Resumo
As palmeiras em poucas palavras
- As palmeiras têm uma silhueta majestosa, que transmite imediatamente muito exotismo!
- São compostas por um tronco muito direito, imponente, no topo do qual se desenvolve uma folhagem luxuriante
- Têm folhas muito grandes, que podem ser penadas ou palmadas
- As palmeiras são plantas muito gráficas
- Em geral, preferem exposições ensolaradas e terrenos drenantes
- É a planta perfeita para trazer exotismo ao jardim!
- Certas espécies são muito rústicas e podem sem problema ser cultivadas em plena terra no norte de França.
A palavra da nossa Especialista
As palmeiras são verdadeiramente plantas únicas: formam um grande grupo vegetal, a família das Arecáceas, e reconhecem-se imediatamente — não se assemelham a nenhuma outra planta. Impressionam-nos pela sua silhueta majestosa, composta por um estipe muito direito, no cume do qual se abre uma coroa de folhas. Estas são sempre muito grandes e assumem a forma de palmas (folhas palmadas) ou de penas (folhas penadas). Geralmente verdes, podem também apresentar belas tonalidades azuladas ou cinzentas.
Existem numerosas variedades de palmeiras: as magníficas Phoenix (incluindo as tamareiras e as palmeiras-das-Canárias), as palmeiras-do-moinho (por vezes também chamadas palmeiras-da-China), bem como as Washingtonia e as palmeiras-das-vassouras Chamaerops humilis… Encontram-se também palmeiras de interior, como as Areca, mas aqui falaremos essencialmente das palmeiras de exterior, para o jardim.
Será evidentemente mais fácil cultivá-las se habitar a região mediterrânica, no entanto certas palmeiras resistem muito bem ao frio e estão adaptadas a um cultivo em exterior mesmo no norte de França! Plantam-se na primavera, num local ensolarado, abrigado do vento, e num substrato drenante. As palmeiras mais pequenas podem ser instaladas em vaso ou jardineira, e colocadas num terraço! Em plena terra necessitam de pouca manutenção, mas precisam de mais atenção quando cultivadas em vaso. Nesse caso, será necessário regá-las de vez em quando, fornecer-lhes um pouco de adubo e mudá-las de vaso em média a cada três anos.
As palmeiras são plantas que impressionam e fascinam. São capazes de nos arrancar da morosidade e do cinzentismo do quotidiano para nos transportar para o sol. Fazem-nos sonhar ao trazer de imediato uma dose de exotismo ao jardim. O simples nome das palmeiras já basta para evocar um cenário de postal, uma praia paradisíaca com os seus coqueiros e a sua água turquesa… Então, porque não acrescentar um pouco de exotismo ao seu jardim?
Descrição e botânica
Ficha de identidade
- Nome latino Trachycarpus sp., Chamaerops sp., Washingtonia sp. ...
- Família Arecaceae
- Nome comum Palmeira
- Floração geralmente na primavera ou no verão
- Altura muito variável, frequentemente até 15-20 metros
- Exposição pleno sol
- Tipo de solo drenante, preferencialmente arenoso
- Rusticidade muito variável. Até – 20 °C para as mais rústicas
As palmeiras são plantas que possuem um tronco direito e imponente, denominado estipe, no topo do qual se abre uma coroa de folhas grandes, penadas ou palmadas. São verdadeiramente plantas à parte, bastante antigas, e que formam um conjunto muito diversificado. Constituem a família botânica das Arecáceas, reunindo entre 2500 e 2700 espécies, distribuídas por 185 géneros diferentes.
As palmeiras têm uma ampla distribuição mundial: muitas espécies são originárias da Indonésia e do Sudeste Asiático, outras provêm de África ou das Américas. Apenas duas palmeiras crescem espontaneamente na Europa, na região mediterrânica: a Chamaerops humilis e a Phoenix theophrasti. Encontram-se também numerosas espécies nas ilhas do Oceano Índico. A sua presença em ilhas e em regiões de clima muito ameno tornou-as um verdadeiro símbolo de férias, de descanso e de exotismo.
Em estado selvagem, as palmeiras surgem nos meios mais variados. Algumas provêm das florestas tropicais, outras crescem no deserto, outras ainda nas manguezais (como a Nypa fruticans)… Podem crescer à beira-mar tanto quanto em altitude (como na Cordilheira dos Andes).
Apreciadas pelo exotismo que trazem, encontraram o seu lugar nos jardins, mas são também cultivadas para a alimentação ou para o artesanato: rotim, ráfia, coco, tâmaras, óleo de palma, marfim vegetal… os usos das palmeiras são numerosos!
As palmeiras não são árvores: geralmente não são ramificadas, não possuem madeira nem ramos, e não podem crescer verdadeiramente em diâmetro, apenas em altura. Do ponto de vista botânico, seria mais correto considerá-las ervas gigantes do que árvores. Para designar o tronco das palmeiras, fala-se de «estipe». Este é, na realidade, constituído pela base dos pecíolos, que se vão acumulando à medida que a planta cresce.

Em estado selvagem, as palmeiras crescem em meios variados. Encontra-se a tamareira (Phoenix dactylifera) nas regiões desérticas (foto Franzfoto), o coqueiro (Cocos nucifera) nas praias à beira-mar (foto Kalamazadkhan), enquanto a Nypa fruticans cresce nos manguezais (foto Luis Argerich)
As palmeiras possuem apenas um gomo terminal, no topo do estipe, que lhes permite ganhar altura. Uma vez formado o estipe, este quase não pode crescer em diâmetro (à exceção de alguns casos em que as células se enchem de água, conferindo um pouco mais de espessura ao tronco…). Se o gomo terminal morrer, a palmeira ficará condenada, pois não poderá continuar a crescer.
A forma das palmeiras é característica. A maioria tem um longo estipe, muito direito e imponente, no topo do qual parte uma tufada de folhas. É raro que as palmeiras sejam ramificadas: existe geralmente um único estipe. No entanto, encontram-se algumas espécies que formam tufos e têm um hábito arbustivo, como a Chamaerops humilis. A Nannorrhops ritchiana é igualmente uma palmeira cespitosa que produz vários estipes. Existem mesmo palmeiras trepadeiras, como as pertencentes ao género Calamus! Os estipes das palmeiras trepadeiras podem atingir até 180 ou 200 metros de comprimento! Geralmente agarram-se às outras plantas graças aos seus espinhos.
A altura das palmeiras é muito variável. As mais cultivadas nos jardins medem até 15-20 metros, mas existem também palmeiras anãs, como a Chamaerops humilis, de hábito tupido. Na natureza, não há verdadeiramente regras: as maiores espécies atingem entre 50 e 60 metros de altura… enquanto as mais pequenas medem apenas algumas dezenas de centímetros!
O estipe das palmeiras pode ser bastante fino ou bem mais robusto. É frequentemente muito direito, embora os coqueiros que se veem à beira das praias tenham estipes arqueados, por vezes muito inclinados. A palmeira-do-Chile (Jubaea chilensis) possui um estipe particularmente imponente e muito liso, que pode medir quatro metros de circunferência na base!
Em algumas espécies, como a Trachycarpus fortunei, o estipe está coberto de fibras castanhas. As folhas podem também deixar cicatrizes bem visíveis no tronco, desenhando uma espécie de padrões (marcas horizontais, losangos ou outros). As palmeiras do género Hyophorbe possuem um estipe dilatado, o que lhes valeu o nome de palmeira-garrafa. Encontram-se também espécies com tronco vermelho vivo, do género Cyrtostachys. O estipe pode ainda ser muito espinhoso, como no Trithrinax campestris!

As palmeiras formam um grande grupo, do qual alguns indivíduos se distinguem pela sua originalidade. O estipe vermelho vivo da Cyrtostachys renda (Krzysztof Ziarnek, Kenraiz), o estipe ramificado da Hyphaene thebaica (foto Malcolm Manners), e a palmeira trepadeira Calamus thwaitesii (foto Dinesh Valke)
A maioria das palmeiras floresce na primavera ou no verão. As suas flores reúnem-se em inflorescências mais ou menos ramificadas, por vezes muito impressionantes! Encontram-se geralmente na axila das folhas mais baixas, mas podem também situar-se no meio do tufo de folhas, ou em posição terminal.
As flores são pequenas, e frequentemente brancas, cor de creme ou amarelas. São constituídas por três sépalas, três pétalas, geralmente seis estames, por vezes muitos mais. Na maioria das vezes, as flores são unissexuadas. São polinizadas pelos insetos ou pelo vento.
Algumas espécies de palmeiras têm apenas flores masculinas ou apenas flores femininas num mesmo exemplar: diz-se que são dioicas. É o caso da Trachycarpus fortunei. São necessários exemplares masculinos e femininos para se obterem sementes. Outras palmeiras possuem ao mesmo tempo flores masculinas e flores femininas num mesmo exemplar: são monoicas. É o caso do Sabal palmetto.
As palmeiras têm folhas muito grandes e espessas, coriáceas. São divididas, recortadas em segmentos finos e alongados, por vezes pontiagudos na extremidade. As folíolos são frequentemente plissados. As folhas podem também apresentar fios, fibras lineares, como na Washingtonia filifera. As da palmeira Licuala grandis são muito pouco recortadas, mas formam verdadeiros leques!
Quanto à forma geral, as palmeiras podem ter dois grandes tipos de folhas: são frequentemente palmadas (com uma forma de leque), mas podem também ser penadas (como uma pena, com um eixo central e segmentos dispostos de cada lado). Quando são penadas, são frequentemente de aspeto elegante, descrevendo uma curva graciosa. As dos Trachycarpus e Chamaerops são palmadas, enquanto as dos Phoenix ou Butia são penadas. Por vezes, as folhas assumem uma forma intermédia, designada costapalmada: em leque mas com um eixo central. Podem também ser bem mais originais, como as do Caryota mitis, a palmeira-rabo-de-peixe! As folhas são geralmente verdes, mas podem também apresentar tons mais azulados ou acinzentados. Por vezes são de cor verde-amarelada.

As folhas palmadas da Washingtonia robusta, a folhagem original em «rabo de peixe» da Caryota mitis (foto Mokkie), e as folhas penadas de um Phoenix (foto Wiethase Hendrik)
As folhas estão ligadas ao estipe por um espesso pecíolo, que pode ser muito espinhoso. Por vezes, a base deste permanece no tronco depois de a folha cair. Quando as folhas das palmeiras caem, deixam por vezes no tronco cicatrizes e padrões. É também bastante frequente que as folhas antigas, uma vez secas, fiquem presas ao estipe. É o caso, por exemplo, da palmeira-de-leque-da-califórnia, Washingtonia filifera. Formam espessas camadas de folhas mortas. Por razões estéticas, são muitas vezes retiradas e cortadas, para conferir um aspeto «arrumado». No entanto, estas folhas isolam e protegem o tronco. É preferível deixá-las no lugar.
As palmeiras possuem numerosas raízes fasciculadas pequenas e muito alongadas. São pouco ramificadas e não ganham em diâmetro, mas penetram profundamente no solo. Existe uma palmeira com grandes raízes aéreas (raízes-escoras), a Socratea exorrhiza.
Os frutos e sementes das palmeiras são extremamente heterogéneos. Os frutos são bagas ou drupas. Por vezes são imensos, como as nozes do coco-de-mer (Lodoicea maldivica), mas podem também ser minúsculos. Algumas espécies oferecem frutos comestíveis: é o caso das tâmaras (os frutos da Phoenix dactylifera), ou dos cocos. O fruto da palmeira Phytelephas fornece o marfim vegetal, que pode ser esculpido e trabalhado em joias, botões ou objetos. O óleo de palma provém da noz da palmeira Elaeis guineensis, hoje cultivada de forma intensiva. Os cocos estão adaptados para flutuar e serem dispersos pelo mar. É desta forma que o coqueiro coloniza novas ilhas.

As sementes do Butia capitata (foto Roger Culos – Museum de Toulouse), um coco (foto Nicolai Schäfer), e as tâmaras: frutos da palmeira Phoenix dactylifera (foto Bernadette Simpson)
Algumas espécies não toleram temperaturas negativas, enquanto outras são bem rústicas (Chamaerops humilis, Trachycarpus fortunei…). A palmeira-agulha Rhapidophyllum hystrix suporta mesmo entre – 20 e – 25 °C! Descubra a nossa coleção de palmeiras resistentes ao frio!
Em sentido inverso, encontram-se palmeiras que podem ser cultivadas durante todo o ano em interior, como a kentia, Howea forsteriana, uma planta de apartamento bastante comum, mas também a palmeira-anã Chamaedorea elegans, ou alguns Dypsis…
As principais variedades de palmeiras
Phoenix canariensis
- Período de floração Agosto, Setembro
- Altura à maturidade 15 m
Chamaerops humilis
- Período de floração Julho, Agosto
- Altura à maturidade 3,50 m
Trachycarpus fortunei - Palmeira-do-moinho
- Período de floração Agosto à Outubro
- Altura à maturidade 8 m
Butia capitata
- Período de floração Julho, Agosto
- Altura à maturidade 5 m
Jubaea chilensis
- Período de floração Julho, Agosto
- Altura à maturidade 13 m
Washingtonia filifera
- Período de floração Agosto, Setembro
- Altura à maturidade 17 m
Chamaerops humilis var. cerifera
- Período de floração Julho, Agosto
- Altura à maturidade 3 m
Rhapidophyllum hystrix
- Período de floração Julho, Agosto
- Altura à maturidade 3 m
Trachycarpus wagnerianus
- Período de floração Julho, Agosto
- Altura à maturidade 6,50 m
Washingtonia robusta
- Período de floração Agosto, Setembro
- Altura à maturidade 24 m
Nannorrhops ritchiana Silver - Palmeira-mazari
- Período de floração Agosto, Setembro
- Altura à maturidade 10 m
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Plantar uma palmeira
Onde plantar?
As palmeiras representam um grupo de plantas vasto e diversificado. Nem todas têm as mesmas necessidades. Algumas apreciam ambientes mais áridos, outras preferem ambientes frescos ou húmidos. A maioria das espécies aprecia o sol, mas algumas preferirão a sombra ou a meia-sombra. É importante informar-se sobre as condições de cultivo da espécie que se deseja plantar. Além disso, uma vez instaladas, as palmeiras não gostam de ser mudadas de lugar.
A maioria das palmeiras aprecia o pleno sol, pois necessitam de muita luminosidade. Evite, no entanto, as exposições abrasadoras. Existem também espécies que podem ser plantadas à sombra, como a Trachycarpus fortunei. Do mesmo modo, no sul de França, a Rhapidophyllum hystrix apreciará ser instalada à sombra ou à meia-sombra.
As palmeiras precisam de um substrato muito bem drenado. Não gostam de humidade estagnada, nem de solos pesados e argilosos, que as tornam ainda mais sensíveis ao frio. Preferem terrenos mais arenosos. Não hesite em trabalhar a drenagem durante a plantação, adicionando cascalho ou pozolana, ou plante num montículo, de modo a favorecer o escoamento da água.
A maioria das palmeiras aprecia solos drenantes, mas, aqui também, tudo depende da espécie que se cultiva (há sempre exceções!). Assim, a Nypa fruticans, que cresce em estado selvagem nos mangais, apreciará ter os pés na água!
As palmeiras preferem terrenos relativamente ricos em minerais, embora o Chamaerops possa crescer em solo pobre. Também apreciam solos profundos.
Escolha de preferência um local abrigado do vento, pois este pode danificar as folhas e torna as plantas mais sensíveis ao frio e à seca. Algumas espécies toleram muito bem os salpicos marinhos e podem, por isso, ser plantadas num jardim à beira-mar. É o caso, por exemplo, da Phoenix canariensis ou da Chamaerops humilis.
As palmeiras mais pequenas podem ser cultivadas em contentor (como a Chamaerops humilis…), e instaladas, por exemplo, numa esplanada. É a solução indicada se habitar numa região de clima rigoroso, ou se a sua palmeira não for muito rústica, pois poderá assim recolhê-la num abrigo sem geadas durante o inverno. Coloque uma camada de drenagem no fundo do vaso e escolha um substrato ao mesmo tempo drenante e suficientemente rico (composto, terra de jardim e areia).
As palmeiras são por vezes excelentes plantas de interior, como a Howea forsteriana ou a Chamaedorea, que podem facilmente ser cultivadas durante todo o ano em interiores. Com a sua silhueta muito ereta, imponente e majestosa, as palmeiras são também excelentes plantas de alinhamento. Valorizam de forma muito agradável as linhas de uma alameda.
Escolha um local adequado, com espaço suficiente para permitir que a palmeira se desenvolva corretamente. Se dispuser apenas de um jardim pequeno, evite cultivar as palmeiras mais imponentes, como a Jubaea chilensis.
Quando plantar?
Recomenda-se plantar a palmeira na primavera, entre abril e junho. Pode instalá-la um pouco mais cedo se habitar na região mediterrânica. A plantação ainda é possível no verão, mas evite sobretudo fazê-lo no outono ou no inverno, pois as palmeiras precisam de calor para se estabelecerem bem.
Como plantar?
- Coloque o torrão de molho durante alguns instantes numa bacia com água.
- Cave um buraco de plantação com duas a três vezes o tamanho do torrão. Pode adicionar cascalho ou pozolana no fundo do buraco para melhorar a drenagem. Acrescente um pouco de composto para enriquecer o solo, ou um adubo de libertação lenta.
- Instale o torrão, colocando a base do estipe ao nível do solo ou muito ligeiramente acima (tendo o cuidado de não enterrar o colo).
- Recoloque a terra à volta da palmeira e compacte.
- Regue abundantemente. Pode criar uma bacia de rega.
Continue a regar regularmente durante o primeiro ano.

Uma Chamaerops humilis em vaso
A manutenção das palmeiras
Se forem instalados em plena terra e se escolherem espécies rústicas, as palmeiras serão muito fáceis de cultivar. Quando estão em vaso, necessitam de um pouco mais de atenção do que quando se as cultiva em plena terra. São mais frágeis, mais sensíveis ao frio e à seca, precisam de mais adubo, etc.
Regue regularmente durante o ano da plantação. Nos anos seguintes, efectue apenas algumas regas em caso de seca prolongada. As palmeiras necessitarão de regas mais frequentes se forem cultivadas em vaso, pois o substrato seca muito mais depressa. Certifique-se de que se mantém fresco, sem ficar encharcado, e não deixe água estagnada no prato. Pode reduzir as regas no inverno. A maioria das palmeiras aprecia atmosferas húmidas: se o tempo estiver particularmente seco, pode pulverizar a folhagem. Esta operação é ainda mais importante para as palmeiras cultivadas em interior, pois o ar das nossas casas e apartamentos é muito mais seco do que o ar exterior.
As palmeiras são plantas bastante exigentes em nutrientes. Aconselhamos a aplicação de adubo ou de composto bem decomposto, especialmente se forem cultivadas em vaso. Pode também fertilizar a sua palmeira com chifre moído, guano ou sangue seco.
As palmeiras não têm todas a mesma resistência ao frio. Algumas suportam -15 °C, enquanto outras toleram muito mal as temperaturas negativas. Informe-se sobre a rusticidade da que está a cultivar! Certas espécies necessitam de proteção invernal contra o frio, nomeadamente durante os dois ou três primeiros anos. As palmeiras jovens são mais sensíveis ao frio do que os exemplares adultos. Pode, por exemplo, envolvê-las num véu de invernagem. No inverno, recolha para uma estufa ou para interior as palmeiras que cultiva em vaso, caso sejam pouco rústicas ou caso habite numa região fria. Coloque-as num local luminoso e pulverize a folhagem se a atmosfera estiver seca. Poderá colocá-las novamente lá fora na primavera, instalando-as primeiro a meia-sombra antes de as expor ao sol, para as aclimatizar progressivamente e evitar queimar a folhagem.
Se cultivar a sua palmeira em vaso, será necessário efetuar transplantes regulares, em média de três em três anos, para renovar o substrato e instalar a planta num vaso um pouco maior de cada vez. Realize eventualmente uma renovação superficial do substrato nos anos em que não efetua o transplante, para renovar o substrato à superfície.
→ Gwenaëlle explica em detalhe e com imagens como fazer facilmente o transplante de uma palmeira de interior.
A poda das palmeiras tem um interesse estético, mas não é uma operação necessariamente indispensável. Desaconselhamos a sua realização, pois as palmeiras podem prescindir dela, e esta atrai pragas. Se mesmo assim precisar de as podar, faça-o entre novembro e março (fora do período de voo das pragas), realize podas ligeiras e aplique um mástique cicatrizante. Pode efetuar o que se designa por “poda em ananás”, cortando os pecíolos suficientemente longe do estipe. Assim, a base dos pecíolos constitui uma proteção contra o frio, e a planta conserva as reservas nutritivas armazenadas nesses tecidos. Se cortar o estipe de uma palmeira, esta operação poderá ser-lhe fatal, pois possui no cimo do tronco um único gomo terminal que lhe permite crescer. Ao amputar essa parte terminal, a palmeira arrisca ficar condenada.
Por razões estéticas, por vezes aconselha-se cortar as folhas mortas que permanecem presas no estipe (visível, por exemplo, na palmeira-de-leque-da-califórnia). No entanto, essas folhas têm a sua utilidade: constituem uma camada isolante que protege a palmeira do frio e das pragas. É preferível deixá-las no lugar.
As doenças e pragas das palmeiras
A palmeira é por vezes atacada pela borboleta Paysandisia archon. Originária da América do Sul, expandiu-se em torno da bacia mediterrânica e causa grandes estragos no sul de França. As lagartas abrem galerias no estipe. As folhas ficam danificadas, perfuradas, amarelecem, secam e deformam-se. A palmeira tem ainda outro inimigo: o gorgulho-vermelho (Rhynchophorus ferrugineus), um coleóptero originário da Ásia. Também aqui as larvas abrem galerias no estipe ou nas folhas da palmeira. Esta corre o risco de morrer rapidamente.
→ leia também: “Combater o gorgulho-vermelho-das-palmeiras”
É possível detetar estes parasitas pela coroa de folhas que tomba, a queda das palmas, o seu ressecamento ou perfuração… Assim que se detete a sua presença, deve comunicá-lo à câmara municipal e tratar de eliminar o parasita. Tendo em conta os danos que causam, o combate a estas pragas é obrigatório.
→ leia também: “A borboleta da palmeira, Paysandisia archon – combate e tratamento”
Quando cultivadas em interior ou em estufa, as palmeiras são por vezes atacadas pelos aranhiços vermelhos e pelas cochinilhas. Contra as cochinilhas, pulverize com sabão negro. Quanto aos aranhiços vermelhos, preferem os ambientes secos: recomenda-se nebulizar a folhagem. Por fim, as palmeiras podem ser atacadas pela crisomela-da-palmeira, Pistosia dactyliferae, cujas larvas atacam o coração da planta.
São por vezes afetadas pelo fungo Chalara paradoxa, que faz apodrecer o gomo terminal e pode levar à morte da palmeira. Podem também ser afetadas por outras doenças criptogâmicas como o Phytophthora palmivora ou a Fusariose.
→ Consulte também a nossa ficha de conselhos: Nemátodos contra as pragas da palmeira: porquê e como utilizá-los no jardim?

A borboleta Paysandisia archon (foto Daniel Villafruela) e o gorgulho-vermelho-das-palmeiras Rhynchophorus ferrugineus (foto Katja Schulz)
Multiplicação: semear sementes de palmeira
As palmeiras multiplicam-se sobretudo por sementeira, embora algumas espécies (como a Chamaerops humilis) produzam rebentos que podem ser retirados para multiplicar a planta.
Sementeira
As sementes são muito variáveis de uma palmeira para outra, tanto em termos de tamanho como do protocolo de germinação ou da duração de conservação. Recomendamos que se informe sobre as condições de germinação específicas da espécie que pretende multiplicar. Algumas palmeiras demoram um ano a germinar, enquanto outras germinam em poucas semanas. Algumas precisam de uma imersão prévia das sementes em água morna, outras necessitam de um período no frigorífico antes de serem semeadas (estratificação). Outras ainda precisam que as sementes sejam escovadas, limpas e que a sua casca seja retirada. Da mesma forma, consoante as espécies, as necessidades em termos de higrometria e temperatura são diferentes. As palmeiras representam um grupo muito vasto e diversificado, sendo difícil fazer generalizações.
É preferível semear as sementes na primavera. E fazê-lo, se possível, pouco tempo após a colheita. Algumas sementes mantêm-se viáveis durante vários anos, outras perdem rapidamente a sua capacidade de germinação.
- Antes da sementeira, recomenda-se colocar as sementes em água morna durante pelo menos 24 horas, ou mesmo dois a três dias, mudando a água todos os dias. Isso facilita a germinação. Em algumas espécies, é uma passagem das sementes pelo frigorífico que favorecerá a germinação.
- Prepare vasos enchendo-os com um substrato drenante, por exemplo uma mistura de terra de planta e areia. Escolha vasos suficientemente altos, pois em algumas espécies as primeiras radículas que surgem penetram profundamente no substrato.
- Retire as sementes da água, enxagúe-as e semeie.
- Cubra-as com uma camada de substrato.
- Compacte ligeiramente.
- Regue com um jato fino.
- Coloque eventualmente uma tampa ou um saco de plástico sobre o vaso para manter uma atmosfera húmida.
Coloque as suas sementeiras num local luminoso, mas sem sol direto, e a uma temperatura de pelo menos 20 °C. Aqui também, informe-se sobre as condições de cultivo da espécie em particular: algumas palmeiras preferem uma temperatura entre 25 e 30 °C, enquanto para outras essa temperatura será demasiado elevada. O substrato deve manter-se fresco até à germinação; humedeça-o regularmente com um vaporizador. Tenha paciência: a germinação pode ser bastante demorada em algumas variedades.
Poderá depois transplantar as plantas jovens quando atingirem cerca de dez centímetros de altura.
Habitue progressivamente as suas palmeiras ao sol, colocando-as lá fora de vez em quando, antes de as instalar definitivamente em pleno sol. As palmeiras crescem lentamente no início, nos primeiros anos. O seu crescimento acelera depois.
Associações no jardim
Para um jardim com um toque exótico, recomenda-se instalar a palmeira ao lado de outras plantas de aspeto exótico. Crie uma zona exuberante privilegiando as folhagens impressionantes e gráficas, como as do rícino, do Tetrapanax papyrifera, da bananeira (por exemplo, Musa basjoo) ou do Colocasia ‘Pink China’… Descubra também a soberba folhagem, ao mesmo tempo gráfica e colorida, do Phormium. Se dispõe de um ponto de água, pode plantar o Gunnera manicata ou fetos-arbóreos nas proximidades. Aproveite igualmente a folhagem luminosa da gramínea Hakonechloa macra. E se procura plantas trepadeiras, opte pelas buganvílias ou pelas bignónias! Integre flores em tons quentes (vermelho, laranja, amarelo…): montbréceas, tritomas, canas-da-Índia, cebolinhas-de-jardim… Descubra também a majestosa floração da Hedychium gardnerianum! O ideal seria instalar estas plantas exóticas na orla de uma piscina ou de um lago… Assim, é bem possível que se sinta de férias cada vez que entrar no jardim!

Aproveite as palmeiras para criar uma atmosfera exótica! Trachycarpus fortunei (foto Vera Buhl), Phoenix canariensis (foto Forest & Kim Starr), Crocosmia ‘Lucifer’ (foto Vicky Brock), Tetrapanax papyrifera ‘Rex’, Kniphofia ‘Fiery Fred’ e Hedychium gardnerianum (foto J.J. Harrison)
Outra ideia interessante seria instalar as palmeiras num jardim de inspiração mediterrânica, para garantir igualmente uma atmosfera exótica — um ar de férias — mas desta vez num estilo um pouco mais seco, menos exuberante. Crie um ambiente mineral, eventualmente uma pedreira ornamental, e integre plantas aromáticas e gramíneas. Escolha alfazemas, santolinas, Stachys byzantina, Stipa tenuissima, milefólios… Privilegie as plantas de folhagens cinzentas e as plantas aromáticas. Acrescente algumas pequenas suculentas, como as Sempervivum ou os Sedum, que pode deslizar entre as pedras. Para um jardim verdadeiramente dépaysant, aproveite a silhueta elegante das iúcas, dos aloés e dos agaves. Pode também integrar algumas eufórbias ou cactos. Para contrastar com esta atmosfera seca e rochosa, pode instalar nas proximidades um pequeno ponto de água ou uma fonte.
As palmeiras podem perfeitamente ser plantadas isoladas, de modo a valorizar toda a sua arquitetura elegante. Pode isolá-las no meio de um relvado e conceber todo o jardim em torno delas, colocando-as ao centro, como peça central separada dos restantes canteiros. Com o seu hábito majestoso e muito ereto, as palmeiras são também por vezes plantadas em alinhamento, ao longo de um caminho ou de uma estrada (algo que se vê frequentemente na Côte d’Azur). Por fim, pode igualmente plantar as palmeiras em vaso numa esplanada, com citrinos, estrelícias, bananeiras ou maracujazeiros… Assim poderá facilmente trazê-las para dentro durante o inverno, num abrigo protegido das geadas.
Sabia que?
- Múltiplas utilizações!
As palmeiras podem ser utilizadas pelas suas fibras, sementes ou frutos. O Raphia é uma palmeira que dá a fibra com o mesmo nome. Da palmeira Calamus obtém-se o rattan, que pode ser trançado e permite também fabricar móveis… Utilizam-se igualmente as palmeiras para conceber coberturas de colmo. O fruto da palmeira Phytelephas dá o marfim vegetal, com o qual se confecionam joias, botões, objetos decorativos… A palmeira sangue-de-dragão, Daemonorops draco, produz um tipo de resina vermelha, utilizada pelas suas propriedades medicinais e como corante. O fruto da Areca dá a noz de bétel ou noz de Areca: dela se faz uma espécie de mascar cujas propriedades estimulantes têm também um efeito supressor do apetite. Algumas palmeiras produzem uma cera que permite fabricar velas.
- Na alimentação…
As palmeiras são também plantas utilizadas na alimentação: é claro o caso das tâmaras da tamareira (Phoenix dactylifera) e do coco (Cocos nucifera), mas também do açúcar de palma, obtido a partir da espécie Borassus flabellifer. Do mesmo modo, o centro dos estipes de várias palmeiras é comestível, dando origem aos palmitos. O óleo de palma é produzido pela Elaeis guineensis, uma espécie proveniente de África, mas cuja cultura intensiva coloca problemas de desflorestação, nomeadamente na Malásia e na Indonésia. A palmeira Metroxylon sagu dá o sagu, uma fécula consumida sobretudo na Papua-Nova Guiné sob a forma de broas. Faz-se também vinho de palma, fermentando a seiva de diversas palmeiras…
- Recordes
As palmeiras são plantas que batem todos os recordes. O Raphia regalis possui as folhas mais compridas do reino vegetal: podem medir até 25 metros de comprimento por 4 a 5 metros de largura! As sementes maiores são sem dúvida as do coco-do-mar, apelidado de coco-nádega (Lodoicea maldivica): podem pesar entre 20 e 25 kg, com 40 a 50 cm de diâmetro. A maior inflorescência do mundo é a do Corypha umbraculifera: chega a medir 7 a 8 metros de altura! Entre as palmeiras, a mais alta é o Ceroxylon quindiuense, que atinge entre 50 e 60 metros de altura.
- E em Portugal…?
Em Portugal, a melhor região para admirar as palmeiras é o Algarve, mas também os jardins botânicos do país guardam por vezes magníficas coleções nos seus pavilhões de estufa. Em França, destacam-se jardins como a Villa Thuret em Antibes ou o Parc Phoenix em Nice, na Côte d’Azur. O Jardim Botânico da Villa Thuret possui uma soberba coleção de palmeiras, algumas bastante antigas, com exemplares espetaculares de Jubaea chilensis. É possível consultar o livro L’Art d’acclimater les plantes exotiques, le Jardin de la Villa Thuret, de Catherine Ducatillion e Landy Blanc-Chabaud, publicado em 2010 pelas edições Quae.

Recursos úteis
- A nossa gama de palmeiras!
- O site da Associação Les Fous de Palmiers, com um fórum
- Livro La connaissance des palmiers, de Pierre-Olivier Albano, publicado em 2002 pela editora Edisud
- Encontre mais informações botânicas sobre as palmeiras no site Plantes & botanique
- Um outro site com muita informação sobre o cultivo das palmeiras
- Descubra as palmeiras de interior: Chamaedorea
- Descubra o nosso tutorial: Como secar uma folha de palmeira?
- Para prevenir e tratar: Doenças e parasitas das palmeiras
Perguntas frequentes
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Deve cortar as folhas mortas?
Alguns palmeiros conservam as folhas antigas junto ao estipe depois de secas, formando uma verdadeira «saia» sob as folhas ainda verdes. É o caso, por exemplo, da palmeira-de-leque-da-califórnia (Washingtonia filifera). Pode podá-las por razões estéticas. Assim, o palmeiro terá um aspeto mais cuidado. No entanto, se habita numa região fria, é preferível deixá-las: estas folhas constituem uma camada que protege o estipe do frio e das pragas.
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As folhas da minha palmeira estão a ficar amarelas!
A principal razão pela qual as palmas amarelecem é a falta de elementos minerais. A planta apresenta carência: adicione então adubo ou composto bem decomposto. Se estiver cultivada em vaso, mude-a de vaso. Se o seu terreno for calcário, é possível que a absorção dos elementos minerais esteja bloqueada. Da mesma forma, as folhas que amarelecem podem resultar de um problema de rega: são frequentemente sinal de excesso de humidade ou, por vezes, quando é a ponta das palmas que amarelece e seca, de falta de água. Regue deixando o substrato secar entre duas regas. É também possível que o seu solo esteja demasiado compactado e que isso provoque uma asfixia radicular.
O problema do amarelecimento das folhas pode também dever-se à borboleta Paysandisia archon. Vigie o estado da coroa (estará a ceder?) e verifique se algumas folhas estão perfuradas.
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As folhas da minha palmeira secaram
Se forem as folhas mais baixas, e o resto da copa estiver em bom estado, é completamente normal: alguns palmeiros formam uma "saia" de folhas mortas, mantendo-as à volta do tronco, por baixo das folhas ainda verdes. As folhas secas também podem indicar falta de rega ou uma atmosfera demasiado seca, sobretudo se cultivar o seu palmeiro em interior. Regue regularmente e não hesite em pulverizar a folhagem. Um palmeiro que tenha sofrido geada verá igualmente a sua folhagem ressecar.
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As folhas da minha palmeira estão perfuradas
Está provavelmente perante a mariposa Paysandisia archon, uma espécie invasora proveniente da Argentina e do Uruguai. As larvas roem o topo do estipe. A declaração de um novo foco e o combate a esta praga são agora obrigatórios.
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A coroa de folhas fica rala e tomba!
Se a copa está pouco densa e faltam palmas no topo, o responsável pode ser a mariposa Paysandisia archon ou o gorgulho-vermelho-das-palmeiras. As suas larvas roem a parte superior do estipe e aí escavam galerias. São duas espécies invasoras, que se estendem pelo território francês e que podem provocar rapidamente a morte das palmeiras. O combate a estas pragas é obrigatório, e passa pela pulverização de nemátodos, pela utilização de armadilhas de feromonas ou pela injeção de inseticidas no estipe.
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