« É necessário tutelar sempre as árvores ? » Boa pergunta! Desde tempos imemoriais, a resposta era contudo muito clara: Planta-se uma árvore. Coloca-se-lhe um tutor. Ponto final. No entanto, segundo as últimas investigações, parece que as árvores nem sempre precisam disso. Pior ainda! Alguns afirmam mesmo que as árvores sem tutor se estabelecem melhor do que as suas companheiras com muleta.

As razões são várias, mas as primeiras cabem ao próprio jardineiro...

Atenção durante a tutoragem das suas árvores !

Não se tutela de qualquer maneira, nem com qualquer material! Eis os principais erros a evitar:

  • espeta-se o tutor como um bruto através do torrão ou diretamente nas raízes: quando decidir tutelar uma árvore jovem, evite ferir as raízes. Coloque o tutor bem fora do torrão! O mais simples é colocá-lo, ou colocá-los, antes de plantar a árvore. 
  • utilizam-se atilhos que podem ferir a casca da árvore jovem: utilize apenas materiais naturais, se possível, ou materiais « suaves » para a casca!  Existem sistemas concebidos para esse fim, mas a borracha, como câmaras de ar velhas, é uma excelente solução. Esqueça categoricamente os arames ou outros materiais rígidos e não aperte demasiado! A árvore deve ser sustida mas não estrangulada; não hesite em mover e afrouxar os atilhos durante o crescimento da árvore. 
  • esquece-se de retirar o tutor: pessoalmente, no primeiro ano após a instalação, retirei no meu jardim dezenas de tutores velhos de árvores e arbustos, esquecidos ali há décadas (para piorar, eram uma espécie de velhas barras de ferro enferrujadas atadas com cordel de plástico...). Nunca se esqueça de retirar o tutor no máximo um ano após a sua colocação! Se esperar mais tempo, arrisca-se a ferir as raízes da árvore. 

Uma tutoragem nem sempre bem-vinda

Estudos recentes demonstraram que fixar demasiado solidamente uma árvore pouco depois da plantação pode ser-lhe por vezes prejudicial. Com efeito, as árvores jovens precisam de se mover um pouco ao sabor do vento. Isso permite-lhes desenvolver um sistema radicular muito robusto, com raízes que se ancorem mais profundamente no solo.

Além disso, a árvore desenvolverá um tronco mais grosso e mais resistente aos diversos fatores externos. Este irá também produzir mais ramos desde a sua juventude. Mais uma prova de que a tutoragem não é obrigatória, bem pelo contrário.

Para dispensar a tutoragem, basta plantar bem! Ou seja, assentar bem o torrão ou as raízes no fundo do buraco que tiver cavado e compactar bem a terra em seguida. Se fizer isso, a sua árvore não oscilará demasiado ao sabor do vento e, mesmo que pareça um pouco inclinada no primeiro ano, é muito provável que se endireite mais tarde.

Mas uma tutoragem por vezes necessária

Sejamos honestos: a tutoragem pode revelar-se necessária em circunstâncias particulares :

  • se o terreno apresenta uma inclinação digna da Serra da Estrela ou da Peneda-Gerês: uma boa tutoragem permitirá à árvore crescer direita independentemente do declive. 
  • se o seu jardim é tão varrido pelo vento que até o jardineiro precisa de um tutor
  • se plantar um exemplar de grande porte com um sistema radicular reduzido em relação aos seus ramos, é nomeadamente o caso das árvores apresentadas em raízes nuas. Nesta situação, a sua árvore sem tutor ficará na situação de um boneco com uma cabeça grande e pés pequenos. Cairá à menor brisa! 
  • se a « copa » já está alta num tronco muito (demasiado!) delgado : é um pouco caso a caso, mas por vezes rapidamente se percebe que, se não tutelar a árvore jovem, ela acabará por partir ao meio na primeira rajada de vento (o que por vezes é desejável, se quiser obter uma cepa). Verifique sempre, no momento da compra, se a sua árvore está bem equilibrada.

A palavrinha do Oli: se for paciente, económico ou ambos como eu, pode também optar por árvores muito jovens. São evidentemente menos dispendiosas na compra, mas essa não é a sua única qualidade. Com efeito, a plantação é uma experiência traumatizante para uma árvore, sobretudo se foi arrancada de uma valeta de armazenamento no viveiro. Se a plantação for realizada nos seus primeiros anos, terá mais hipóteses de se recuperar. Além disso, uma árvore jovem não terá o problema do enovelamento das raízes que se pode encontrar nos exemplares criados em contentor. Será também menos sensível às intempéries e estará melhor ancorada no solo. Por fim, é igualmente mais simples plantar e transportar um exemplar jovem de um ano do que um exemplar de grande porte de cinco anos. Em definitivo, pensa-se ganhar tempo ao plantar árvores já imponentes, mas as árvores jovens plantadas ao mesmo tempo depressa alcançarão as suas irmãs mais velhas em tamanho e envergadura, sendo ao mesmo tempo menos exigentes ao pegar.

Para ir mais longe

Encontre os conselhos do Oli, ou melhor, o seu artigo para falhar a plantação das suas árvores em 5 lições.

« É necessário tutelar sempre as árvores ? » Boa pergunta! Desde tempos imemoriais, a resposta era contudo muito clara: Planta-se uma árvore. Coloca-se-lhe um tutor. Ponto final. No entanto, segundo as últimas investigações, parece que as árvores nem sempre precisam disso. Pior ainda! Alguns afirmam mesmo que as árvores sem tutor se estabelecem melhor do que […]

A sua roseira de flores vermelhas começa a florescer a branco ou a rosa e pensa que está a degenerar? Vamos investigar juntos para resolver este mistério e encontrar a origem deste estranho fenómeno! Com um pouco de observação, veremos que se trata afinal de uma questão de porta-enxerto, de « ladrões » e que uma simples poda deverá resolver o problema.

Porquê estas flores estranhas?
Que tipos de roseiras degeneram?

Apenas as roseiras enxertadas são afetadas pela degenerescência!

Com efeito, enxerta-se, quando necessário, uma variedade de roseira conhecida e apreciada pelas suas flores (é o garfo de enxerto) sobre uma roseira botânica, apreciada pelo seu vigor, pela sua resistência às doenças ou pela sua adaptação ao solo (é o porta-enxerto). Os rosicultores que multiplicam estas roseiras utilizam diferentes porta-enxertos: Rosa multiflora, Rosa laxa e Rosa canina são os mais utilizados. São as flores da roseira brava do porta-enxerto, brancas ou ligeiramente rosadas, que está a confundir com uma degenerescência.

roseira enxertada

Como identificar esta parte degenerada?

Na base da sua roseira, um pouco acima do solo se não tiver sido enterrada, encontra-se o ponto de enxerto, que se assemelha a um calo formado no caule. Foi daqui que partiram os primeiros ramos da sua roseira de belas flores vermelhas! Mas, entretanto, não a viu crescer todos os dias e, para a castigar, a matreira acabou por produzir rebentos abaixo do ponto de enxerto...

Chamam-se « ladrões » porque consomem muita seiva, que vão buscar diretamente à fonte, nas raízes. São, portanto, os rebentos do porta-enxerto selvagem que se desenvolveram, e com grande vigor! Poderá observar que a cor dos caules é diferente da da sua variedade de roseira preferida, geralmente de um verde mais claro. O mesmo se passa com as folhas, e nem vale a pena falar nas flores...

O aparecimento destes ladrões é favorecido por uma cava profunda que, ao ferir as raízes do porta-enxerto, o estimula a ativar os seus gomos dormente. Por isso, é preferível não remexer demasiado o solo em redor das roseiras e contentar-se com sachas superficiais.

ladrão na roseira

Atenção: no caso de uma roseira enxertada, fala-se de "ladrão" e não de "rebento"! Com efeito, este último resulta de um fenómeno natural que não enfraquece a planta. Uma roseira pode criar rebentos, claro, mas nesse caso não era enxertada, a menos que tenha enterrado o porta-enxerto e a roseira se tenha libertado dele.

Como recuperar a minha bela roseira transformada em roseira brava?

Para eliminar este fenómeno, basta cortar rente os rebentos aéreos deste porta-enxerto selvagem, até ao calo do ponto de enxerto, ou desenterrar e arrancar pela base o ladrão que cresceu numa raiz principal, para evitar que reapareça. Se se limitar a cortá-lo, o ladrão vai fortalecer-se e acabará por sufocar a variedade.

Não esqueçamos o caso particular da roseira em tronco ou chorona, na qual também podem surgir ladrões ao longo do caule principal, abaixo do ponto de enxerto, que se encontra em altura. Será necessário, naturalmente, eliminá-los.

Se restarem ramos sãos da boa variedade acima do porta-enxerto, a sua roseira acabará por recuperar. Convém manter-se vigilante e verificar que nenhum ladrão aparece. Aproveite os períodos de poda, de monda ou de colheita de flores de corte para observar tudo isso. Com um pouco de prática, aprenderá rapidamente a identificar os ladrões e nada lhe escapará!

A sua roseira de flores vermelhas começa a florescer a branco ou a rosa e pensa que está a degenerar? Vamos investigar juntos para resolver este mistério e encontrar a origem deste estranho fenómeno! Com um pouco de observação, veremos que se trata afinal de uma questão de porta-enxerto, de « ladrões » e que uma simples […]

Uma amiga parisiense, também ela famosa cronista de jardim (e apesar de tudo excelente jardineira, o que faz duas diferenças importantes entre nós), dizia-me recentemente: «é uma frustração, não consigo manter a alfazema…».

Foi, é preciso dizê-lo, um imenso alívio para mim: não era o único a carregar este vergonhoso segredo: falhar, de forma repetida, com uma das plantas consideradas mais fáceis no jardim, a alfazema.

Foi isso que me decidiu a fazer um coming out público, e a partilhar com os jardineiros ávidos de novas experiências este conhecimento específico: como estragar uma alfazema em 5 lições!

Alfazema

Claro que nem todos estão em pé de igualdade: quem tiver, como eu, a sorte de viver num clima frio e chuvoso com terra pesada terá muito mais facilidade em estragar bem uma alfazema do que quem tem o azar de viver ao sol do Alentejo.

Mas seguindo com atenção estes simples e práticos conselhos, acessíveis a todos, tenho a certeza de que muitos conseguirão também matar as suas alfazemas.

Lição n.° 1: para matar a alfazema, sufoque-a!

A alfazema vem do Sul, aprecia os solos do Sul, pedregosos e drenantes. Detesta os solos pesados, que fazem apodrecer as suas raízes no inverno, razão pela qual os bons jardineiros preferem uma plantação na primavera em vez de no outono.

Pode ser plantada em terreno pesado, mas isso exige um trabalho de drenagem: cova de plantação grande, de pelo menos duas vezes o tamanho do vaso, com adição de brita, areia de rio e, se necessário, turfa.

Portanto, para estragar a sua alfazema, plante-a na época errada (entre novembro e fevereiro, por exemplo) numa argila pesada que não terá aliviado nem descompactado, de preferência numa cova de plantação demasiado pequena (se necessário, dê alguns calcanhares raivosos para que entre);

É um método muito fiável para estragar a alfazema, que pratiquei bastante nas nossas terras de batata do Norte.

Uma variante bastante perversa deste método consiste em colocar as suas alfazemas na situação de gladiadores dos jogos do circo: plante alfazemas muito juntas, digamos a 15 cm umas das outras: farão sombra umas às outras e, à força de se baterem, enfraquecer-se-ão mutuamente, e pelo menos alguns pés acabarão por morrer, os outros escurecerão, o que produz um efeito verdadeiramente notável.

Lição n.° 2: para estragar a alfazema, afogue-a!

A alfazema não aprecia os excessos repetidos de rega: é uma planta de clima mediterrânico.

Para matar a alfazema, regue abundantemente, não só após a plantação (o que ela aprecia, como todas as plantas), mas também ao longo da sua (curta) vida: desaparecerá logo no primeiro inverno. Para acelerar a sentença de morte, forme uma bacia de rega que manterá o torrão húmido durante a estação sombria — sucesso garantido!

Lição n.° 3: para estragar a alfazema, ponha-a à sombra

A alfazema adora o sol… À sombra, estioliza-se, alonga tristemente os seus ramos à procura de luz, não floresce, ou floresce pouco, e morre rapidamente.

Ao plantar à sombra (uma sombra intensa mesmo, pois aceita razoavelmente bem florescer com sombra ligeira) chegará sensivelmente ao mesmo resultado que com a lição anterior. Pode aliás combinar as lições 1, 2 e 3 para um resultado ainda melhor.

Lição n.° 4: para estragar a alfazema, farture-a!

Habituada a solos pobres, a alfazema comporta-se muito mal em meios ricos: come demais, cresce, cresce… E muito rapidamente desmorona-se lamentavelmente, deixando um feio buraco negro ao centro.

Este método menos conhecido é particularmente recomendado às almas sensíveis; permite estragar a alfazema (e muitas outras coisas) com toda a boa consciência, por excesso de cuidado: plante-a num substrato rico, generosamente melhorado com composto, complementado por uma sobredosagem regular de adubo, de preferência químico: talvez não a mate, mas dar-lhe-á com toda a certeza um aspeto bastante monstruoso de Tchernobyl vegetal.

Regra geral, basta plantar mal para falhar. No entanto, por segurança, caso a sua alfazema demonstre resistência, eis um conselho de manutenção:

Lição n.° 5: para estragar a alfazema, pode-a regularmente à «para»

Como a quase totalidade das plantas de folhagem persistente, a alfazema não gosta de uma poda demasiado severa nem demasiado curta.

Claro que se pode cortar sem problema uma vez por ano as hastes de flores secas (e fazer com elas bonitos ramos de flores perfumados), ou alguns ramos jovens demasiado exuberantes. Mas não se deve podar a madeira: nunca rebenta na madeira velha!

alfazema seca

Portanto para estragar a alfazema, pode-a sem piedade e o mais curto possível: no mínimo ficará consideravelmente feia e não conseguirá florescer corretamente; no pior dos casos, matá-la-á. Note-se que mesmo em pleno Alentejo este método funciona bem.

Pequeno bónus para quem teve a coragem de ler tudo, com um método de preguiçoso que recomendo particularmente pela sua simplicidade: também se pode estragar a alfazema em vaso. Para isso, basta plantar num vasinho pequeno (digamos menos de 20 cm) e não regar. Certo é que a alfazema não gosta dos excessos de rega, mas não é um cacto: precisa de água, que vai buscar graças a um sistema radicular profundo. Por essa razão, instala-se mal em vasinhos pequenos (e detesta acima de tudo ser deslocada).

Pode portanto estragá-la guardando-a simplesmente no minúsculo vasinho onde se encontrava quando a comprou, contentando-se em esquecer as regas!

Por fim, e para consolar os menos habilidosos que, mesmo seguindo estes sábios conselhos, mantêm uma bela alfazema perfumada no jardim: mesmo em boas condições de cultura — sol, terreno drenante, rega moderada — a alfazema não envelhece muito bem. Raramente ultrapassa os 10 anos, sobretudo nos nossos jardins do Norte, e geralmente torna-se bastante pouco atrativa após 5 anos: provavelmente terá portanto a oportunidade de a ver morrer um dia!

Descubra tudo o que precisa de saber sobre a alfazema para escolher bem, conseguir cultivá-la, fazer estacas ou ainda secá-la.

Uma amiga parisiense, também ela famosa cronista de jardim (e apesar de tudo excelente jardineira, o que faz duas diferenças importantes entre nós), dizia-me recentemente: «é uma frustração, não consigo manter a alfazema…». Foi, é preciso dizê-lo, um imenso alívio para mim: não era o único a carregar este vergonhoso segredo: falhar, de forma repetida, […]

No meu jardim, não tenho a terra adequada para cultivar as urzes de inverno. No entanto, as pequenas abelhas do jardim e eu gostamos muito delas, tanto pelos seus delicados sininhos melíferos na má estação, como pela sua folhagem persistente e decorativa durante todo o ano. Seja como for, cultivo-as em vasos e funciona muito bem. Aliás, as minhas urzes estão em flor neste momento, venha ver!

Uma urze com folhagem dourada no verão: Erica x darleyensis 'Eva Gold'

Esta urze tem um porte compacto, assim como belos e numerosos sininhos magenta. Mas o que a torna original é a sua soberba folhagem dourada no verão. O que me permite criar um patchwork de cores apenas com folhagens.

Uma urze branca: Erica x darleyensis 'Silberschmelze'

Concordamos, o nome não é dos mais fáceis, mas a sua floração luminosa, branco puro, deixa-me literalmente rendida. A sua folhagem também não fica atrás, pois muda igualmente de tom, passando do verde claro ao verde escuro para terminar a avermelhar sob o efeito do frio.

Uma urze rosa lilás: Erica x darleyensis 'Darley Dale'

Também não resisti a esta variedade com os seus encantadores sininhos rosa lilás sobre uma bela folhagem verde escura. Trata-se de uma variedade antiga, que já provou o seu valor. Forma uma almofada florida, densa e compacta.

Uma urze incontornável: Erica x darleyensis 'Kramer's Rote'

Esta variedade é uma das mais apreciadas, e com razão: é vigorosa, muito floribunda, bem compacta e particularmente adaptável. Adoro as suas pequenas flores rosa escuro vibrantes sobre a sua folhagem escura, que se matiza de bronze com a intensidade do frio.

Uma urze alpina: Erica carnea 'Golden Starlet'

Termino com uma urze-de-inverno que oferece uma profusão de pequenos sininhos brancos sobre uma folhagem dourada muito luminosa no outono/inverno. Está apenas a começar a mostrar alguns sininhos, mas mostro-a na mesma, senão vai ficar de mal comigo!

Como plantar uma urze em vaso?

Como dizia, a urze adapta-se muito bem ao cultivo em vaso. Precisam de um substrato muito drenante. Para isso, coloquei alguns cacos e uma camada de bolas de argila no fundo dos vasos. Depois, utilizei simplesmente um bom substrato hortícola no qual instalei as minhas urzes. Em termos de manutenção, dou uma tesoirada após a floração e não esqueço de as proteger do calor intenso no verão. De crescimento bastante lento, podem ficar alguns anos nos seus vasos sem problema. Na minha opinião, o adubo é supérfluo, pois as urzes gostam de solos bastante pobres. Mudá-las-ei simplesmente para vasos um pouco maiores quando me parecerem demasiado apertadas.

Para saber tudo sobre o cultivo das urzes, consulte a nossa ficha: Urze: plantar, podar e cuidar.

No meu jardim, não tenho a terra adequada para cultivar as urzes de inverno. No entanto, as pequenas abelhas do jardim e eu gostamos muito delas, tanto pelos seus delicados sininhos melíferos na má estação, como pela sua folhagem persistente e decorativa durante todo o ano. Seja como for, cultivo-as em vasos e funciona muito […]

Plantar árvores para combater o aquecimento global pode parecer uma solução muito simples. Ainda bem, porque é mesmo!

Numa época em que se abate mais do que se planta, todas as árvores que conseguir plantar no seu jardim revelar-se-ão benéficas por várias razões. 

Uma das causas do aquecimento global é a emissão excessiva de dióxido de carbono (CO₂), pelo que a solução mais evidente será plantar árvores, uma vez que absorvem esse CO₂. 

Porquê plantar árvores? 

Os vegetais em geral, mas as árvores em particular, têm uma capacidade de absorção de CO₂ extraordinária. É um resultado simples da fotossíntese. A árvore absorve o CO₂ do ar e transforma-o em carbono e oxigénio. O oxigénio é libertado para o ar, para nosso grande benefício, enquanto o carbono é armazenado e libertado progressivamente. As florestas representam assim o segundo reservatório de carbono a seguir aos oceanos. 

Mas não é só isso: as árvores são também úteis na:

  • regulação da temperatura e da higrometria: são verdadeiros climatizadores vivos;
  • filtragem do vento e das poeiras, melhorando assim a qualidade do ar; 
  • fixação de certos poluentes como pesticidas ou metais pesados; 
  • melhoria do solo, trazendo-lhe biomassa (madeira, folhas...) e combatendo a erosão. 
alterações climáticas - plantar árvores

Que árvores plantar para combater o aquecimento global? 

1) Árvores autóctones, antes de mais

Há duas grandes vantagens em plantar espécies autóctones: 

  • estão perfeitamente adaptadas ao clima e ao solo
  • alimentam e fornecem abrigo à fauna local

A lista de árvores autóctones é longa, mas eis alguns exemplos:

  • Para o Norte: Bordo-da-noruega, Amieiro, Bétula-pubescente, Carpa, Cerejeira-cornalina, Freixo-europeu, Azevinho, Choupo-tremedor, Ulmeiro...
  • Para o Sul: Medronheiro, Zêlha, Amieiro-italiano, Castanheiro, Oliveira, Azinheira... 
  • Para a montanha: Ostria, Ulmeiro-de-montanha, Pinheiro-das-montanhas... 
  • Para o Litoral: Tamargueira-de-França, Espinheiro-marítimo, Oliveira-da-Rússia, Pinheiro-bravo, Bordo-comum... 
alterações climáticas - plantar árvores
Alguns exemplos de árvores autóctones: Pinheiro, Espinheiro-marítimo, Medronheiro e Bordo-da-noruega

2) Autóctones, sim, mas não só... 

Algumas espécies autóctones sofrem com as alterações climáticas, enquanto outras mais exóticas ou originárias do Sul parecem ganhar terreno no Norte. Assim, os pinheiros, independentemente da espécie, sofrem com os ataques repetidos das lagartas da processionária do pinheiro. Já a faia, as píceas e mesmo o abeto pectinado já não suportam os nossos verões demasiado quentes e secos. Todas estas árvores tornaram-se também menos resistentes às doenças. 

Em contrapartida, algumas árvores veem a sua área de distribuição original deslocar-se. Nada de surpreendente: sempre foi assim! As plantas crescem onde melhor se adaptam. É por isso que existem problemas com certas plantas exóticas invasoras que acabam por se revelar mais adaptadas do que as autóctones em certos meios naturais. Ou o facto de as florestas de carvalhos estarem a recuperar terreno face às florestas de faias, tal como acontecia... há apenas dois mil anos. 

Alguns exemplos de árvores que se adaptaram às alterações climáticas

  • A Azinheira - Quercus ilex: outrora confinada ao clima mediterrânico, tem tendência para subir mais a norte. Hoje em dia vive muito bem no litoral atlântico até à Bretanha e continuará a progredir em direção ao centro. 
  • O Carvalho-da-Turquia - Quercus cerris: anteriormente presente apenas no sudeste do país, está agora a deslocar-se claramente para norte, chegando mesmo a ser encontrado até à Bélgica... 
  • O Carvalho pubescente - Quercus pubescens: uma espécie particularmente adaptada à seca, que tem dado cartas nos últimos anos. 
  • A Zêlha - Acer monspessulanum: frequentemente associada na natureza à azinheira, segue a mesma tendência, progredindo até à Vendeia. 
  • O Freixo-do-maná - Fraxinus ornus: primo do freixo-europeu mas bem menos sensível à calariose, vai abandonando a Córsega e os Alpes Marítimos para subir mais a norte. 
  • O Saboeiro - Koelreuteria paniculata: originário da China e da Coreia, esta árvore revela-se perfeitamente resistente à seca e à poluição urbana.
  • O Pinheiro-bravo - Pinus pinaster: presente inicialmente no litoral mediterrânico e atlântico, prossegue a sua expansão em direção ao Oeste e ao Norte.
  • A Acácia-bastarda - Robinia pseudoacacia: esta árvore exótica está a tornar-se, aos poucos, a "rainha da floresta". Resiste ao calor, à seca, às inundações e adapta-se a solos pobres, pois tem a capacidade de fixar o azoto. Vai assim ocupando progressivamente o lugar das outras espécies arbóreas. 

Para informação: o Serviço Nacional de Florestas está neste momento a realizar ensaios de plantação de Abeto de Bornmüller (Abies bornmuelleriana) em floresta, uma espécie mais adaptada à seca do que o abeto pectinado. Enquanto isso, na Bélgica, estão a ser realizados ensaios em floresta com carvalhos-da-Turquia e carvalhos pubescentes e mesmo... pinheiros da Córsega. 

alterações climáticas - plantar árvores
Alguns exemplos de árvores que se adaptaram às alterações climáticas: a Azinheira, o Saboeiro, o Freixo-do-maná, a Zêlha e a Acácia-bastarda

Características gerais das árvores resistentes às alterações climáticas 

As árvores com resistência natural à seca e às temperaturas elevadas no verão apresentam frequentemente características comuns: 

  • Folhas pequenas e numerosas: quanto maior a folha, mais água se evapora. As folhas pequenas são, portanto, o resultado de uma adaptação à seca;
  • Uma folhagem cerosa e/ou aveludada: se a folha for espessa ou coberta de pequenos pelos, reterá a água de forma mais eficaz;
  • Convém também verificar a região de origem da árvore: se for originária da taiga escandinava, há fortes probabilidades de sofrer no verão... A contrario, as espécies mediterrânicas e do centro da Europa serão particularmente adaptadas.  

Em conclusão 

Face às alterações climáticas que se têm acelerado nas últimas décadas, será necessário rever as nossas escolhas relativamente às espécies autóctones adaptadas a cada região. Algumas, cuja sobrevivência depende de humidade e de estações marcadas, vão desaparecer em favor de espécies menos exigentes em água e que não necessitam de invernos rigorosos. De qualquer forma, a plantação de árvores será sempre benéfica, desde que se escolham espécies sem problemas de adaptação e capazes de prosperar de forma otimizada sem demasiados cuidados. Portanto, em conclusão: plantemos árvores! 

Para saber mais 

Alguns investigadores têm dúvidas sobre a eficácia da plantação de árvores para combater o aquecimento global. Na realidade, o que questionam é sobretudo o facto de o CO₂ ser o único responsável pelo aquecimento, bem como a necessidade (segundo eles) de mais superfícies agrícolas para alimentar a população. O ideal seria também, e sobretudo, parar a desflorestação em vez de plantar algumas árvores aqui e ali. Se quiser saber mais e formar a sua própria opinião sobre o assunto, leia este artigo: As florestas: solução para a crise climática?

E se ainda não viu, conheça os principais resultados do nosso inquérito sobre as alterações climáticas e a jardinagem

Plantar árvores para combater o aquecimento global pode parecer uma solução muito simples. Ainda bem, porque é mesmo! Numa época em que se abate mais do que se planta, todas as árvores que conseguir plantar no seu jardim revelar-se-ão benéficas por várias razões.  Uma das causas do aquecimento global é a emissão excessiva de dióxido […]

Se há uma planta que é alvo de inúmeras ideias preconcebidas, essa é a hera trepadeira ou Hedera helix. Tudo parece ter começado com Plínio, o Velho, no primeiro século depois de Jean-Claude, que não via nesta encantadora trepadeira senão uma destruidora de muros e de árvores, chegando ao ponto de a qualificar de «carrasco das árvores».

Devia estar, sem qualquer dúvida, de mau humor no dia em que escreveu estas asneiras... porque, garanto-lhes, a hera, esta bela planta trepadeira autóctone, não merece essa ira, essa rejeição categórica.

Juntos, vamos então deitar por terra 5 ideias preconcebidas sobre a hera!

1) A hera é uma planta parasita que mata as árvores

A única noção que não é falsa nesta frase, que se ouve e se lê por toda a parte, é: «a hera é uma planta».

Não é um parasita, servindo a árvore apenas de suporte. A hera não vai «absorver» nutrientes da árvore, pois os seus ganchos servem apenas para se fixar. Tem as suas próprias raízes e realiza a sua própria fotossíntese. Não tem, portanto, qualquer necessidade de parasitar seja quem for para sobreviver.

E a hera não mata as suas árvores!

Quando animo saídas para a natureza, assim que passamos sob velhas árvores pitorescas, afirmam-me muitas vezes: «sim, mas a minha árvore morreu logo após ter sido invadida por esta praga de hera!».
Respondo então: «a hera usou a sua árvore apenas como suporte porque esta já não crescia em largura, pois estava em fim de vida ou, pelo menos, bastante envelhecida.»
Na realidade, a hera vive muitos anos, às vezes várias centenas de anos, pelo que sobrevive frequentemente à morte do seu suporte. É por isso que as pessoas pensam que a hera matou a árvore, quando na verdade a árvore acabou por morrer de morte natural e a hera lhe sobreviveu.

hedera

A hera protege o tronco do gelo, de uma humidade excessiva e até de alguns animais que roem a casca, como os corços. Alguns compostos produzidos pela hera possuem mesmo propriedades fungicidas, o que permite reduzir o risco de doenças fúngicas para a árvore. Além disso, a hera floresce numa altura diferente da do seu suporte: não há, portanto, concorrência ao nível da polinização. As folhas da hera caem e enriquecem o solo numa altura diferente da da folhagem da árvore suporte, o que representa mais um benefício para esta última. A hera também não vai «roubar o sol» à árvore, pois cresce apenas no tronco principal e em alguns ramos mais grossos. Em suma, não se trata de parasitismo, mas sim de mutualismo, pois ambas as partes saem beneficiadas.

Sabia que a hera continua a crescer após a morte da árvore? Embora esta combinação reúna dois habitats extremamente ricos em biodiversidade — hera e madeira morta em pé —, pode tornar-se uma fonte de perigo, pois a hera oferece resistência ao vento enquanto a madeira morta pode partir a qualquer momento. Cabe a cada um avaliar se tal associação merece ser mantida no jardim ou se convém reduzir o conjunto.

2) A hera devora as casas

Não. A hera não danifica muros em bom estado. E mesmo nos muros em mau estado, o que fará é degradar um pouco mais as juntas. Mas, acima de tudo, oferece uma proteção física contra a humidade e saneará a base dos muros. Proporciona um isolamento térmico durante o inverno, mas também durante o verão, que não é desprezível, na ordem de dois a três graus ganhos (ou perdidos) para os nossos interiores.

Duas ressalvas, no entanto: não deixe a hera trepar demasiado até às telhas. Estas poderiam ser deslocadas por ramos que passassem por baixo delas. Atenção também a muros de terra crua, pois a hera pode confundi-los com terra «verdadeira» e deixar crescer as suas raízes no interior.

hedera

3) A hera atrai aranhas

E daí? Sabia que também atrai uma grande quantidade de insetos, nomeadamente os últimos insetos polinizadores da estação, pois a hera é uma das últimas a florescer, por volta de outubro, tanto na natureza como no jardim? Os insetos associados à hera ou que dela dependem são extremamente numerosos: abelhas silvestres, himenópteros, sirfídeos, moscas, cetónias e até borboletas. A borboleta-limão, uma espécie em forte declínio, aprecia hibernar no interior da hera, e não é a única. Não admira, portanto, que as aranhas estejam também muito presentes...

A hera fornece ainda abrigo e alimento a muitas aves: pardais, melros, chapins, tordos... As bagas são particularmente ricas em lípidos e ajudam as aves frugívoras e omnívoras a sobreviver no inverno. A hera serve também para a nidificação da carriça e dos estrelinhos, e de dormitório para algumas aves de rapina como o bufo-pequeno ou a coruja-do-mato.

hedera melífera

A hera permite ainda alimentar alguns mamíferos, como o leirão, a marta, o moscardino, e até... abrigar alguns morcegos.

Retirar a hera é suprimir um verdadeiro ecossistema inteiro!

4) A hera é triste

Não. Ou então não temos a mesma definição de tristeza... A hera, como vimos acima, está repleta de vida, mas é também uma planta que se mantém atrativa durante todo o ano graças à sua folhagem persistente. A hera é alegre porque existem variedades soberbiamente coloridas: variegadas de creme, branco ou amarelo, ou com folhagem mais ou menos recortada. Pode ser utilizada como cobertura vegetal, em topiária, para disfarçar elementos pouco estéticos ou uma rede metálica... A hera tem mil e uma utilizações no jardim.

hedera

5) A hera não serve para nada

Ora bem... Para além de tudo o que já falámos, a hera serve para muitas coisas:

  • Protege o solo na floresta ou no jardim, criando uma cobertura que mantém a humidade e uma certa frescura. Contribui assim para reduzir a erosão dos solos e para proteger a fauna do solo.
  • É uma planta medicinal conhecida desde tempos imemoriais: antitússica, antiespasmódica, purgativa e utilizada em pomadas anticielulite. Atenção, no entanto, a não ingerir as bagas, que são tóxicas.
  • A hera é capaz de depurar o ar, nomeadamente ao captar poeiras e outras partículas de grande dimensão.
  • É até possível fazer detergente para lavar a roupa graças às saponinas que as folhas contêm.
  • ...ou coroas para enfeitar as cabeças dos mais pequenos.
hedera

Conclusão

A hera é, portanto, muito mais do que uma simples trepadeira. Possui uma enorme quantidade de atrativos estéticos e ecológicos. Pode ser plantada como cobertura vegetal, para disfarçar elementos pouco estéticos, ou para animar um muro. Revela-se uma planta à prova de tudo, cresce rapidamente mesmo nos locais mais sombrios, e propaga-se por estacaria com a maior facilidade. Em suma, deixe a sua hera crescer, ou melhor ainda, plante uma! Símbolo de longevidade entre os celtas, é certo que a hera lhe sobreviverá...

Descubra também a nossa ficha completa sobre a hera!

Se há uma planta que é alvo de inúmeras ideias preconcebidas, essa é a hera trepadeira ou Hedera helix. Tudo parece ter começado com Plínio, o Velho, no primeiro século depois de Jean-Claude, que não via nesta encantadora trepadeira senão uma destruidora de muros e de árvores, chegando ao ponto de a qualificar de «carrasco […]

Os alhos-ornamentais estão na moda e causam sensação em todo o lado onde exibem a sua floração decorativa, ora provocante, ora mais discreta... Não saberia dizer de que lado o coração pende. Seja como for, não conseguiria prescindir dos alhos-ornamentais no jardim, tornaram-se-me indispensáveis.

Descubra 5 excelentes razões para plantar alhos-ornamentais no seu jardim ou em vaso!

Os alhos-ornamentais florescem no final da primavera

O que aprecio particularmente nos alhos-ornamentais é que a maioria floresce em maio-junho, uma época em que o jardim ainda não está muito exuberante. As suas belas esferas continuam a ser decorativas depois de murchas, prolongando o seu interesse durante vários meses! No meu jardim, acompanham as primeiras rosas e asseguram com brilhantismo a ligação entre as bolbosas de primavera e as plantas perenes estivais.

Diferentes tipos de alhos-ornamentais

São plantas sem preocupações

Os alhos-ornamentais são plantas rústicas que se contentam com pouco! Basta respeitar a exposição em função das espécies, plantá-los numa terra leve e, sobretudo, com uma drenagem perfeita; condição sine qua non para que regressem fielmente todos os anos! Além disso, os ratos-do-campo não lhes tocam, nem de perto nem de longe. Acrescentaria que se obtém um belo resultado logo no ano seguinte à sua plantação, o que agrada ao olhar rapidamente.

Existe pelo menos uma variedade para cada zona do jardim

Certamente já conhece os alhos-ornamentais mais espetaculares, os que se adornam com grandes umbelas esféricas (lilás, cor-de-rosa, brancas, púrpuras e até amarelas) empoleiradas em hastes altas. No entanto, a família dos alhos-ornamentais é muito mais diversificada! Alguns revelam claramente o seu gosto pelo grandioso, com bolas de um diâmetro que não tem rival, enquanto outros preferem jogar na discrição, e outros ainda se enfeitam com elegantes sinetas pendentes. Sem esquecer os alhos-ornamentais mais pequenos, que se adaptam muito bem à cultura em vaso. O que permite convidá-los tanto num canteiro, numa bordadura, num jardim rochoso, como num terraço ou numa varanda.

alhos-ornamentais
Os alhos-ornamentais em várias situações: num canteiro naturalista, em sub-bosque, em vaso ou em massa num jardim inglês

São perfeitos num jardim moderno, mas não só…

Indispensáveis nos jardins contemporâneos, são muito versáteis e adaptam-se em todo o lado. E acho que merecem o seu lugar em todos os estilos de jardim. Gosto de os utilizar para compor cenas gráficas e coloridas de grande impacto, para dar caráter a um canteiro um pouco plano, para criar um canteiro romântico com tulipas ou rosas, ou ainda para trazer fantasia no meio de gramíneas.

São também flores ideais em ramo!

Os alhos-ornamentais são também excelentes flores de corte e prestam-se muito bem à confeção de ramos de flores, sejam modernos, campestres ou secos. Têm uma excelente durabilidade em vaso e ficam lindos com tulipas, rosas, mosquitinho e muito mais.

ramo de flores com alhos-ornamentais
Os alhos-ornamentais fazem ramos de flores muito bonitos

Então, mãos ao plantador!

Os alhos-ornamentais estão na moda e causam sensação em todo o lado onde exibem a sua floração decorativa, ora provocante, ora mais discreta… Não saberia dizer de que lado o coração pende. Seja como for, não conseguiria prescindir dos alhos-ornamentais no jardim, tornaram-se-me indispensáveis. Descubra 5 excelentes razões para plantar alhos-ornamentais no seu jardim ou […]

Talvez já tenha reparado neste verão, mas com os dias quentes, os naturalistas fizeram um pequeno regresso, sobretudo nas redes sociais... E, como todos os anos, uma certa categoria de entre eles levantou a voz contra uma planta exótica. Este ano, é a budleia, chamada «arbusto-das-borboletas», que é particularmente alvo da sua fúria. Invasiva? Perigosa para as borboletas?

O debate é simples, clássico, mas eficaz:

« Vocês não são mais do que uns vilões que matam a natureza! » (os botânicos aos horticultores)
« Nem pense nisso! » (os horticultores aos botânicos)

Bem-vindo ao recreio! E aqui estou eu, bem no meio, a tentar acalmar as tropas dos dois lados.

O debate sobre o arbusto-das-borboletas, em pormenor

Ouvem-se, leem-se e veem-se cada vez mais artigos, publicações no Facebook ou reportagens televisivas cujo tema é: « As budleias matam as borboletas, porque o néctar contém cafeína. » Estas publicações têm, em geral, todas a mesma particularidade: tratam a informação de forma superficial e não aprofundam as coisas, sem citar, evidentemente, qualquer fonte…

No estado atual dos nossos conhecimentos, parece que o néctar das flores de budleia conteria uma substância próxima da cafeína que atrairia irremediavelmente as borboletas, que poderiam acabar por se esgotar e, por fim, morrer.

Tive o cuidado de escrever esta frase no condicional. Com efeito, há quase vinte anos que ouço tudo sobre esta planta. A maioria dos factos (que apresentarei mais abaixo) está comprovada, enquanto um ponto permanece eternamente sujeito a debate: essa famosa toxicidade das flores que tem como impacto «drogar» as borboletas.

Curiosamente, quando se fala desta eventual toxicidade das flores da budleia, ninguém menciona qualquer publicação científica séria. Note-se como isto é irónico…

buddleja, arbusto-das-borboletas

Os factos cientificamente comprovados 

  • O Buddleia davidii, a espécie-tipo, é uma planta invasiva, uma EEE — Espécie Exógena Envahissante Invasora. Vai sê-lo preferencialmente em locais perturbados pelo Homem, pois trata-se de um arbusto que aprecia solos pobres, pedregosos e ligeiramente revolvidos (é originário das montanhas áridas da China): escombreiras, bordos de linhas de caminho de ferro, terrenos industriais incultos, antigos parques de estacionamento abandonados… mas também em meios naturais particularmente vulneráveis, como por exemplo as pastagens silicícolas da Normandia. É algo natural, pois é uma espécie pioneira que «prepara o terreno» para que outras plantas possam instalar-se posteriormente. Na nossa flora indígena existem outras plantas capazes de realizar este tipo de trabalho, mas a budleia é de uma eficácia formidável, uma vez que vive muito pouco tempo: daí o seu caráter invasivo. Assim que outras plantas comecem a crescer no substrato criado pela budleia ao longo do tempo, vão fazer-lhe sombra e a budleia, essência de luz antes de tudo, desaparecerá. A vegetação poderá então desenvolver-se até ao climax, a evolução última de um meio natural: uma floresta de carvalhos, por exemplo. O único senão é que a budleia ocupa efetivamente o lugar de uma planta indígena útil para a fauna, nomeadamente para os insetos que, na sua maioria, co-evoluíram com as espécies endémicas. Recorde-se que uma planta exótica é sempre menos interessante para alimentar as larvas e os adultos dos insetos.

Nota bene: se tiver em casa a espécie-tipo e o seu caráter invasivo o preocupa, pode e mão na obra: corte o arbusto energicamente logo antes da formação das sementes! O problema fica resolvido.

  • A budleia contém aucubina e outros terpenoides tóxicos por ingestão nas suas folhas e ramos. É por isso que ninguém consome as folhas. Este é o segundo argumento avançado pelos naturalistas: «Se as borboletas porem ovos na budleia, as lagartas não conseguirão alimentar-se.» Na realidade, isto seria desconhecer profundamente os lepidópteros e sobretudo negar milhões de anos de evolução. Uma borboleta está geneticamente programada para pôr ovos apenas na planta ou na família de plantas de que a sua descendência necessita. E não noutras! No entanto, é verdade que se no seu jardim tiver apenas um relvado cortado rente, uma sebe de tuias e… uma única budleia: as borboletas não conseguirão pôr ovos. Portanto, terá borboletas no primeiro ano no seu arbusto e depois… nenhuma. Num jardim com uma maior diversidade de vegetais, as borboletas visitam rapidamente as flores da budleia e depois vão pôr ovos nas plantas vizinhas consoante a espécie de borboleta: urtiga, silva, gramíneas, frângula, Fabáceas, Brassicáceas, Apiáceas…
buddleja, arbusto-das-borboletas

Nota bene: algumas fontes referem que a lagarta da Esfinge-da-Caveira, bem como a da Cuculia do verbasco, se teriam adaptado para se alimentar de folhas de budleia na falta das suas verdadeiras plantas hospedeiras. "A natureza encontra sempre o seu caminho..."

  • O néctar do Buddleia davidii, embora produzido em grande quantidade, é pobre em açúcar comparativamente a outras flores. É, portanto, menos nutritivo para os insetos. Note-se que apenas os lepidópteros que possuem uma tromba conseguem alimentar-se deste néctar. Alguns abelhões conseguem cortar a corola para extrair parte dele. É também possível observar ocasionalmente alguns sirfídeos e até uma ou duas abelhas selvagens nas flores, mas é mais raro.
  • A grande maioria das variedades de Buddleia davidii vendidas no comércio são estéreis, ao contrário do que parece pensar a opinião pública. É portanto inútil censurar o colaborador que arruma as paletes no centro de jardim da sua zona por venderem budleias. Apenas a espécie-tipo é invasiva e já não está à venda.
  • As outras espécies e híbridos de budleia não levantam qualquer problema: B. globosa, B. alternifolia, B. nivea…

Por que planta substituir a budleia?

Se quiser agir pelo princípio da precaução e evitar plantar um «arbusto-das-borboletas», faça-o! Mas substitua-o por plantas indígenas ou semi-indígenas (Europa de Leste), deixando áreas selvagens no seu jardim onde intervém muito pouco. Para fazer as coisas verdadeiramente a fundo e tentar salvar o que resta de borboletas, evitando assim cair na hipocrisia geral. O grande clássico são os dadores de lições de fim de semana que o vão repreender porque tem uma planta chinesa no jardim, mas que comem tomates no inverno, andam num 4×4 a gasóleo e apanham o avião quatro vezes por ano. Em suma, são muitas vezes grandes faladores… Deixemo-los falar e sigamos em frente!

buddleja arbusto-das-borboletas

Em conclusão

Não estou a atirar pedras aos naturalistas. Longe disso... A sua luta é justa e necessária. Na realidade, se por vezes parecem de má-fé ou mesmo sectários, é antes de tudo por necessidade! Há décadas que ninguém os ouve sobre os temas ambientais. Decidiram portanto adotar uma linguagem mais fácil de compreender para o comum dos mortais, recorrendo a conselhos simples e precisos, aqui no nosso exemplo: «Não plantar mais budleias e arrancar todas as que existem!» Dado o que acontece nos dias de hoje, são obrigados a elevar o tom e paciência, se nessa história as outras budleias ficarem pelo caminho com a primeira…

No entanto, convém receber as informações que circulam sem filtro na internet com muitas reservas e fazer as suas próprias pesquisas. Talvez o néctar seja de facto uma droga. Talvez não... Há anos que esta informação é recorrente, imediatamente desmentida por outra equipa de investigação, e depois não... ou talvez... depende... Em suma, ainda estamos no domínio das especulações. 

Pessoalmente, realizei inventários sobre os lepidópteros diurnos e semi-noturnos (como a Esfinge-do-Moro) durante três anos em minha casa. Pude observar um aumento muito nítido do número de borboletas, bem como uma maior diversidade ao nível das espécies. No entanto, continuo a ter uma budleia. Mas esta está rodeada de vários ares de paraíso para insetos, pois plantei inúmeros vegetais indígenas (ou não) e deixei algumas áreas selvagens. O que prova que este arbusto não parece assim tão nocivo.

No momento em que escrevo estas linhas, vejo apenas um almirante-vermelho no meu «arbusto-das-borboletas», enquanto um funcho selvagem, uma bela superfície de orégão, um Eryngium planum e uma erva-gorda parecem ser «ze plèsse toubi» para os lepidópteros neste momento. 

Encorajo-o, portanto, a aventurar-se também no estudo das borboletas ou dos insetos em geral, a tirar as suas próprias conclusões e a manter sempre um espírito crítico. 

Talvez já tenha reparado neste verão, mas com os dias quentes, os naturalistas fizeram um pequeno regresso, sobretudo nas redes sociais… E, como todos os anos, uma certa categoria de entre eles levantou a voz contra uma planta exótica. Este ano, é a budleia, chamada «arbusto-das-borboletas», que é particularmente alvo da sua fúria. Invasiva? Perigosa […]

Os agapantos são flores espetaculares que se encontram frequentemente nos jardins à beira-mar, em particular na costa Oeste e na Bretanha. Apresentam, no verão, belas flores azuis, brancas ou lilás, em umbelas ao mesmo tempo marcantes e elegantes.

Plantas perenes sem preocupações, o agapanto aprecia o pleno sol em solo comum drenado, mas não demasiado seco no verão. A sua leveza e facilidade de cultivo constituem verdadeiros trunfos para realizar um canteiro florido ou um vaso.

A sua utilização no jardim era outrora limitada pela sua falta de rusticidade e pelo reduzido número de variedades… Hoje, os agapantos existem agora numa enorme variedade de cultivares e alguns apresentam mesmo uma bela resistência ao frio, o que coloca um outro problema: a escolha!

Eis, por isso, para ajudar, uma seleção de 7 agapantos «valores seguros» que se adequam a todos os jardins, seja qual for o seu tamanho, o seu estilo ou até o seu clima.

O agapanto Navy Blue (Midnight Star): o resistente

O Agapanthus 'Navy Blue', também chamado agapanto 'Midnight Star', faz parte dos agapantos mais populares. Esta variedade ocupa o pódio da melhor classificação e das melhores vendas da promesse de fleurs, e rapidamente se perceberá porquê!

As suas flores em umbelas ligeiras são de um azul-marinho intenso. Surgem em abundância entre julho e agosto. Quanto à sua folhagem verde-clara em fita, é caduca e, por isso mesmo, esta variedade faz parte dos agapantos mais rústicos, com resistência até -10 °C em solo bem drenado.

Agapanthus Navy Blue

O agapanto Navy Blue, resistente e popular

Vigoroso e de porte médio, com 60 cm de altura e 40 cm de envergadura, adapta-se igualmente bem em vaso ou em borda de canteiro.

→ Para saber mais sobre esta variedade, consulte o nosso artigo: "O agapanto 'Navy Blue': uma beleza resistente ao frio"

O agapanto Blue Giant: o gigante emblemático

O agapanto Blue Giant é uma planta perene incontornável na Bretanha! Muito frequentemente plantado, é apreciado pelas suas grandes flores azul-escuro de 18 cm de diâmetro, que surgem até 1,5 metros de altura. A sua altura faz dele uma planta notável para canteiros e fundos de canteiro. Cria importantes linhas verticais muito marcantes e elegantes. Também é possível desfrutar das suas belas e grandes flores como flores de corte.

Vigoroso e robusto graças às suas raízes carnudas, suporta até -12 °C.

variedade de agapanto para plantar

O agapanto Blue Giant ganha altura

O agapanto branco Albus: o incontornável

Ideal para os jardins brancos, o Agapanthus umbellatus Albus, também denominado Agapanthus africanus albus, distingue-se pela sua floração branca. As suas flores em umbelas de 15 cm de diâmetro estão situadas a 1 metro de altura acima de uma folhagem em fita semi-persistente. As suas umbelas são formadas por flores branco-neve em forma de campânulas. Pouco rústico, suporta até -5 °C, o que limita a sua utilização aos climas amenos.

Agapanthus africanus albus

O agapanto de flores brancas: Agapanthus albus

O agapanto Royal Velvet: a nova estrela

Original e recente, o agapanto Royal Velvet é uma nova estrela dos agapantos graças à sua cor intensa e muito na moda, qualificada de «ultra-violeta». Produz um efeito muito belo graças às suas flores em umbelas de 10 a 12 cm de diâmetro, únicas no seu género, pela sua coloração de violeta intenso rayado de um azul-violeta muito escuro. As suas umbelas surgem a 80 cm do solo, bem acima da folhagem (caduca), que forma uma bela touça. A elegância do agapanto Royal Velvet é inegável!

Agapanthus royal velvet

O agapanto Royal Velvet, uma nova variedade de flores ultra-violeta

As suas flores de um violeta intenso tornam-no ideal em jardins contemporâneos, mas também em cenários exóticos que combinam flores cor de laranja, como os tritomas, as canas-da-Índia ou os lírios-de-um-dia.

Para além da sua cor original, esta variedade acumula trunfos com a sua floração abundante, a sua robustez e a sua resistência ao frio até -10 °C.

O agapanto Double Diamond: o compacto de flores duplas

Recente, o agapanto Double Diamond é uma variedade que reúne duas qualidades: um porte compacto e uma floração generosa. O seu principal trunfo reside nas suas flores duplas em forma de trompete, de cor branco puro. Agrupadas em umbelas, medem 10 cm de diâmetro e surgem acima de uma touça de folhas persistentes em clima ameno. O seu porte compacto (35 cm de altura por 30 cm de largura) torna-o ideal em vaso, no terraço ou na varanda, mas também em borda de canteiro em todos os locais onde os invernos não são demasiado frios, pois não suporta temperaturas inferiores a -5 °C.

Agapanthus Double DiamondO agapanto Double Diamond, uma pequena variedade com generosas flores duplas

O agapanto Twister: o bicolor

O agapanto Twister é uma variedade original apreciada pelas suas flores bicolores. De grande dimensão, até 18 cm de diâmetro, as suas umbelas são formadas por flores brancas com base azul-escuro. Estas flores de duas cores conferem um certo dinamismo, ao mesmo tempo que combinam a suavidade dos tons, acentuada pela folhagem verde-acinzentada. De porte médio, este agapanto atinge 60 cm de altura por 50 cm de largura, sendo por isso ideal em segundo plano do canteiro, atrás de plantas tapizantes, podendo também ser cultivado em vaso grande.

Por fim, o agapanto Twister pode ser plantado sob muitos climas, pois tem a vantagem de fazer parte dos agapantos mais rústicos, suportando até -12 °C.

variedade agapanthus twister

O agapanto Twister: flores bicolores, brancas e azuis

O agapanto Pitchoune Blue: o pequeno perfeito em vaso

O agapanto Pitchoune Blue justifica bem o seu nome. Muito gracioso e de tamanho reduzido, esta variedade compacta mede apenas 50 cm de altura por 50 cm de largura. Anão, é perfeito em borda de canteiro, mas também para o cultivo em vaso, o que permite levá-lo para interior abrigado no inverno, pois, pouco rústico, suporta apenas -5 °C.

Apesar de pequeno, a variedade Pitchoune Blue distingue-se por uma abundante floribundidade. Floresce agradavelmente em azul ultramar acima de uma folhagem persistente em fita. No jardim, pode ser associado ou substituído pela sua "irmã mais nova" de flores brancas, Pitchoune White, que oferece as mesmas qualidades.

agapanthus pitchoune blue

O agapanto Pitchoune Blue, um valor seguro, ideal em vaso

Tem outras variedades a recomendar? Não hesite em partilhar o(s) seu(s) nome(s) deixando um comentário!

Os agapantos são flores espetaculares que se encontram frequentemente nos jardins à beira-mar, em particular na costa Oeste e na Bretanha. Apresentam, no verão, belas flores azuis, brancas ou lilás, em umbelas ao mesmo tempo marcantes e elegantes. Plantas perenes sem preocupações, o agapanto aprecia o pleno sol em solo comum drenado, mas não demasiado […]

Os cardos, de um modo geral, são frequentemente associados ao cardo-das-vinhas (Cirsium arvense), uma espécie mais temida do que apreciada. Por esse motivo, são bastante pouco plantados nos jardins. No entanto, os cardos ornamentais são pouco exigentes, fáceis de cultivar e, sobretudo, são incomparáveis para animar um canteiro um pouco plano, e isso mesmo durante o inverno, graças ao grafismo das suas inflorescências que perdura durante longos meses.

Eis, portanto, os nossos cardos preferidos, acompanhados de algumas ideias de associações.

O Echinops ritro, cardo-esférico ou cardo-azul

Rústico e sóbrio como um camelo, este cardo perene distingue-se pela sua floração azul, notável à distância. Apresenta uma folhagem verde com reflexos prateados, espinhosa, de onde se erguem, de julho a setembro, pequenas flores esféricas.

  • Cultivo: ao sol em qualquer solo drenante, mesmo pobre ou seco – rusticidade: -20 °C

Os echinops são fáceis de associar, em particular em canteiros de verão onde se misturam plantas perenes e gramíneas. São igualmente perfeitos para compor um belo camaieu de azul, com, por exemplo, o Echinops ritro, o Perovskia Lacey Blue, a Catananche caerulea e o Agastachae Blue Boa.

Echinops ritro, associação

O Onopordum acanthium, onopordo-dos-árabes

Monumental, o Onopordum acanthium (ou nervosum) é uma planta bienal que ergue, em julho, grandes flores rosa-púrpura a facilmente 2 metros de altura. Estão pousadas sobre uma haste tomentosa, ela própria guarnecida de uma folhagem cinzenta-esbranquiçada armada de espinhos formidáveis. O seu crescimento é simplesmente impressionante, pois contenta-se com muito pouco.

  • Cultivo: ao sol em todos os solos, mesmo secos com tendência calcária – rusticidade: -15 °C

Mais do que associado, o Onopordum acanthium é acompanhado. De facto, com a sua grande estatura e a sua silhueta gráfica, rouba facilmente o protagonismo às plantas que o rodeiam. Ainda assim, para o valorizar, não hesite em combiná-lo com a sálvia verticilada Purple Rain, o milefólio Lilac Beauty e o Elymus magellanicus.

Descubra o Onopordon em vídeo com o Olivier.

Onopordo-dos-árabes, associação

O Eryngium yuccifolium, um eríngio com folhas de iúca

Simplesmente encantador, este eríngio de origem americana distingue-se tanto pelas suas folhas um pouco cerosas, compridas e de ponta afiada, como pela sua floração. Sustidas em hastes ramificadas, as suas flores aparecem em julho, são numerosas, esféricas e de um belo branco acinzentado. Em canteiro, é uma excelente planta gráfica que forma rapidamente uma touceira de 1,5 metro de altura por 60 centímetros de largura, ideal para introduzir um toque de branco nos canteiros estivais.

  • Cultivo: ao sol num solo drenante – rusticidade: -15 °C

O eríngio-yuccifolium é a planta ideal para animar um canteiro um pouco sem graça. A forma das suas flores permite criar contraste com plantas de linhas verticais como os agastaches, as sálvias, os liátris, ou ainda com outras plantas perenes americanas como as equináceas, os helénios ou a bela pimpinela-do-Canadá. Aqui aparece associado à Sanguisorba Red Thunder, à equinácea Hot Summer e ao Liatris spicata.

Eryngium yuccifolium - associação

O Cirsium rivulare Atropurpureum, o cardo ribeirinho

Este cardo, perfeito em solo pesado e húmido, seduz pela sua floração vermelho-púrpura que surge a partir de junho. As suas flores, de cerca de 3 cm de diâmetro, são sustidas em altas hastes ramificadas que podem atingir um metro de altura. Gráfico mas um pouco selvagem, este cardo ribeirinho é uma dádiva para os terrenos encharcados, mas também para os insetos polinizadores, pois as suas flores são melíferas.

  • Cultivo: ao sol ou a meia-sombra num solo bastante rico, fresco a húmido – rusticidade: -15 °C

Versátil, este cardo adapta-se a todos os estilos de jardins: moderno, inglês ou natural. Associa-se bem com as astrâncias, as anémonas-do-japão, os astilbes, os Veronicastrums e com todas as gramíneas de solo fresco ou húmido como os carriços, os Deschampsia e as molínias. Pode ainda combiná-lo com a Filipendula ulmaria, o Lythrum salicaria Robert e o Carex elata Aurea.

Cirsium rivulare, associação

O Eryngium Jos Eijking®, cardo-azul de flores azuis

O Eryngium Jos Eijking® é um magnífico cardo-azul que brilha pelo seu tom azul-cobalto, mas também pelo grafismo das suas inflorescências cónicas coroadas de brácteas finamente recortadas. A sua altura moderada (70 cm de altura por 30 de largura) é amplamente compensada pela sua cor, que lhe confere uma presença extraordinária e não deixará de atrair todos os olhares no jardim.

  • Cultivo: ao sol num solo bem drenado, mesmo seco – rusticidade: -15 °C

Sublime num canteiro onde se declina toda a gama de tons azuis, este eríngio brilhará com ainda mais intensidade se lhe acrescentar um toque de amarelo vivo (com o Crocosmia Buttercup, por exemplo).

Para uma atmosfera mais serena e repousante, aposte no branco com o Gaura lindheimeri, no azul com o Perovskia Blue Spire e realce o conjunto com uma nota de milefólio Red Velvet.

Eryngium, associação

O Berkheya purpurea, cardo africano púrpura

Grandes flores de margaridas malvas com centro púrpura empoleiradas em hastes espinhosas ameaçadoras… eis o Berkheya purpurea! Curiosa, esta planta perene originária da África do Sul é bastante rústica e revela-se particularmente interessante em solo filtrante, não demasiado seco, porém. Apreciamo-la pela sua originalidade, mas sobretudo pelas suas flores de 10 cm de diâmetro e pela sua folhagem cinzenta-prateada e aveludada.

  • Cultivo: ao sol num solo bem drenado mas não demasiado seco – rusticidade: -10 °C

Perfeito num jardim de cascalho, o Berkheya associa-se com um grande número de plantas perenes, mas porque não combiná-lo com agapantos (originários, eles também, da África do Sul) como o agapanto Enigma, a bergamota Menthifolia e, para evocar o seu centro escuro, o Pennisetum alopecuroides Black Beauty.

Berkheya purpurea - associação

Não é bem um cardo, mas merece também o seu lugar nos nossos jardins: descubra também a bela e gráfica Cardeira ou Estalagem das aves em vídeo!

E no seu jardim, tem "cardos"? Quais são as suas variedades preferidas? Conte-nos

Os cardos, de um modo geral, são frequentemente associados ao cardo-das-vinhas (Cirsium arvense), uma espécie mais temida do que apreciada. Por esse motivo, são bastante pouco plantados nos jardins. No entanto, os cardos ornamentais são pouco exigentes, fáceis de cultivar e, sobretudo, são incomparáveis para animar um canteiro um pouco plano, e isso mesmo durante […]