Resumo
É inegável: o verão já ficou para trás. Os dias são mais curtos, as temperaturas arrefecem, a precipitação aumenta… A natureza veste-se de cores vibrantes e as folhas secas espalham-se pela relva. Quanto a quem trata da horta, é natural procurar o calor reconfortante do interior. No entanto, ainda não é tempo de abandonar a horta. Muito pelo contrário, pois o outono é uma estação de transição no que diz respeito à jardinagem. É, de facto, o momento ideal para cuidar da horta que ofereceu uma profusão de belos legumes durante toda a estação favorável. Uma horta que vai entrar num período de relativo repouso durante o inverno, muito importante. Um período que pode ser aproveitado para preparar da melhor forma as futuras sementeiras, plantações e colheitas.
Descubra os trabalhos pequenos e grandes a realizar na horta para a preparar da melhor forma para o inverno e para a estação de cultivo seguinte.
Colher os últimos legumes e cuidar dos que ficam
Consoante a região onde se encontra e as condições climáticas do momento, a sua horta pode ainda abrigar alguns legumes para colher. Entre os legumes de verão, cultivados em plena terra ou sob abrigo, é provável que ainda restem alguns tomates. Não hesite em colhê-los, mesmo que estejam ainda pouco coloridos ou verdes. Com efeito, embrulhados em papel de jornal e colocados num local relativamente quente, por exemplo no alpendre, os tomates continuam a ganhar cor. Quanto aos tomates verdes, podem ser transformados numa deliciosa compota, cuja receita é partilhada pela Ingrid. Descubra também os conselhos da Virginie T. para saber o que fazer com os tomates verdes?
O outono é também a estação ideal para colher os legumes de raiz (cenouras, beterrabas, nabos, pastinacas…), que podem ser conservados em vala ou em silo e consumidos ao longo de todo o inverno. Do mesmo modo, não hesite em colher o alho, a chalota e a cebola. Explicam-se aqui as diferentes formas de fazer reservas de legumes para o inverno, de os colher e conservar.
Por fim, entre as colheitas indispensáveis do outono, encontram-se as abóboras-gigantes, as abóboras, os potimarrões e semelhantes. Devem ser colhidos antes das primeiras geadas, quando apresentam as suas bonitas cores, estão bem firmes e pesados. Em geral, o pedúnculo encontra-se bastante lenhificado. Certifique-se de que colhe as suas Cucurbitáceas com o pedúnculo. Para saber mais, leia também: Colher e conservar as abóboras-gigantes.

Antes do inverno, ainda há legumes para colher na horta
Outros legumes e pequenos frutos permanecem na terra durante todo o inverno graças à sua rusticidade. Ainda assim, em certas regiões, é essencial protegê-los, não só para ajudá-los a suportar as geadas, mas também para facilitar a colheita. Assim, os alhos-franceses que passam o inverno em plena terra podem, numa primeira fase, ser amontoados com terra e depois protegidos do frio por uma espessa cobertura morta feita de palha ou folhas secas. As cenouras, as beterrabas, as pastinacas e os topinambos que permanecem na terra também podem receber a mesma proteção de inverno. Pense também em proteger as alcachofras. Esta cobertura morta terá também a vantagem de preservar a vida do solo.
Também é possível instalar uma manta de inverno ou um minitúnel para abrigar os legumes sensíveis ao frio.
Leia também
Proteger a alcachofra do frioRetirar os restos da cultura
Agora que os últimos legumes foram colhidos, chegou o momento de limpar a horta! Com efeito, ainda há todos os resíduos das culturas dos diferentes legumes cultivados durante todo o verão. Recomenda-se vivamente conservar estes resíduos em vez de os levar para o ecocentro. Por um lado, poupa-se combustível e, por outro, estes resíduos podem ser muito úteis para a horta. Excetuam-se talvez os que foram afetados por doenças como o míldio. Neste caso, a decisão cabe a cada pessoa, mas não se deve esquecer que são sobretudo as condições climáticas ou de cultivo que favorecem o aparecimento de determinadas doenças, como o míldio, o oídio, a alternariose ou ainda a podridão apical nos tomates.
Existem várias possibilidades para aproveitar estes resíduos vegetais:
- Deixá-los no solo da horta, onde se decomporão durante o inverno
- Incorporá-los no composto
- Utilizá-los como cobertura morta de inverno, misturados com outras coberturas mortas orgânicas e carbonadas.

Os resíduos das culturas podem ser recolhidos, deixados no solo ou transformados em composto
A dica da Pascale: por outro lado, tenho por hábito não arrancar as plantas de leguminosas que já não produzem (feijões, ervilhas, favas…). Prefiro cortá-las rente ao solo, deixando as raízes na terra. Recorde-se que o sistema radicular destas Fabaceae (antigas leguminosas), portador de nodulosidades, tem a capacidade de absorver o azoto atmosférico para o devolver ao solo. Assim, deixo-o decompor-se na terra.
Para saber mais:
Eliminar as ervas daninhas e depois trabalhar o solo
Chegamos a uma das etapas mais importantes da preparação da horta para o inverno. Com efeito, depois de a horta ter sido libertada das últimas colheitas e dos resíduos das culturas, é essencial arejar e reestruturar o solo. As diferentes culturas, mas também o pisoteio ou o escoamento da água da rega, podem ter compactado o solo.
Por isso, o outono é a época ideal para cuidar do solo. Para começar, faça uma boa monda para eliminar as ervas daninhas mais resistentes. Segue-se o trabalho do solo, que depende da natureza da terra, mas também das práticas do jardineiro, mais tradicionais ou mais inspiradas na permacultura. Com efeito, alguns preferem cavar bem o solo, outros preferem não o trabalhar e outros descompactam-no com uma forquilha de duplo cabo®. Se fosse necessário resumir, poderia aconselhar-se a cavar os solos pesados e muito argilosos, pois cavar tem a vantagem de desfazer os torrões e de tornar o solo mais solto. Ao passar, não hesite em soltar as galinhas, que farão um festim com as larvas de escaravelho-maio ou com as larvas-brancas, mesmo que também se deliciem com algumas minhocas pelo caminho. Os solos mais leves, por exemplo os arenosos, não serão necessariamente muito trabalhados, sob o risco de se destruir a estrutura do solo e de se prejudicarem os microrganismos presentes.

Cavar ou não cavar, eis a questão que o jardineiro se coloca no outono!
O compromisso entre os dois métodos consiste em descompactar o solo com uma forquilha de duplo cabo® ou uma forquilha biológica, o que permite arejar a terra nos primeiros 20 a 25 cm sem perturbar a microfauna.
Mais detalhes sobre esta ferramenta de jardinagem: Para que serve uma forquilha biológica? Para cuidar da vida do solo.
Corrigir e fertilizar o solo
Uma vez bem trabalhado o solo, chega o momento de aplicar o corretivo do solo. Os corretivos orgânicos não só melhoram a estrutura do solo, como também alimentam a microfauna através da sua decomposição e enriquecem o solo graças à sua riqueza em nutrientes (azoto, fósforo e potássio). Afinal, é mais importante alimentar o solo do que as plantas da horta!
No outono, recomenda-se, portanto, fazer uma boa aplicação de composto ainda não totalmente decomposto ou de estrume fresco. Estes corretivos orgânicos irão decompor-se ao longo de todo o inverno graças às intempéries e estimular a vida do solo. Basta depositá-los sobre o solo, sem os enterrar: a chuva, a neve e a geada encarregar-se-ão do resto. Na primavera, bastará incorporar o que resta destes corretivos com a forquilha de duplo cabo e o sacho.
No outono, podem espalhar-se todos os tipos de estrume. A escolha depende essencialmente da natureza do solo. Nesta época, também se pode utilizar a liteira do galinheiro. Muito rica em azoto, terá bastante tempo para se decompor durante todo o inverno. Em contrapartida, não deve ser espalhada na primavera, pois pode queimar as plantas.
Para saber mais:
- Quando e como utilizar o estrume?
- O estrume em 10 perguntas e respostas
- Estrume: 10 erros a não cometer

O estrume fresco espalha-se no outono; o estrume compostado ou bem decomposto, na primavera
Não deixar o solo descoberto
O outono é a estação propícia para passear na floresta. O que se vê? Um solo coberto de folhas mortas, muito escuro e rico em húmus. Simplesmente porque na natureza, um solo nunca fica a descoberto, permanecendo sempre coberto de folhas mortas ou de vegetais que se decompõem naturalmente.
Na horta, tenta-se aplicar a mesma regra. Com efeito, se deixar o solo da sua horta a descoberto durante o inverno, corre o risco de o ver compactar-se e sofrer erosão devido às condições meteorológicas adversas. Num solo descoberto, a água escorre à superfície e forma uma crosta de encrostamento que impede a infiltração da água.
Assim, o solo da sua horta deve ser abundantemente protegido com cobertura morta durante o inverno. Esta cobertura morta vai, evidentemente, limitar a erosão do solo e, desse modo, aumentar a sua porosidade. Além disso, a cobertura morta permite ao solo ganhar alguns graus, uma vez que forma uma barreira contra o frio. Do mesmo modo, esta cobertura morta vai decompor-se sob a influência das condições meteorológicas adversas e graças à ação da microfauna (minhocas, insetos, fungos, bactérias…), embora menos ativa, mas não totalmente adormecida. Ao decompor-se, esta cobertura morta vai formar um húmus rico, muito útil ao crescimento dos futuros legumes. Paralelamente, a ação desta microfauna melhora a estrutura do solo.

A cobertura morta é essencial no inverno na horta para não deixar o solo a descoberto
Para proteger o solo da horta com cobertura morta durante o inverno, existem várias possibilidades:
- As folhas mortas apanhadas na relva e, eventualmente, trituradas com o corta-relva
- A palha ou o feno
- As aparas de relva secas
- O material triturado proveniente da poda de arbustos e árvores ou a madeira ramal fragmentada (BRF).
Para não deixar o solo a descoberto, em alguns talhões da horta, é possível semear adubos verdes, como a ervilhaca-de-inverno, a mostarda, a fava, a facélia em associação com o trigo-sarraceno ou o centeio.
Limpar as suas ferramentas e esvaziar os sistemas de rega
O outono é também a estação ideal para cuidar das suas ferramentas de jardinagem, que serão guardadas durante o inverno. Depois de concluídos todos os trabalhos, retire cuidadosamente a terra agarrada às ferramentas e lave-as com água e sabão. Recomenda-se igualmente desinfetá-las com álcool desnaturado antes de as guardar num local seco e arejado.
Na horta, em caso de geada, os sistemas de rega podem ficar danificados se não tiverem sido esvaziados. É, por isso, indispensável esvaziar os tubos e os restantes sistemas, deixar as torneiras abertas e cortar o abastecimento de água, caso seja independente. As pequenas cisternas de recolha de água podem ser esvaziadas nas regiões com clima rigoroso.
Para saber mais: Limpar, cuidar e proteger as suas ferramentas de jardinagem.
Planear e preparar a próxima época
A preparação da sua horta para o inverno terminou; pode agora descansar um pouco no calor. Aproveite este período de pausa para antecipar a primavera:
- Fazer o inventário das suas sementes e encomendar sementes de hortícolas.
- Organizar a sua horta num papel para planear temporal e espacialmente as suas culturas, tendo em conta a rotação de culturas e a associação de culturas.
- Planear as sementeiras precoces e as plantações de inverno que começam logo em janeiro e fazer o inventário do seu material de sementeira.
Para saber mais:
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