É inverno. Está frio. E por frio, entenda temperaturas que descem por vezes abaixo dos 0 °C. Sim, sim, mesmo no Sul. O que nos traz um estranho fenómeno físico: a água torna-se sólida. A isso chama-se vulgarmente gelo. Surpreendentemente, o inverno regressa todos os anos, apesar das repetidas tentativas do Homem para aquecer o clima, e, igualmente surpreendente, continua a apanhar muitos jardineiros desprevenidos, que perdem algumas plantas frágeis deixadas sem qualquer vigilância.
Então porque é que a sua planta teve de repente a ideia descabida de gelar sem pedir autorização? Explicamos já a seguir.
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Porquê a si?
Os vizinhos nunca se queixam do inverno. Quando muito uma resmunguice ou outra quando é preciso retirar a neve de um abeto ou aguardar um período mais ameno para plantar uma árvore, mas fica por aí. E aliás, a neve no jardim é uma maravilha!
Mas para si, o inverno é sinónimo de angústia permanente. Escruta o céu e a sua própria estação meteorológica profissional mal surge uma nuvem no horizonte ou um conhecido se queixa das suas dores reumáticas. Para a maioria dos jardineiros, uma pequena fase de gelo não é minimamente problemática, mas sabe que para si será muito pior! Sente o drama a aproximar-se! Ah! Que vida ingrata!

Porquê ela?
Pois é, porquê ela? Todas as outras plantas sobrevivem normalmente ao inverno e ao gelo sem qualquer problema. E então, zás! É precisamente a sua favorita que leva o golpe. Aquela que o seu tio das Antilhas lhe enviou em caixa climatizada e que teve de ser colocada no jardim com ajuda de helicóptero. Custou uma verdadeira fortuna e era motivo de orgulho, pois ninguém (e por boas razões!) tinha igual na vizinhança. E eis que ela perece do dia para a noite sem sequer avisar. Todas as outras, plantadas mesmo ao lado, não custaram uma décima parte e sobreviveram sem o mínimo problema. Para mais, até parece que estão a rir à socapa...
A sorte ensaia-se! Mas o que é que aconteceu afinal?
Porquê, pura e simplesmente?
O inverno é uma ocasião de mudança de ritmo para as plantas
Os arbustos caducifólios entram em dormência quando perdem as folhas. Trata-se de uma adaptação à dificuldade de absorver água do solo, pois esta torna-se sólida assim que a temperatura desce para valores negativos. Por isso, para não perder demasiada água por evapotranspiração ao nível das folhas, nada mais eficaz do que deixá-las cair simplesmente para o solo. As coníferas, com as suas agulhas, encontraram a engenhosa solução de reduzir a superfície das suas folhas, que são também mais espessas e envernizadas. Mas e as outras persistentes? Abrandam o ritmo, sim, mas não entram em dormência.
Efeito fisiológico durante os períodos de gelo
A maioria das plantas que pode crescer entre nós está preparada para o inverno. Reduzem o teor de água (perdendo as folhas, por exemplo) e aumentam a concentração de sais minerais e de açúcares, o que tem como efeito elevar também o ponto de congelação da água nos tecidos. Se o frio aumentar ainda mais, uma parte da água é expulsa das células para se acumular nos espaços intercelulares. A água que permanece nas células não gelará, pois a concentração de açúcares e sais minerais será ainda mais elevada. Se o frio persistir, aí, é o fim das defesas anticongelação! A água torna-se sólida no interior das próprias células. A água sólida ocupa mais volume do que a água líquida e, pum! A célula rebenta como uma garrafa de vidro que parte quando a água gela no seu interior. Isso manifesta-se através de diversas lesões nas plantas em período de gelo: folhas queimadas, tronco fissurado... Tudo isto pode causar a morte da planta.
O que fazer perante isto?
- Privilegiar plantas resistentes e adaptadas
Se uma planta é reconhecida como rústica até -15 °C, tudo correrá bem. As plantas indígenas da sua região são igualmente a privilegiar.
- Ter em conta as zonas de rusticidade... ou não
Para se orientar, existem as chamadas zonas de rusticidade. Dão uma ideia dos extremos de temperatura, mas não são precisas ao ponto de se aplicarem a cada jardim em particular. Tudo dependerá do solo, das exposições, do vento, da orientação do jardim...
- Olhar à volta
Se um determinado tipo de planta cresce em casa dos vizinhos há anos sem qualquer problema, há todas as razões para acreditar que também resistirá no seu jardim. Além disso, será uma boa oportunidade para conversar com o vizinho sobre o tema favorito de ambos: o jardim.
- Proteger as plantas frágeis
Se não teve em conta nenhum dos três pontos anteriores (como todos nós!), será necessário proteger as plantas com uma boa camada de composto vegetal ou mineral (pois as pedras podem aquecer durante o dia e restituir o calor durante a noite). Também pode agasalhar a planta com tela de inverno, aniagem... ou mesmo cartão, se não tiver outra coisa à mão. Contamos tudo sobre a proteção das plantas no inverno neste artigo.

- Evitar a água estagnada
É absolutamente necessário evitar que a água fique junto às raízes. Para isso, não regue antes de um período de gelo e pense sobretudo em colocar uma camada drenante aquando da plantação de uma planta frágil: alguns cascalhos ou um pouco de areia. Ou plante diretamente num pequeno montículo.
- Plantar no local certo e na altura certa
Conhece o jardim melhor do que ninguém. Sabe portanto onde ficam os locais mais frios e, a contrario, os mais quentes. Identifique-os e instale aí as plantas mais sensíveis ao frio! Evite também plantar estas pequenas preciosidades no outono: não terão tempo de desenvolver um sistema radicular suficiente para passar o inverno sem problemas. Plante de preferência na primavera, quando todo o risco de gelo tiver desaparecido.
Apesar de tudo, a minha planta gelou na mesma! O que faço agora?
A planta parece ter gelado apesar de todas as precauções e outras súplicas... Em primeiro lugar, retire a proteção, se tiver colocado alguma, para a deixar respirar um pouco. Se se fizer sentir um período mais ameno relativamente prolongado (pelo menos duas semanas), regue bem ao pé com água morna. É absolutamente necessário evitar que desidrate. E depois... aguarde! Algumas plantas parecem definitivamente perdidas e... acabam por renascer das cinzas como uma fénix assim que a primavera chega. Aqui está um breve artigo de Michaël sobre o assunto.
O frio não é uma coisa má!
É difícil perder uma planta, sem dúvida. Uma bela e rara, ainda por cima. Mas não se esqueça de que todas as outras plantas precisam do frio para florescer bem, germinar ou fazer madeira: é o que se chama a vernalização. Este período de frio é indispensável a muitos vegetais para passarem da fase vegetativa à fase reprodutiva, ou seja, para desenvolverem a sua floração.
Por isso, não amaldiçoe demasiado o inverno! Este período de frio é variável consoante as espécies e mesmo as variedades, e algumas precisam dele mais do que outras. É por isso que certas plantas só conseguem crescer no Norte.
Em conclusão
"A planta certa no lugar certo." dizia Beth Chatto
E acrescentaria ainda no clima certo e na altura certa. É muito divertido tentar coisas mais exóticas, protegendo-as bem ou encontrando-lhes um microclima. E é aliás muito gratificante ver que algumas prosperam durante muitos anos. Mas chega inevitavelmente o momento fatídico em que a temperatura será demasiado baixa para que aguentem. Pelo menos desfrutou delas durante algum tempo. É nisso que deve pensar...
Não se esqueça também dos períodos de plantação. Não tente plantar uma planta sensível ao frio quando ainda há risco de geadas. O exemplo clássico da plantação demasiado precipitada das dálias, por exemplo...
Em conclusão, se mesmo assim quiser tentar algumas exóticas no jardim: pense em colocar uma camada drenante no fundo do buraco de plantação e plante num local protegido. E sobretudo... deixe fluir. Se a planta sobreviver e prosperar: ótimo! Se morrer: paciência! Ficará espaço para uma nova adoção...
É inverno. Está frio. E por frio, entenda temperaturas que descem por vezes abaixo dos 0 °C. Sim, sim, mesmo no Sul. O que nos traz um estranho fenómeno físico: a água torna-se sólida. A isso chama-se vulgarmente gelo. Surpreendentemente, o inverno regressa todos os anos, apesar das repetidas tentativas do Homem para aquecer o […]
Uma amiga parisiense, também ela famosa cronista de jardim (e apesar de tudo excelente jardineira, o que faz duas diferenças importantes entre nós), dizia-me recentemente: «é uma frustração, não consigo manter a alfazema…».
Foi, é preciso dizê-lo, um imenso alívio para mim: não era o único a carregar este vergonhoso segredo: falhar, de forma repetida, com uma das plantas consideradas mais fáceis no jardim, a alfazema.
Foi isso que me decidiu a fazer um coming out público, e a partilhar com os jardineiros ávidos de novas experiências este conhecimento específico: como estragar uma alfazema em 5 lições!

Claro que nem todos estão em pé de igualdade: quem tiver, como eu, a sorte de viver num clima frio e chuvoso com terra pesada terá muito mais facilidade em estragar bem uma alfazema do que quem tem o azar de viver ao sol do Alentejo.
Mas seguindo com atenção estes simples e práticos conselhos, acessíveis a todos, tenho a certeza de que muitos conseguirão também matar as suas alfazemas.
Lição n.° 1: para matar a alfazema, sufoque-a!
A alfazema vem do Sul, aprecia os solos do Sul, pedregosos e drenantes. Detesta os solos pesados, que fazem apodrecer as suas raízes no inverno, razão pela qual os bons jardineiros preferem uma plantação na primavera em vez de no outono.
Pode ser plantada em terreno pesado, mas isso exige um trabalho de drenagem: cova de plantação grande, de pelo menos duas vezes o tamanho do vaso, com adição de brita, areia de rio e, se necessário, turfa.
Portanto, para estragar a sua alfazema, plante-a na época errada (entre novembro e fevereiro, por exemplo) numa argila pesada que não terá aliviado nem descompactado, de preferência numa cova de plantação demasiado pequena (se necessário, dê alguns calcanhares raivosos para que entre);
É um método muito fiável para estragar a alfazema, que pratiquei bastante nas nossas terras de batata do Norte.
Uma variante bastante perversa deste método consiste em colocar as suas alfazemas na situação de gladiadores dos jogos do circo: plante alfazemas muito juntas, digamos a 15 cm umas das outras: farão sombra umas às outras e, à força de se baterem, enfraquecer-se-ão mutuamente, e pelo menos alguns pés acabarão por morrer, os outros escurecerão, o que produz um efeito verdadeiramente notável.
Lição n.° 2: para estragar a alfazema, afogue-a!
A alfazema não aprecia os excessos repetidos de rega: é uma planta de clima mediterrânico.
Para matar a alfazema, regue abundantemente, não só após a plantação (o que ela aprecia, como todas as plantas), mas também ao longo da sua (curta) vida: desaparecerá logo no primeiro inverno. Para acelerar a sentença de morte, forme uma bacia de rega que manterá o torrão húmido durante a estação sombria — sucesso garantido!
Lição n.° 3: para estragar a alfazema, ponha-a à sombra
A alfazema adora o sol… À sombra, estioliza-se, alonga tristemente os seus ramos à procura de luz, não floresce, ou floresce pouco, e morre rapidamente.
Ao plantar à sombra (uma sombra intensa mesmo, pois aceita razoavelmente bem florescer com sombra ligeira) chegará sensivelmente ao mesmo resultado que com a lição anterior. Pode aliás combinar as lições 1, 2 e 3 para um resultado ainda melhor.
Lição n.° 4: para estragar a alfazema, farture-a!
Habituada a solos pobres, a alfazema comporta-se muito mal em meios ricos: come demais, cresce, cresce… E muito rapidamente desmorona-se lamentavelmente, deixando um feio buraco negro ao centro.
Este método menos conhecido é particularmente recomendado às almas sensíveis; permite estragar a alfazema (e muitas outras coisas) com toda a boa consciência, por excesso de cuidado: plante-a num substrato rico, generosamente melhorado com composto, complementado por uma sobredosagem regular de adubo, de preferência químico: talvez não a mate, mas dar-lhe-á com toda a certeza um aspeto bastante monstruoso de Tchernobyl vegetal.
Regra geral, basta plantar mal para falhar. No entanto, por segurança, caso a sua alfazema demonstre resistência, eis um conselho de manutenção:
Lição n.° 5: para estragar a alfazema, pode-a regularmente à «para»
Como a quase totalidade das plantas de folhagem persistente, a alfazema não gosta de uma poda demasiado severa nem demasiado curta.
Claro que se pode cortar sem problema uma vez por ano as hastes de flores secas (e fazer com elas bonitos ramos de flores perfumados), ou alguns ramos jovens demasiado exuberantes. Mas não se deve podar a madeira: nunca rebenta na madeira velha!

Portanto para estragar a alfazema, pode-a sem piedade e o mais curto possível: no mínimo ficará consideravelmente feia e não conseguirá florescer corretamente; no pior dos casos, matá-la-á. Note-se que mesmo em pleno Alentejo este método funciona bem.
Pequeno bónus para quem teve a coragem de ler tudo, com um método de preguiçoso que recomendo particularmente pela sua simplicidade: também se pode estragar a alfazema em vaso. Para isso, basta plantar num vasinho pequeno (digamos menos de 20 cm) e não regar. Certo é que a alfazema não gosta dos excessos de rega, mas não é um cacto: precisa de água, que vai buscar graças a um sistema radicular profundo. Por essa razão, instala-se mal em vasinhos pequenos (e detesta acima de tudo ser deslocada).
Pode portanto estragá-la guardando-a simplesmente no minúsculo vasinho onde se encontrava quando a comprou, contentando-se em esquecer as regas!
Por fim, e para consolar os menos habilidosos que, mesmo seguindo estes sábios conselhos, mantêm uma bela alfazema perfumada no jardim: mesmo em boas condições de cultura — sol, terreno drenante, rega moderada — a alfazema não envelhece muito bem. Raramente ultrapassa os 10 anos, sobretudo nos nossos jardins do Norte, e geralmente torna-se bastante pouco atrativa após 5 anos: provavelmente terá portanto a oportunidade de a ver morrer um dia!
Descubra tudo o que precisa de saber sobre a alfazema para escolher bem, conseguir cultivá-la, fazer estacas ou ainda secá-la.
Uma amiga parisiense, também ela famosa cronista de jardim (e apesar de tudo excelente jardineira, o que faz duas diferenças importantes entre nós), dizia-me recentemente: «é uma frustração, não consigo manter a alfazema…». Foi, é preciso dizê-lo, um imenso alívio para mim: não era o único a carregar este vergonhoso segredo: falhar, de forma repetida, […]
A nossa época é marcada pelo receio do futuro, mas também por uma vontade de regressar às origens, à terra. Muitas pessoas estão à procura de uma alimentação mais saudável e natural, longe das produções industriais da agroalimentar. Estas duas realidades, aparentemente muito distantes uma da outra, encontram-se num ponto: a autonomia alimentar.
Sim, mas... O meu jardim pode realmente alimentar-me durante todo o ano, seja seguindo os princípios da permacultura ou através de um jardim de subsistência tradicional? Aqui fica a minha (humilde) opinião!
Talvez... se tiver um terreno grande
O cultivo de frutos e legumes ocupa muito espaço. E nem falemos das outras culturas, como os cereais, por exemplo... nem sequer da criação de animais... Pensar alimentar uma família com apenas algumas dezenas de metros quadrados é pura utopia (e estou a ser simpático...). Para uma família de quatro pessoas, é preciso contar pelo menos 500 m² só para a horta. Nem se fala das árvores de fruto! Isso já representa uma boa superfície que será necessário otimizar: rotações de culturas, preparação do solo, adubos verdes, culturas intercalares...

Talvez... se tiver tempo ou mão de obra
Ao ler as obras dedicadas à autonomia alimentar, fica-se com a ideia de que « Que maravilha, tanta abundância de graça e sem fazer nada. Que alegria! » Bom, de graça, até pode ser: as sementes não são muito caras (embora possam representar um orçamento considerável...) e é sempre possível trocar coisas entre jardineiros.
Sem fazer nada... aí, lamento, mas será preciso arregaçar as mangas se quiser comer alguma coisa ao longo do ano. Não pense em semear as suas sementes ou plantar as suas árvores e depois esperar que o tempo passe! Cultivar um jardim exige tempo, todos os dias. Mesmo quando chove ou faz frio.
Com efeito, considera-se em média, para uma grande horta como a referida acima, que é necessário dedicar-lhe pelo menos uma hora por dia. Em média... No início da estação, será muito mais exigente em termos de tempo!
Talvez... mas não durante todo o ano
Conseguir alimentar-se com as produções do jardim de janeiro a dezembro é... complicado nas zonas frias, pois poucos legumes crescem no inverno. Portanto, a menos que se cultive com dedicação couves e legumes de raiz como as chérivias ou os nabos, e se tenha transformado a cave numa imensa cultura de cogumelos e endívias, será necessário comprar algo para subsistir. Mas talvez pense viver das suas reservas... É uma boa opção, mas não esqueça o tempo que será preciso dedicar, no verão, à preparação de conservas em frasco, nem o espaço necessário (e adequado) para guardar os frutos e legumes de verão durante todo o inverno.

Talvez... mas não necessariamente no primeiro ano
Obter um jardim capaz de alimentar eficazmente não se consegue em poucas semanas. Pode levar vários anos por diversas razões.
Em primeiro lugar, muitas árvores de fruto demoram anos a atingir a entrada em frutificação e as primeiras colheitas são dececionantes.
O solo também demora algum tempo a ficar perfeitamente fértil e com uma boa estrutura. Não se fala aqui de uma grande lavoura seguida de adição de adubo, mas antes de um método de cultivo mais suave: sem lavoura e com adição de matéria orgânica natural em cobertura morta ou em ligeiro enterramento. Um tal método de cultivo demora de três a cinco anos a dar o melhor de si, graças ao trabalho da fauna e da microflora do solo. Mesmo que se notem melhorias ano após ano.
Não esqueçamos também o equilíbrio do jardim. O seu jardim é um ecossistema completo. Deixemos, portanto, mais espaço à natureza no seu jardim, mesmo que seja produtivo, graças a uma sebe, um pequeno charco, o abandono de práticas ecocidas... Mas serão precisos alguns anos para que os predadores naturais consigam reduzir o número de "pragas" das suas culturas. No primeiro ano, estará sobretudo a alimentar as lesmas e as lagartas...
Talvez... mas é melhor estar bem equipado
Criar um jardim de subsistência requer tempo e trabalho. Mas é evidente que exige também um investimento em materiais. Ferramentas, estufas, túneis de forçagem, um triturador de ramos para o BRF e a instalação de um espaço adequado para a conservação... E porque não um pequeno trator ou um animal de tração... Resumindo, os seus dois braços e a sua boa vontade não chegam. Não entre em pânico, porém: haverá sempre bons vizinhos dispostos a emprestar as ferramentas mais dispendiosas!

Talvez... mas não sozinho
Não é possível fazer tudo sozinho! O ideal é unir forças com outros jardineiros-cultivadores para partilhar as tarefas, tanto ao nível do cultivo como ao nível da preparação de conservas.
Pense na aldeia de Astérix: há caçadores, cultivadores, um peixeiro (que passa o tempo a discutir com o ferreiro...), um talhador de menir... Pois bem, é para isso que se deve tender, em vez de se isolar num terreno rodeado de arame farpado e de guaritas. A autonomia alimentar só poderá ser alcançada em grupo.
Conclusão
A menos que se decida abandonar o emprego para alcançar a autonomia alimentar, cultivar um jardim de subsistência deve continuar a ser um hobby. Mas um hobby saudável! Saudável no sentido em que os legumes produzidos são naturais e que esta atividade é boa tanto para o corpo como para o espírito. E deve continuar assim!
Não coloque, portanto, pressão sobre si mesmo em relação a uma eventual produção alimentar ou a uma hipotética autonomia alimentar.
Obtém bons legumes: ótimo e parabéns! Não tem uma produção proporcional ao seu investimento físico e moral: não faz mal, será para o ano que vem...
A nossa época é marcada pelo receio do futuro, mas também por uma vontade de regressar às origens, à terra. Muitas pessoas estão à procura de uma alimentação mais saudável e natural, longe das produções industriais da agroalimentar. Estas duas realidades, aparentemente muito distantes uma da outra, encontram-se num ponto: a autonomia alimentar. Sim, mas… […]
"J'fais pipi sur l'gazon, pour arroser les coccinelles..." Conhece a canção? Pois bem, ela está a voltar à moda e fala-se cada vez mais da utilização da urina no jardim. Ou, para ser mais preciso, volta a falar-se dela, pois urinar no jardim para fazer crescer as plantas (ou simplesmente pelo prazer!) era uma prática comum antigamente, nas nossas zonas rurais.
Mas será que é realmente eficaz? A urina humana pode substituir os nossos fertilizantes habituais? Regar com urina é uma panaceia? Não traz doenças? Vamos verificar tudo isso!
A urina como adubo: um concentrado de azoto
A urina humana é naturalmente rica em azoto. Pode aliás servir para corrigir uma carência de azoto. Para ser preciso, a urina contém ureia que se transforma por redução em gás amoniacal NH3 (é o cheiro!). Este último pode, consoante a temperatura e a biologia do solo, reduzir-se novamente em amônio NH4+, o que é positivo; ou oxidar-se em nitrato NO3-, o que é menos positivo... Mas estes dois compostos químicos podem ser diretamente assimilados pelas raízes das plantas. Fazem parte do que se designa por ciclo do azoto.
A urina contém também fósforo, potássio, enxofre, magnésio e vários outros oligoelementos.
A composição varia consoante a alimentação da pessoa: o teor em azoto oscila entre 3 e 6 g/litro, enquanto para o fósforo e o potássio ronda os 1 g/litro em média.
Tudo isso faz da urina um adubo equilibrado e diretamente assimilável pelas plantas.
Mas, como em tudo, é preciso utilizá-la corretamente!

A urina na horta
Num solo bem melhorado de base (com composto ou estrume), a utilização de fertilizante líquido não é realmente necessária. Mas como complemento, a urina pode ser utilizada diluída na proporção de 100 ml por 1 litro de água, de duas em duas semanas e durante a fase de crescimento das plantas.
Atenção, portanto, a não aplicar este "adubo" em sementeiras ou plantas demasiado jovens. Estas irão então produzir caules e folhagem em detrimento do sistema radicular, causando problemas mais tarde. Estas plantas terão dificuldade em absorver a água e os nutrientes, e serão menos resistentes.
A urina no composto
A urina no composto acelera a decomposição das matérias orgânicas.
Em doses elevadas, no entanto, a urina é tóxica para as minhocas, os vermes do composto e os outros organismos vivos do solo. Pense portanto em utilizar a urina com parcimónia ou em diluí-la na proporção de 250 ml de urina por um litro de água, no mínimo.
A urina nas outras partes do jardim
A urina é um adubo azotado potente. Um excesso em determinados pontos do jardim vai favorecer a proliferação de plantas ditas nitrófilas: a urtiga e a corriola em primeiro lugar. Em casos extremos pode mesmo "queimar as suas plantas". Cuidado, portanto...
Se se tiver o cuidado de realizar uma adubação na plantação e de manter um solo vivo e saudável, um adubo azotado raramente é necessário para as plantas ornamentais: árvores, arbustos e mesmo plantas perenes.
Em vaso ou em floreira, pelo contrário, pode ser uma boa solução em substituição dos fertilizantes líquidos habituais. Também aqui tenha em mente diluir a urina: 50 a 100 ml de urina por litro de água. E aplicar a sua mistura (ou micção...) apenas uma vez de duas em duas semanas.

A urina? Que nojo?
É sobretudo no ocidente que mantemos reticências em utilizar as excreções humanas e animais. A urina é frequentemente utilizada em África, na Ásia e na América do Sul. E numerosas investigações agronómicas estão em curso para quantificar o impacto real desta prática: por agora os resultados são mais do que encorajadores.
A urina cheira mal!
A urina, mesmo diluída, apresenta um odor desagradável durante a sua degradação. Um armazenamento durante uma semana resolve este problema. Num solo saudável e equilibrado, a degradação da urina far-se-á muito rapidamente, o que limitará no tempo este odor desagradável.
A urina não é higiénica!
A urina é naturalmente estéril numa pessoa saudável. No entanto, deve evitar-se utilizar na horta a urina de uma pessoa com uma infeção bacteriana: note-se que um armazenamento relativamente longo (pelo menos um mês) permite eliminar os eventuais agentes patogénicos. E a contrario, evite também utilizar urina de uma pessoa sob medicação, sobretudo sob antibióticos.
Nota: importa também referir que a urina pode provocar uma salinidade excessiva nos solos sensíveis.
Conclusão
Se se ultrapassar o bloqueio da repulsa em utilizar as nossas próprias excreções, a urina pode revelar-se um fertilizante eficaz. Tenha no entanto presente que não deve utilizá-la pura, nem com demasiada frequência e apenas quando necessário. Em suma, as precauções de uso de um verdadeiro adubo! O ideal é também armazenar previamente a urina para eliminar os agentes patogénicos e reduzir consideravelmente o odor.
“J’fais pipi sur l’gazon, pour arroser les coccinelles…” Conhece a canção? Pois bem, ela está a voltar à moda e fala-se cada vez mais da utilização da urina no jardim. Ou, para ser mais preciso, volta a falar-se dela, pois urinar no jardim para fazer crescer as plantas (ou simplesmente pelo prazer!) era uma prática […]
Plantar árvores para combater o aquecimento global pode parecer uma solução muito simples. Ainda bem, porque é mesmo!
Numa época em que se abate mais do que se planta, todas as árvores que conseguir plantar no seu jardim revelar-se-ão benéficas por várias razões.
Uma das causas do aquecimento global é a emissão excessiva de dióxido de carbono (CO₂), pelo que a solução mais evidente será plantar árvores, uma vez que absorvem esse CO₂.
Porquê plantar árvores?
Os vegetais em geral, mas as árvores em particular, têm uma capacidade de absorção de CO₂ extraordinária. É um resultado simples da fotossíntese. A árvore absorve o CO₂ do ar e transforma-o em carbono e oxigénio. O oxigénio é libertado para o ar, para nosso grande benefício, enquanto o carbono é armazenado e libertado progressivamente. As florestas representam assim o segundo reservatório de carbono a seguir aos oceanos.
Mas não é só isso: as árvores são também úteis na:
- regulação da temperatura e da higrometria: são verdadeiros climatizadores vivos;
- filtragem do vento e das poeiras, melhorando assim a qualidade do ar;
- fixação de certos poluentes como pesticidas ou metais pesados;
- melhoria do solo, trazendo-lhe biomassa (madeira, folhas...) e combatendo a erosão.

Que árvores plantar para combater o aquecimento global?
1) Árvores autóctones, antes de mais
Há duas grandes vantagens em plantar espécies autóctones:
- estão perfeitamente adaptadas ao clima e ao solo
- alimentam e fornecem abrigo à fauna local
A lista de árvores autóctones é longa, mas eis alguns exemplos:
- Para o Norte: Bordo-da-noruega, Amieiro, Bétula-pubescente, Carpa, Cerejeira-cornalina, Freixo-europeu, Azevinho, Choupo-tremedor, Ulmeiro...
- Para o Sul: Medronheiro, Zêlha, Amieiro-italiano, Castanheiro, Oliveira, Azinheira...
- Para a montanha: Ostria, Ulmeiro-de-montanha, Pinheiro-das-montanhas...
- Para o Litoral: Tamargueira-de-França, Espinheiro-marítimo, Oliveira-da-Rússia, Pinheiro-bravo, Bordo-comum...

2) Autóctones, sim, mas não só...
Algumas espécies autóctones sofrem com as alterações climáticas, enquanto outras mais exóticas ou originárias do Sul parecem ganhar terreno no Norte. Assim, os pinheiros, independentemente da espécie, sofrem com os ataques repetidos das lagartas da processionária do pinheiro. Já a faia, as píceas e mesmo o abeto pectinado já não suportam os nossos verões demasiado quentes e secos. Todas estas árvores tornaram-se também menos resistentes às doenças.
Em contrapartida, algumas árvores veem a sua área de distribuição original deslocar-se. Nada de surpreendente: sempre foi assim! As plantas crescem onde melhor se adaptam. É por isso que existem problemas com certas plantas exóticas invasoras que acabam por se revelar mais adaptadas do que as autóctones em certos meios naturais. Ou o facto de as florestas de carvalhos estarem a recuperar terreno face às florestas de faias, tal como acontecia... há apenas dois mil anos.
Alguns exemplos de árvores que se adaptaram às alterações climáticas
- A Azinheira - Quercus ilex: outrora confinada ao clima mediterrânico, tem tendência para subir mais a norte. Hoje em dia vive muito bem no litoral atlântico até à Bretanha e continuará a progredir em direção ao centro.
- O Carvalho-da-Turquia - Quercus cerris: anteriormente presente apenas no sudeste do país, está agora a deslocar-se claramente para norte, chegando mesmo a ser encontrado até à Bélgica...
- O Carvalho pubescente - Quercus pubescens: uma espécie particularmente adaptada à seca, que tem dado cartas nos últimos anos.
- A Zêlha - Acer monspessulanum: frequentemente associada na natureza à azinheira, segue a mesma tendência, progredindo até à Vendeia.
- O Freixo-do-maná - Fraxinus ornus: primo do freixo-europeu mas bem menos sensível à calariose, vai abandonando a Córsega e os Alpes Marítimos para subir mais a norte.
- O Saboeiro - Koelreuteria paniculata: originário da China e da Coreia, esta árvore revela-se perfeitamente resistente à seca e à poluição urbana.
- O Pinheiro-bravo - Pinus pinaster: presente inicialmente no litoral mediterrânico e atlântico, prossegue a sua expansão em direção ao Oeste e ao Norte.
- A Acácia-bastarda - Robinia pseudoacacia: esta árvore exótica está a tornar-se, aos poucos, a "rainha da floresta". Resiste ao calor, à seca, às inundações e adapta-se a solos pobres, pois tem a capacidade de fixar o azoto. Vai assim ocupando progressivamente o lugar das outras espécies arbóreas.
Para informação: o Serviço Nacional de Florestas está neste momento a realizar ensaios de plantação de Abeto de Bornmüller (Abies bornmuelleriana) em floresta, uma espécie mais adaptada à seca do que o abeto pectinado. Enquanto isso, na Bélgica, estão a ser realizados ensaios em floresta com carvalhos-da-Turquia e carvalhos pubescentes e mesmo... pinheiros da Córsega.

Características gerais das árvores resistentes às alterações climáticas
As árvores com resistência natural à seca e às temperaturas elevadas no verão apresentam frequentemente características comuns:
- Folhas pequenas e numerosas: quanto maior a folha, mais água se evapora. As folhas pequenas são, portanto, o resultado de uma adaptação à seca;
- Uma folhagem cerosa e/ou aveludada: se a folha for espessa ou coberta de pequenos pelos, reterá a água de forma mais eficaz;
- Convém também verificar a região de origem da árvore: se for originária da taiga escandinava, há fortes probabilidades de sofrer no verão... A contrario, as espécies mediterrânicas e do centro da Europa serão particularmente adaptadas.
Em conclusão
Face às alterações climáticas que se têm acelerado nas últimas décadas, será necessário rever as nossas escolhas relativamente às espécies autóctones adaptadas a cada região. Algumas, cuja sobrevivência depende de humidade e de estações marcadas, vão desaparecer em favor de espécies menos exigentes em água e que não necessitam de invernos rigorosos. De qualquer forma, a plantação de árvores será sempre benéfica, desde que se escolham espécies sem problemas de adaptação e capazes de prosperar de forma otimizada sem demasiados cuidados. Portanto, em conclusão: plantemos árvores!
Para saber mais
Alguns investigadores têm dúvidas sobre a eficácia da plantação de árvores para combater o aquecimento global. Na realidade, o que questionam é sobretudo o facto de o CO₂ ser o único responsável pelo aquecimento, bem como a necessidade (segundo eles) de mais superfícies agrícolas para alimentar a população. O ideal seria também, e sobretudo, parar a desflorestação em vez de plantar algumas árvores aqui e ali. Se quiser saber mais e formar a sua própria opinião sobre o assunto, leia este artigo: As florestas: solução para a crise climática?
E se ainda não viu, conheça os principais resultados do nosso inquérito sobre as alterações climáticas e a jardinagem.
Plantar árvores para combater o aquecimento global pode parecer uma solução muito simples. Ainda bem, porque é mesmo! Numa época em que se abate mais do que se planta, todas as árvores que conseguir plantar no seu jardim revelar-se-ão benéficas por várias razões. Uma das causas do aquecimento global é a emissão excessiva de dióxido […]
Se há uma planta que é alvo de inúmeras ideias preconcebidas, essa é a hera trepadeira ou Hedera helix. Tudo parece ter começado com Plínio, o Velho, no primeiro século depois de Jean-Claude, que não via nesta encantadora trepadeira senão uma destruidora de muros e de árvores, chegando ao ponto de a qualificar de «carrasco das árvores».
Devia estar, sem qualquer dúvida, de mau humor no dia em que escreveu estas asneiras... porque, garanto-lhes, a hera, esta bela planta trepadeira autóctone, não merece essa ira, essa rejeição categórica.
Juntos, vamos então deitar por terra 5 ideias preconcebidas sobre a hera!
1) A hera é uma planta parasita que mata as árvores
A única noção que não é falsa nesta frase, que se ouve e se lê por toda a parte, é: «a hera é uma planta».
Não é um parasita, servindo a árvore apenas de suporte. A hera não vai «absorver» nutrientes da árvore, pois os seus ganchos servem apenas para se fixar. Tem as suas próprias raízes e realiza a sua própria fotossíntese. Não tem, portanto, qualquer necessidade de parasitar seja quem for para sobreviver.
E a hera não mata as suas árvores!
Quando animo saídas para a natureza, assim que passamos sob velhas árvores pitorescas, afirmam-me muitas vezes: «sim, mas a minha árvore morreu logo após ter sido invadida por esta praga de hera!».
Respondo então: «a hera usou a sua árvore apenas como suporte porque esta já não crescia em largura, pois estava em fim de vida ou, pelo menos, bastante envelhecida.»
Na realidade, a hera vive muitos anos, às vezes várias centenas de anos, pelo que sobrevive frequentemente à morte do seu suporte. É por isso que as pessoas pensam que a hera matou a árvore, quando na verdade a árvore acabou por morrer de morte natural e a hera lhe sobreviveu.

A hera protege o tronco do gelo, de uma humidade excessiva e até de alguns animais que roem a casca, como os corços. Alguns compostos produzidos pela hera possuem mesmo propriedades fungicidas, o que permite reduzir o risco de doenças fúngicas para a árvore. Além disso, a hera floresce numa altura diferente da do seu suporte: não há, portanto, concorrência ao nível da polinização. As folhas da hera caem e enriquecem o solo numa altura diferente da da folhagem da árvore suporte, o que representa mais um benefício para esta última. A hera também não vai «roubar o sol» à árvore, pois cresce apenas no tronco principal e em alguns ramos mais grossos. Em suma, não se trata de parasitismo, mas sim de mutualismo, pois ambas as partes saem beneficiadas.
Sabia que a hera continua a crescer após a morte da árvore? Embora esta combinação reúna dois habitats extremamente ricos em biodiversidade — hera e madeira morta em pé —, pode tornar-se uma fonte de perigo, pois a hera oferece resistência ao vento enquanto a madeira morta pode partir a qualquer momento. Cabe a cada um avaliar se tal associação merece ser mantida no jardim ou se convém reduzir o conjunto.
2) A hera devora as casas
Não. A hera não danifica muros em bom estado. E mesmo nos muros em mau estado, o que fará é degradar um pouco mais as juntas. Mas, acima de tudo, oferece uma proteção física contra a humidade e saneará a base dos muros. Proporciona um isolamento térmico durante o inverno, mas também durante o verão, que não é desprezível, na ordem de dois a três graus ganhos (ou perdidos) para os nossos interiores.
Duas ressalvas, no entanto: não deixe a hera trepar demasiado até às telhas. Estas poderiam ser deslocadas por ramos que passassem por baixo delas. Atenção também a muros de terra crua, pois a hera pode confundi-los com terra «verdadeira» e deixar crescer as suas raízes no interior.

3) A hera atrai aranhas
E daí? Sabia que também atrai uma grande quantidade de insetos, nomeadamente os últimos insetos polinizadores da estação, pois a hera é uma das últimas a florescer, por volta de outubro, tanto na natureza como no jardim? Os insetos associados à hera ou que dela dependem são extremamente numerosos: abelhas silvestres, himenópteros, sirfídeos, moscas, cetónias e até borboletas. A borboleta-limão, uma espécie em forte declínio, aprecia hibernar no interior da hera, e não é a única. Não admira, portanto, que as aranhas estejam também muito presentes...
A hera fornece ainda abrigo e alimento a muitas aves: pardais, melros, chapins, tordos... As bagas são particularmente ricas em lípidos e ajudam as aves frugívoras e omnívoras a sobreviver no inverno. A hera serve também para a nidificação da carriça e dos estrelinhos, e de dormitório para algumas aves de rapina como o bufo-pequeno ou a coruja-do-mato.

A hera permite ainda alimentar alguns mamíferos, como o leirão, a marta, o moscardino, e até... abrigar alguns morcegos.
Retirar a hera é suprimir um verdadeiro ecossistema inteiro!
4) A hera é triste
Não. Ou então não temos a mesma definição de tristeza... A hera, como vimos acima, está repleta de vida, mas é também uma planta que se mantém atrativa durante todo o ano graças à sua folhagem persistente. A hera é alegre porque existem variedades soberbiamente coloridas: variegadas de creme, branco ou amarelo, ou com folhagem mais ou menos recortada. Pode ser utilizada como cobertura vegetal, em topiária, para disfarçar elementos pouco estéticos ou uma rede metálica... A hera tem mil e uma utilizações no jardim.

5) A hera não serve para nada
Ora bem... Para além de tudo o que já falámos, a hera serve para muitas coisas:
- Protege o solo na floresta ou no jardim, criando uma cobertura que mantém a humidade e uma certa frescura. Contribui assim para reduzir a erosão dos solos e para proteger a fauna do solo.
- É uma planta medicinal conhecida desde tempos imemoriais: antitússica, antiespasmódica, purgativa e utilizada em pomadas anticielulite. Atenção, no entanto, a não ingerir as bagas, que são tóxicas.
- A hera é capaz de depurar o ar, nomeadamente ao captar poeiras e outras partículas de grande dimensão.
- É até possível fazer detergente para lavar a roupa graças às saponinas que as folhas contêm.
- ...ou coroas para enfeitar as cabeças dos mais pequenos.

Conclusão
A hera é, portanto, muito mais do que uma simples trepadeira. Possui uma enorme quantidade de atrativos estéticos e ecológicos. Pode ser plantada como cobertura vegetal, para disfarçar elementos pouco estéticos, ou para animar um muro. Revela-se uma planta à prova de tudo, cresce rapidamente mesmo nos locais mais sombrios, e propaga-se por estacaria com a maior facilidade. Em suma, deixe a sua hera crescer, ou melhor ainda, plante uma! Símbolo de longevidade entre os celtas, é certo que a hera lhe sobreviverá...
Descubra também a nossa ficha completa sobre a hera!
Se há uma planta que é alvo de inúmeras ideias preconcebidas, essa é a hera trepadeira ou Hedera helix. Tudo parece ter começado com Plínio, o Velho, no primeiro século depois de Jean-Claude, que não via nesta encantadora trepadeira senão uma destruidora de muros e de árvores, chegando ao ponto de a qualificar de «carrasco […]
Talvez já tenha reparado neste verão, mas com os dias quentes, os naturalistas fizeram um pequeno regresso, sobretudo nas redes sociais... E, como todos os anos, uma certa categoria de entre eles levantou a voz contra uma planta exótica. Este ano, é a budleia, chamada «arbusto-das-borboletas», que é particularmente alvo da sua fúria. Invasiva? Perigosa para as borboletas?
O debate é simples, clássico, mas eficaz:
« Vocês não são mais do que uns vilões que matam a natureza! » (os botânicos aos horticultores)
« Nem pense nisso! » (os horticultores aos botânicos)
Bem-vindo ao recreio! E aqui estou eu, bem no meio, a tentar acalmar as tropas dos dois lados.
O debate sobre o arbusto-das-borboletas, em pormenor
Ouvem-se, leem-se e veem-se cada vez mais artigos, publicações no Facebook ou reportagens televisivas cujo tema é: « As budleias matam as borboletas, porque o néctar contém cafeína. » Estas publicações têm, em geral, todas a mesma particularidade: tratam a informação de forma superficial e não aprofundam as coisas, sem citar, evidentemente, qualquer fonte…
No estado atual dos nossos conhecimentos, parece que o néctar das flores de budleia conteria uma substância próxima da cafeína que atrairia irremediavelmente as borboletas, que poderiam acabar por se esgotar e, por fim, morrer.
Tive o cuidado de escrever esta frase no condicional. Com efeito, há quase vinte anos que ouço tudo sobre esta planta. A maioria dos factos (que apresentarei mais abaixo) está comprovada, enquanto um ponto permanece eternamente sujeito a debate: essa famosa toxicidade das flores que tem como impacto «drogar» as borboletas.
Curiosamente, quando se fala desta eventual toxicidade das flores da budleia, ninguém menciona qualquer publicação científica séria. Note-se como isto é irónico…

Os factos cientificamente comprovados
- O Buddleia davidii, a espécie-tipo, é uma planta invasiva, uma EEE — Espécie Exógena Envahissante Invasora. Vai sê-lo preferencialmente em locais perturbados pelo Homem, pois trata-se de um arbusto que aprecia solos pobres, pedregosos e ligeiramente revolvidos (é originário das montanhas áridas da China): escombreiras, bordos de linhas de caminho de ferro, terrenos industriais incultos, antigos parques de estacionamento abandonados… mas também em meios naturais particularmente vulneráveis, como por exemplo as pastagens silicícolas da Normandia. É algo natural, pois é uma espécie pioneira que «prepara o terreno» para que outras plantas possam instalar-se posteriormente. Na nossa flora indígena existem outras plantas capazes de realizar este tipo de trabalho, mas a budleia é de uma eficácia formidável, uma vez que vive muito pouco tempo: daí o seu caráter invasivo. Assim que outras plantas comecem a crescer no substrato criado pela budleia ao longo do tempo, vão fazer-lhe sombra e a budleia, essência de luz antes de tudo, desaparecerá. A vegetação poderá então desenvolver-se até ao climax, a evolução última de um meio natural: uma floresta de carvalhos, por exemplo. O único senão é que a budleia ocupa efetivamente o lugar de uma planta indígena útil para a fauna, nomeadamente para os insetos que, na sua maioria, co-evoluíram com as espécies endémicas. Recorde-se que uma planta exótica é sempre menos interessante para alimentar as larvas e os adultos dos insetos.
Nota bene: se tiver em casa a espécie-tipo e o seu caráter invasivo o preocupa, pode e mão na obra: corte o arbusto energicamente logo antes da formação das sementes! O problema fica resolvido.
- A budleia contém aucubina e outros terpenoides tóxicos por ingestão nas suas folhas e ramos. É por isso que ninguém consome as folhas. Este é o segundo argumento avançado pelos naturalistas: «Se as borboletas porem ovos na budleia, as lagartas não conseguirão alimentar-se.» Na realidade, isto seria desconhecer profundamente os lepidópteros e sobretudo negar milhões de anos de evolução. Uma borboleta está geneticamente programada para pôr ovos apenas na planta ou na família de plantas de que a sua descendência necessita. E não noutras! No entanto, é verdade que se no seu jardim tiver apenas um relvado cortado rente, uma sebe de tuias e… uma única budleia: as borboletas não conseguirão pôr ovos. Portanto, terá borboletas no primeiro ano no seu arbusto e depois… nenhuma. Num jardim com uma maior diversidade de vegetais, as borboletas visitam rapidamente as flores da budleia e depois vão pôr ovos nas plantas vizinhas consoante a espécie de borboleta: urtiga, silva, gramíneas, frângula, Fabáceas, Brassicáceas, Apiáceas…

Nota bene: algumas fontes referem que a lagarta da Esfinge-da-Caveira, bem como a da Cuculia do verbasco, se teriam adaptado para se alimentar de folhas de budleia na falta das suas verdadeiras plantas hospedeiras. "A natureza encontra sempre o seu caminho..."
- O néctar do Buddleia davidii, embora produzido em grande quantidade, é pobre em açúcar comparativamente a outras flores. É, portanto, menos nutritivo para os insetos. Note-se que apenas os lepidópteros que possuem uma tromba conseguem alimentar-se deste néctar. Alguns abelhões conseguem cortar a corola para extrair parte dele. É também possível observar ocasionalmente alguns sirfídeos e até uma ou duas abelhas selvagens nas flores, mas é mais raro.
- A grande maioria das variedades de Buddleia davidii vendidas no comércio são estéreis, ao contrário do que parece pensar a opinião pública. É portanto inútil censurar o colaborador que arruma as paletes no centro de jardim da sua zona por venderem budleias. Apenas a espécie-tipo é invasiva e já não está à venda.
- As outras espécies e híbridos de budleia não levantam qualquer problema: B. globosa, B. alternifolia, B. nivea…
Por que planta substituir a budleia?
Se quiser agir pelo princípio da precaução e evitar plantar um «arbusto-das-borboletas», faça-o! Mas substitua-o por plantas indígenas ou semi-indígenas (Europa de Leste), deixando áreas selvagens no seu jardim onde intervém muito pouco. Para fazer as coisas verdadeiramente a fundo e tentar salvar o que resta de borboletas, evitando assim cair na hipocrisia geral. O grande clássico são os dadores de lições de fim de semana que o vão repreender porque tem uma planta chinesa no jardim, mas que comem tomates no inverno, andam num 4×4 a gasóleo e apanham o avião quatro vezes por ano. Em suma, são muitas vezes grandes faladores… Deixemo-los falar e sigamos em frente!

Em conclusão
Não estou a atirar pedras aos naturalistas. Longe disso... A sua luta é justa e necessária. Na realidade, se por vezes parecem de má-fé ou mesmo sectários, é antes de tudo por necessidade! Há décadas que ninguém os ouve sobre os temas ambientais. Decidiram portanto adotar uma linguagem mais fácil de compreender para o comum dos mortais, recorrendo a conselhos simples e precisos, aqui no nosso exemplo: «Não plantar mais budleias e arrancar todas as que existem!» Dado o que acontece nos dias de hoje, são obrigados a elevar o tom e paciência, se nessa história as outras budleias ficarem pelo caminho com a primeira…
No entanto, convém receber as informações que circulam sem filtro na internet com muitas reservas e fazer as suas próprias pesquisas. Talvez o néctar seja de facto uma droga. Talvez não... Há anos que esta informação é recorrente, imediatamente desmentida por outra equipa de investigação, e depois não... ou talvez... depende... Em suma, ainda estamos no domínio das especulações.
Pessoalmente, realizei inventários sobre os lepidópteros diurnos e semi-noturnos (como a Esfinge-do-Moro) durante três anos em minha casa. Pude observar um aumento muito nítido do número de borboletas, bem como uma maior diversidade ao nível das espécies. No entanto, continuo a ter uma budleia. Mas esta está rodeada de vários ares de paraíso para insetos, pois plantei inúmeros vegetais indígenas (ou não) e deixei algumas áreas selvagens. O que prova que este arbusto não parece assim tão nocivo.
No momento em que escrevo estas linhas, vejo apenas um almirante-vermelho no meu «arbusto-das-borboletas», enquanto um funcho selvagem, uma bela superfície de orégão, um Eryngium planum e uma erva-gorda parecem ser «ze plèsse toubi» para os lepidópteros neste momento.
Encorajo-o, portanto, a aventurar-se também no estudo das borboletas ou dos insetos em geral, a tirar as suas próprias conclusões e a manter sempre um espírito crítico.
Talvez já tenha reparado neste verão, mas com os dias quentes, os naturalistas fizeram um pequeno regresso, sobretudo nas redes sociais… E, como todos os anos, uma certa categoria de entre eles levantou a voz contra uma planta exótica. Este ano, é a budleia, chamada «arbusto-das-borboletas», que é particularmente alvo da sua fúria. Invasiva? Perigosa […]
Os agapantos são flores espetaculares que se encontram frequentemente nos jardins à beira-mar, em particular na costa Oeste e na Bretanha. Apresentam, no verão, belas flores azuis, brancas ou lilás, em umbelas ao mesmo tempo marcantes e elegantes.
Plantas perenes sem preocupações, o agapanto aprecia o pleno sol em solo comum drenado, mas não demasiado seco no verão. A sua leveza e facilidade de cultivo constituem verdadeiros trunfos para realizar um canteiro florido ou um vaso.
A sua utilização no jardim era outrora limitada pela sua falta de rusticidade e pelo reduzido número de variedades… Hoje, os agapantos existem agora numa enorme variedade de cultivares e alguns apresentam mesmo uma bela resistência ao frio, o que coloca um outro problema: a escolha!
Eis, por isso, para ajudar, uma seleção de 7 agapantos «valores seguros» que se adequam a todos os jardins, seja qual for o seu tamanho, o seu estilo ou até o seu clima.
O agapanto Navy Blue (Midnight Star): o resistente
O Agapanthus 'Navy Blue', também chamado agapanto 'Midnight Star', faz parte dos agapantos mais populares. Esta variedade ocupa o pódio da melhor classificação e das melhores vendas da promesse de fleurs, e rapidamente se perceberá porquê!
As suas flores em umbelas ligeiras são de um azul-marinho intenso. Surgem em abundância entre julho e agosto. Quanto à sua folhagem verde-clara em fita, é caduca e, por isso mesmo, esta variedade faz parte dos agapantos mais rústicos, com resistência até -10 °C em solo bem drenado.

O agapanto Navy Blue, resistente e popular
Vigoroso e de porte médio, com 60 cm de altura e 40 cm de envergadura, adapta-se igualmente bem em vaso ou em borda de canteiro.
→ Para saber mais sobre esta variedade, consulte o nosso artigo: "O agapanto 'Navy Blue': uma beleza resistente ao frio"
O agapanto Blue Giant: o gigante emblemático
O agapanto Blue Giant é uma planta perene incontornável na Bretanha! Muito frequentemente plantado, é apreciado pelas suas grandes flores azul-escuro de 18 cm de diâmetro, que surgem até 1,5 metros de altura. A sua altura faz dele uma planta notável para canteiros e fundos de canteiro. Cria importantes linhas verticais muito marcantes e elegantes. Também é possível desfrutar das suas belas e grandes flores como flores de corte.
Vigoroso e robusto graças às suas raízes carnudas, suporta até -12 °C.

O agapanto Blue Giant ganha altura
O agapanto branco Albus: o incontornável
Ideal para os jardins brancos, o Agapanthus umbellatus Albus, também denominado Agapanthus africanus albus, distingue-se pela sua floração branca. As suas flores em umbelas de 15 cm de diâmetro estão situadas a 1 metro de altura acima de uma folhagem em fita semi-persistente. As suas umbelas são formadas por flores branco-neve em forma de campânulas. Pouco rústico, suporta até -5 °C, o que limita a sua utilização aos climas amenos.

O agapanto de flores brancas: Agapanthus albus
O agapanto Royal Velvet: a nova estrela
Original e recente, o agapanto Royal Velvet é uma nova estrela dos agapantos graças à sua cor intensa e muito na moda, qualificada de «ultra-violeta». Produz um efeito muito belo graças às suas flores em umbelas de 10 a 12 cm de diâmetro, únicas no seu género, pela sua coloração de violeta intenso rayado de um azul-violeta muito escuro. As suas umbelas surgem a 80 cm do solo, bem acima da folhagem (caduca), que forma uma bela touça. A elegância do agapanto Royal Velvet é inegável!

O agapanto Royal Velvet, uma nova variedade de flores ultra-violeta
As suas flores de um violeta intenso tornam-no ideal em jardins contemporâneos, mas também em cenários exóticos que combinam flores cor de laranja, como os tritomas, as canas-da-Índia ou os lírios-de-um-dia.
Para além da sua cor original, esta variedade acumula trunfos com a sua floração abundante, a sua robustez e a sua resistência ao frio até -10 °C.
O agapanto Double Diamond: o compacto de flores duplas
Recente, o agapanto Double Diamond é uma variedade que reúne duas qualidades: um porte compacto e uma floração generosa. O seu principal trunfo reside nas suas flores duplas em forma de trompete, de cor branco puro. Agrupadas em umbelas, medem 10 cm de diâmetro e surgem acima de uma touça de folhas persistentes em clima ameno. O seu porte compacto (35 cm de altura por 30 cm de largura) torna-o ideal em vaso, no terraço ou na varanda, mas também em borda de canteiro em todos os locais onde os invernos não são demasiado frios, pois não suporta temperaturas inferiores a -5 °C.
O agapanto Double Diamond, uma pequena variedade com generosas flores duplas
O agapanto Twister: o bicolor
O agapanto Twister é uma variedade original apreciada pelas suas flores bicolores. De grande dimensão, até 18 cm de diâmetro, as suas umbelas são formadas por flores brancas com base azul-escuro. Estas flores de duas cores conferem um certo dinamismo, ao mesmo tempo que combinam a suavidade dos tons, acentuada pela folhagem verde-acinzentada. De porte médio, este agapanto atinge 60 cm de altura por 50 cm de largura, sendo por isso ideal em segundo plano do canteiro, atrás de plantas tapizantes, podendo também ser cultivado em vaso grande.
Por fim, o agapanto Twister pode ser plantado sob muitos climas, pois tem a vantagem de fazer parte dos agapantos mais rústicos, suportando até -12 °C.

O agapanto Twister: flores bicolores, brancas e azuis
O agapanto Pitchoune Blue: o pequeno perfeito em vaso
O agapanto Pitchoune Blue justifica bem o seu nome. Muito gracioso e de tamanho reduzido, esta variedade compacta mede apenas 50 cm de altura por 50 cm de largura. Anão, é perfeito em borda de canteiro, mas também para o cultivo em vaso, o que permite levá-lo para interior abrigado no inverno, pois, pouco rústico, suporta apenas -5 °C.
Apesar de pequeno, a variedade Pitchoune Blue distingue-se por uma abundante floribundidade. Floresce agradavelmente em azul ultramar acima de uma folhagem persistente em fita. No jardim, pode ser associado ou substituído pela sua "irmã mais nova" de flores brancas, Pitchoune White, que oferece as mesmas qualidades.

O agapanto Pitchoune Blue, um valor seguro, ideal em vaso
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Os agapantos são flores espetaculares que se encontram frequentemente nos jardins à beira-mar, em particular na costa Oeste e na Bretanha. Apresentam, no verão, belas flores azuis, brancas ou lilás, em umbelas ao mesmo tempo marcantes e elegantes. Plantas perenes sem preocupações, o agapanto aprecia o pleno sol em solo comum drenado, mas não demasiado […]
Os cardos, de um modo geral, são frequentemente associados ao cardo-das-vinhas (Cirsium arvense), uma espécie mais temida do que apreciada. Por esse motivo, são bastante pouco plantados nos jardins. No entanto, os cardos ornamentais são pouco exigentes, fáceis de cultivar e, sobretudo, são incomparáveis para animar um canteiro um pouco plano, e isso mesmo durante o inverno, graças ao grafismo das suas inflorescências que perdura durante longos meses.
Eis, portanto, os nossos cardos preferidos, acompanhados de algumas ideias de associações.
O Echinops ritro, cardo-esférico ou cardo-azul
Rústico e sóbrio como um camelo, este cardo perene distingue-se pela sua floração azul, notável à distância. Apresenta uma folhagem verde com reflexos prateados, espinhosa, de onde se erguem, de julho a setembro, pequenas flores esféricas.
- Cultivo: ao sol em qualquer solo drenante, mesmo pobre ou seco – rusticidade: -20 °C
Os echinops são fáceis de associar, em particular em canteiros de verão onde se misturam plantas perenes e gramíneas. São igualmente perfeitos para compor um belo camaieu de azul, com, por exemplo, o Echinops ritro, o Perovskia Lacey Blue, a Catananche caerulea e o Agastachae Blue Boa.

O Onopordum acanthium, onopordo-dos-árabes
Monumental, o Onopordum acanthium (ou nervosum) é uma planta bienal que ergue, em julho, grandes flores rosa-púrpura a facilmente 2 metros de altura. Estão pousadas sobre uma haste tomentosa, ela própria guarnecida de uma folhagem cinzenta-esbranquiçada armada de espinhos formidáveis. O seu crescimento é simplesmente impressionante, pois contenta-se com muito pouco.
- Cultivo: ao sol em todos os solos, mesmo secos com tendência calcária – rusticidade: -15 °C
Mais do que associado, o Onopordum acanthium é acompanhado. De facto, com a sua grande estatura e a sua silhueta gráfica, rouba facilmente o protagonismo às plantas que o rodeiam. Ainda assim, para o valorizar, não hesite em combiná-lo com a sálvia verticilada Purple Rain, o milefólio Lilac Beauty e o Elymus magellanicus.
Descubra o Onopordon em vídeo com o Olivier.

O Eryngium yuccifolium, um eríngio com folhas de iúca
Simplesmente encantador, este eríngio de origem americana distingue-se tanto pelas suas folhas um pouco cerosas, compridas e de ponta afiada, como pela sua floração. Sustidas em hastes ramificadas, as suas flores aparecem em julho, são numerosas, esféricas e de um belo branco acinzentado. Em canteiro, é uma excelente planta gráfica que forma rapidamente uma touceira de 1,5 metro de altura por 60 centímetros de largura, ideal para introduzir um toque de branco nos canteiros estivais.
- Cultivo: ao sol num solo drenante – rusticidade: -15 °C
O eríngio-yuccifolium é a planta ideal para animar um canteiro um pouco sem graça. A forma das suas flores permite criar contraste com plantas de linhas verticais como os agastaches, as sálvias, os liátris, ou ainda com outras plantas perenes americanas como as equináceas, os helénios ou a bela pimpinela-do-Canadá. Aqui aparece associado à Sanguisorba Red Thunder, à equinácea Hot Summer e ao Liatris spicata.

O Cirsium rivulare Atropurpureum, o cardo ribeirinho
Este cardo, perfeito em solo pesado e húmido, seduz pela sua floração vermelho-púrpura que surge a partir de junho. As suas flores, de cerca de 3 cm de diâmetro, são sustidas em altas hastes ramificadas que podem atingir um metro de altura. Gráfico mas um pouco selvagem, este cardo ribeirinho é uma dádiva para os terrenos encharcados, mas também para os insetos polinizadores, pois as suas flores são melíferas.
- Cultivo: ao sol ou a meia-sombra num solo bastante rico, fresco a húmido – rusticidade: -15 °C
Versátil, este cardo adapta-se a todos os estilos de jardins: moderno, inglês ou natural. Associa-se bem com as astrâncias, as anémonas-do-japão, os astilbes, os Veronicastrums e com todas as gramíneas de solo fresco ou húmido como os carriços, os Deschampsia e as molínias. Pode ainda combiná-lo com a Filipendula ulmaria, o Lythrum salicaria Robert e o Carex elata Aurea.

O Eryngium Jos Eijking®, cardo-azul de flores azuis
O Eryngium Jos Eijking® é um magnífico cardo-azul que brilha pelo seu tom azul-cobalto, mas também pelo grafismo das suas inflorescências cónicas coroadas de brácteas finamente recortadas. A sua altura moderada (70 cm de altura por 30 de largura) é amplamente compensada pela sua cor, que lhe confere uma presença extraordinária e não deixará de atrair todos os olhares no jardim.
- Cultivo: ao sol num solo bem drenado, mesmo seco – rusticidade: -15 °C
Sublime num canteiro onde se declina toda a gama de tons azuis, este eríngio brilhará com ainda mais intensidade se lhe acrescentar um toque de amarelo vivo (com o Crocosmia Buttercup, por exemplo).
Para uma atmosfera mais serena e repousante, aposte no branco com o Gaura lindheimeri, no azul com o Perovskia Blue Spire e realce o conjunto com uma nota de milefólio Red Velvet.

O Berkheya purpurea, cardo africano púrpura
Grandes flores de margaridas malvas com centro púrpura empoleiradas em hastes espinhosas ameaçadoras… eis o Berkheya purpurea! Curiosa, esta planta perene originária da África do Sul é bastante rústica e revela-se particularmente interessante em solo filtrante, não demasiado seco, porém. Apreciamo-la pela sua originalidade, mas sobretudo pelas suas flores de 10 cm de diâmetro e pela sua folhagem cinzenta-prateada e aveludada.
- Cultivo: ao sol num solo bem drenado mas não demasiado seco – rusticidade: -10 °C
Perfeito num jardim de cascalho, o Berkheya associa-se com um grande número de plantas perenes, mas porque não combiná-lo com agapantos (originários, eles também, da África do Sul) como o agapanto Enigma, a bergamota Menthifolia e, para evocar o seu centro escuro, o Pennisetum alopecuroides Black Beauty.

Não é bem um cardo, mas merece também o seu lugar nos nossos jardins: descubra também a bela e gráfica Cardeira ou Estalagem das aves em vídeo!
E no seu jardim, tem "cardos"? Quais são as suas variedades preferidas? Conte-nos
Os cardos, de um modo geral, são frequentemente associados ao cardo-das-vinhas (Cirsium arvense), uma espécie mais temida do que apreciada. Por esse motivo, são bastante pouco plantados nos jardins. No entanto, os cardos ornamentais são pouco exigentes, fáceis de cultivar e, sobretudo, são incomparáveis para animar um canteiro um pouco plano, e isso mesmo durante […]
Quem nunca ouviu falar da borra de café e da sua utilização nas plantas do jardim?
Este produto simples, gratuito, ao alcance de todos, está entre os truques mais populares na internet… esse mundo formidável onde, de dois em dois dias, surge uma nova prática revolucionária ou um segredo de avó (que lhe fornecerá uma curgete de cinco quilos em apenas dezassete minutos ou exterminará todas as lesmas num raio de 3 km). Tudo isto é rapidamente partilhado por toda a comunidade da internet com a máxima "tudo o que está na internet é verdade!" e as raras pessoas com espírito crítico e científico são imediatamente silenciadas pelo espetro da teoria da conspiração.
Ousemos então colocar a questão incómoda: a borra de café no jardim, facto ou mito?
Afinal, já se fala há bastante tempo dos seus benefícios no jardim e seria estranho que, no fim de contas, tudo não passasse de embuste...

A borra de café e as suas múltiplas utilizações no jardim
A borra de café, um bom adubo, rico em azoto, fosfato... e muito mais...
É a primeira coisa que se avança quando se fala dos benefícios da borra de café no jardim: o seu teor em azoto.
A borra de café contém efetivamente entre 2 e 3 % de azoto, o que não é mau, mas trata-se de um azoto que não é diretamente assimilável pelas plantas. A borra de café deve ser compostada para libertar o seu azoto.
Os teores em potássio (0,6%) e em magnésio (0,3%) não são negligenciáveis, bem como os de fósforo (0,05%) e de cobre (0,03%). Estes diferentes elementos são, por sua vez, imediatamente assimiláveis pelas plantas e em teores que podem afastar os riscos de carência.
Em contrapartida, os teores em manganês, zinco, cálcio e ferro são demasiado baixos para serem considerados.
Note-se também que a borra de café contém uma boa quantidade de matéria orgânica, mas uma relação Carbono/Azoto de 24/1. Isto significa que não há azoto suficiente para permitir a decomposição do carbono. Na prática, um aporte de borra de café diretamente no solo terá como consequência que o azoto terá de ser retirado do solo para iniciar a mineralização. Esse azoto deixará assim de estar disponível para as plantas, que ficarão carentes: é a fome de azoto. A decomposição desta matéria orgânica processar-se-á ainda de forma muito lenta.
Em resumo, a borra de café é rica em vários elementos necessários ao crescimento das plantas, mas não mais — e muitas vezes menos — do que um corretivo do solo como o composto bem decomposto, por exemplo. Deve também ser utilizada com moderação para evitar a fome de azoto.
A borra de café, um aliado no combate às "pragas"?
A cafeína que persiste na borra de café possui efetivamente um poder repelente, e até biocida, para os insetos prejudiciais, mas também para os outros artrópodes úteis no jardim e, sobretudo, para as minhocas.
É um repelente bastante eficaz contra as formigas e, por extensão, para evitar posteriormente uma infestação de pulgões. No entanto, colocar borra de café junto a plantas invadidas por pulgões não servirá de nada, pois estes não descem ao solo.
Os moluscos, incluindo as lesmas e os caracóis, não são diretamente sensíveis à borra de café. Podem, quando muito, ser incomodados fisicamente em tempo seco, se rodear as plantas mais frágeis com uma barreira "física" de borra de café. Tal como com a cinza, este método deixa de funcionar com tempo húmido.
Em suma, a ação da borra de café no combate às pragas é fraca e pode ser arriscada. Um aporte em quantidade excessiva pode ter consequências desastrosas para a fauna do jardim e para a pilha de composto. Prudência, portanto...

A borra de café, uma solução para combater as doenças causadas por fungos?
Nenhuma publicação científica conseguiu separar o verdadeiro do falso nesta afirmação. Por enquanto, os resultados dos ensaios em campo não são conclusivos. Mas se for realmente o caso, pode supor-se que a borra de café "não fará diferença" entre os contaminantes fúngicos e a flora benéfica do solo. Mais uma vez, a prudência é aconselhável.
A borra de café, uma vantagem para as plantas de terra ácida?
A borra de café tem um pH à volta de 6-6,5. Poderia supor-se que, uma vez no solo, este se acidificaria para grande satisfação das nossas plantas ditas de "terra de urze".
Na realidade, como qualquer aporte orgânico, observar-se-á uma ligeira acidificação durante a decomposição e a mineralização. Mas o pH subirá em seguida para se aproximar da neutralidade.
Portanto, ilusão total: a borra de café não acidifica o solo.
A borra de café, um inibidor de crescimento?
Estão em curso investigações para determinar se um derivado da borra de café poderá um dia servir como herbicida não seletivo (e sim, mais uma vez...). Pois, de facto, a borra de café pode travar fortemente o crescimento das plantas, chegando mesmo a matar algumas, como é o caso das Solanáceas, como os tomates, as beringelas e até as batatas-inglesas.
Por enquanto, os investigadores não conseguiram demonstrar qual o composto responsável por este poder inibidor, mas já concluíram que não é a cafeína.
A borra de café, um acelerador de composto?
Como vimos anteriormente, em doses elevadas, a borra de café — ou melhor, a cafeína que ainda contém — pode matar as minhocas, nomeadamente as minhocas de composto, tão úteis.
O resultado é então o oposto do esperado. Pensávamos estar a ajudar as minhocas compostadoras ao "estimulá-las" um pouco e, de repente, lá estão elas a morrer. É tudo uma questão de dose... Se pretender mesmo ativar ou acelerar um composto, prefira antes um aporte de folhas de confrei, urtiga ou fetos, ou mesmo um pouco de composto bem decomposto. Será mais seguro...
Em conclusão
Alguns benefícios da borra de café podem ser evidenciados: um aporte de nutrientes, um ligeiro efeito repelente, mas são acompanhados, infelizmente, de demasiados inconvenientes para ser utilizada sem reflexão. Como acontece com todos os corretivos do solo, afinal.
A borra de café não é um produto milagroso, é apenas... borra de café. Não espere, portanto, ver o seu jardim transformar-se de um dia para o outro num paraíso vegetal só porque polvilhou borra de café por todo o lado. Não, disso trata-se a natureza... e o jardineiro.
Quem nunca ouviu falar da borra de café e da sua utilização nas plantas do jardim? Este produto simples, gratuito, ao alcance de todos, está entre os truques mais populares na internet… esse mundo formidável onde, de dois em dois dias, surge uma nova prática revolucionária ou um segredo de avó (que lhe fornecerá uma […]