitulaire De Villis de Carlos Magno indicava as plantas que aí eram cultivadas.

Pode ser interessante reproduzir, em certa medida, este desenho. Se isso lhe agradar, inspire-se no plano da abadia de Saint-Gall, referência na matéria, que pode encontrar na Internet. De notar que algumas plantas utilizadas na época como medicinais já não o são hoje.

Hoje

  • Jardim monástico

É sem dúvida o primeiro que nos vem à mente quando pensamos num jardim de simples. Com um ou dois quadrados dedicados a estas plantas, rodeados de algumas bordaduras em plessis, recria-se já o espírito dos jardins monásticos. Como o buxo tem sido atacado nos últimos anos pela traça do buxo – uma bela borboleta branca –, pode imaginar-se substituí-lo por outros pequenos arbustos persistentes, como o Ilex crenata.

  • Ao estilo inglês

Pode também optar por algo completamente diferente com um jardim todo em curvas ao estilo inglês, pois as plantas aromáticas e floridas como a alfazema (Lavandula angustifolia), a salva (Salvia officinalis), o milefólio (Achillea millefolium), as três camomilas de propriedades distintas – a grande (Tanacetum parthenium), a romana (Chamaemelum nobile) e a dos alemães (Matricaria recutita) –, a equinácea-purpúrea (Echinacea purpurea), a malva e o malvaísco têm todas o seu lugar neste tipo de jardim. Pode também integrá-las nos seus canteiros.

  • Em espiral

E porque não uma espiral de medicinais? Baseada no modelo da espiral de aromáticas, tão valorizada em permacultura, à qual se acrescentariam algumas flores benéficas como a calêndula (Calendula officinalis), a capuchinha (Tropeolum majus) ou a papoila-da-califórnia (Eschscholzia californica) do lado do sol, e a violeta-de-cheiro (Viola odorata) ou a chave-de-ouro (Primula veris) do lado da sombra.

  • Efeito sub-bosque garantido

Um canto à sombra? Coloque aí plantas que apreciam a frescura como a ulmária (Filipendula ulmaria) ou a valeriana (Valeriana officinalis). Aos pés de um arbusto como o sabugueiro ou a groselheira-preta, plante aspérula-cheirosa (Galium odoratum), hera-terrestre (Glechoma hederacea) e búgula (Ajuga reptans) e obterá um belo efeito de sub-bosque que floresce na primavera.

  • Objetivo: colheita

Dito isto, nada obriga a conservar a estrutura de origem. Se o objetivo for fazer verdadeiras colheitas, aconselha-se reservar um talhão dedicado a cada planta de forma a facilitar a apanha.

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Jardim de simples em caracol, ideal para plantas aromáticas (Foto amberdc) e jardim monástico com os caminhos de acesso em cruz (Foto WordRidden).

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Então, que plantas medicinais escolher para o seu jardim de plantas aromáticas e medicinais?

Existe uma plétora de plantas úteis para a saúde e o bem-estar. Então, como fazer uma seleção?

Opte pelas plantas mais seguras de utilizar, ou seja, essencialmente as plantas aromáticas e condimentares. Faça depois um ponto de situação sobre o que já utiliza, seja em tisana (hortelã, erva-cidreira, tomilho, …) ou em cosmética (calêndula, camomila-romana, …).

Tenha também em conta as condições de cultivo das plantas escolhidas. O solo do seu jardim é adequado? É ácido, neutro ou calcário? Quanto ao clima, muitas plantas têm uma boa capacidade de adaptação. O elemento primordial a considerar são as temperaturas mínimas toleradas pela planta. Compare-as com as temperaturas invernais da sua região.

Recomenda-se, por conseguinte, agrupar as plantas que partilham as mesmas condições de cultivo.

No sul e em local abrigado

É possível plantar plantas medicinais mediterrânicas se tiver um

Que tamanho para o jardim de plantas medicinais? Comece pequeno...

Já começa a perceber, as plantas medicinais são realmente muito numerosas. É, portanto, ilusório pensar em cultivá-las todas. A chave do sucesso, como na horta, será plantar o que consome realmente e o que pode crescer no seu jardim. Por sorte, muitas plantas medicinais estão aclimatadas e são fáceis de cultivar.

Não coloque logo a fasquia demasiado alto. Pode mesmo começar por uma simples floreira bem exposta. Terá assim a sua farmácia natural à vista e ao alcance da mão. E isso mesmo que viva num apartamento.

Como em qualquer outro jardim, o jardim de simples atingirá a sua maturidade com o tempo. Terá toda a liberdade para acrescentar plantas medicinais mais delicadas ao longo das estações, quando já estiver mais à vontade.

Utilizar as plantas medicinais

As plantas aromáticas podem ser utilizadas frescas ou secas. Mas o mais simples, tanto para as armazenar como para as dosear corretamente, será fazê-las secar ao abrigo da luz. Com efeito, os livros de fitoterapia referem-se geralmente a quantidades de planta seca.

Verifique bem a parte utilizada para o efeito pretendido. Os princípios ativos não são sempre os mesmos nas folhas, nas flores, nas sementes ou nas raízes.

Sendo algumas plantas bastante amargas, será prudente associá-las a plantas com as mesmas propriedades mas de sabor mais agradável, para preparar melhores tisanas. Escolha, por exemplo, a hortelã, a erva-cidreira, a alfazema ou a lúcia-lima, consoante os casos.

Os banhos perfumados são outra forma de aproveitar os benefícios destas plantas. Pense nisso!

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Aviso

A utilização das plantas não é inócua. Antes de qualquer utilização, certifique-se de que identificou corretamente a planta, de que colheu a parte certa a utilizar e consulte profissionais para conhecer as doses adequadas.

Lembre-se também de que uma planta nunca deve ser utilizada diariamente ao longo de todo o ano. Existe o risco de toxicidade a longo prazo.

Saiba ainda que as ervas aromáticas têm a reputação de fixar metais pesados. Atenção, portanto, à qualidade do seu solo!

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