Resumo
Para produzir legumes ou frutos bonitos, desfrutar de plantas ornamentais saudáveis e apreciar florações generosas, é necessário dispor de um solo saudável, fértil e humífero. Com efeito, um solo de qualidade é uma garantia de sucesso, uma vez que o solo não é apenas o suporte de cultivo, mas também uma fonte de nutrientes e de água para todos os vegetais nele plantados e para os organismos que nele vivem.
Como o solo é vivo (e deve continuar a sê-lo!), é essencial fertilizá-lo com corretivos naturais que são ecológicos, mas também económicos. Descubra as diferentes soluções caseiras 100 % naturais para fertilizar os solos da horta, mas também os canteiros e as bordaduras do jardim.
Fertilizar, o que significa, afinal?
Um solo fértil assenta num equilíbrio adequado entre critérios físicos relacionados com a profundidade ou a estrutura, mas também com a presença de nutrientes e de água, bem como de uma fauna edáfica (bactérias, fungos, minhocas, insetos…) ativa. Assim, fertilizar o solo consiste em fornecer-lhe os nutrientes essenciais (azoto, fósforo, potássio…) para o nutrir e, desse modo, estimular o crescimento das plantas. Por sua vez, um corretor de solo também permite atuar sobre a estrutura do solo, de modo a melhorar a retenção de água e a circulação do ar, facilitando o enraizamento das plantas.
Fertilizar um solo consiste em nutri-lo com corretores de solo para facilitar o crescimento das plantas. Ao passo que fornecer adubos consiste em nutrir as plantas.
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Adubo ou corretivo do solo: Qual a diferença?O composto, para melhorar a fertilidade do solo e nutrir as plantas
Compostar é devolver à natureza aquilo que lhe pertence, reproduzir à escala do jardim o ciclo da própria natureza e nutrir o solo de forma totalmente natural.
Compostar, um gesto ecológico
Com efeito, levar composto para o jardim equivale a reproduzir aquilo que acontece naturalmente na natureza, por exemplo num bosque: os detritos vegetais, como as folhas mortas, os ramos partidos… e os detritos animais (excrementos, mudas de pele, pelos e penas…) depositam-se no solo ao longo das estações. Surgem então os micro-organismos que constituem a fauna do solo. Estes insetos, micróbios, bactérias e fungos alimentam-se destes detritos orgânicos e asseguram a sua decomposição. Todos estes resíduos formam o húmus, rico em minerais (azoto, fósforo, potássio, cálcio…) e em carbono, que permitem nutrir as plantas e favorecer a vida do solo. O ciclo fica completo e mantém-se inalterado de um ano para o outro.

O composto é um excelente fertilizante para o solo
No jardim ou na horta, é impossível reproduzir este ciclo natural. Isto acontece simplesmente porque qualquer jardineiro que se preze tende a eliminar as ervas daninhas e os resíduos orgânicos. Além disso, tendo em conta o número de plantas cultivadas, o solo esgota-se mais depressa do que no bosque. E não tem capacidade para regenerar os seus recursos. Daí a aplicação de composto, obtido a partir da decomposição de resíduos orgânicos provenientes da cozinha ou do jardim.
O que é um bom composto?
Tal como na natureza, um bom composto deve ser constituído por uma grande diversidade de detritos orgânicos, simultaneamente húmidos ou verdes (cortes de relva, cascas de frutas e legumes, ervas daninhas…), ricos em azoto, e secos ou castanhos (ramos secos triturados, aparas de madeira, palha, folhas mortas…), interessantes pelo seu teor de carbono. Estes resíduos decompõem-se mais ou menos lentamente (6 meses a um ano), graças ao trabalho dos micro-organismos. Mas para que o processo de decomposição funcione corretamente, também são necessários oxigénio e humidade. Daí a necessidade de revolver e regar o composto para o arejar e humedecer.
Depois de amadurecido e bem decomposto, o composto espalha-se sobre o solo. Basta raspar a superfície para o incorporar superficialmente. Pode fazê-lo em qualquer época do ano, tanto para enriquecer o solo da horta como o dos canteiros, das sebes e das bordaduras. O composto também se mistura com a terra de plantação das plantas perenes, dos arbustos e das árvores.
Quer se faça compostagem em monte, num silo, num compostor, à superfície ou debaixo da terra, numa cova, ou até através de um vermicompostor ou do método Bokashi, pouco importa: o essencial é compostar. Quanto aos jardineiros que não sabem (ou não querem) fazer compostagem, podem encontrar sacos de composto prontos a utilizar. Ou então dirigir-se às plataformas de compostagem que estão a surgir nas comunidades intermunicipais.
A compostagem é benéfica porque:
- O composto melhora a fertilidade do solo
- Regenera os solos cansados e pobres
- Devolve-lhes vida e atrai micro-organismos
- Aligeira e estrutura os solos mais pesados
- Facilita a retenção de água e permite espaçar as regas
- Facilita o crescimento das plantas e protege-as contra as doenças
- Limita a amplitude térmica…
Recorde-se que a compostagem dos resíduos orgânicos do lixo é obrigatória desde 1 de janeiro de 2024.
Tudo o que precisa de saber sobre compostagem :
O estrume, interessante como complemento do composto
Se há um corretivo orgânico utilizado desde a Antiguidade, é certamente o estrume. Constituído por excrementos e urina de animais domésticos misturados com a sua liteira (geralmente palha), o estrume é muito rico em elementos minerais, na ordem dos 28 a 30 %. Por vezes, é ainda mais rico do que o composto, consoante o tipo de estrume, que pode provir de bovinos (vacas), equídeos (cavalos e burros), ovinos (ovelhas e cabras), porcos, aves de capoeira (excrementos de galinha) ou coelhos. O estrume de ovelha é muito rico, seguindo-se o de cavalo. Quanto aos excrementos de galinha, devem ser utilizados com precaução, pois são muito ricos em azoto. Em suma, cada tipo de estrume tem características diferentes, mais adequadas a um ou outro tipo de solo.
O estrume encontra-se sob diferentes formas. Pode ser obtido em estado bruto e fresco diretamente junto de um agricultor, de um centro hípico ou de um criador de animais. Também pode ser adquirido em saco, já decomposto e pronto a utilizar. E, desde há alguns anos, também se encontra estrume em grânulos, muito prático de utilizar e espalhar. Naturalmente, consoante o tipo e a forma do estrume, a aplicação deve ser feita em períodos diferentes. Assim, o estrume bruto só deve ser utilizado no outono, espalhado sobre o solo. No entanto, o ideal é deixar o estrume a compostar durante alguns meses, de modo a eliminar eventuais vestígios de ervas-daninhas, agentes patogénicos ou medicamentos administrados aos animais. O estrume também é perfeito para preparar camas quentes.

Decomposto durante pelo menos 6 meses, o estrume é um corretivo muito bom para o solo
O estrume deve, portanto, ser utilizado como complemento do composto para melhorar o solo, fornecendo-lhe húmus, tornando-o permeável, arejando-o, tornando-o mais leve ou, pelo contrário, conferindo-lhe maior consistência e, por fim, enriquecendo-o em microrganismos.
Para saber mais:
Os adubos verdes, plantas de crescimento rápido para incorporar no solo
Tal como o composto e o estrume, os adubos verdes enriquecem o solo, nomeadamente em azoto e húmus, mas também ajudam a trazer à superfície os elementos minerais retirados das camadas mais profundas, melhorando simultaneamente a sua estrutura através do sistema radicular. Com efeito, fertilizar o solo com adubos verdes consiste em cultivar determinadas plantas e, depois, enterrá-las ou deixá-las decompor-se. Para além da sua qualidade fertilizante, os adubos verdes evitam a proliferação das ervas-daninhas ao ocuparem o espaço, limitam a erosão do solo, sobretudo no inverno, estimulam a atividade biológica do solo e atraem e alimentam até insetos polinizadores através da sua floração melífera e nectarífera.
É possível identificar três tipos de adubos verdes, com propriedades diferentes. Consoante as carências do solo, podem semear-se Fabáceas (antigas leguminosas), como a ervilhaca, o trevo, o onobrychis vicifolia, a fava ou ainda as ervilhas, todas com capacidade para captar o azoto atmosférico e devolvê-lo ao solo. Entre os adubos verdes contam-se também as Brassicáceas, como a mostarda ou a colza, ideais para solos arenosos e pobres. Existem ainda as gramíneas, como o centeio, o trigo-sarraceno e a aveia, que devem ser cultivados em associação com as Fabáceas. A facélia é também considerada um excelente adubo verde.

O trevo, o onobrychis vicifolia, a ervilhaca, a mostarda e a facélia são adubos verdes para semear e enterrar no solo
Distinguem-se dois períodos para a sementeira dos adubos verdes: a primavera (imediatamente antes da plantação dos legumes de verão) e o outono. É certo que ocupam o terreno durante 2 a 3 meses, mas o benefício não é nada negligenciável!
Para saber mais: Adubos verdes: Porquê? Como?
Os chorumes e as decocções de plantas, com efeitos fitoestimulantes e fertilizantes
Quando se fala de chorumes e decocções de plantas, pensa-se sobretudo nos seus benefícios no combate às doenças e no afastamento das pragas. Em suma, estas preparações à base de plantas são frequentemente associadas a inseticidas ou fungicidas, reconhecidos pela sua ação curativa, mas também preventiva. São também excelentes adubos para as plantas e bons fertilizantes para os solos.

Além das suas propriedades inseticidas e fungicidas, o chorume de urtiga fertiliza o solo
Assim, alguns chorumes ou decocções, preparações fermentadas à base de plantas muito fáceis de fazer, têm como objetivo fornecer nutrientes essenciais para favorecer o crescimento das plantas. São geralmente diluídos na água da rega e aplicados no solo. Cada chorume tem utilizações e propriedades diferentes:
- O chorume de urtiga fornece sobretudo azoto ao solo
- O chorume de consolda é mais rico em potássio e oligoelementos
- O chorume de couve apresenta um bom teor de azoto e de oligoelementos
- O chorume de tomate é um fertilizante eficaz para frutos e legumes (tomates, couves e abóboras-gigantes).
É de notar que o chorume de urtiga se aplica sobretudo na primavera. Depois, o chorume de consolda pode assumir o seu lugar.
A terra de folhas, muito rica em matéria orgânica
A terra de folhas resulta simplesmente da decomposição de folhas mortas, às quais se juntam várias camadas de cortes de relva, estrume, composto e folhas de urtiga… Esta decomposição ocorre num silo durante vários meses a dois anos. Obtém-se um húmus bastante ácido, rico em azoto, fósforo e potassa.
Leia o artigo de Virginie D.: Como fazer uma boa terra de folhas?
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